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DJ Ivan Dias . FESTIVAL ROOTSTOCK . FORRÓ EM VINIL . O QUE É O FORRÓ
DJ Ivan Dias
Cidade Natal: São Paulo
Cidade em que Mora: São Paulo
Data de Nascimento:1974
Desde quando atua/frequenta no Forró: 1996/1997
Profissão: DJ, pesquisador e produtor de Forró
Hábitos Forrozeiros: Vai na festa com roupa do dia a dia, bebe água
entrevista realizada por Evandro Paz
texto escrito por iris De franco
DJ Ivan Dias Cidade Natal: São Paulo Cidade em que Mora: São Paulo Data de Nascimento:1974 Desde quando frequenta/atua no Forró: 1996/1997 Profissão: DJ, pesquisador e produtor de Forró Hábitos Forrozeiros: Vai na festa com roupa do dia a dia, bebe água entrevista realizada por Evandro Paz texto escrito por Iris de franco Ivan Dias é um grande DJ e pesquisador de Forró, recebeu o Troféu Gonzagão em reconhecimento ao Festival Rootstock dentro do cenário nacional. É é uma das figuras que mais contribuiu para o fomento, a difusão e a salvaguarda do Forró no mundo. Idealizador e um dos criadores do maior acervo de discos de Forró do mundo: Forró em Vinil http://www.forroemvinil.com/ e do Festival Rootstock, https://www.facebook.com/festivalrootstock, o pioneiro e o atualmente o maior do segmento do Forró Urbano, o qual recebeu cerca de 3000 pessoas por dia nas suas edições mais recentes. O Rootstock realizou diversas entrevistas e documentários importantes com as/os artistas forrozeiras/os como: Genival Lacerda, Flávio José, Anastácia, Mestrinho, Benício Guimarães, Zenilton, dentre tantas e tantos outros. Ivan fala do surgimento da ideia desta linda festa que atualmente dura, em média, 3 dias e acontece anualmente: “Éramos um grupo de amigos papeando, falávamos de um contraponto ao Forró Universitário (pop), chamávamos de Forró Roots (tradicional)... e claro influenciado pelo Woodstock” . Assim surgiu o Rootstock no início dos anos 2000, hoje um dos principais pontos de encontro dos forrozeiros do mundo, no princípio, um encontro de amigos em um sítio, que se transformou num festival profissional de Forró. Migrando do interior do estado de São Paulo, fincou sede em BH, cidade que hoje exibe uma cena de Forró bastante plural e intensa com relação a estilos e escolas de dança, DJs e festas. Ivan Dias foi pioneiro também em criar e concretizar a maior plataforma discográfica de Forró do mundo, o Forró em Vinil http://www.forroemvinil.com/ que disponibiliza gratuitamente álbuns novos e antigos para download. Este site se iniciou em 2007, numa época em que não existia o streaming, nem as nuvens e a moda era CD original ou mesmo pirata, num tempo que era muito difícil baixar música pela internet. Ivan fala: “Nós DJs tínhamos uma pesquisa, todos colecionavamos discos, tanto CDs quanto Vinis, (como o próprio Ivan que tem mais de 5000 vinis) e resolvemos compartilhar com as pessoas para além do baile, da festa, resolvemos dividir o que a gente tinha, sem cobrar. Eu e o DJ Tick decidimos usar as ferramentas da época da internet, para postar um disco por dia, e criar um banco de dados, disponibilizando o conteúdo online. Criamos o blog em janeiro de 2007.” O Forró em Vinil fez uma grande e importante pesquisa e trabalho de garimpo, tornando-se um dos maiores arquivos de História do Forró Música que hoje recebe colaboradores do Brasil inteiro. “Eu tive que peneirar, comprar discos e ver se tinha algo interessante de Forró, hoje os DJs têm uma pesquisa grande já pronta”, fala Ivan. Grande pesquisador de Forró, Ivan Dias, começou como DJ na Cooperativa Brasil, em 1997, casa de Forró em Campinas. Depois foi tocar no KVA e Projeto Equilíbrio, em São Paulo, em outros estados do Brasil e em diferentes países da Europa. Lançou inúmeras modas e resgatou artistas esquecidos através de sua discotecagem, pesquisa, produção de shows e gravação de álbuns de músicos e musicistas abandonadas/os pelo tempo, pela moda ou pela mídia. Ivan Dias produziu discos cerca de 25 CD , 9 DVDs e 3 vinis: 'Parafina' do Edson Duarte, um EP de 10 polegadas, de 2019, realizando um sonho do Seu Edson de ter um vinil e ser tocado nas pickups dos bailes de Forró. Depois, fez o re-press em formato vinil do primeiro CD do Trio Macaíba, um álbum de 2013 pelo qual se apaixonou, também prensado durante a pandemia. E o mais recente vinil é um disco inédito de Luizinho Calixto, um disco instrumental de Forró onde o elemento principal é a "Sanfona de 8 baixos" com músicas de autoria de Anastácia e Dominguinhos da década de 70, que fizeram parte da infância de Luizinho, irmão caçula dos Calixto. Ivan diz: “Enquanto Zé Calixto estava gravando, o Luizinho era criança, estava ouvindo, depois disso ele se tornou apenas o maior tocador de 8 baixos da história. O sonho do cara era gravar aquelas músicas da infância dele e eu tive o privilégio de interagir na produção do disco. A gente conseguiu fazer um álbum instrumental com participação de Mestrinho, Nicolas Krassik, Claudio Rabeca, Marcos Farias, Luciano Magno, Moisés Alves, entre outros ícones, um monte de gente legal. Ficou um disco lindo, tenho a honra de ter participado. O álbum ganhou o nome de 'Domingos' em homenagem a Dominguinhos.” Ivan Dias também foi premiado no nordeste com o Troféu Gonzagão em 2018 pelo seu trabalho com o Festival Rootstock, e recentemente foi contemplado pela segunda edição da Lei de Fomento ao Forró para a cidade de São Paulo, para a prensagem, compartilhamento e difusão do livro: O que é o Forró? http://www.forroemvinil.com/livros/livro-o-que-e-o-forro-2022-ivan-dias-esandrinho-dupan/ que hoje tem 100 páginas e está disponível online e nas bibliotecas públicas de SP. Este livro é um marco na História do Forró, pois faz a ligação entre os primórdios, a formação do movimento forrozeiro com a atualidade, dando um panorama mundial e abordando o Forró como um todo, enquanto festa, enquanto dança, enquanto música, o Forró enquanto estilo de vida. Ivan diz que dançar, entender as pistas de dança e um pouco de música, ajuda muito na carreira de DJ. Falou em entrevista para Forró Urbano: um álbum que conta histórias: “Eu adoslescente tinha essa ligação corporal que vem da capoeira, o batuque da capoeira tem tudo a ver com a musicalidade do Forró, que era um negócio viciante também (como o Forró). Capoeirista também tem esse lance fitness (fazendo a comparação com o forrozeiro), este lance de ficar completamente dentro daquele ambiente. Eu, moleque, era do esporte, da capoeira, do skate, gostava de andar de bicicleta, cheguei a praticar Triathlon, fiz faculdade de Educação Física, fui técnico de natação e durante a faculdade comecei a me enrolar com Forró. Eu tinha alguma influência de dança da lambada, Kaoma, eu tava no colegial. Mas era uma coisa mais coreografada, não era um negócio de condução como a gente tem hoje no Forró e era uma música que não me seduz, era também uma moda, algo sem raízes para mim.” Para além da corporalidade, Ivan conta então de suas raízes musicais: “Meus pais, eram muito musicais, embora não fossem musicistas, ouvi muita música durante a infância. Música clássica, por influência do meu pai e muita MPB por parte da minha mãe. Na pré-adolescência estudei Clarinete no Conservatório e a primeira música que aprendi a tocar foi ”Asa Branca“. Geneticamente, não tenho descendência nordestina, mas quando ouvi o Forró, parecia que já éramos íntimos há tempos. Depois disso pratiquei e aprendi rudimentos de Violão, Sanfona (acordeon), Canto e vários instrumentos de percussão, tudo de forma prática. Participei do Trio Boca Mole em meados dos anos 2000 e acompanhei alguns sanfoneiros tocando triângulo e cantando.” Trecho da sua entrevista concedida na revista Ritmo e Melodia https://www.ritmomelodia.mus.br
Ivan Dias em entrevista conduzida pelo professor Evandro Paz para Forró Urbano: um álbum que conta histórias: “Eu comecei toda essa onda do Forró sendo DJ e dando aula de dança. Um apanhado de toda minha carreira foi ter escrito o livro (O que é O Forró?). Acho que ele é um marco que resume um pouco do que eu aprendi nesse meio tempo.” “E comecei a frequentar o Forró mesmo, eu tava na faculdade, tinha por volta de uns 20 anos. Guaraná de rolha, né? rs. Deve ter sido por volta de 1996. Em meados da década de 1990 começaram a ter umas festas de Forró Universitário aqui em São Paulo, e digo que São Paulo também como estado, não só como cidade. E aí no final de 1996 eu fui para Itaúnas e fiquei um mês e meio lá.” Evandro: “Como você foi parar em Itaúnas?” “Foi uma história engraçada. Embora eu tivesse frequentado algumas festas de Forró aqui, aquilo era algo que não me chamava tanto atenção. E aí no final do ano a minha irmã me ligou e falou, Olha, nós estamos indo para o sul da Bahia. E vou eu e uma amiga nossa, que tal? No impulso, peguei o dinheiro entreguei para ela e falei: - 'ó, compra uma passagem para mim?' Na época não tinha internet, e também não tinha dinheiro para ir de avião, a gente tinha que ir na rodoviária comprar passagem. Eu fui com a minha irmã e com essa nossa amiga eu fiquei um tempão lá. Depois descobri que não era Bahia, era norte do Espírito Santo, aí a gente vai aprender a Geografia do local. Fui sem saber o que tinha lá. Cheguei e me deparei com o ambiente. E voltei convertido” Evandro: “Na religião? Perfeito! Explicação melhor que essa não tem? Aí aconteceu o batismo, não é?” “Então o sanfoneiro é o sacerdote, o nosso guia, rs. Tudo isso, cara! Nessa última temporada em Itaúnas, eu refleti sobre todo esse tempo de uma maneira interessante de se enxergar. Andando pela Vila, vi um monte de gente legal, encontrei milhares de amigos que eu não encontrava fazia tempo. E tropecei em forrozeiro, em músico, em sanfoneiro, em sanfoneirinho mirim, que tá nascendo agora, sabe, tipo?! E ali, cara, eu percebi que todo mundo, o que nós tínhamos em comum? Era o Forró. Todo mundo que estava ali em julho tava ali por causa do Forró. Não porque era temporada de férias, o cara não foi passar uma semana na praia. Quem tava ali é porque gosta de Forró.” “E ali pela primeira vez, depois de muito tempo, eu me senti normal. Eu passei minha vida toda sendo alienígena nos círculos de amizades de fora do Forró, eu era um alien. - O que você faz? - Eu trabalho com Forró. - Como você trabalha com Forró? Você vai no Forró se divertir? - Não, eu trabalho com Forró. E eu passei isso minha vida inteira, explicando para as pessoas que eu me dedicava ao Forró. - Qual é o seu problema, menino? Vai trabalhar! Toma rumo na sua vida, você não vai ser moleque para sempre! Aquela lição de moral que a vó falava quando o cara não escolhia a carreira de advocacia, medicina ou engenharia. Eu ouvi isso a vida inteira. Agora nesta temporada (em Itaúnas) eu caí na real: lá eu me senti normal, dentro do Rootstock eu me sinto normal, porque todo mundo ali gosta da mesma coisa (Forró) e isto não tem preço.” “Bom, eu não sei dizer o que me botou pra dentro do Forró, mas eu voltei de Itaúnas pela primeira vez cantando música de Forró, na semana que cheguei eu já queria ir para o Forró de novo. Acho que o Forró me pegou com as mesmas armas, qualidades que capta qualquer pessoa que está disposta a interagir, que sente o ritmo e que gosta de música brasileira. Desde que eu entrei para o Forró, a maior parte das músicas que eu ouço diariamente é Forró.” Como surgiu o nome Roots… O Forró já recebeu várias denominações no decorrer dos séculos e muitas de suas vertentes são variações e vem surgindo através dos tempos, visto que é uma cultura viva e que se atualiza conforme a época e o espaço que se realiza. Forró Raiz, Forró Tradicional, Forró Universitário, Piseiro, Forró Pé-de-Serra, Forró Eletrônico, Forró Estilizado, Forró Fieira, Forró Urbano, Forró Roots… Dentre todas as atuais modas no Forró, o Roots é um nome que intriga e veio para ficar, criando um novo ramo de estilos de dança, uma predileção por determinados tipos de músicas e maneiras de fazer a festa. Esta entrevista com Ivan Dias dá pistas de que, sem nem imaginar onde este festival iria dar, foi o Rootstock e Itaúnas que inspiraram este movimento. “É interessante ver que as mesmas nomenclaturas foram sendo usadas no decorrer dos séculos, para significar coisas diferentes. A festa Forró tocava diferentes ritmos e o povo dançava tudo, mas era chamada mais de Samba do que de Forró. Até que na década de 1950 o ritmo Samba, do jeito que a gente conhece hoje, se apropriou do nome para uma festa Samba onde só se tocasse o ritmo Samba. Ai sim a nomenclatura Forró passou a ser predominantemente usada para a festa. Foi só na década de 1960 que Jackson formatou um ritmo e batizou com o nome de Forró.” “O nome Forró já foi usado várias vezes, o nome Samba também. Samba Enredo, Samba de Partido Alto, Samba de Breque, Samba de Coco, entre outros... E porquê surgiram estas sub-denominações como Forró Eletrônico ou Forró Universitário, Forró Raiz, Forró Pé-de-serra, Forró Tradicional, etc.? Porque surgiram variações, aquele que tava antes às vezes sentiu a necessidade de se autocaracterizar como o Forró Tradicional (Pé-de-Serra), por exemplo: - O que tá saindo aí já não sou mais eu. Esses ai são meus filhos e netos.” “A nomenclatura Forró Pé-de-Serra é muito curiosa, ela não era utilizada até o final dos anos 1990, quando surgiu o movimento do Forró Universitário. Até o final da década de 1980, o Forró vinha evoluindo musicalmente até que surgiram as Bandas de Forró, que viriam a ser categorizadas como Forró Eletrônico. As Bandas se apropriaram do nome Forró, que até então era usado genericamente. Quando surgiu o Forró Universitário as gravadoras precisavam de um carimbo que dissesse, esse 'novo' Forró é diferente do Forró Eletrônico e também diferente daquele antigo lá (Pé-de-Serra) ... Que era estigmatizado como 'coisa de velho'. A indústria, a moda, a mídia precisam destes apelos, destas inovações.” “Em 1997, a Sony Music havia comprado os acervos de gravadoras antigas que tinham a maioria dos nossos Forrós. O diretor artístico, Oséas Lopes falou: - Vou fazer uma coletânea com os melhores destes arquivos e batizou com nome de Forró Pé-de-Serra. Para categorizar era aquele 'forrozinho antigo'. E a partir daí que se usa essa nomenclatura. Tem muita gente que acha que se chama Pé-de-serra desde os primórdios...” Evandro: “- O que contam é justamente isso, né? Acham que é pé da Serra do Araripe, do Luiz Gonzaga” Ivan: “- Mas não é. Certamente a música “No Meu Pé-de-Serra” inspirou, o título daquela coletânea. É algo super recente, as nomenclaturas vão se reciclando, que nem vocês da dança que inventaram um monte de nomenclaturas pra cada estilo de dança. Daí eu estou no Forró e uma menina, que tem a idade da minha filha, me pergunta: - Que estilo você dança? (risadas e palavrões) … Eu danço Forró... (ou pelo menos achava que dançava Forró) Tipo o básico: dois pra lá e dois pra cá. Tô brincando… mas o lance das nomenclaturas impreterivelmente vai mudando com o passar dos tempos.” “Quando preciso usar uma nomenclatura para definir, prefiro Forró Tradicional, Raiz pode abrir discussão sobre o que são as raízes do Forró. Pé-de-Serra eu acabei de contar a história. E eu não me classifico em lugar nenhum. Comecei antes do Forró Universitário e pude ver muitas fases do Forró. Não tenho mais a paixão de querer mudar o mundo, mas estou fazendo minha parte. O Piseiro e o Forró Eletrônico vão continuar a acontecer, apesar de não ser a minha praia, a gente tem que saber coexistir com os netos e bisnetos do Forró.” “O nome Rootstock, era um grupo de umas 8 pessoas, a gente brincava fazendo um contraponto ao Forró Universitário, mais pop e a gente chamava o Forró Tradicional de 'Roots', e o nome do festival veio em uma alusão ao Woodstock, as primeiras festas foram em sítios, fora da cidade. O primeiro Rootstock aconteceu logo após o ápice do Forró Universitário, hoje eu aceito críticas em função do nome ser em inglês, mas não sei como fazer para mudar.” Evandro: “Você acha que você tem responsabilidade por hoje as pessoas chamarem o jeito de dançar e até um lifestyle de Roots que talvez tenha vindo do Rootstock?” Ivan: “Cara, é possível, é provável que sim. Eu acho que o Festival Rootstock, assim como Itaúnas também, teve uma importância grande na mistura dos estilos de dança e forneceu uma plataforma de troca entre os dançarinos. Tornou-se um dos pontos de encontro de dançarinos que vinham de influências diferentes. Então acho que ajudou a batizar esse estilo lindo aí que a turma chamou de Roots. Antes não tinha esses floreios que o pessoal faz com os pés, na época a gente usava a nomenclatura por causa da música e depois de uns 10 anos, um dos estilos de dança ganhou este nome.” “Creio que sou muito mais próximo do Forró Urbano do que o que seria o Forró Raiz, porque quando eu falo 'Raiz' eu penso muito antes do trio tradicional. Antes era o Conjunto regional (até meados do século XX), o formato trio, que se tornou tradicional, já é uma evolução disso. A evolução é inexorável, tanto na música quanto na dança. Pensando na massificação da dança, a Salsa é a dança de casal que tem mais frequentadores no mundo, eu vejo o Forró como algo que vai superar a Salsa em número de usuários. A maior parte do mundo não entende espanhol, assim como não entende português. Mas o 'dois pra lá e dois pra cá', não precisa nem amarrar o elástico no joelho, kkkk (referindo-se à técnica de Evandro Paz usada nas aulas de Forró dança), na primeira aula, você ensina o básico pra aquele cara de quadril duro. Agora aquela requebradinha da Salsa, vixe, o cara vai demorar um ano e não vai aprender, o cara vai ter que ir no psicólogo para soltar o quadril e não vai aprender.” “A música pode estar presente na sua vida o dia inteiro, independente de estar no baile, você que é professor tem a dança presente no dia-a-dia. Quem é convertido no Forró respira Forró, às vezes o cara faz exercício de dança em casa. Essa molecada nova aí, estuda e aprende, fica vendo vídeos do professor ensinando as manobras. Isso é muito legal, a molecada tá estudando. Eu admiro demais, sou fã de todos vocês que ensinam Forró. Tem gente que fala que o legal do Forró é ensinar de pai para filho, orgânico. É uma visão purista e romântica, mas, com muita convicção, não concordo! Vocês professores de dança, das aulas, têm jogado o Forró para cima em quantidade de novos dançarinos no mundo inteiro, então e se eu tiver que apostar em alguma coisa, eu aposto todas as fichas em aulas de dança, na captação de alunos, pois é isso que vai preencher os bailes no futuro. Sem a dança e os professores de dança, o Forró seria mais cachaçado, muitos amigos antes eram Forró Fitness e viraram Forró cachaçado. Mas quem dança é diferente.” Ivan foi o primeiro produtor a colocar aulas de Forró dentro de um festival no Brasil, em 2013 no Festival Rootstock, ele completa: “E a multiplicação se dará através do Forró Urbano de professores ensinando Forró. Através disso que a gente tá vivendo na Europa, uma parada organizada, as associações fazendo os bailes, daqui a pouco vai ter os empresários de Forró organizando as paradas. A gente começou organizando uma festa diferente entre amigos e com o tempo o negócio foi crescendo e a gente consegue fazer uma festa gigantesca e auto suficiente, como o Festival Rootstock Brasil.” Histórias de Rootstock… “Até 2007 a gente fez o Festival Rootstock só com as feras que viviam no Sudeste. Em 2008, trouxemos o Edson Duarte. E em 2009, decidimos trazer Joci Batista. Ele era um coroa muito legal que tava parado lá no Recife desde a época do vinil. A gente achou o telefone dele, ligou na casa dele, ele atendeu... convidamos e o ele topou vir. E a filha dele ficou apreensiva: - Mas vocês vão buscar meu pai no aeroporto? - Claro! Era uma atração surpresa, ninguém sabia que ele viria. Eu tinha prometido para a filha dele ficar de olho no Seu Joci, então fui lá com ele dar uma volta na festa. Seu Joci andava devagarinho, a gente foi trocando ideia, eu mostrando a molecada para ele, a molecada dançando na beira da piscina. Ele: - Nossa, que bonito! A gente tava no camarim conversando e chegou Benício Guimarães, eles era grandes amigos, mas não se viam, não se encontravam e acho que eles não se falavam há uns trinta e tantos anos. Para ambos o encontro foi uma surpresa total. Ficou um silêncio por alguns segundos, eles se olharam, pensaram um pouco, se reconheceram (eles estavam pelo menos 30 anos mais velhos do que da última vez que haviam se encontrado), continuaram mudos, sorriram, fizeram uns movimentos coreografados (que devia ser alguma dança particular da época), correram devagarinho e se abraçaram. Pode parecer bobo, mas foi a coisa mais linda do mundo. Uma grande amizade não se acaba com o tempo e nem com a distância.
Cidade Natal: São Paulo
Cidade em que Mora: São Paulo
Data de Nascimento:1974
Desde quando atua/frequenta no Forró: 1996/1997
Profissão: DJ, pesquisador e produtor de Forró
Hábitos Forrozeiros: Vai na festa com roupa do dia a dia, bebe água
entrevista realizada por Evandro Paz
texto escrito por iris De franco
DJ Ivan Dias Cidade Natal: São Paulo Cidade em que Mora: São Paulo Data de Nascimento:1974 Desde quando frequenta/atua no Forró: 1996/1997 Profissão: DJ, pesquisador e produtor de Forró Hábitos Forrozeiros: Vai na festa com roupa do dia a dia, bebe água entrevista realizada por Evandro Paz texto escrito por Iris de franco Ivan Dias é um grande DJ e pesquisador de Forró, recebeu o Troféu Gonzagão em reconhecimento ao Festival Rootstock dentro do cenário nacional. É é uma das figuras que mais contribuiu para o fomento, a difusão e a salvaguarda do Forró no mundo. Idealizador e um dos criadores do maior acervo de discos de Forró do mundo: Forró em Vinil http://www.forroemvinil.com/ e do Festival Rootstock, https://www.facebook.com/festivalrootstock, o pioneiro e o atualmente o maior do segmento do Forró Urbano, o qual recebeu cerca de 3000 pessoas por dia nas suas edições mais recentes. O Rootstock realizou diversas entrevistas e documentários importantes com as/os artistas forrozeiras/os como: Genival Lacerda, Flávio José, Anastácia, Mestrinho, Benício Guimarães, Zenilton, dentre tantas e tantos outros. Ivan fala do surgimento da ideia desta linda festa que atualmente dura, em média, 3 dias e acontece anualmente: “Éramos um grupo de amigos papeando, falávamos de um contraponto ao Forró Universitário (pop), chamávamos de Forró Roots (tradicional)... e claro influenciado pelo Woodstock” . Assim surgiu o Rootstock no início dos anos 2000, hoje um dos principais pontos de encontro dos forrozeiros do mundo, no princípio, um encontro de amigos em um sítio, que se transformou num festival profissional de Forró. Migrando do interior do estado de São Paulo, fincou sede em BH, cidade que hoje exibe uma cena de Forró bastante plural e intensa com relação a estilos e escolas de dança, DJs e festas. Ivan Dias foi pioneiro também em criar e concretizar a maior plataforma discográfica de Forró do mundo, o Forró em Vinil http://www.forroemvinil.com/ que disponibiliza gratuitamente álbuns novos e antigos para download. Este site se iniciou em 2007, numa época em que não existia o streaming, nem as nuvens e a moda era CD original ou mesmo pirata, num tempo que era muito difícil baixar música pela internet. Ivan fala: “Nós DJs tínhamos uma pesquisa, todos colecionavamos discos, tanto CDs quanto Vinis, (como o próprio Ivan que tem mais de 5000 vinis) e resolvemos compartilhar com as pessoas para além do baile, da festa, resolvemos dividir o que a gente tinha, sem cobrar. Eu e o DJ Tick decidimos usar as ferramentas da época da internet, para postar um disco por dia, e criar um banco de dados, disponibilizando o conteúdo online. Criamos o blog em janeiro de 2007.” O Forró em Vinil fez uma grande e importante pesquisa e trabalho de garimpo, tornando-se um dos maiores arquivos de História do Forró Música que hoje recebe colaboradores do Brasil inteiro. “Eu tive que peneirar, comprar discos e ver se tinha algo interessante de Forró, hoje os DJs têm uma pesquisa grande já pronta”, fala Ivan. Grande pesquisador de Forró, Ivan Dias, começou como DJ na Cooperativa Brasil, em 1997, casa de Forró em Campinas. Depois foi tocar no KVA e Projeto Equilíbrio, em São Paulo, em outros estados do Brasil e em diferentes países da Europa. Lançou inúmeras modas e resgatou artistas esquecidos através de sua discotecagem, pesquisa, produção de shows e gravação de álbuns de músicos e musicistas abandonadas/os pelo tempo, pela moda ou pela mídia. Ivan Dias produziu discos cerca de 25 CD , 9 DVDs e 3 vinis: 'Parafina' do Edson Duarte, um EP de 10 polegadas, de 2019, realizando um sonho do Seu Edson de ter um vinil e ser tocado nas pickups dos bailes de Forró. Depois, fez o re-press em formato vinil do primeiro CD do Trio Macaíba, um álbum de 2013 pelo qual se apaixonou, também prensado durante a pandemia. E o mais recente vinil é um disco inédito de Luizinho Calixto, um disco instrumental de Forró onde o elemento principal é a "Sanfona de 8 baixos" com músicas de autoria de Anastácia e Dominguinhos da década de 70, que fizeram parte da infância de Luizinho, irmão caçula dos Calixto. Ivan diz: “Enquanto Zé Calixto estava gravando, o Luizinho era criança, estava ouvindo, depois disso ele se tornou apenas o maior tocador de 8 baixos da história. O sonho do cara era gravar aquelas músicas da infância dele e eu tive o privilégio de interagir na produção do disco. A gente conseguiu fazer um álbum instrumental com participação de Mestrinho, Nicolas Krassik, Claudio Rabeca, Marcos Farias, Luciano Magno, Moisés Alves, entre outros ícones, um monte de gente legal. Ficou um disco lindo, tenho a honra de ter participado. O álbum ganhou o nome de 'Domingos' em homenagem a Dominguinhos.” Ivan Dias também foi premiado no nordeste com o Troféu Gonzagão em 2018 pelo seu trabalho com o Festival Rootstock, e recentemente foi contemplado pela segunda edição da Lei de Fomento ao Forró para a cidade de São Paulo, para a prensagem, compartilhamento e difusão do livro: O que é o Forró? http://www.forroemvinil.com/livros/livro-o-que-e-o-forro-2022-ivan-dias-esandrinho-dupan/ que hoje tem 100 páginas e está disponível online e nas bibliotecas públicas de SP. Este livro é um marco na História do Forró, pois faz a ligação entre os primórdios, a formação do movimento forrozeiro com a atualidade, dando um panorama mundial e abordando o Forró como um todo, enquanto festa, enquanto dança, enquanto música, o Forró enquanto estilo de vida. Ivan diz que dançar, entender as pistas de dança e um pouco de música, ajuda muito na carreira de DJ. Falou em entrevista para Forró Urbano: um álbum que conta histórias: “Eu adoslescente tinha essa ligação corporal que vem da capoeira, o batuque da capoeira tem tudo a ver com a musicalidade do Forró, que era um negócio viciante também (como o Forró). Capoeirista também tem esse lance fitness (fazendo a comparação com o forrozeiro), este lance de ficar completamente dentro daquele ambiente. Eu, moleque, era do esporte, da capoeira, do skate, gostava de andar de bicicleta, cheguei a praticar Triathlon, fiz faculdade de Educação Física, fui técnico de natação e durante a faculdade comecei a me enrolar com Forró. Eu tinha alguma influência de dança da lambada, Kaoma, eu tava no colegial. Mas era uma coisa mais coreografada, não era um negócio de condução como a gente tem hoje no Forró e era uma música que não me seduz, era também uma moda, algo sem raízes para mim.” Para além da corporalidade, Ivan conta então de suas raízes musicais: “Meus pais, eram muito musicais, embora não fossem musicistas, ouvi muita música durante a infância. Música clássica, por influência do meu pai e muita MPB por parte da minha mãe. Na pré-adolescência estudei Clarinete no Conservatório e a primeira música que aprendi a tocar foi ”Asa Branca“. Geneticamente, não tenho descendência nordestina, mas quando ouvi o Forró, parecia que já éramos íntimos há tempos. Depois disso pratiquei e aprendi rudimentos de Violão, Sanfona (acordeon), Canto e vários instrumentos de percussão, tudo de forma prática. Participei do Trio Boca Mole em meados dos anos 2000 e acompanhei alguns sanfoneiros tocando triângulo e cantando.” Trecho da sua entrevista concedida na revista Ritmo e Melodia https://www.ritmomelodia.mus.br
Ivan Dias em entrevista conduzida pelo professor Evandro Paz para Forró Urbano: um álbum que conta histórias: “Eu comecei toda essa onda do Forró sendo DJ e dando aula de dança. Um apanhado de toda minha carreira foi ter escrito o livro (O que é O Forró?). Acho que ele é um marco que resume um pouco do que eu aprendi nesse meio tempo.” “E comecei a frequentar o Forró mesmo, eu tava na faculdade, tinha por volta de uns 20 anos. Guaraná de rolha, né? rs. Deve ter sido por volta de 1996. Em meados da década de 1990 começaram a ter umas festas de Forró Universitário aqui em São Paulo, e digo que São Paulo também como estado, não só como cidade. E aí no final de 1996 eu fui para Itaúnas e fiquei um mês e meio lá.” Evandro: “Como você foi parar em Itaúnas?” “Foi uma história engraçada. Embora eu tivesse frequentado algumas festas de Forró aqui, aquilo era algo que não me chamava tanto atenção. E aí no final do ano a minha irmã me ligou e falou, Olha, nós estamos indo para o sul da Bahia. E vou eu e uma amiga nossa, que tal? No impulso, peguei o dinheiro entreguei para ela e falei: - 'ó, compra uma passagem para mim?' Na época não tinha internet, e também não tinha dinheiro para ir de avião, a gente tinha que ir na rodoviária comprar passagem. Eu fui com a minha irmã e com essa nossa amiga eu fiquei um tempão lá. Depois descobri que não era Bahia, era norte do Espírito Santo, aí a gente vai aprender a Geografia do local. Fui sem saber o que tinha lá. Cheguei e me deparei com o ambiente. E voltei convertido” Evandro: “Na religião? Perfeito! Explicação melhor que essa não tem? Aí aconteceu o batismo, não é?” “Então o sanfoneiro é o sacerdote, o nosso guia, rs. Tudo isso, cara! Nessa última temporada em Itaúnas, eu refleti sobre todo esse tempo de uma maneira interessante de se enxergar. Andando pela Vila, vi um monte de gente legal, encontrei milhares de amigos que eu não encontrava fazia tempo. E tropecei em forrozeiro, em músico, em sanfoneiro, em sanfoneirinho mirim, que tá nascendo agora, sabe, tipo?! E ali, cara, eu percebi que todo mundo, o que nós tínhamos em comum? Era o Forró. Todo mundo que estava ali em julho tava ali por causa do Forró. Não porque era temporada de férias, o cara não foi passar uma semana na praia. Quem tava ali é porque gosta de Forró.” “E ali pela primeira vez, depois de muito tempo, eu me senti normal. Eu passei minha vida toda sendo alienígena nos círculos de amizades de fora do Forró, eu era um alien. - O que você faz? - Eu trabalho com Forró. - Como você trabalha com Forró? Você vai no Forró se divertir? - Não, eu trabalho com Forró. E eu passei isso minha vida inteira, explicando para as pessoas que eu me dedicava ao Forró. - Qual é o seu problema, menino? Vai trabalhar! Toma rumo na sua vida, você não vai ser moleque para sempre! Aquela lição de moral que a vó falava quando o cara não escolhia a carreira de advocacia, medicina ou engenharia. Eu ouvi isso a vida inteira. Agora nesta temporada (em Itaúnas) eu caí na real: lá eu me senti normal, dentro do Rootstock eu me sinto normal, porque todo mundo ali gosta da mesma coisa (Forró) e isto não tem preço.” “Bom, eu não sei dizer o que me botou pra dentro do Forró, mas eu voltei de Itaúnas pela primeira vez cantando música de Forró, na semana que cheguei eu já queria ir para o Forró de novo. Acho que o Forró me pegou com as mesmas armas, qualidades que capta qualquer pessoa que está disposta a interagir, que sente o ritmo e que gosta de música brasileira. Desde que eu entrei para o Forró, a maior parte das músicas que eu ouço diariamente é Forró.” Como surgiu o nome Roots… O Forró já recebeu várias denominações no decorrer dos séculos e muitas de suas vertentes são variações e vem surgindo através dos tempos, visto que é uma cultura viva e que se atualiza conforme a época e o espaço que se realiza. Forró Raiz, Forró Tradicional, Forró Universitário, Piseiro, Forró Pé-de-Serra, Forró Eletrônico, Forró Estilizado, Forró Fieira, Forró Urbano, Forró Roots… Dentre todas as atuais modas no Forró, o Roots é um nome que intriga e veio para ficar, criando um novo ramo de estilos de dança, uma predileção por determinados tipos de músicas e maneiras de fazer a festa. Esta entrevista com Ivan Dias dá pistas de que, sem nem imaginar onde este festival iria dar, foi o Rootstock e Itaúnas que inspiraram este movimento. “É interessante ver que as mesmas nomenclaturas foram sendo usadas no decorrer dos séculos, para significar coisas diferentes. A festa Forró tocava diferentes ritmos e o povo dançava tudo, mas era chamada mais de Samba do que de Forró. Até que na década de 1950 o ritmo Samba, do jeito que a gente conhece hoje, se apropriou do nome para uma festa Samba onde só se tocasse o ritmo Samba. Ai sim a nomenclatura Forró passou a ser predominantemente usada para a festa. Foi só na década de 1960 que Jackson formatou um ritmo e batizou com o nome de Forró.” “O nome Forró já foi usado várias vezes, o nome Samba também. Samba Enredo, Samba de Partido Alto, Samba de Breque, Samba de Coco, entre outros... E porquê surgiram estas sub-denominações como Forró Eletrônico ou Forró Universitário, Forró Raiz, Forró Pé-de-serra, Forró Tradicional, etc.? Porque surgiram variações, aquele que tava antes às vezes sentiu a necessidade de se autocaracterizar como o Forró Tradicional (Pé-de-Serra), por exemplo: - O que tá saindo aí já não sou mais eu. Esses ai são meus filhos e netos.” “A nomenclatura Forró Pé-de-Serra é muito curiosa, ela não era utilizada até o final dos anos 1990, quando surgiu o movimento do Forró Universitário. Até o final da década de 1980, o Forró vinha evoluindo musicalmente até que surgiram as Bandas de Forró, que viriam a ser categorizadas como Forró Eletrônico. As Bandas se apropriaram do nome Forró, que até então era usado genericamente. Quando surgiu o Forró Universitário as gravadoras precisavam de um carimbo que dissesse, esse 'novo' Forró é diferente do Forró Eletrônico e também diferente daquele antigo lá (Pé-de-Serra) ... Que era estigmatizado como 'coisa de velho'. A indústria, a moda, a mídia precisam destes apelos, destas inovações.” “Em 1997, a Sony Music havia comprado os acervos de gravadoras antigas que tinham a maioria dos nossos Forrós. O diretor artístico, Oséas Lopes falou: - Vou fazer uma coletânea com os melhores destes arquivos e batizou com nome de Forró Pé-de-Serra. Para categorizar era aquele 'forrozinho antigo'. E a partir daí que se usa essa nomenclatura. Tem muita gente que acha que se chama Pé-de-serra desde os primórdios...” Evandro: “- O que contam é justamente isso, né? Acham que é pé da Serra do Araripe, do Luiz Gonzaga” Ivan: “- Mas não é. Certamente a música “No Meu Pé-de-Serra” inspirou, o título daquela coletânea. É algo super recente, as nomenclaturas vão se reciclando, que nem vocês da dança que inventaram um monte de nomenclaturas pra cada estilo de dança. Daí eu estou no Forró e uma menina, que tem a idade da minha filha, me pergunta: - Que estilo você dança? (risadas e palavrões) … Eu danço Forró... (ou pelo menos achava que dançava Forró) Tipo o básico: dois pra lá e dois pra cá. Tô brincando… mas o lance das nomenclaturas impreterivelmente vai mudando com o passar dos tempos.” “Quando preciso usar uma nomenclatura para definir, prefiro Forró Tradicional, Raiz pode abrir discussão sobre o que são as raízes do Forró. Pé-de-Serra eu acabei de contar a história. E eu não me classifico em lugar nenhum. Comecei antes do Forró Universitário e pude ver muitas fases do Forró. Não tenho mais a paixão de querer mudar o mundo, mas estou fazendo minha parte. O Piseiro e o Forró Eletrônico vão continuar a acontecer, apesar de não ser a minha praia, a gente tem que saber coexistir com os netos e bisnetos do Forró.” “O nome Rootstock, era um grupo de umas 8 pessoas, a gente brincava fazendo um contraponto ao Forró Universitário, mais pop e a gente chamava o Forró Tradicional de 'Roots', e o nome do festival veio em uma alusão ao Woodstock, as primeiras festas foram em sítios, fora da cidade. O primeiro Rootstock aconteceu logo após o ápice do Forró Universitário, hoje eu aceito críticas em função do nome ser em inglês, mas não sei como fazer para mudar.” Evandro: “Você acha que você tem responsabilidade por hoje as pessoas chamarem o jeito de dançar e até um lifestyle de Roots que talvez tenha vindo do Rootstock?” Ivan: “Cara, é possível, é provável que sim. Eu acho que o Festival Rootstock, assim como Itaúnas também, teve uma importância grande na mistura dos estilos de dança e forneceu uma plataforma de troca entre os dançarinos. Tornou-se um dos pontos de encontro de dançarinos que vinham de influências diferentes. Então acho que ajudou a batizar esse estilo lindo aí que a turma chamou de Roots. Antes não tinha esses floreios que o pessoal faz com os pés, na época a gente usava a nomenclatura por causa da música e depois de uns 10 anos, um dos estilos de dança ganhou este nome.” “Creio que sou muito mais próximo do Forró Urbano do que o que seria o Forró Raiz, porque quando eu falo 'Raiz' eu penso muito antes do trio tradicional. Antes era o Conjunto regional (até meados do século XX), o formato trio, que se tornou tradicional, já é uma evolução disso. A evolução é inexorável, tanto na música quanto na dança. Pensando na massificação da dança, a Salsa é a dança de casal que tem mais frequentadores no mundo, eu vejo o Forró como algo que vai superar a Salsa em número de usuários. A maior parte do mundo não entende espanhol, assim como não entende português. Mas o 'dois pra lá e dois pra cá', não precisa nem amarrar o elástico no joelho, kkkk (referindo-se à técnica de Evandro Paz usada nas aulas de Forró dança), na primeira aula, você ensina o básico pra aquele cara de quadril duro. Agora aquela requebradinha da Salsa, vixe, o cara vai demorar um ano e não vai aprender, o cara vai ter que ir no psicólogo para soltar o quadril e não vai aprender.” “A música pode estar presente na sua vida o dia inteiro, independente de estar no baile, você que é professor tem a dança presente no dia-a-dia. Quem é convertido no Forró respira Forró, às vezes o cara faz exercício de dança em casa. Essa molecada nova aí, estuda e aprende, fica vendo vídeos do professor ensinando as manobras. Isso é muito legal, a molecada tá estudando. Eu admiro demais, sou fã de todos vocês que ensinam Forró. Tem gente que fala que o legal do Forró é ensinar de pai para filho, orgânico. É uma visão purista e romântica, mas, com muita convicção, não concordo! Vocês professores de dança, das aulas, têm jogado o Forró para cima em quantidade de novos dançarinos no mundo inteiro, então e se eu tiver que apostar em alguma coisa, eu aposto todas as fichas em aulas de dança, na captação de alunos, pois é isso que vai preencher os bailes no futuro. Sem a dança e os professores de dança, o Forró seria mais cachaçado, muitos amigos antes eram Forró Fitness e viraram Forró cachaçado. Mas quem dança é diferente.” Ivan foi o primeiro produtor a colocar aulas de Forró dentro de um festival no Brasil, em 2013 no Festival Rootstock, ele completa: “E a multiplicação se dará através do Forró Urbano de professores ensinando Forró. Através disso que a gente tá vivendo na Europa, uma parada organizada, as associações fazendo os bailes, daqui a pouco vai ter os empresários de Forró organizando as paradas. A gente começou organizando uma festa diferente entre amigos e com o tempo o negócio foi crescendo e a gente consegue fazer uma festa gigantesca e auto suficiente, como o Festival Rootstock Brasil.” Histórias de Rootstock… “Até 2007 a gente fez o Festival Rootstock só com as feras que viviam no Sudeste. Em 2008, trouxemos o Edson Duarte. E em 2009, decidimos trazer Joci Batista. Ele era um coroa muito legal que tava parado lá no Recife desde a época do vinil. A gente achou o telefone dele, ligou na casa dele, ele atendeu... convidamos e o ele topou vir. E a filha dele ficou apreensiva: - Mas vocês vão buscar meu pai no aeroporto? - Claro! Era uma atração surpresa, ninguém sabia que ele viria. Eu tinha prometido para a filha dele ficar de olho no Seu Joci, então fui lá com ele dar uma volta na festa. Seu Joci andava devagarinho, a gente foi trocando ideia, eu mostrando a molecada para ele, a molecada dançando na beira da piscina. Ele: - Nossa, que bonito! A gente tava no camarim conversando e chegou Benício Guimarães, eles era grandes amigos, mas não se viam, não se encontravam e acho que eles não se falavam há uns trinta e tantos anos. Para ambos o encontro foi uma surpresa total. Ficou um silêncio por alguns segundos, eles se olharam, pensaram um pouco, se reconheceram (eles estavam pelo menos 30 anos mais velhos do que da última vez que haviam se encontrado), continuaram mudos, sorriram, fizeram uns movimentos coreografados (que devia ser alguma dança particular da época), correram devagarinho e se abraçaram. Pode parecer bobo, mas foi a coisa mais linda do mundo. Uma grande amizade não se acaba com o tempo e nem com a distância.

Isabel Santos . FÓRUM DO FORRÓ DE SP . FORRÓ PATRIMÔNIO CULTURAL
Isabel Santos
Cidade onde nasceu: São Paulo
Cidade onde mora: São Paulo
Profissão: biomédica / Gestora Cultural
No Forró desde: 2003
Nasceu em: 17/11/1966
“Sou nômade, circulo entre os diversos ambientes e grupos dentro do Forró, tendo como minhas maiores influências o Forró Raiz e suas matrizes. Forró para mim é uma expressão Cultural Brasileira que identifica a filosofia de seu povo!”
Isabel estimulou a criação do Movimento do Forró como Patrimônio Cultural em São Paulo e assumiu a responsabilidade de coordenar o Fórum Estadual do Forró de Raiz SP perante o Fórum Nacional e ao IPHAN, em 2017. À partir de 2018, numa mobilização de 4 meses junto à comunidade, co-organizou o evento do 1o Fórum de Forró de São Paulo, que aconteceu em abril18 na Galeria Olido, reunindo artistas e fazedoras/es da cultura forrozeira das suas diferentes matrizes para refletir e trocar conhecimento sobre Forró. Este evento foi o estopim da conscientização de muitas/os/es forrozeiras/es/os sobre a importância e dimensão do Forró e também um importante evento de mapeamento e networking das/es/os profissionais do Forró de São Paulo. A partir de então, muitas/es/os paulistanas/es/os se engajaram para adentrar no movimento do Forró Patrimônio que contribuiu na caminhada de conquista do título de Patrimônio Cultural do Brasil para o Forró em dezembro de 2021.
Isabel continuou alcançando forrozeiras/es/os com seu discurso inclusivo que pretende abarcar todas as matrizes do Forró e dimensionar a devida importância a cada uma. Dando sequência à jornada de conquistas na vida pública, batalhou fortemente junto à comunidade Forrozeira e à Câmara Municipal de São Paulo a fim da construção de políticas públicas para o Forró, culminando em 2019 com a conquista da consolidação da Lei do Forró de São Paulo e Prêmio Anastácia, dentre outros.
Isabel agora dá sequência às reuniões sobre políticas públicas para toda cultura, participando, por exemplo, dos Movimentos Culturais da Cidade de São Paulo, coletivo que abrange diversas áreas da arte e da cultura e luta pelo orçamento para cultura em São Paulo junto ao poder público.
Isabel é uma mulher de uma alegria contagiante e uma cabeça à frente do seu tempo, vislumbrando em seu discurso uma sociedade mais harmônica e concretizando pilares importantes para que isso ocorra de fato e não fique apenas no mundo das ideias.
Amante e entendedora da cultura popular, realizou inúmeras formações de gestão cultural e de especialização em dança. Foi curadora e madrinha de exposições como: Jackson é Pop, no Centro Cultural Santo Amaro, do documentário: Contando a história e contextos culturais do Forró em SP, realizado no Teatro Sérgio Cardoso, do minidocumentário "História do Forró em SP", exibido na plataforma #culturaemcasa e de mostras de dança como: Forrozeando de Santo Antônio à SantAna e Forró saúda o Dia do Nordestino, no CRD. Construiu e mantém o site educativo e informativo sobre o movimento Forró Patrimônio Cultural: www.forropatrimoniocultural.art.br
Isabel é muito animada e tem uma energia sem fim de Luz, especialista em fazer conexões entre as pessoas, coloca o mundo para rodar com ideais de diversidade e inclusão, um mundo onde a cultura e a arte têm lugar especial.
Nascida em família de festeiros populares, vivenciou desde a infância as relações humanas dos encontros sociais do vilarejo formado por migrantes e imigrantes na região norte da capital paulista. Na fase adulta e após trilhar uma carreira bem sucedida por 22 anos no campo das biomédicas, viajando pelo interior do Brasil e países situados em 3 continentes durante sua atuação como pesquisadora e gestora na implementação de processos inovadores na área de biotecnologia da reprodução, decide encerrar essa trajetória em 2010, migrando para a área ligada às ciências humanas, vivida até então em paralelo à sua atividade principal inicial. As vivencias culturais experenciadas com grupos sociais nativos dos diversos lugares percorridos durante suas viagens e a bagagem adquirida frequentando cursos livres, seminários e encontros sobre danças sociais e filosofia, serviram de tomada de decisão para adquirir certificação profissional na nova área de atuação no segmento da cultura (2012-2016).
Entre 2013-2014: dedicou-se à pesquisas de campo e bibliográficas, viajando para estados da região do nordeste e para Buenos Aires/AR, entrevistando mestres, detentores e pesquisadores de ambas culturas, para escrever sobre a relevância da expressão cultural do Forró como patrimônio brasileiro, assim como o Tango é para a Argentina. Em 2015 publica o resultado desse trabalho trazendo uma reflexão inédita através de uma linha analógica entre Forró e o Tango, pontuando similaridades de comportamento identitário de seus adeptos, assim como suasinterrelações históricas.
Em 2015, integra à equipe de ativistas culturais que iniciaram oficialmente o processo de registro do Forró como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil junto ao IPHAN (Processo nº 01450.008052/2011-50), o qual se concluisomente em 09/12/2021, resultante de uma imensa mobilização social através da realização de vários fóruns em 14 estados e audiências públicas. Ainda nesse campo das políticas públicas, atuando como coordenadora do Fórum Estadual do Forró de Raiz de São Paulo , após organizar o encontro do I Fórum do FRSP em 2018, iniciou no âmbito estadual, o processo de registro do Forró junto ao Condephaat,. (https://www.facebook.com/watch/?v=966256890226322), e no âmbito municipal, conduziu a criação e implementação da Lei Municipal de Fomento e Difusão do Forró #17086 (2018- 2021), a criação e aprovação do Prêmio Anastácia na CMSP (2018), e ,juntamente com demais movimentos culturais da cidade de SP , participou da discussão do orçamento público na CMSP (2018 -2021) auxiliando as rubricas do setor da cultura, a implementação da Aldir Blanc(2019/20) e a realização da 1ª Conferência Livre Popular do MCCSP (2021- https://web.facebook.com/photo/?fbid=690513238447493&set=a.648654939299990 ).
Projetos idealizados como Gestora Cultural e co-produzidos como Curadora:
2021
08.10 no CRDSP: “Forró saúda Dia do Nordestino” (https://www.youtube.com/watch?v=IX0hhjOmuyw) 2020
29.07 à 07.08 no CRDSP: “Forrozeando de Santo Antônio à Sant’Ana através da Matriz Forró Dança” (https://www.youtube.com/watch?v=NZSqWRiARis )
13.11 à 13.12 no CCSA: “Expo Jackson é Pop ! – Centenário de Jackson do Pandeiro” (https://web.facebook.com/ForroPatrimonioCultural/videos/422562352248804 )
(/)
11.12: Roda de Conversa: Contando a história e contextos culturais do Forró em SP. (https://web.facebook.com/281269588583893/photos/a.325270074183844/3859851167392366/ ou https://youtu.be/kcKUO7FyJ4A)
2017 a 2022
Site educativo e informativo sobre o movimento Forró Patrimônio Cultural: www.forropatrimoniocultural.art.br (1ª, 2ª e 3ª versão - idealizadora, curadora, financiadora e mantenedora)
Formação Acadêmica Teórica na Área da Cultura
2016 – Formação como Gestora e Curadora em cursos no Centro de Formação e Pesquisa do Sesc São Paulo, cursando Curadoria em Dança e Gestão Cultural em contextos tradicionais.
2013-2015 : Torna-se Especialista em Teoria do Movimento com Ênfase em Dança de Salão pela Universidade de Tuiuti do Paraná (Curitiba), defendendo um trabalho monográfico inédito intitulado: “ FORRÓ & TANGO: DUAS EXPRESSÕES POPULARES QUE CONQUISTARAM POVOS MUITO ALÉM DE SUAS FRONTEIRAS”. SANTOS, I.C.C. Forró & Tango: duas expressões populares que conquistaram povos muito além de suas fronteiras. 2016.42f. TCCP – Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba,2016 (http://tcconline.utp.br/media/tcc/2017/02/FORRO TANGO.pdf )
2012 – Formação no Curso de Qualificação Profissional em Tango Dança pelo grupo Tango Studio, na escola do Teatro Bolshoi (Joinville-SC).
Cursos Livres na Área da Dança
2003-2011- Estudos teórico-prático em Danças Sociais à Dois com foco nos gêneros: Gafieira, Tango e Forró e técnicas de dança contemporânea em contato e improvisação.
2012-2019- Participação em congressos e seminários: Seminário de Dança no “Festival de Dança de Joinville”, Semana da Danças à Dois, Fortaleza -CE, Semana da Dança Mimulus, Belo Horizonte -MG , CITA – Congresso Internacional de Tango Argentino (várias edições) e Seminário do Ladys Tango em Buenos Aires (AR), Encontro “Povos do Mar e Heranças Nativas” no Sesc Iparana (CE).
Produções Sócio Culturais - Educativas
2006 a 2009- Ensino de Danças Sociais à Dois com foco em comunicação sinestésica.
2013- Idealização e produção do curso “Renordestinização do Forró: Corpo Nordestino” com um mestre cearense para professores de Forró Dança em SP capital.
2014 e 2015- Produção da “Milonga Jogando Tango no Café Piu-Piu”, trazendo vivências do ambiente do TANGO SOCIAL, desmistificando-o como “dança para poucos’. (https://www.facebook.com/milonga.jogandotango )
2016 - Idealização e produção de cursos sobre “Coco e Danças Ancestrais” para professores de danças sociais de SP capital com o mestre capoeirista, professor de danças africanas e ritmista Mestre Rafael Magnata (PB), idealizador do encontro anual “Abril pra Angola” (https://www.facebook.com/pensaresentiroforro )
2016 (...) - Lança o movimento “Tango&Forró-Forró&Tango” em SP , realizando eventos sociais e rodas de conversas nas capitais nordestinas de João Pessoa (PB) e Natal (RN). ( https://www.facebook.com/Tangoeforro ) ( https://www.youtube.com/channel/UCsB9qyggJTteeBGUr3Xlkww/videos?view_as=subscriber ) abordando suas similaridades rítmicas na música e na dança.
Cidade onde nasceu: São Paulo
Cidade onde mora: São Paulo
Profissão: biomédica / Gestora Cultural
No Forró desde: 2003
Nasceu em: 17/11/1966
“Sou nômade, circulo entre os diversos ambientes e grupos dentro do Forró, tendo como minhas maiores influências o Forró Raiz e suas matrizes. Forró para mim é uma expressão Cultural Brasileira que identifica a filosofia de seu povo!”
Isabel estimulou a criação do Movimento do Forró como Patrimônio Cultural em São Paulo e assumiu a responsabilidade de coordenar o Fórum Estadual do Forró de Raiz SP perante o Fórum Nacional e ao IPHAN, em 2017. À partir de 2018, numa mobilização de 4 meses junto à comunidade, co-organizou o evento do 1o Fórum de Forró de São Paulo, que aconteceu em abril18 na Galeria Olido, reunindo artistas e fazedoras/es da cultura forrozeira das suas diferentes matrizes para refletir e trocar conhecimento sobre Forró. Este evento foi o estopim da conscientização de muitas/os/es forrozeiras/es/os sobre a importância e dimensão do Forró e também um importante evento de mapeamento e networking das/es/os profissionais do Forró de São Paulo. A partir de então, muitas/es/os paulistanas/es/os se engajaram para adentrar no movimento do Forró Patrimônio que contribuiu na caminhada de conquista do título de Patrimônio Cultural do Brasil para o Forró em dezembro de 2021.
Isabel continuou alcançando forrozeiras/es/os com seu discurso inclusivo que pretende abarcar todas as matrizes do Forró e dimensionar a devida importância a cada uma. Dando sequência à jornada de conquistas na vida pública, batalhou fortemente junto à comunidade Forrozeira e à Câmara Municipal de São Paulo a fim da construção de políticas públicas para o Forró, culminando em 2019 com a conquista da consolidação da Lei do Forró de São Paulo e Prêmio Anastácia, dentre outros.
Isabel agora dá sequência às reuniões sobre políticas públicas para toda cultura, participando, por exemplo, dos Movimentos Culturais da Cidade de São Paulo, coletivo que abrange diversas áreas da arte e da cultura e luta pelo orçamento para cultura em São Paulo junto ao poder público.
Isabel é uma mulher de uma alegria contagiante e uma cabeça à frente do seu tempo, vislumbrando em seu discurso uma sociedade mais harmônica e concretizando pilares importantes para que isso ocorra de fato e não fique apenas no mundo das ideias.
Amante e entendedora da cultura popular, realizou inúmeras formações de gestão cultural e de especialização em dança. Foi curadora e madrinha de exposições como: Jackson é Pop, no Centro Cultural Santo Amaro, do documentário: Contando a história e contextos culturais do Forró em SP, realizado no Teatro Sérgio Cardoso, do minidocumentário "História do Forró em SP", exibido na plataforma #culturaemcasa e de mostras de dança como: Forrozeando de Santo Antônio à SantAna e Forró saúda o Dia do Nordestino, no CRD. Construiu e mantém o site educativo e informativo sobre o movimento Forró Patrimônio Cultural: www.forropatrimoniocultural.art.br
Isabel é muito animada e tem uma energia sem fim de Luz, especialista em fazer conexões entre as pessoas, coloca o mundo para rodar com ideais de diversidade e inclusão, um mundo onde a cultura e a arte têm lugar especial.
Nascida em família de festeiros populares, vivenciou desde a infância as relações humanas dos encontros sociais do vilarejo formado por migrantes e imigrantes na região norte da capital paulista. Na fase adulta e após trilhar uma carreira bem sucedida por 22 anos no campo das biomédicas, viajando pelo interior do Brasil e países situados em 3 continentes durante sua atuação como pesquisadora e gestora na implementação de processos inovadores na área de biotecnologia da reprodução, decide encerrar essa trajetória em 2010, migrando para a área ligada às ciências humanas, vivida até então em paralelo à sua atividade principal inicial. As vivencias culturais experenciadas com grupos sociais nativos dos diversos lugares percorridos durante suas viagens e a bagagem adquirida frequentando cursos livres, seminários e encontros sobre danças sociais e filosofia, serviram de tomada de decisão para adquirir certificação profissional na nova área de atuação no segmento da cultura (2012-2016).
Entre 2013-2014: dedicou-se à pesquisas de campo e bibliográficas, viajando para estados da região do nordeste e para Buenos Aires/AR, entrevistando mestres, detentores e pesquisadores de ambas culturas, para escrever sobre a relevância da expressão cultural do Forró como patrimônio brasileiro, assim como o Tango é para a Argentina. Em 2015 publica o resultado desse trabalho trazendo uma reflexão inédita através de uma linha analógica entre Forró e o Tango, pontuando similaridades de comportamento identitário de seus adeptos, assim como suasinterrelações históricas.
Em 2015, integra à equipe de ativistas culturais que iniciaram oficialmente o processo de registro do Forró como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil junto ao IPHAN (Processo nº 01450.008052/2011-50), o qual se concluisomente em 09/12/2021, resultante de uma imensa mobilização social através da realização de vários fóruns em 14 estados e audiências públicas. Ainda nesse campo das políticas públicas, atuando como coordenadora do Fórum Estadual do Forró de Raiz de São Paulo , após organizar o encontro do I Fórum do FRSP em 2018, iniciou no âmbito estadual, o processo de registro do Forró junto ao Condephaat,. (https://www.facebook.com/watch/?v=966256890226322), e no âmbito municipal, conduziu a criação e implementação da Lei Municipal de Fomento e Difusão do Forró #17086 (2018- 2021), a criação e aprovação do Prêmio Anastácia na CMSP (2018), e ,juntamente com demais movimentos culturais da cidade de SP , participou da discussão do orçamento público na CMSP (2018 -2021) auxiliando as rubricas do setor da cultura, a implementação da Aldir Blanc(2019/20) e a realização da 1ª Conferência Livre Popular do MCCSP (2021- https://web.facebook.com/photo/?fbid=690513238447493&set=a.648654939299990 ).
Projetos idealizados como Gestora Cultural e co-produzidos como Curadora:
2021
08.10 no CRDSP: “Forró saúda Dia do Nordestino” (https://www.youtube.com/watch?v=IX0hhjOmuyw) 2020
29.07 à 07.08 no CRDSP: “Forrozeando de Santo Antônio à Sant’Ana através da Matriz Forró Dança” (https://www.youtube.com/watch?v=NZSqWRiARis )
13.11 à 13.12 no CCSA: “Expo Jackson é Pop ! – Centenário de Jackson do Pandeiro” (https://web.facebook.com/ForroPatrimonioCultural/videos/422562352248804 )
(/)
11.12: Roda de Conversa: Contando a história e contextos culturais do Forró em SP. (https://web.facebook.com/281269588583893/photos/a.325270074183844/3859851167392366/ ou https://youtu.be/kcKUO7FyJ4A)
2017 a 2022
Site educativo e informativo sobre o movimento Forró Patrimônio Cultural: www.forropatrimoniocultural.art.br (1ª, 2ª e 3ª versão - idealizadora, curadora, financiadora e mantenedora)
Formação Acadêmica Teórica na Área da Cultura
2016 – Formação como Gestora e Curadora em cursos no Centro de Formação e Pesquisa do Sesc São Paulo, cursando Curadoria em Dança e Gestão Cultural em contextos tradicionais.
2013-2015 : Torna-se Especialista em Teoria do Movimento com Ênfase em Dança de Salão pela Universidade de Tuiuti do Paraná (Curitiba), defendendo um trabalho monográfico inédito intitulado: “ FORRÓ & TANGO: DUAS EXPRESSÕES POPULARES QUE CONQUISTARAM POVOS MUITO ALÉM DE SUAS FRONTEIRAS”. SANTOS, I.C.C. Forró & Tango: duas expressões populares que conquistaram povos muito além de suas fronteiras. 2016.42f. TCCP – Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba,2016 (http://tcconline.utp.br/media/tcc/2017/02/FORRO TANGO.pdf )
2012 – Formação no Curso de Qualificação Profissional em Tango Dança pelo grupo Tango Studio, na escola do Teatro Bolshoi (Joinville-SC).
Cursos Livres na Área da Dança
2003-2011- Estudos teórico-prático em Danças Sociais à Dois com foco nos gêneros: Gafieira, Tango e Forró e técnicas de dança contemporânea em contato e improvisação.
2012-2019- Participação em congressos e seminários: Seminário de Dança no “Festival de Dança de Joinville”, Semana da Danças à Dois, Fortaleza -CE, Semana da Dança Mimulus, Belo Horizonte -MG , CITA – Congresso Internacional de Tango Argentino (várias edições) e Seminário do Ladys Tango em Buenos Aires (AR), Encontro “Povos do Mar e Heranças Nativas” no Sesc Iparana (CE).
Produções Sócio Culturais - Educativas
2006 a 2009- Ensino de Danças Sociais à Dois com foco em comunicação sinestésica.
2013- Idealização e produção do curso “Renordestinização do Forró: Corpo Nordestino” com um mestre cearense para professores de Forró Dança em SP capital.
2014 e 2015- Produção da “Milonga Jogando Tango no Café Piu-Piu”, trazendo vivências do ambiente do TANGO SOCIAL, desmistificando-o como “dança para poucos’. (https://www.facebook.com/milonga.jogandotango )
2016 - Idealização e produção de cursos sobre “Coco e Danças Ancestrais” para professores de danças sociais de SP capital com o mestre capoeirista, professor de danças africanas e ritmista Mestre Rafael Magnata (PB), idealizador do encontro anual “Abril pra Angola” (https://www.facebook.com/pensaresentiroforro )
2016 (...) - Lança o movimento “Tango&Forró-Forró&Tango” em SP , realizando eventos sociais e rodas de conversas nas capitais nordestinas de João Pessoa (PB) e Natal (RN). ( https://www.facebook.com/Tangoeforro ) ( https://www.youtube.com/channel/UCsB9qyggJTteeBGUr3Xlkww/videos?view_as=subscriber ) abordando suas similaridades rítmicas na música e na dança.

Andressa Ferri . FORRÓ DAS MINAS
Andressa Ferri
Cidade Natal: São Paulo
Cidade em que Mora: São Paulo
Data de Nascimento:
Desde quando atua/frequenta no Forró: 2002
Profissão: produtora, frequentadora, musicista
Hábitos Forrozeiros: Roupas que trazem a sensação de liberdade e leveza, saias que giram, saias compridas, vestidos que giram, calças largas. Bebidas eu consumo apenas cerveja, em alguns casos uma catuaba gelada.
Projeto: Coletivo Forró das Minas
“Forró para mim é mais que amor, sempre foi curador, é para toda hora, todo lugar, para todo mundo, ele aproxima, conecta, ele faz com que encontros aconteçam. É a inclusão e a cura de todo mal. Forró é saúde, é movimento, é paixão, é envolvente, é troca de energia, é festa e alegria, além de ser nosso, é Brasil, é cultura popular, é arte.
O Forró sempre me trouxe um sentimento de paz, quando estava me sentindo de cabeça cheia, não pensava duas vezes, corria pro Forró, porque ele traz a tranquilidade para mim, o bem estar. Dançar faz eu me sentir em paz, sentir outro corpo numa troca de energia sempre foi necessário, mas não pensava que poderia trabalhar com isso um dia porque era só um amor meu.”
“Mas um dia me disseram que eu tinha que fazer algo da minha vida que fosse por amor e não por dinheiro. Quando pensei no que amava, a resposta foi: o Forró. O Universo me abriu esse caminho, hoje não apenas amo, como trabalho e vivo disso, transformou minha vida, pois trabalhava para pessoas, fazendo coisas para os outros apenas para sobreviver, muitas vezes eu não gostava. Foi uma libertação para mim, conheci meu marido nesse trabalho com o Forró e tivemos um lindo filho. Tudo isso o Forró trouxe para mim, autonomia, família, renda, prazer de trabalhar, conectar pessoas, conhecer pessoas lindas, viver da arte e da música e proporcionar coisas boas para outras pessoas, além de mim mesma.
Meu trabalho com Forró é voltado para as mulheres, para que elas possam ocupar os espaços que também pertencem a elas, para que haja uma equivalência nas atrações sendo masculinas e femininas, então meu foco é abrir espaços, é proporcionar conexões entre artistas, musicistas, cantoras, dança e etc, para que elas possam trocar entre elas experiências e conhecimentos, formar uma rede de mulheres atuante no Forró e na música nordestina. Foco em proporcionar que mulheres possam apresentar seus trabalhos, propagando o Forró feminino, fomentando essas mulheres para que expandam suas possibilidades. Busco trazer a arte feminina, com trabalhos diversificados e abrindo portas para muitas mulheres, seja ela mãe, nordestina, negra, periférica, deficiente, lésbica, entre outras diversidades.
Frequento e trabalho com todo e qualquer lugar de manifestação, que envolva o Forró, a cultura nordestina e a música popular brasileira, são diversos cenários além do cenário do Forró e atuamos com todos eles. Nosso trabalho é ocupar os lugares.
Sempre amei Dominguinhos, Flavio José, Luiz Gonzaga, Alceu Valença e Elba Ramalho, passei a vida ouvindo eles.Gosto demais de Marinês, Zé Ramalho, Trio Virgulino, mas conforme fui conhecendo o Forró, conheci outras banda que também gosto muito. Sempre ouvi forró desde adolescente quando pirava no Falamansa, Bicho de pé, Rastapé, entre outros, mas hoje busco ouvir as músicas de mulheres.
Fui uma criança que gostava demais de festas, sempre frequentei shows e comecei a fazer aula de dança muito cedo, de pequena entrei no Ballet mas logo migrei para o Jazz onde me envolvi com dança, dali para cá muitas danças passaram na minha vida, passei a juventude dançando, não perdia a oportunidade e depois de grande busquei estudar instrumentos para tocar também. A arte e a música eu carrego desde sempre.
Difícil escolher uma história marcante pois tive muitos momentos lindos após a criação do Coletivo Forró das Minas. Grandes artistas que foram minhas referências, eu tive o prazer de abraçar, conversar, tomar uma cerveja, aqueles que eu ouvia na minha adolescência, dançava descalça, eu nunca imaginei que estaria tão próxima, isso marca muito. Mas tive dois momentos que não posso deixar de ressaltar, um deles foi o nosso encontro do Coletivo na casa de Anastácia, em um churrasco, um momento mais íntimo e pudemos não apenas curtir, dançar e cantar um forró, mas como também gravar um vídeo junto a Rainha Anastácia chamado Ele Não , um protesto ao governo de Bolsonaro, foi gravado e editado por mim e meu companheiro, esse vídeo chegou a vários Estados do país e deu milhares de visualizações, mais de 30.000,00 , então foi muito legal ter feito parte desse momento, ainda mais poder cantar junto a Anastácia uma música que ela compôs, foi realmente bom demais, muito especial.
Outro momento lindo, foi ter ganhado em 3º lugar, o edital do fomento do forró da Secretaria da Cultura de SP, um projeto que escrevi com muito amor, o primeiro festival só de mulheres da história e fui até o camarim de Elba Ramalho contar para ela da existência do Coletivo e do festival que na verdade irá homenagear as grandes vozes do Forró feminino, inclusive ela e ela sorriu para mim e disse o quanto isso era bom, são momentos onde nossas grandes inspirações estão perto e compartilhando de uma alegria grande.
Sou uma frequentadora do forró há mais de 20 anos, comecei dançar forró quando tinha 16 anos, nunca fui de bater cartão em apenas um lugar, sempre frequentei várias casas que proporcionaram a dança. Por um tempo meu coração ficou dividido entre o samba e o forró, mas o universo me puxou mais pra um lado do que para outro.
Hoje trabalhando com o Forró entendo que tive que vivenciar muitas coisas para chegar aqui e conseguir desenvolver um trabalho que faça a diferença e não apenas ser mais uma produtora.
Na minha história vivenciei a arte como um todo, tive a oportunidade de trabalhar com diversos segmentos, quando estava na Secretaria do Meio Ambiente de SP, tínhamos projetos de teatro, circo, dança e os shows, dentro de espaços públicos, como parques e praças.
Trabalho com produção de eventos desde menina quando na época da escola organizava festas e vendia convites por cindo reais. Já fiz produção de congressos, feiras, cursos, campanhas institucionais, políticas, até mesmo exposição de fotos e espetáculos. Tudo isso me embasou e me deu conhecimento para chegar no Forró e fazer um trabalho diferenciado, no sentido de trazer propostas diferentes, juntando mulheres de cenários diversos e introduzindo-as no forró, como as mulheres do Reggae, do Hip Hop, até mesmo do samba, unindo-as com as que já estavam no forró, tanto aquelas que estavam chegando, quanto aquelas que já estão nessa caminhada há muitos anos.
Tive a idéia de formar rede, criar conexões e possibilidades, criar espetáculos diferenciados como por ex: Mulheres da Sanfona com 3 sanfoneiras em palco, assim como fortalecer as mulheres rabequeiras e do Pífano, trazendo esses instrumentos para serem evidenciados, dentre outras frentes que venho puxando.
Meu trabalho no forró é para fomentar as mulheres, abrindo portas, espaços e mostrando que mulheres fazem um trabalho muito importante para a arte e para cultura brasileira. Acolhemos, introduzimos, possibilitamos os encontros, desses encontros muitas coisas rolaram, bandas se formaram, relacionamentos e até mesmo mais trabalho, maior renda para as integrantes do coletivo.
A minha história é fazer história. Alguns passos para isso já foram dados pois já conseguimos movimentar o cenário, já fizemos muita coisa inédita, colocamos mais de 20 mulheres em palco simultaneamente em nosso Lançamento no Centro Cultural Olido, com o projeto As Arrumadinhas que estamos trabalhando desde lá, ou seja há 4 anos. Nesse lançamento juntamos todas que estavam atuantes no forró na época, colocamos o público para dançar no palco, lotamos o teatro.
Outro fato inédito foi ocupar a maior casa de Forró de SP, o canto da Ema, levando toda quarta-feira uma apresentação diferente, foram mais de 30 mulheres que subiram no palco para tocar, lotamos aquele espaço com mulheres, revezando as apresentações, nunca teve tanta mulher no palco da casa, tanta mulher tocando ao mesmo tempo e com a casa cheia também.
E agora mais um momento que ficará para a história que é o primeiro Festival somente de mulheres do forró pé de serra, um evento inédito, pioneiro, festival Forró das Minas, homenageando as grandes vozes femininas do forró, trabalho que estamos desenvolvendo no momento. Esse festival contém mais de 30 mulheres artistas em palco, mais de 55 expositoras de arte e artesanato, professora de dança, oficinas, intervenção poética, exposição de fotos e muita coisa legal, o primeiro evento de forró nesse formato, unindo várias vertentes da arte e da nossa cultura brasileira.
Cidade Natal: São Paulo
Cidade em que Mora: São Paulo
Data de Nascimento:
Desde quando atua/frequenta no Forró: 2002
Profissão: produtora, frequentadora, musicista
Hábitos Forrozeiros: Roupas que trazem a sensação de liberdade e leveza, saias que giram, saias compridas, vestidos que giram, calças largas. Bebidas eu consumo apenas cerveja, em alguns casos uma catuaba gelada.
Projeto: Coletivo Forró das Minas
“Forró para mim é mais que amor, sempre foi curador, é para toda hora, todo lugar, para todo mundo, ele aproxima, conecta, ele faz com que encontros aconteçam. É a inclusão e a cura de todo mal. Forró é saúde, é movimento, é paixão, é envolvente, é troca de energia, é festa e alegria, além de ser nosso, é Brasil, é cultura popular, é arte.
O Forró sempre me trouxe um sentimento de paz, quando estava me sentindo de cabeça cheia, não pensava duas vezes, corria pro Forró, porque ele traz a tranquilidade para mim, o bem estar. Dançar faz eu me sentir em paz, sentir outro corpo numa troca de energia sempre foi necessário, mas não pensava que poderia trabalhar com isso um dia porque era só um amor meu.”
“Mas um dia me disseram que eu tinha que fazer algo da minha vida que fosse por amor e não por dinheiro. Quando pensei no que amava, a resposta foi: o Forró. O Universo me abriu esse caminho, hoje não apenas amo, como trabalho e vivo disso, transformou minha vida, pois trabalhava para pessoas, fazendo coisas para os outros apenas para sobreviver, muitas vezes eu não gostava. Foi uma libertação para mim, conheci meu marido nesse trabalho com o Forró e tivemos um lindo filho. Tudo isso o Forró trouxe para mim, autonomia, família, renda, prazer de trabalhar, conectar pessoas, conhecer pessoas lindas, viver da arte e da música e proporcionar coisas boas para outras pessoas, além de mim mesma.
Meu trabalho com Forró é voltado para as mulheres, para que elas possam ocupar os espaços que também pertencem a elas, para que haja uma equivalência nas atrações sendo masculinas e femininas, então meu foco é abrir espaços, é proporcionar conexões entre artistas, musicistas, cantoras, dança e etc, para que elas possam trocar entre elas experiências e conhecimentos, formar uma rede de mulheres atuante no Forró e na música nordestina. Foco em proporcionar que mulheres possam apresentar seus trabalhos, propagando o Forró feminino, fomentando essas mulheres para que expandam suas possibilidades. Busco trazer a arte feminina, com trabalhos diversificados e abrindo portas para muitas mulheres, seja ela mãe, nordestina, negra, periférica, deficiente, lésbica, entre outras diversidades.
Frequento e trabalho com todo e qualquer lugar de manifestação, que envolva o Forró, a cultura nordestina e a música popular brasileira, são diversos cenários além do cenário do Forró e atuamos com todos eles. Nosso trabalho é ocupar os lugares.
Sempre amei Dominguinhos, Flavio José, Luiz Gonzaga, Alceu Valença e Elba Ramalho, passei a vida ouvindo eles.Gosto demais de Marinês, Zé Ramalho, Trio Virgulino, mas conforme fui conhecendo o Forró, conheci outras banda que também gosto muito. Sempre ouvi forró desde adolescente quando pirava no Falamansa, Bicho de pé, Rastapé, entre outros, mas hoje busco ouvir as músicas de mulheres.
Fui uma criança que gostava demais de festas, sempre frequentei shows e comecei a fazer aula de dança muito cedo, de pequena entrei no Ballet mas logo migrei para o Jazz onde me envolvi com dança, dali para cá muitas danças passaram na minha vida, passei a juventude dançando, não perdia a oportunidade e depois de grande busquei estudar instrumentos para tocar também. A arte e a música eu carrego desde sempre.
Difícil escolher uma história marcante pois tive muitos momentos lindos após a criação do Coletivo Forró das Minas. Grandes artistas que foram minhas referências, eu tive o prazer de abraçar, conversar, tomar uma cerveja, aqueles que eu ouvia na minha adolescência, dançava descalça, eu nunca imaginei que estaria tão próxima, isso marca muito. Mas tive dois momentos que não posso deixar de ressaltar, um deles foi o nosso encontro do Coletivo na casa de Anastácia, em um churrasco, um momento mais íntimo e pudemos não apenas curtir, dançar e cantar um forró, mas como também gravar um vídeo junto a Rainha Anastácia chamado Ele Não , um protesto ao governo de Bolsonaro, foi gravado e editado por mim e meu companheiro, esse vídeo chegou a vários Estados do país e deu milhares de visualizações, mais de 30.000,00 , então foi muito legal ter feito parte desse momento, ainda mais poder cantar junto a Anastácia uma música que ela compôs, foi realmente bom demais, muito especial.
Outro momento lindo, foi ter ganhado em 3º lugar, o edital do fomento do forró da Secretaria da Cultura de SP, um projeto que escrevi com muito amor, o primeiro festival só de mulheres da história e fui até o camarim de Elba Ramalho contar para ela da existência do Coletivo e do festival que na verdade irá homenagear as grandes vozes do Forró feminino, inclusive ela e ela sorriu para mim e disse o quanto isso era bom, são momentos onde nossas grandes inspirações estão perto e compartilhando de uma alegria grande.
Sou uma frequentadora do forró há mais de 20 anos, comecei dançar forró quando tinha 16 anos, nunca fui de bater cartão em apenas um lugar, sempre frequentei várias casas que proporcionaram a dança. Por um tempo meu coração ficou dividido entre o samba e o forró, mas o universo me puxou mais pra um lado do que para outro.
Hoje trabalhando com o Forró entendo que tive que vivenciar muitas coisas para chegar aqui e conseguir desenvolver um trabalho que faça a diferença e não apenas ser mais uma produtora.
Na minha história vivenciei a arte como um todo, tive a oportunidade de trabalhar com diversos segmentos, quando estava na Secretaria do Meio Ambiente de SP, tínhamos projetos de teatro, circo, dança e os shows, dentro de espaços públicos, como parques e praças.
Trabalho com produção de eventos desde menina quando na época da escola organizava festas e vendia convites por cindo reais. Já fiz produção de congressos, feiras, cursos, campanhas institucionais, políticas, até mesmo exposição de fotos e espetáculos. Tudo isso me embasou e me deu conhecimento para chegar no Forró e fazer um trabalho diferenciado, no sentido de trazer propostas diferentes, juntando mulheres de cenários diversos e introduzindo-as no forró, como as mulheres do Reggae, do Hip Hop, até mesmo do samba, unindo-as com as que já estavam no forró, tanto aquelas que estavam chegando, quanto aquelas que já estão nessa caminhada há muitos anos.
Tive a idéia de formar rede, criar conexões e possibilidades, criar espetáculos diferenciados como por ex: Mulheres da Sanfona com 3 sanfoneiras em palco, assim como fortalecer as mulheres rabequeiras e do Pífano, trazendo esses instrumentos para serem evidenciados, dentre outras frentes que venho puxando.
Meu trabalho no forró é para fomentar as mulheres, abrindo portas, espaços e mostrando que mulheres fazem um trabalho muito importante para a arte e para cultura brasileira. Acolhemos, introduzimos, possibilitamos os encontros, desses encontros muitas coisas rolaram, bandas se formaram, relacionamentos e até mesmo mais trabalho, maior renda para as integrantes do coletivo.
A minha história é fazer história. Alguns passos para isso já foram dados pois já conseguimos movimentar o cenário, já fizemos muita coisa inédita, colocamos mais de 20 mulheres em palco simultaneamente em nosso Lançamento no Centro Cultural Olido, com o projeto As Arrumadinhas que estamos trabalhando desde lá, ou seja há 4 anos. Nesse lançamento juntamos todas que estavam atuantes no forró na época, colocamos o público para dançar no palco, lotamos o teatro.
Outro fato inédito foi ocupar a maior casa de Forró de SP, o canto da Ema, levando toda quarta-feira uma apresentação diferente, foram mais de 30 mulheres que subiram no palco para tocar, lotamos aquele espaço com mulheres, revezando as apresentações, nunca teve tanta mulher no palco da casa, tanta mulher tocando ao mesmo tempo e com a casa cheia também.
E agora mais um momento que ficará para a história que é o primeiro Festival somente de mulheres do forró pé de serra, um evento inédito, pioneiro, festival Forró das Minas, homenageando as grandes vozes femininas do forró, trabalho que estamos desenvolvendo no momento. Esse festival contém mais de 30 mulheres artistas em palco, mais de 55 expositoras de arte e artesanato, professora de dança, oficinas, intervenção poética, exposição de fotos e muita coisa legal, o primeiro evento de forró nesse formato, unindo várias vertentes da arte e da nossa cultura brasileira.

Maicon . FIRMASAKANA

Viviane de Cássia . PÍFANOS DE CARUARU
VIVIANE DE CASSIA PEREIRA DA SILVA
Cidade Natal:São Paulo/SP
Cidade onde vive: SÃO PAULO/SP
Ligação familiar sua com o nordeste: PAI- FEIRA DE SANTANA-BA e AVÓ- SALVADOR-BA
Profissão: Professora de DAnça, produtora
Marca: SOL NASCENTE PRODUÇÃO - BANDA DE PÍFANOS DE CARUARU
No Forró desde: 1999
Como conheceu o Forró: Através do Trio Virgulino
Hábitos Forrozeiros: Sempre busquei ir bem a vontade no forró, em dias de calor um short, mini saia, blusinha, top, saia comprida, em dias frios uma calça jeans, blusinhas confortáveis e uma sapatilha, sandalhas confortáveis e tudo sem salto.
“O Forró transformou a minha vida, foi nele que conheci o Amor da minha vida, foi nele que conheci muitas pessoas bacanas e especiais e foi nele que fui muito feliz num período muito bacana de minha vida! O Forró me transformou em ser uma pessoa mais aberta, mais desconectada com padrões, mais livre nas convivências, mais solta, mais feliz e o único sentimento que tenho é de gratidão, por ter vivido tanta coisa boa no período que frequentei o Forró em todos os lugares que fui.”
Comecei a me interessar pelo Forró em meados do ano de 1999, mas nada assiduamente. Quando o forró explodiu nas Faculdades de São Paulo e minhas amigas do Jazz começaram a frequentar, eu não ia.
A Empresa do meu Pai, a Produtora Sol Nascente foi quem trouxe o Trio Virgulino para São
Paulo. Meu Pai produzia o Trio, trazia eles para São Paulo e quando fazia churrascada na minha casa, ligava um som, microfones e o Trio Virgulino tocava o dia todo. Nesse tempo eu não era fã do forró, era muito isenta.
Em 2002, após um término de namoro e muito triste, fui encorajada por duas primas da Bahia a irmos nos divertir em algum lugar, foi quando lembrei do Trio Virgulino e eles estavam tocando no KVA, colocaram nossos nomes na lista deles e fomos curtir, eu não sabia dançar daquele jeito que todos dançavam e fiquei o tempo todo parada e só observando o Trio tocar.
No final de semana próximo foi ao Remelexo, também mais observei, mas lá fui tirada para dançar, sem saber dançar, o mocinho pacientemente me ensinou rapidamente o “be-a-bá” e fui desenrolando, me divertindo. Comecei a tomar gosto pela coisa e mais uma vez no final de semana próximo lá estávamos nós três nos divertindo na balada. Acredito que ali o bichinho do Forró já estava começando a fazer efeito.
Depois de algumas semanas, conheci a Monique, ela dava aula no Remelexo, me ensinou ali mesmo na balada alguns passinhos básicos do Forró e me convidou a fazer algumas aulas. Fiz somente uma aula, mas consegui aprender rapidinho o básico do básico. Fui desenvolvendo a minha dança na balada mesmo e depois de um tempo, em meados de 2004, foi quando iniciei meus estudos em aulas mesmo, participei seriamente para aprimorar minha dança.
Nesse período é quando conheço o meu Amor, o Herbert. Daí começamos a namorar e ele foi o responsável por me lapidar, fazer com que minha dança ficasse muito melhor e mais prazerosa. Nossa sintonia era muito bem vista a quem nos visse dançar, sempre vinha algum elogio.
Depois de 4 anos de união e frequentando as aulas somente por convivência de amizade com a galera de lá, fomos convidados a fazer parte do quadro de professores e fomos construindo com muita dedicação a nossa trajetória. Nesse período fomos crescendo mais e mais em popularidade entre os alunos, fomos construindo amigos, fizemos muitos, mas muitos workshops,
que eram muito bem produzidos por nós, sempre em local fora do circuito do Forró.
Diante de todo esse crescimento, fomos ser bolsistas na Companhia Terra, mas sem apresentar aos alunos que éramos professores de Forró e depois que fomos reconhecidos, fomos convidados a nos apresentar num Baile da Escola de Dança.
Durante esse período participei do Concurso de Forró Copa Forró na Interacto, com o Buiu, no primeiro campeonato não ganhamos, ficando em segundo lugar, no ano seguinte ganhamos a Edição São Paulo e o Campeonato Estadual, indo concorrer em Brasília no Campeonato Nacional.
Diante das aulas ministradas no Remelexo, particulares, workshops, na USP, Eu e Hebert fomos muito felizes e realizamos muitas coisas boas e construímos um legado bem grande diante de nossa forma de conduzir nosso estilo de aula.
Em 2014, mais precisamente em agosto, paramos de dar aulas no Remelexo, conduzindo somente as aulas particulares e depois de três anos, em 2017 demos uma pausa nas aulas e no frequentar o Forró, ficando somente com a parte produtora da Banda de Pífanos de Caruaru.
Em julho de 2015 participei de uma reportagem no Domingo Espetacular da TV Record, onde pude mostrar um pouco de minha rotina de aulas de Forró e o quanto utilizamos a voz como ferramenta de trabalho, e depois junto com o Tato do Falamansa em sua residência.
Mas agora em 2022 estou me movimentando para voltar com as aulas particulares, pois a dança é algo que me cativa e me move demais e voltar a mexer com o Forró me deixa muito feliz e emocionada.
Nossa metodologia de ensino sempre foi fazer uma aula alegre, descontraída, sem esquecer da qualidade de detalhes, ensinar com firmeza e ser muito sincero na condução de cada aula realizada.
As minhas principais influências no Forró foi meu Namorado, Herbert, com ele aprendi muito a ser a forrozeira que foi criada, ele me lapidou em todos os sentidos, pois aprendi o Forró na marra, na balada, fiz somente uma aula no Remelexo e assim iniciei minha vida forrozeira. No momento em que comecei a ter mais acesso à aula do Remelexo pude me aprofundar em obter experiência com Evandro Paz, Buiu - onde tivemos uma parceria em Campeonatos de Forró, com Talita Guerra e China.
Minha infância e adolescência foi muito ativa, desde os 7 anos comecei a fazer Ballet. Com 11 anos iniciei o Jazz e por 21 anos dancei essas duas modalidades de dança Clássica e Contemporânea. Fiz dança do ventre e nado sincronizado por pouco tempo, também fiz aulas de Tecido acrobático, dancei axé music profissionalmente, lambaeróbica, pratiquei musculação, sempre tive a vida muito ativa.
HISTÓRIA MARCANTE DO FORRÓ
Um momento marcante que vivi no forró foi quando conheci o amor da minha vida, no ano de 2004. Na verdade eu já o via dançar maravilhosamente bem no meio da balada, mas sempre dançando com as mesmas meninas. Foi quando fiquei sabendo que eram amigas dele de aula e ele só dançava com quem conhecia e dançava bem. Fiquei por perto sedenta a dançar, mas sem sucesso
em ser chamada a uma dança.
Algum tempo se passou e num determinado momento estava circulando pela balada, quando alguém me chuta a canela, ao baixar por conta do impacto e dor, quando levanto a cabeça vejo que é ele. E através de desculpas e uma breve conversa, começamos a ter um acesso maior em nos cumprimentarmos. Nos apresentamos, mas nada de dançarmos.
Quando estava dançando com um Professor da aula, ouvi por trás que ele seria o próximo a dançar comigo, quando volto o olhar à pessoa, vejo que era ele a querer dançar comigo. Daí o coração logo bateu forte e realmente tivemos a primeira dança. Fui elogiada e convidada novamente a outras danças durante a noite. Com isso, nossa convivência ficou mais assídua,
nossas danças mais corriqueiras e convites a outras baladas.
Fomos ao Canto da Ema, numa noite do Trio Sabiá e dança vai, dança vem, noite gostosa e cheia de alegria, o Trio tocando “Se tu quiser”, demos o primeiro beijo e ali tudo se transformou. Depois desse dia saímos mais e mais pelos forrós da vida e depois de 2 meses de muito envolvimento fui pedida em namoro e estamos juntos até hoje. Esse foi um momento marcante demais para mim no Forró.
HISTÓRIA DA BANDA
A Banda de Pífanos de Caruaru é uma banda que dispensa comentários, mas diante de contar sua história, vem com uma bagagem imensa, pois ela iniciou em 1924 e é atuante até os dias de hoje. Sabemos que a história da Banda de Pífanos de Caruaru é de grande importância para Cultura Nordestina e referência inspiradora para grandes artistas da Música Popular Brasileira. Admirado por grandes músicos, como Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Caetano Veloso, entre outros, o genial instrumentista e sofisticado inventor de melodia e harmonias, ganhou notoriedade com as antológicas canções Baião (1946), Asa Branca (1947), Siridó (1948), Juazeiro (1948), Qui Nem Jiló (1949) e Baião de Dois (1950).
Durante anos, foram construindo uma carreira sólida e foram ganhando espaço no cenário da música popular brasileira e em outros países com seu ritmo e suas músicas autênticas, tornando-se então intitulado “Os Beatles de Caruaru”, após influência musical de Gilberto Gil, Geraldo Azevedo e o compositor Carlos Fernando, com os quais vieram a tocar juntos em determinados momentos.
A Banda de Pífanos de Caruaru teve parcerias nos palcos com diversos artistas, entre eles Paulinho da Viola, Quinteto Violado, Banda de Pau e Corda, Quinteto Armorial, Rita Ribeiro, Anastácia, Enezita Barroso, Caju e Castanha, Hermeto Pascoal, Chico Cesar, Carlos Malta, Ovelha e Chambinho do Acordeon que fez escola com a Banda, entre outros mais que juntos dividiram o palco diante de centenas e centenas de shows no decorrer de 97 anos de história.
Em 23 de Junho de 2022, o único componente vivo, desde o início da Banda de Pífanos de Caruaru, Sebastião Biano, completou 103 anos de vida e temos muito a comemorar com esse salve à vida, pois é muito gratificante para todos do mundo musical ter uma Lenda viva e ativa na música, tocando e encantando seu público e crítica com toda sua saúde e veracidade na Música Popular Brasileira e ativamente na elaboração deste LP que é um marco na vida da Banda de Pífanos de Caruaru.
Durante a trajetória mais recente, Prêmios consagrados na Música foram conquistados pela Banda de Pífanos de Caruaru. Em 2004, ganha o Prêmio Tim, na categoria melhor Grupo Regional e o maior Prêmio Mundial da Música, o Grammy Latino (5a. Edição), na Categoria Melhor Grupo Regional Raiz, em 2006 recebem a Ordem do Mérito Cultural do Governo Federal, das mãos do então Presidente da República, Lula e o Prêmio Pixinguinha.
Em 2021 veio com muito trabalho em desenvolvimento e através de grande parceria com a Gravadora Vinil Brasil, pudemos produzir o LP Samba Matuto 1969, onde um grande resgate de canções inéditas e em 2022 lançamos o produto, com segmento de muitos trabalhos que virão.
Cidade Natal:São Paulo/SP
Cidade onde vive: SÃO PAULO/SP
Ligação familiar sua com o nordeste: PAI- FEIRA DE SANTANA-BA e AVÓ- SALVADOR-BA
Profissão: Professora de DAnça, produtora
Marca: SOL NASCENTE PRODUÇÃO - BANDA DE PÍFANOS DE CARUARU
No Forró desde: 1999
Como conheceu o Forró: Através do Trio Virgulino
Hábitos Forrozeiros: Sempre busquei ir bem a vontade no forró, em dias de calor um short, mini saia, blusinha, top, saia comprida, em dias frios uma calça jeans, blusinhas confortáveis e uma sapatilha, sandalhas confortáveis e tudo sem salto.
“O Forró transformou a minha vida, foi nele que conheci o Amor da minha vida, foi nele que conheci muitas pessoas bacanas e especiais e foi nele que fui muito feliz num período muito bacana de minha vida! O Forró me transformou em ser uma pessoa mais aberta, mais desconectada com padrões, mais livre nas convivências, mais solta, mais feliz e o único sentimento que tenho é de gratidão, por ter vivido tanta coisa boa no período que frequentei o Forró em todos os lugares que fui.”
Comecei a me interessar pelo Forró em meados do ano de 1999, mas nada assiduamente. Quando o forró explodiu nas Faculdades de São Paulo e minhas amigas do Jazz começaram a frequentar, eu não ia.
A Empresa do meu Pai, a Produtora Sol Nascente foi quem trouxe o Trio Virgulino para São
Paulo. Meu Pai produzia o Trio, trazia eles para São Paulo e quando fazia churrascada na minha casa, ligava um som, microfones e o Trio Virgulino tocava o dia todo. Nesse tempo eu não era fã do forró, era muito isenta.
Em 2002, após um término de namoro e muito triste, fui encorajada por duas primas da Bahia a irmos nos divertir em algum lugar, foi quando lembrei do Trio Virgulino e eles estavam tocando no KVA, colocaram nossos nomes na lista deles e fomos curtir, eu não sabia dançar daquele jeito que todos dançavam e fiquei o tempo todo parada e só observando o Trio tocar.
No final de semana próximo foi ao Remelexo, também mais observei, mas lá fui tirada para dançar, sem saber dançar, o mocinho pacientemente me ensinou rapidamente o “be-a-bá” e fui desenrolando, me divertindo. Comecei a tomar gosto pela coisa e mais uma vez no final de semana próximo lá estávamos nós três nos divertindo na balada. Acredito que ali o bichinho do Forró já estava começando a fazer efeito.
Depois de algumas semanas, conheci a Monique, ela dava aula no Remelexo, me ensinou ali mesmo na balada alguns passinhos básicos do Forró e me convidou a fazer algumas aulas. Fiz somente uma aula, mas consegui aprender rapidinho o básico do básico. Fui desenvolvendo a minha dança na balada mesmo e depois de um tempo, em meados de 2004, foi quando iniciei meus estudos em aulas mesmo, participei seriamente para aprimorar minha dança.
Nesse período é quando conheço o meu Amor, o Herbert. Daí começamos a namorar e ele foi o responsável por me lapidar, fazer com que minha dança ficasse muito melhor e mais prazerosa. Nossa sintonia era muito bem vista a quem nos visse dançar, sempre vinha algum elogio.
Depois de 4 anos de união e frequentando as aulas somente por convivência de amizade com a galera de lá, fomos convidados a fazer parte do quadro de professores e fomos construindo com muita dedicação a nossa trajetória. Nesse período fomos crescendo mais e mais em popularidade entre os alunos, fomos construindo amigos, fizemos muitos, mas muitos workshops,
que eram muito bem produzidos por nós, sempre em local fora do circuito do Forró.
Diante de todo esse crescimento, fomos ser bolsistas na Companhia Terra, mas sem apresentar aos alunos que éramos professores de Forró e depois que fomos reconhecidos, fomos convidados a nos apresentar num Baile da Escola de Dança.
Durante esse período participei do Concurso de Forró Copa Forró na Interacto, com o Buiu, no primeiro campeonato não ganhamos, ficando em segundo lugar, no ano seguinte ganhamos a Edição São Paulo e o Campeonato Estadual, indo concorrer em Brasília no Campeonato Nacional.
Diante das aulas ministradas no Remelexo, particulares, workshops, na USP, Eu e Hebert fomos muito felizes e realizamos muitas coisas boas e construímos um legado bem grande diante de nossa forma de conduzir nosso estilo de aula.
Em 2014, mais precisamente em agosto, paramos de dar aulas no Remelexo, conduzindo somente as aulas particulares e depois de três anos, em 2017 demos uma pausa nas aulas e no frequentar o Forró, ficando somente com a parte produtora da Banda de Pífanos de Caruaru.
Em julho de 2015 participei de uma reportagem no Domingo Espetacular da TV Record, onde pude mostrar um pouco de minha rotina de aulas de Forró e o quanto utilizamos a voz como ferramenta de trabalho, e depois junto com o Tato do Falamansa em sua residência.
Mas agora em 2022 estou me movimentando para voltar com as aulas particulares, pois a dança é algo que me cativa e me move demais e voltar a mexer com o Forró me deixa muito feliz e emocionada.
Nossa metodologia de ensino sempre foi fazer uma aula alegre, descontraída, sem esquecer da qualidade de detalhes, ensinar com firmeza e ser muito sincero na condução de cada aula realizada.
As minhas principais influências no Forró foi meu Namorado, Herbert, com ele aprendi muito a ser a forrozeira que foi criada, ele me lapidou em todos os sentidos, pois aprendi o Forró na marra, na balada, fiz somente uma aula no Remelexo e assim iniciei minha vida forrozeira. No momento em que comecei a ter mais acesso à aula do Remelexo pude me aprofundar em obter experiência com Evandro Paz, Buiu - onde tivemos uma parceria em Campeonatos de Forró, com Talita Guerra e China.
Minha infância e adolescência foi muito ativa, desde os 7 anos comecei a fazer Ballet. Com 11 anos iniciei o Jazz e por 21 anos dancei essas duas modalidades de dança Clássica e Contemporânea. Fiz dança do ventre e nado sincronizado por pouco tempo, também fiz aulas de Tecido acrobático, dancei axé music profissionalmente, lambaeróbica, pratiquei musculação, sempre tive a vida muito ativa.
HISTÓRIA MARCANTE DO FORRÓ
Um momento marcante que vivi no forró foi quando conheci o amor da minha vida, no ano de 2004. Na verdade eu já o via dançar maravilhosamente bem no meio da balada, mas sempre dançando com as mesmas meninas. Foi quando fiquei sabendo que eram amigas dele de aula e ele só dançava com quem conhecia e dançava bem. Fiquei por perto sedenta a dançar, mas sem sucesso
em ser chamada a uma dança.
Algum tempo se passou e num determinado momento estava circulando pela balada, quando alguém me chuta a canela, ao baixar por conta do impacto e dor, quando levanto a cabeça vejo que é ele. E através de desculpas e uma breve conversa, começamos a ter um acesso maior em nos cumprimentarmos. Nos apresentamos, mas nada de dançarmos.
Quando estava dançando com um Professor da aula, ouvi por trás que ele seria o próximo a dançar comigo, quando volto o olhar à pessoa, vejo que era ele a querer dançar comigo. Daí o coração logo bateu forte e realmente tivemos a primeira dança. Fui elogiada e convidada novamente a outras danças durante a noite. Com isso, nossa convivência ficou mais assídua,
nossas danças mais corriqueiras e convites a outras baladas.
Fomos ao Canto da Ema, numa noite do Trio Sabiá e dança vai, dança vem, noite gostosa e cheia de alegria, o Trio tocando “Se tu quiser”, demos o primeiro beijo e ali tudo se transformou. Depois desse dia saímos mais e mais pelos forrós da vida e depois de 2 meses de muito envolvimento fui pedida em namoro e estamos juntos até hoje. Esse foi um momento marcante demais para mim no Forró.
HISTÓRIA DA BANDA
A Banda de Pífanos de Caruaru é uma banda que dispensa comentários, mas diante de contar sua história, vem com uma bagagem imensa, pois ela iniciou em 1924 e é atuante até os dias de hoje. Sabemos que a história da Banda de Pífanos de Caruaru é de grande importância para Cultura Nordestina e referência inspiradora para grandes artistas da Música Popular Brasileira. Admirado por grandes músicos, como Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Caetano Veloso, entre outros, o genial instrumentista e sofisticado inventor de melodia e harmonias, ganhou notoriedade com as antológicas canções Baião (1946), Asa Branca (1947), Siridó (1948), Juazeiro (1948), Qui Nem Jiló (1949) e Baião de Dois (1950).
Durante anos, foram construindo uma carreira sólida e foram ganhando espaço no cenário da música popular brasileira e em outros países com seu ritmo e suas músicas autênticas, tornando-se então intitulado “Os Beatles de Caruaru”, após influência musical de Gilberto Gil, Geraldo Azevedo e o compositor Carlos Fernando, com os quais vieram a tocar juntos em determinados momentos.
A Banda de Pífanos de Caruaru teve parcerias nos palcos com diversos artistas, entre eles Paulinho da Viola, Quinteto Violado, Banda de Pau e Corda, Quinteto Armorial, Rita Ribeiro, Anastácia, Enezita Barroso, Caju e Castanha, Hermeto Pascoal, Chico Cesar, Carlos Malta, Ovelha e Chambinho do Acordeon que fez escola com a Banda, entre outros mais que juntos dividiram o palco diante de centenas e centenas de shows no decorrer de 97 anos de história.
Em 23 de Junho de 2022, o único componente vivo, desde o início da Banda de Pífanos de Caruaru, Sebastião Biano, completou 103 anos de vida e temos muito a comemorar com esse salve à vida, pois é muito gratificante para todos do mundo musical ter uma Lenda viva e ativa na música, tocando e encantando seu público e crítica com toda sua saúde e veracidade na Música Popular Brasileira e ativamente na elaboração deste LP que é um marco na vida da Banda de Pífanos de Caruaru.
Durante a trajetória mais recente, Prêmios consagrados na Música foram conquistados pela Banda de Pífanos de Caruaru. Em 2004, ganha o Prêmio Tim, na categoria melhor Grupo Regional e o maior Prêmio Mundial da Música, o Grammy Latino (5a. Edição), na Categoria Melhor Grupo Regional Raiz, em 2006 recebem a Ordem do Mérito Cultural do Governo Federal, das mãos do então Presidente da República, Lula e o Prêmio Pixinguinha.
Em 2021 veio com muito trabalho em desenvolvimento e através de grande parceria com a Gravadora Vinil Brasil, pudemos produzir o LP Samba Matuto 1969, onde um grande resgate de canções inéditas e em 2022 lançamos o produto, com segmento de muitos trabalhos que virão.
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