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MÚSICA






composição | canto | discotecagem | instrumentistas | bandas

RAINHA ANASTÁCIA
ilustrada por Roberto Krust
Anastácia (Lucinete Ferreira)
A Rainha do Forró
texto escrito por iris De franco
a partir da entrevista concedida ao programa As Mulheres do Forró: A história contada por Elas de 2020 do projeto Mulheres que Conduzem https://www.youtube.com/watch?v=-u1jnf7MCS0&t=5764s
ilustração: Roberto Krust
Natural de: Recife
Mora em: São Paulo
Profissão: Compositora e cantora
Data de Nascimento: 30/05/1941
No Forró desde: que nasceu
Hábitos: Adora salmão, vinho e ficar papeando com as amigas até alta madrugada
Anastácia, a Rainha do Forró, é uma das compositoras do Brasil com mais músicas escritas, com 83 anos, mas um espírito conectado com o futuro, assina parcerias com os grandes nomes da MPB, Rock, Rap e Funk brasileiro. É sempre a última a ir embora das festas e às vezes sai do Forró e termina a noite no bingo! A vivacidade da artista impressiona e inspira várias gerações, autora de mais de 900 músicas, dentre elas o grande sucesso “Eu só Quero um Xodó”, com mais de 400 gravações oficiais, em várias línguas.
A matriarca do Forró de São Paulo transita por diversos circuitos, unindo Forró com estilos outros de músicas, fez parcerias com as velhas e novas gerações, canta tanto o amor quanto a política e é uma inspiração para qualquer mulher dentro e fora do Forró. Saiu do Nordeste sozinha e moça, veio o Sudeste de avião, não foi de pau de arara, não, diz ela! Sustentou toda família com sua música, fazendo carreira e plantando morada em Sampa.
Dona de voz aveludada e uma grande contadora de histórias, Anastácia é uma humorista nata, foi apresentadora de programa de rádio e sempre conta causos de maneira divertida no palco. Mãe de duas filhas (frutos do casamento com Venâncio da dupla Venâncio e Corumba), tem sua carreira hoje administrada pela sua neta, a carinhosa e super profissional Carolina Albuquerque.
Foi parceira artística e mulher de Dominguinhos por 12 anos, e com ele tem mais de 200 composições. Os maiores sucessos de Dominguinhos como “Eu só quero um Xodó”, “Tenho Sede”, “Sanfona Sentida”, são músicas em parceria com Anastácia, mas nem sempre ela é lembrada por isso. Esquecimento este, fruto do machismo estrutural de nossa sociedade.
A Rainha fala: “A primeira mulher que surgiu cantando foi Marinês, eu tinha 13 anos, parecia um grito de liberdade. Deu asa a um monte de mulheres que existiam e cantavam só na roda de amigos e parentes, que não se tornaram profissionais, porque não era legal. Ela teve a ousadia de desbravar este mundo masculino, dizendo: “eu vou gravar também”. Depois surgiu Dilu Melo, que cantava ”pisa a cama na varanda…” Anastácia seguiu desbravando caminho para inúmeras mulheres que vieram depois dela cantar Forró.
A Rainha do Forró foi gravada por Gilberto Gil, Gal Costa, Nana Caymmi, Marinês, Elba Ramalho, Nara Leão, Emílio Santiago, Zeca Baleiro, Rapadura, Falamansa, Trio Nordestino, Quinteto Violado, Zizi Possi, Alcione, dentre outros. Foi indicada ao Grammy em 2017, com álbum de música de língua portuguesa com o álbum “Daquele Jeito” e já fez várias turnês internacionais, participando de festivais de Forró.
Anastácia, artista desde criança, começou cantando aos 6 anos de idade para as lavadeiras do rio e nas festas que chamavam para ela ir com sua mãe no Recife, aniversário, casamento… também cantava escondido da mãe no quintal. “Eu pegava minhas colegas e dizia: hoje vai ter show da cantora Lucinete, que era eu, né?!. Daí, minha mãe saía para trabalhar, quando ela dava as costas, eu botava as cadeiras todas lá fora, chamava as vizinhas, colocava uma roupa estampadona ou um lençol amarrado aqui com umas flores e dizia: o locutor vai anunciar (era eu o locutor), e quando anunciar o locutor, vocês batam palma que eu vou entrar. Botava as cadeiras e anunciava: com vocês Lucinete Ferreira! Quando acabava, uma delas estava incumbida de me dar um pacote de folhas de mato que era o dinheiro de mentirinha. E ela me dava aquele dinheiro e eu me sentia uma artista.”
Continuando a semeadura de uma carreira promissora, Anastácia foi cantar na pastoril do bairro dela em Recife. “Quando eu fui brincar pastoril, aí já tinha plateia, eu tinha um papel diferenciado porque eu cantava. É um folclore que tem na época de Natal no Nordeste, começava o ensaio em outubro, eram 6 pastoras do vermelho e do azul e cada uma tinha uma função, um nome. Uma moça do meu bairro que criava este pastoril e quando soube, fui correndo me oferecer para dançar e cantar. Ela perguntou se eu sabia cantar, eu disse: eu sei! Cheguei lá e cantei feito uma cigarra doida. Naquela hora eu sabia tudo…foi a primeira vez que cantei para o público, numa apresentação assim…até então eu nunca nem tinha visto um show de mulher nenhuma cantando.”
Atirada e sabendo bem o que queria, continuou correndo atrás de seu sonho: “Surgiu logo depois, quando eu tinha 13 anos, a oportunidade de cantar num concurso na fábrica onde minha mãe trabalhava, um concurso de calouros. Fiquei sabendo que tinha uma menina que ganhou duas vezes, e se ela ganhasse mais quatro vezes ela ia ser contratada da Orquestra. Eu falei: Aé?! Vou lá! Eu fui e a partir daí venci todos os concursos da fábrica e fui contratada. Eu ganhava mais do que minha mãe, acho que era 40 cruzeiros ou 40 mil réis, cantando no sábado ou no domingo. Eu achei ótimo, disse: Nossa eu vou cantar e ainda vou ganhar! Aí começou minha carreira artística".
Anastácia sempre foi uma mulher muito à frente de seu tempo, ainda adolescente teimou em ser cantora e não teve medo de enfrentar os preconceitos da época para seguir em frente. Extremamente atirada e corajosa, com 14 anos foi contratada na Rádio Nacional do Comércio de Recife, e sustentava toda família, mãe e irmãos com seu salário. E a vizinhança comentava: “Fulana falou que sua filha tão novinha já tá metida com este negócio de música, no meio de homens... Minha mãe disse: “Tem homem, mas tem mulher também e nunca ela vai só, ela sempre vai com uma prima”. Quando eu comecei a cantar na rádio, eu tirei aqueles vestidos de maria mijona e comecei a botar vestido de mocinha, um pouquinho mais decotado. Daí começou um buchicho. Teve uma mulher que foi na casa de minha mãe e falou: “Cadê sua filha?” Minha mãe respondeu: “Foi para a rádio cantar.” E a vizinha: “Será que foi? Mamãe: “Foi, foi com Julieta.” Uma prima que eu tinha. A mulher: “E tu acredita?’ A mãe: “Acredito, daqui a pouco ela vai cantar.” E minha mãe ouvia no rádio. Mas a cabeça (das pessoas daquele tempo) era tão alienada achavam que naquele prédio as mulheres só entravam e não saíam, coisa da época, falta de informação.(...) Mulher de rádio não tinha muito valor, não.”
“É tanto que arrumei um dia um namorado quando eu tinha 17 para 18 anos, e o cara enlouqueceu por mim e queria casar comigo. Ele disse assim: “Olha, eu quero falar com sua mãe, porque eu não tô namorando com você pra fazer hora, não, eu quero casar com você.” E eu só ouvindo, porque eu não tinha intenção nenhuma de casar com ninguém. Ele disse: “Só que tem uma coisa, este negócio de rádio, não vai existir mais, porque mulher séria casada não vai pra rádio cantar. Eu vou comprar uma televisão e você fica assistindo de casa. Na outra semana eu já não quis mais falar com ele.” Sobre o machismo estrutural, Anastácia completa: “Quando a televisão chegou em Recife, o povo começou a achar mais normal mulher cantar, pois foram vendo mulheres do mundo todo se apresentar e a mentalidade foi mudando.”
Contudo a chegada da televisão cortou muito a programação das rádios e Anastácia pensou: O que é que eu vou fazer aqui no Recife? Ela tinha uma irmã mais velha em São Paulo e cismou em vir para cá, apesar de saber que a irmã não gostava da cidade, morava num quartinho e reclamava muito da condição. A Rádio Nacional do Recife encerrou as atividades e Anastácia veio para São Paulo, depois de fazer um show na Paraíba com Gordurinha e ter perguntado para ele como era São Paulo. Gordurinha falou: “São Paulo é como se fosse Londres, quando faz frio a gente usa um sobretudo…”, “Daí eu fechei os olhos e fiquei imaginando aquele glamour, aquilo que ele falou…sabe, pois eu quero ir a São Paulo: Já que eu não posso ir a Londres, vou a São Paulo.”
Ficou pensando em como levar a mãe e os irmãos, o padrasto não ajudava muito em casa, Anastácia que assumiu as despesas da família. Naquela época eram oito dias para vir para São Paulo, e no mesmo número eram os integrantes da família: seis crianças e dois adultos. “Eu conversei com uma amiga na rádio e ela perguntou: “Menina, como que você vai de ônibus com seis crianças?” A amiga fez uma vaquinha para comprar passagem de avião e nós viemos voando, não foi de pau de arara, não.” Fato bastante incomum na época, e que mostra o quanto Anastácia já era querida e tinha um reconhecimento profissional no Recife.
Era 1960, ela recebeu o cartão de visitas de Venâncio e Corumba (autores da canção: "Último Pau de Arara”), foi até o escritório deles e, não encontrando nenhum dos dois, deixou o telefone dela para contato. Uns dois meses depois o Venâncio ligou para ela e arranjou um teste na Chantecler, no mesmo ano que ela chegou, ela gravou e fechou contrato na gravadora.
Ela não era forrozeira, gravava vários ritmos, mas aconteceu de ela em São Paulo ser solicitada para cantar Forró e ser um grande sucesso. O produtor disse: “Você cantou tudo bonito, mas quando cantou Sebastiana, ficou iluminada! Quer fazer um disco de Forró?” Em 1961 ela se casa em Venâncio, relação que durou apenas três anos, mas que gerou duas filhas. Anastácia ficou incomodada com o marido ficar segurando-a em casa, o disco dela estava fazendo sucesso no Nordeste e ele não gostava que ela viajasse. Um dia, ela estava no escritório de Venâncio e Corumba e ficou conversando duas horas com Luiz Gonzaga. O Rei, sem saber quem ela era, perguntou: “Peraí, como é seu nome?” E escutando a resposta, completou: “Anastácia, menina, o que vc tá fazendo aqui, você é estourada no Nordeste, vá lá que você vai ser bem recebida!” Passou aquele ano e ela decidiu ir para o Nordeste conferir. Genival Lacerda apareceu no escritório de Venâncio, eles já se conheciam. “Genival, eu já ouviu meu disco lá? Oxi, em todo lugar. Eu Tô indo para lá em dezembro, tu não quer ir não?” “E eu fui! Quando eu cheguei lá, cheguei na portaria de um programa de rádio com meu disco e falei: diz que a cantora Anastácia tá aqui”. "Anastácia é você,você existe? Menina vem aqui.” Ele tocou o disco todo, me entrevistou por uma hora”…
“O Gonzaga tá hospedado aí? Será que eu podia falar com ele? Gonzaga tava indo para o Exu com Dominguinhos na missa do vaqueiro, e me convidou para ir com ele, mas eu já tinha contratado uns shows em Recife. Depois de uns seis meses, cheguei a conclusão que eu tinha que ficar sozinha, pois meu marido ficou com muito ciúmes.” A mãe e irmãs ajudaram Anastácia a cuidar das filhas e ela mesma conseguiu direcionar a carreira dela, seguindo neste momento para o Nordeste.
1966 conheceu Dominguinhos, por quem se apaixonou à primeira vista. Ainda Neném do acordeon, Dominguinhos era desconhecido, e vinha tocar em São Paulo no Forró do Pedro Sertanejo. Seis meses depois, ela foi num aniversário no Brás, e pediram para ela cantar, Dominguinhos tava lá e disse: “Eu lhe acompanho”. Anastácia ficou procurando por ele por meses, lembrando daquele moreno. Até que Luiz Gonzaga convidou a cantora para fazer um quadro humorístico no Rio e quem fazia a sanfona era Dominguinhos. O programa durou três meses, depois Gonzaga chamou Anastácia para fazer uma turnê pelo Nordeste, abrindo os shows dele, onde realmente teve mais contato com Dominguinhos e iniciou o romance que rendeu grandes sucessos da música brasileira.
Dominguinhos fala em entrevista: “Anastácia foi minha grande parceira, através dela que me descobri compositor e cantor, e com ela compus meus grandes sucessos.” As primeiras parcerias do casal foram: “De Amor eu Morrerei” e “Um Mundo de Amor”, primeiras letras que fizeram para algum Forró dele, antes de Anastácia, as músicas de Dominguinhos não eram letradas.
O casal saiu em turnê, morou um ano em Aracaju, depois veio para São Paulo, ficavam num apartamento no centro da cidade. Anastácia era contratada e levava o Dominguinhos como sanfoneiro para onde ia, assumia as despesas dele e dividia o cachê dela igualmente com o sanfoneiro. Neste meio tempo, Anastácia incentivou Dominguinhos a começar também a cantar.
A Rainha do Forró sempre teve muita facilidade em escrever, diz ela que lia muito gibi quando era criança. As letras, segundo a compositora, aparecem naturalmente, “Eu só Quero um Xodó” ela compôs fazendo peixe frito de almoço. Mas ela também faz música por encomenda, apesar de não escrever melodia, faz parcerias com músicos de diversos estilos, o que faz com que seu trabalho seja divulgado para muito para além do Forró.
Anastácia tem a língua ferina, é vaidosa e tem uma personalidade muito forte. Quando recentemente falaram que iriam fazer um filme com sua história, ela pediu que a atriz fosse bem bonita, rs. Em 2011 teve sua biografia lançada Eu Sou Anastácia: histórias de uma Rainha e em 2021 a reedição do livro. Anastácia gravou vários álbuns e DVDs, já cantou em diversos palcos no exterior e recebeu uma grande homenagem em São Paulo: O Prêmio Anastácia, a prefeitura da cidade de São Paulo concede este título às fazedoras e fazedores da cultura do Forró que possuem um trabalho consistente com Forró na cidade.
Anastácia participou do famoso festival de Iacanga, e achou que ia ser vaiada lá, mas a juventude sudestina da década de 1980 já olhava para a música nordestina com muito carinho. A cantora também foi várias vezes para a Europa, nos festivais do circuito de Forró Urbano. E fala da dança do sudeste: “Faz um desenho de corpo que fica sensual e charmoso. Eu acho uma graça, e principalmente na Europa que as meninas tiram o sapato, ficam de sapatilha, parecem um grupo de dançarinos fazendo uma apresentação, fica lindo, lindo, lindo!”
Uma das músicas que Anastácia mais gosta de cantar: “Ah, são muitas. “Sanfona Sentida”, pois fala da fusão do instrumento com o músico e a sanfona é uma parte muito forte na música nordestina, é o pivô da história. Gosto muito também de “De Amor eu Morrerei.” Anastácia segue lançando novas tendências e amadrinhando movimentos pioneiros dentro do Forró. Em sua mais nova música ela usa a expressão Ele Não, com duplo sentido, marcando sua posição política como feminista, mostrando que aos 82 anos ainda inspira toda a nova geração de mulheres do Forró e que é de fato a Rainha do Forró!
A Rainha do Forró
texto escrito por iris De franco
a partir da entrevista concedida ao programa As Mulheres do Forró: A história contada por Elas de 2020 do projeto Mulheres que Conduzem https://www.youtube.com/watch?v=-u1jnf7MCS0&t=5764s
ilustração: Roberto Krust
Natural de: Recife
Mora em: São Paulo
Profissão: Compositora e cantora
Data de Nascimento: 30/05/1941
No Forró desde: que nasceu
Hábitos: Adora salmão, vinho e ficar papeando com as amigas até alta madrugada
Anastácia, a Rainha do Forró, é uma das compositoras do Brasil com mais músicas escritas, com 83 anos, mas um espírito conectado com o futuro, assina parcerias com os grandes nomes da MPB, Rock, Rap e Funk brasileiro. É sempre a última a ir embora das festas e às vezes sai do Forró e termina a noite no bingo! A vivacidade da artista impressiona e inspira várias gerações, autora de mais de 900 músicas, dentre elas o grande sucesso “Eu só Quero um Xodó”, com mais de 400 gravações oficiais, em várias línguas.
A matriarca do Forró de São Paulo transita por diversos circuitos, unindo Forró com estilos outros de músicas, fez parcerias com as velhas e novas gerações, canta tanto o amor quanto a política e é uma inspiração para qualquer mulher dentro e fora do Forró. Saiu do Nordeste sozinha e moça, veio o Sudeste de avião, não foi de pau de arara, não, diz ela! Sustentou toda família com sua música, fazendo carreira e plantando morada em Sampa.
Dona de voz aveludada e uma grande contadora de histórias, Anastácia é uma humorista nata, foi apresentadora de programa de rádio e sempre conta causos de maneira divertida no palco. Mãe de duas filhas (frutos do casamento com Venâncio da dupla Venâncio e Corumba), tem sua carreira hoje administrada pela sua neta, a carinhosa e super profissional Carolina Albuquerque.
Foi parceira artística e mulher de Dominguinhos por 12 anos, e com ele tem mais de 200 composições. Os maiores sucessos de Dominguinhos como “Eu só quero um Xodó”, “Tenho Sede”, “Sanfona Sentida”, são músicas em parceria com Anastácia, mas nem sempre ela é lembrada por isso. Esquecimento este, fruto do machismo estrutural de nossa sociedade.
A Rainha fala: “A primeira mulher que surgiu cantando foi Marinês, eu tinha 13 anos, parecia um grito de liberdade. Deu asa a um monte de mulheres que existiam e cantavam só na roda de amigos e parentes, que não se tornaram profissionais, porque não era legal. Ela teve a ousadia de desbravar este mundo masculino, dizendo: “eu vou gravar também”. Depois surgiu Dilu Melo, que cantava ”pisa a cama na varanda…” Anastácia seguiu desbravando caminho para inúmeras mulheres que vieram depois dela cantar Forró.
A Rainha do Forró foi gravada por Gilberto Gil, Gal Costa, Nana Caymmi, Marinês, Elba Ramalho, Nara Leão, Emílio Santiago, Zeca Baleiro, Rapadura, Falamansa, Trio Nordestino, Quinteto Violado, Zizi Possi, Alcione, dentre outros. Foi indicada ao Grammy em 2017, com álbum de música de língua portuguesa com o álbum “Daquele Jeito” e já fez várias turnês internacionais, participando de festivais de Forró.
Anastácia, artista desde criança, começou cantando aos 6 anos de idade para as lavadeiras do rio e nas festas que chamavam para ela ir com sua mãe no Recife, aniversário, casamento… também cantava escondido da mãe no quintal. “Eu pegava minhas colegas e dizia: hoje vai ter show da cantora Lucinete, que era eu, né?!. Daí, minha mãe saía para trabalhar, quando ela dava as costas, eu botava as cadeiras todas lá fora, chamava as vizinhas, colocava uma roupa estampadona ou um lençol amarrado aqui com umas flores e dizia: o locutor vai anunciar (era eu o locutor), e quando anunciar o locutor, vocês batam palma que eu vou entrar. Botava as cadeiras e anunciava: com vocês Lucinete Ferreira! Quando acabava, uma delas estava incumbida de me dar um pacote de folhas de mato que era o dinheiro de mentirinha. E ela me dava aquele dinheiro e eu me sentia uma artista.”
Continuando a semeadura de uma carreira promissora, Anastácia foi cantar na pastoril do bairro dela em Recife. “Quando eu fui brincar pastoril, aí já tinha plateia, eu tinha um papel diferenciado porque eu cantava. É um folclore que tem na época de Natal no Nordeste, começava o ensaio em outubro, eram 6 pastoras do vermelho e do azul e cada uma tinha uma função, um nome. Uma moça do meu bairro que criava este pastoril e quando soube, fui correndo me oferecer para dançar e cantar. Ela perguntou se eu sabia cantar, eu disse: eu sei! Cheguei lá e cantei feito uma cigarra doida. Naquela hora eu sabia tudo…foi a primeira vez que cantei para o público, numa apresentação assim…até então eu nunca nem tinha visto um show de mulher nenhuma cantando.”
Atirada e sabendo bem o que queria, continuou correndo atrás de seu sonho: “Surgiu logo depois, quando eu tinha 13 anos, a oportunidade de cantar num concurso na fábrica onde minha mãe trabalhava, um concurso de calouros. Fiquei sabendo que tinha uma menina que ganhou duas vezes, e se ela ganhasse mais quatro vezes ela ia ser contratada da Orquestra. Eu falei: Aé?! Vou lá! Eu fui e a partir daí venci todos os concursos da fábrica e fui contratada. Eu ganhava mais do que minha mãe, acho que era 40 cruzeiros ou 40 mil réis, cantando no sábado ou no domingo. Eu achei ótimo, disse: Nossa eu vou cantar e ainda vou ganhar! Aí começou minha carreira artística".
Anastácia sempre foi uma mulher muito à frente de seu tempo, ainda adolescente teimou em ser cantora e não teve medo de enfrentar os preconceitos da época para seguir em frente. Extremamente atirada e corajosa, com 14 anos foi contratada na Rádio Nacional do Comércio de Recife, e sustentava toda família, mãe e irmãos com seu salário. E a vizinhança comentava: “Fulana falou que sua filha tão novinha já tá metida com este negócio de música, no meio de homens... Minha mãe disse: “Tem homem, mas tem mulher também e nunca ela vai só, ela sempre vai com uma prima”. Quando eu comecei a cantar na rádio, eu tirei aqueles vestidos de maria mijona e comecei a botar vestido de mocinha, um pouquinho mais decotado. Daí começou um buchicho. Teve uma mulher que foi na casa de minha mãe e falou: “Cadê sua filha?” Minha mãe respondeu: “Foi para a rádio cantar.” E a vizinha: “Será que foi? Mamãe: “Foi, foi com Julieta.” Uma prima que eu tinha. A mulher: “E tu acredita?’ A mãe: “Acredito, daqui a pouco ela vai cantar.” E minha mãe ouvia no rádio. Mas a cabeça (das pessoas daquele tempo) era tão alienada achavam que naquele prédio as mulheres só entravam e não saíam, coisa da época, falta de informação.(...) Mulher de rádio não tinha muito valor, não.”
“É tanto que arrumei um dia um namorado quando eu tinha 17 para 18 anos, e o cara enlouqueceu por mim e queria casar comigo. Ele disse assim: “Olha, eu quero falar com sua mãe, porque eu não tô namorando com você pra fazer hora, não, eu quero casar com você.” E eu só ouvindo, porque eu não tinha intenção nenhuma de casar com ninguém. Ele disse: “Só que tem uma coisa, este negócio de rádio, não vai existir mais, porque mulher séria casada não vai pra rádio cantar. Eu vou comprar uma televisão e você fica assistindo de casa. Na outra semana eu já não quis mais falar com ele.” Sobre o machismo estrutural, Anastácia completa: “Quando a televisão chegou em Recife, o povo começou a achar mais normal mulher cantar, pois foram vendo mulheres do mundo todo se apresentar e a mentalidade foi mudando.”
Contudo a chegada da televisão cortou muito a programação das rádios e Anastácia pensou: O que é que eu vou fazer aqui no Recife? Ela tinha uma irmã mais velha em São Paulo e cismou em vir para cá, apesar de saber que a irmã não gostava da cidade, morava num quartinho e reclamava muito da condição. A Rádio Nacional do Recife encerrou as atividades e Anastácia veio para São Paulo, depois de fazer um show na Paraíba com Gordurinha e ter perguntado para ele como era São Paulo. Gordurinha falou: “São Paulo é como se fosse Londres, quando faz frio a gente usa um sobretudo…”, “Daí eu fechei os olhos e fiquei imaginando aquele glamour, aquilo que ele falou…sabe, pois eu quero ir a São Paulo: Já que eu não posso ir a Londres, vou a São Paulo.”
Ficou pensando em como levar a mãe e os irmãos, o padrasto não ajudava muito em casa, Anastácia que assumiu as despesas da família. Naquela época eram oito dias para vir para São Paulo, e no mesmo número eram os integrantes da família: seis crianças e dois adultos. “Eu conversei com uma amiga na rádio e ela perguntou: “Menina, como que você vai de ônibus com seis crianças?” A amiga fez uma vaquinha para comprar passagem de avião e nós viemos voando, não foi de pau de arara, não.” Fato bastante incomum na época, e que mostra o quanto Anastácia já era querida e tinha um reconhecimento profissional no Recife.
Era 1960, ela recebeu o cartão de visitas de Venâncio e Corumba (autores da canção: "Último Pau de Arara”), foi até o escritório deles e, não encontrando nenhum dos dois, deixou o telefone dela para contato. Uns dois meses depois o Venâncio ligou para ela e arranjou um teste na Chantecler, no mesmo ano que ela chegou, ela gravou e fechou contrato na gravadora.
Ela não era forrozeira, gravava vários ritmos, mas aconteceu de ela em São Paulo ser solicitada para cantar Forró e ser um grande sucesso. O produtor disse: “Você cantou tudo bonito, mas quando cantou Sebastiana, ficou iluminada! Quer fazer um disco de Forró?” Em 1961 ela se casa em Venâncio, relação que durou apenas três anos, mas que gerou duas filhas. Anastácia ficou incomodada com o marido ficar segurando-a em casa, o disco dela estava fazendo sucesso no Nordeste e ele não gostava que ela viajasse. Um dia, ela estava no escritório de Venâncio e Corumba e ficou conversando duas horas com Luiz Gonzaga. O Rei, sem saber quem ela era, perguntou: “Peraí, como é seu nome?” E escutando a resposta, completou: “Anastácia, menina, o que vc tá fazendo aqui, você é estourada no Nordeste, vá lá que você vai ser bem recebida!” Passou aquele ano e ela decidiu ir para o Nordeste conferir. Genival Lacerda apareceu no escritório de Venâncio, eles já se conheciam. “Genival, eu já ouviu meu disco lá? Oxi, em todo lugar. Eu Tô indo para lá em dezembro, tu não quer ir não?” “E eu fui! Quando eu cheguei lá, cheguei na portaria de um programa de rádio com meu disco e falei: diz que a cantora Anastácia tá aqui”. "Anastácia é você,você existe? Menina vem aqui.” Ele tocou o disco todo, me entrevistou por uma hora”…
“O Gonzaga tá hospedado aí? Será que eu podia falar com ele? Gonzaga tava indo para o Exu com Dominguinhos na missa do vaqueiro, e me convidou para ir com ele, mas eu já tinha contratado uns shows em Recife. Depois de uns seis meses, cheguei a conclusão que eu tinha que ficar sozinha, pois meu marido ficou com muito ciúmes.” A mãe e irmãs ajudaram Anastácia a cuidar das filhas e ela mesma conseguiu direcionar a carreira dela, seguindo neste momento para o Nordeste.
1966 conheceu Dominguinhos, por quem se apaixonou à primeira vista. Ainda Neném do acordeon, Dominguinhos era desconhecido, e vinha tocar em São Paulo no Forró do Pedro Sertanejo. Seis meses depois, ela foi num aniversário no Brás, e pediram para ela cantar, Dominguinhos tava lá e disse: “Eu lhe acompanho”. Anastácia ficou procurando por ele por meses, lembrando daquele moreno. Até que Luiz Gonzaga convidou a cantora para fazer um quadro humorístico no Rio e quem fazia a sanfona era Dominguinhos. O programa durou três meses, depois Gonzaga chamou Anastácia para fazer uma turnê pelo Nordeste, abrindo os shows dele, onde realmente teve mais contato com Dominguinhos e iniciou o romance que rendeu grandes sucessos da música brasileira.
Dominguinhos fala em entrevista: “Anastácia foi minha grande parceira, através dela que me descobri compositor e cantor, e com ela compus meus grandes sucessos.” As primeiras parcerias do casal foram: “De Amor eu Morrerei” e “Um Mundo de Amor”, primeiras letras que fizeram para algum Forró dele, antes de Anastácia, as músicas de Dominguinhos não eram letradas.
O casal saiu em turnê, morou um ano em Aracaju, depois veio para São Paulo, ficavam num apartamento no centro da cidade. Anastácia era contratada e levava o Dominguinhos como sanfoneiro para onde ia, assumia as despesas dele e dividia o cachê dela igualmente com o sanfoneiro. Neste meio tempo, Anastácia incentivou Dominguinhos a começar também a cantar.
A Rainha do Forró sempre teve muita facilidade em escrever, diz ela que lia muito gibi quando era criança. As letras, segundo a compositora, aparecem naturalmente, “Eu só Quero um Xodó” ela compôs fazendo peixe frito de almoço. Mas ela também faz música por encomenda, apesar de não escrever melodia, faz parcerias com músicos de diversos estilos, o que faz com que seu trabalho seja divulgado para muito para além do Forró.
Anastácia tem a língua ferina, é vaidosa e tem uma personalidade muito forte. Quando recentemente falaram que iriam fazer um filme com sua história, ela pediu que a atriz fosse bem bonita, rs. Em 2011 teve sua biografia lançada Eu Sou Anastácia: histórias de uma Rainha e em 2021 a reedição do livro. Anastácia gravou vários álbuns e DVDs, já cantou em diversos palcos no exterior e recebeu uma grande homenagem em São Paulo: O Prêmio Anastácia, a prefeitura da cidade de São Paulo concede este título às fazedoras e fazedores da cultura do Forró que possuem um trabalho consistente com Forró na cidade.
Anastácia participou do famoso festival de Iacanga, e achou que ia ser vaiada lá, mas a juventude sudestina da década de 1980 já olhava para a música nordestina com muito carinho. A cantora também foi várias vezes para a Europa, nos festivais do circuito de Forró Urbano. E fala da dança do sudeste: “Faz um desenho de corpo que fica sensual e charmoso. Eu acho uma graça, e principalmente na Europa que as meninas tiram o sapato, ficam de sapatilha, parecem um grupo de dançarinos fazendo uma apresentação, fica lindo, lindo, lindo!”
Uma das músicas que Anastácia mais gosta de cantar: “Ah, são muitas. “Sanfona Sentida”, pois fala da fusão do instrumento com o músico e a sanfona é uma parte muito forte na música nordestina, é o pivô da história. Gosto muito também de “De Amor eu Morrerei.” Anastácia segue lançando novas tendências e amadrinhando movimentos pioneiros dentro do Forró. Em sua mais nova música ela usa a expressão Ele Não, com duplo sentido, marcando sua posição política como feminista, mostrando que aos 82 anos ainda inspira toda a nova geração de mulheres do Forró e que é de fato a Rainha do Forró!

Janayna Pereira
Janayna Pereira
escrito por iris De franco
Janayna é uma das principais expoentes do Forró Sudestino, através do movimento do Forró Universitário nos fins dos anos 1990. Ex-integrante da Banda Bicho de Pé e autora de grandes sucessos como: Nosso Xote, Janayna influenciou toda uma geração de mulheres que vieram a fazer Forró depois dela, abrindo portas para o movimento feminista no Forró que se agigantou a partir de 2014 no Brasil. Jana gravou 5 CDs, e 1 álbum digital, hoje com carreira solo, faz sucesso nos festivais de Forró pelo mundo afora.
Amante da cultura popular e filha do possante caldeirão cultural da década de 70 tropicalista, Jana ama o rock in roll e é notável sua veia roqueira em algumas de suas interpretações. Ela conta que, quando menina, amava a Rita Lee, Janis Joplin, Zappa e que está lastimosa por perder o próximo show do Kiss no Brasil, pois estará em turnê pela Europa.
Janayna nasceu em São Paulo, e carrega as raízes do Brasil, país multicultural, na sua essência. Filha de pai baiano e mãe de ascendência portuguesa e síria, desde cedo foi estimulada a expressar sua criatividade, seu pai era designer e amante da música. Multiartista, Jana estudou Artes Cênicas na EAD/ECA/USP/Universidade de São Paulo, e enveredou-se pelo caminho da música através do canto, da composição com sua interpretação dramática e teatral. Janayna Pereira estudou técnica vocal com Miriam Maria e Madalena Bernardes e iniciou também os estudos na ULM/Universidade Livre de Música. Cursou aula de Percussão Popular com Paulo Dias no Coralusp, foi parte dos grupos Cachuêra e Cupuaçu.
A Jana criança era uma moleca que corria na rua, brincava de carrinho de rolemã e adorava se fantasiar! Ela já defendia os direitos humanos desde cedo. Com uns 11 anos de idade, uma amiga foi barrada na portaria de seu prédio por ser preta e ela foi correndo reclamar e advertir o porteiro. Na adolescência seu corpo de mulher se desenvolveu muito rápido e os coleguinhas faziam piadas maldosas, ela, não titubeava, defendia seus direitos, por isso era chamada de Mônica!
Janayna, nome também de sua cabocla, frequenta o terreiro desde menina, honrando seu nome e sua orixá: Iansã, chega de vermelho espalhando a ventania e a chama da criatividade por onde passa. Reverenciando sua ancestralidade na música e no seu jeito de ser e viver, Jana decorou sua casa com arte Naif e diversos instrumentos de percussão e se especializou na faculdade de gastronomia, nos pratos nordestinos, curso que decidiu fazer na pandemia.
Janayna diz que carrega o espírito cigano consigo e não consegue ficar quieta, está toda hora viajando, por isso teve 5 casamentos, esperar pela Jana é difícil. E apesar da última união de 7 anos com Nathanael ter chegado ao fim pela ausência constante da cantora, eles mantém uma relação linda de amizade e Janayna fala que Nathanael teve uma grande participação na sua decisão de sair do Bicho de Pé, abrindo sua mente para caminhos diferentes e uma fase nova e promissora na música.
Para quem não sabe, Janayna começou a participar da cena do Forró paulistano dançando! Pois é, ela que já fazia aulas de Danças de Salão, saía da ECA tarde da noite e às vezes não encontrava ônibus para voltar para a casa de seus pais na Vila Madalena. Parava em Pinheiros e esperava a primeira condução matinal dançando muito Forró! Foi numa destas noites que uma amiga empurrou a Jana para o palco, gritando: “ela canta bem, chama ela no palco!” Janyana fazia um musical na EAD e estava trabalhando há muito tempo sua voz, quando subiu no palco do KVA, no show do Trio Virgulino, arrasou tanto que ficou meia hora cantando sem parar.
E assim começou sua carreira como cantora de Forró, em 1997. Miltinho Edilberto ofereceu o cargo de backing vocal e com isso ela saiu do seu emprego durante o dia e caiu na noite paulistana! E o mundo só tem a agradecer por estes quase 30 anos de Janayna nos palcos!
Dona de voz e personalidade fortes, Janayna Pereira é uma pop-star do Forró Urbano, sendo uma das mulheres que mais inspirou o movimento do Forró no Sudeste no fim da década de 90, com inúmeras composições, Janayna agraciou o mundo com Nosso Xote, uma música que fez sucesso nacionalmente e que foi um dos primeiros Forrós a expressar o ponto de vista da mulher. “Moreno, me convidou para dançar um xote, beijou o meu cabelo, cheirou meu cangote, fez meu corpo inteiro se arrepiar…” Ter uma mulher cantando uma música trazendo o sentimento feminino e uma situação que poderia acontecer com qualquer uma dentro do Forró é altamente inspirador, rola uma identificação da mulher, rara de ocorrer com a maioria dos Forrós que possuem letras extremamente machistas ou que falam sob uma ótica estritamente masculina. Nosso Xote virou hit nacional, ganhou o mundo através das forrozeiras/os e é cantado hoje em várias línguas.
Janayna Pereira é musa inspiradora para toda a nova geração de mulheres do Forró, pois sua história é marcada não só pelo seu sucesso no meio da música, bem como pelo seu talento enquanto cantora, instrumentista, compositora e suas interpretações performáticas nos palcos. Não esquecendo de citar aqui, que Janayna é uma importante porta voz feminista no Forró: famosa pelo seu posicionamento forte, sempre defendendo e incentivando as mulheres através de sua fala e de seu trabalho, é uma das principais ativistas da Frente de Mulheres do Forró e está sempre super acessível para conversar e articular a mulhererada, inaugurando sempre novos movimentos onde a mulher é protagonista.
Janayna também é co-autora e madrinha do Ai que Bom, o primeiro Festival de Forró da Europa com bandas ao vivo e tem uma vasta carreira internacional, tendo um público cativo no exterior que canta suas músicas em português com muita paixão.
Por 18 anos, foi cantora e compositora da famosa banda o Bicho de Pé e escreveu a maioria de suas canções como Jangadeiro, Que Seja, Ai que Bom, No Escurinho. A banda fez muito sucesso na época do Forró Universitário, nos anos 2000 e recentemente foi top 7 no programa Superstar da Rede Globo!
Na sua voz também ficaram eternizadas lindas versões como: Sanfona Sentida e é dela a interpretação conhecida de uma das músicas que mais representou o universo do Forró Sudestino e Urbano: Não há nada igual ao Forró de Miltinho Edilberto. Hoje, Jana tem seu trabalho solo e suas músicas autorais que estão tratando de assuntos que vão para além dos relacionamentos afetivos, temas como a passagem de tempo, é expressa com abordagem muito madura na música Velocidade. Em parceria com Danilo Moraes, fala sobre a pandemia, e o que viria depois dela? na música Promessa. Letras que mostram maturidade e arranjos que transbordam o Universo do Forró e tangenciam outras vertentes da música.
Atualmente também está produzindo um evento com 100% de trabalhadoras mulheres em parceria com o Forró Delas, o Forró de Dama, que acontece uma vez por mês no Brooklin em São Paulo. Este movimento feminista é vital para garantia de maior espaço para as mulheres na cena forrozeira que ainda é machista e quase totalmente marcada pela presença de homens produzindo, compondo, tocando, dando aulas e na equipe técnica.
Na pandemia Janayna disse que estava surtando de ficar só vendo Netflix e levantou com intuito de fazer algum curso. Primeiro pensou em fotografia, mas como ela gosta de gente e da cultura popular, seria complicado fotografar apenas a casa dela, não fazia sentido na época do COVID-19. Foi então que ganhou um curso de gastronomia de um amigo para cursar na faculdade. Ela está amando, pois uma de suas paixões é comer bem! E já planeja se especializar em culinária molecular e aromaterapia. Contando já sobre um maravilhoso elixir para pele e menstruação que ela elaborou com a flor vaginalis, morango, artemísia e gotas de erva cidreira e do drink de sua autoria que está sendo vendido no Forró Delas: o Xote das Meninas, as pessoas provaram e amaram tanto que disseram que o xote é pequeno. Fica então a dica quando você for ao Forró Delas, escutar Janayna, peça um Xoxotão, pois só o xote vai ser pouco!
Realmente só um xote é pouco para acompanhar o fluxo criativo de Janayna Pereira, é preciso muito fôlego, e entendimento de que a arte e a cultura brasileira a escolheram como uma de suas grandes porta-vozes. Salve, Janayna, salve, salve!
escrito por iris De franco
Janayna é uma das principais expoentes do Forró Sudestino, através do movimento do Forró Universitário nos fins dos anos 1990. Ex-integrante da Banda Bicho de Pé e autora de grandes sucessos como: Nosso Xote, Janayna influenciou toda uma geração de mulheres que vieram a fazer Forró depois dela, abrindo portas para o movimento feminista no Forró que se agigantou a partir de 2014 no Brasil. Jana gravou 5 CDs, e 1 álbum digital, hoje com carreira solo, faz sucesso nos festivais de Forró pelo mundo afora.
Amante da cultura popular e filha do possante caldeirão cultural da década de 70 tropicalista, Jana ama o rock in roll e é notável sua veia roqueira em algumas de suas interpretações. Ela conta que, quando menina, amava a Rita Lee, Janis Joplin, Zappa e que está lastimosa por perder o próximo show do Kiss no Brasil, pois estará em turnê pela Europa.
Janayna nasceu em São Paulo, e carrega as raízes do Brasil, país multicultural, na sua essência. Filha de pai baiano e mãe de ascendência portuguesa e síria, desde cedo foi estimulada a expressar sua criatividade, seu pai era designer e amante da música. Multiartista, Jana estudou Artes Cênicas na EAD/ECA/USP/Universidade de São Paulo, e enveredou-se pelo caminho da música através do canto, da composição com sua interpretação dramática e teatral. Janayna Pereira estudou técnica vocal com Miriam Maria e Madalena Bernardes e iniciou também os estudos na ULM/Universidade Livre de Música. Cursou aula de Percussão Popular com Paulo Dias no Coralusp, foi parte dos grupos Cachuêra e Cupuaçu.
A Jana criança era uma moleca que corria na rua, brincava de carrinho de rolemã e adorava se fantasiar! Ela já defendia os direitos humanos desde cedo. Com uns 11 anos de idade, uma amiga foi barrada na portaria de seu prédio por ser preta e ela foi correndo reclamar e advertir o porteiro. Na adolescência seu corpo de mulher se desenvolveu muito rápido e os coleguinhas faziam piadas maldosas, ela, não titubeava, defendia seus direitos, por isso era chamada de Mônica!
Janayna, nome também de sua cabocla, frequenta o terreiro desde menina, honrando seu nome e sua orixá: Iansã, chega de vermelho espalhando a ventania e a chama da criatividade por onde passa. Reverenciando sua ancestralidade na música e no seu jeito de ser e viver, Jana decorou sua casa com arte Naif e diversos instrumentos de percussão e se especializou na faculdade de gastronomia, nos pratos nordestinos, curso que decidiu fazer na pandemia.
Janayna diz que carrega o espírito cigano consigo e não consegue ficar quieta, está toda hora viajando, por isso teve 5 casamentos, esperar pela Jana é difícil. E apesar da última união de 7 anos com Nathanael ter chegado ao fim pela ausência constante da cantora, eles mantém uma relação linda de amizade e Janayna fala que Nathanael teve uma grande participação na sua decisão de sair do Bicho de Pé, abrindo sua mente para caminhos diferentes e uma fase nova e promissora na música.
Para quem não sabe, Janayna começou a participar da cena do Forró paulistano dançando! Pois é, ela que já fazia aulas de Danças de Salão, saía da ECA tarde da noite e às vezes não encontrava ônibus para voltar para a casa de seus pais na Vila Madalena. Parava em Pinheiros e esperava a primeira condução matinal dançando muito Forró! Foi numa destas noites que uma amiga empurrou a Jana para o palco, gritando: “ela canta bem, chama ela no palco!” Janyana fazia um musical na EAD e estava trabalhando há muito tempo sua voz, quando subiu no palco do KVA, no show do Trio Virgulino, arrasou tanto que ficou meia hora cantando sem parar.
E assim começou sua carreira como cantora de Forró, em 1997. Miltinho Edilberto ofereceu o cargo de backing vocal e com isso ela saiu do seu emprego durante o dia e caiu na noite paulistana! E o mundo só tem a agradecer por estes quase 30 anos de Janayna nos palcos!
Dona de voz e personalidade fortes, Janayna Pereira é uma pop-star do Forró Urbano, sendo uma das mulheres que mais inspirou o movimento do Forró no Sudeste no fim da década de 90, com inúmeras composições, Janayna agraciou o mundo com Nosso Xote, uma música que fez sucesso nacionalmente e que foi um dos primeiros Forrós a expressar o ponto de vista da mulher. “Moreno, me convidou para dançar um xote, beijou o meu cabelo, cheirou meu cangote, fez meu corpo inteiro se arrepiar…” Ter uma mulher cantando uma música trazendo o sentimento feminino e uma situação que poderia acontecer com qualquer uma dentro do Forró é altamente inspirador, rola uma identificação da mulher, rara de ocorrer com a maioria dos Forrós que possuem letras extremamente machistas ou que falam sob uma ótica estritamente masculina. Nosso Xote virou hit nacional, ganhou o mundo através das forrozeiras/os e é cantado hoje em várias línguas.
Janayna Pereira é musa inspiradora para toda a nova geração de mulheres do Forró, pois sua história é marcada não só pelo seu sucesso no meio da música, bem como pelo seu talento enquanto cantora, instrumentista, compositora e suas interpretações performáticas nos palcos. Não esquecendo de citar aqui, que Janayna é uma importante porta voz feminista no Forró: famosa pelo seu posicionamento forte, sempre defendendo e incentivando as mulheres através de sua fala e de seu trabalho, é uma das principais ativistas da Frente de Mulheres do Forró e está sempre super acessível para conversar e articular a mulhererada, inaugurando sempre novos movimentos onde a mulher é protagonista.
Janayna também é co-autora e madrinha do Ai que Bom, o primeiro Festival de Forró da Europa com bandas ao vivo e tem uma vasta carreira internacional, tendo um público cativo no exterior que canta suas músicas em português com muita paixão.
Por 18 anos, foi cantora e compositora da famosa banda o Bicho de Pé e escreveu a maioria de suas canções como Jangadeiro, Que Seja, Ai que Bom, No Escurinho. A banda fez muito sucesso na época do Forró Universitário, nos anos 2000 e recentemente foi top 7 no programa Superstar da Rede Globo!
Na sua voz também ficaram eternizadas lindas versões como: Sanfona Sentida e é dela a interpretação conhecida de uma das músicas que mais representou o universo do Forró Sudestino e Urbano: Não há nada igual ao Forró de Miltinho Edilberto. Hoje, Jana tem seu trabalho solo e suas músicas autorais que estão tratando de assuntos que vão para além dos relacionamentos afetivos, temas como a passagem de tempo, é expressa com abordagem muito madura na música Velocidade. Em parceria com Danilo Moraes, fala sobre a pandemia, e o que viria depois dela? na música Promessa. Letras que mostram maturidade e arranjos que transbordam o Universo do Forró e tangenciam outras vertentes da música.
Atualmente também está produzindo um evento com 100% de trabalhadoras mulheres em parceria com o Forró Delas, o Forró de Dama, que acontece uma vez por mês no Brooklin em São Paulo. Este movimento feminista é vital para garantia de maior espaço para as mulheres na cena forrozeira que ainda é machista e quase totalmente marcada pela presença de homens produzindo, compondo, tocando, dando aulas e na equipe técnica.
Na pandemia Janayna disse que estava surtando de ficar só vendo Netflix e levantou com intuito de fazer algum curso. Primeiro pensou em fotografia, mas como ela gosta de gente e da cultura popular, seria complicado fotografar apenas a casa dela, não fazia sentido na época do COVID-19. Foi então que ganhou um curso de gastronomia de um amigo para cursar na faculdade. Ela está amando, pois uma de suas paixões é comer bem! E já planeja se especializar em culinária molecular e aromaterapia. Contando já sobre um maravilhoso elixir para pele e menstruação que ela elaborou com a flor vaginalis, morango, artemísia e gotas de erva cidreira e do drink de sua autoria que está sendo vendido no Forró Delas: o Xote das Meninas, as pessoas provaram e amaram tanto que disseram que o xote é pequeno. Fica então a dica quando você for ao Forró Delas, escutar Janayna, peça um Xoxotão, pois só o xote vai ser pouco!
Realmente só um xote é pouco para acompanhar o fluxo criativo de Janayna Pereira, é preciso muito fôlego, e entendimento de que a arte e a cultura brasileira a escolheram como uma de suas grandes porta-vozes. Salve, Janayna, salve, salve!

Bernadete França
Bernadete França
Minha casa sempre foi ambiente de música, meu pai era repentista, eu cresci com esta vertente, são minhas raízes. Na vizinha tinha um violeiro que organizava saraus. Aos 6 anos de idade cantei “O Cheiro da Carolina”, cantava em festa de final de ano, quando era de dia. O povo pedia à minha mãe: “Leva a Bernadete, Luzia!” Meus pais diziam que eu ia ser cantora.
Meu pai morreu quando eu tinha 4 anos, mas eu me lembro dele cantarolando. Minha mãe era costureira e criou 10 filhos, eu sou a caçula.
Eu vim parar em São Paulo porque ganhei um prêmio. Era para eu cantar no Sílvio Santos, num programa que disputava cidade contra cidade. Eu pensei: “Eu vou e volto”. Mas ganhei o prêmio e fiquei empregada, pois ele tava precisando de cantora.
José Fernandes era jurado e me chamou. Ele era um terror: “Eu estou precisando de uma cantora desse estilo.” Eu respondi: “Mas eu só tenho 12 anos.” Eu vim sozinha com autorização da TVS. O José Fernandes pagou a passagem para minha mãe e ela veio morar comigo. Eu parei meus estudos, fui fazer supletivo com 42 anos e entrei na faculdade de música.”
Eu tive uma filha com um músico. Hoje ela dá aula numa universidade na Áustria. Ela é violinista e tem um quarteto. Ela fala 5 idiomas. Quando eu era solteira, eu trabalhava com Toquinho.Tive uma gravidez e perdi a criança, me separei e fui embora para Europa. Depois eu conheci o pai da Bárbara, minha filha. Eu fui fazer um show no Maksoud Plaza e ele era trompetista.
Quando eu voltei da Itália, parei de trabalhar para ter minha filha. Quando a Bárbara tinha 3 anos, o Zezé di Camargo me chamou para fazer um showmício. Eu contratei uma babá para ficar com minha filha e fui trabalhar. Mas a menina ficava sempre doente, então eu resolvi ficar em casa e cuidar dela.
Quando ela tinha 11 anos, eu me separei. Ela já era violinista, e eu tinha abandonado minha carreira para cuidar dela. Pensei: “O que eu vou fazer da minha vida agora?” Eu já cantava em casamentos, era crooner, montei um grupo com repertório que incluía minha filha.
As noivas me conheciam de outros casamentos, eu comecei a ligar para elas e falar do novo grupo. Eu sou soprano também, então eu canto de tudo um pouco. Eu fazia demonstração na minha sala, servia sanduíche. Era tudo pago: água, iogurte, tudo estava à venda!
Quando eu me separei, minha filha me dava força. Nunca deixei a peteca cair, eu já tinha talento, mas me preparei, então chegava pronta para qualquer repertório.
Com 16 anos, a Bárbara já se apresentava em festivais e quiseram levá-la para Europa. Ela não terminou a escola. Falaram para eu colocá-la para aprender piano e alemão. Eu aluguei um piano e chamei um professor para dar aulas a ela. Com 18 anos ela foi embora sozinha, o pai era difícil, mas mesmo assim ele ajudou. Hoje ela é uma grande mulher, comprou apartamento e trabalha direto no centro de Viena. Ela grava para os filmes de nome.
O Forró é uma continuidade pra minha vida. Eu fiz de tudo, mas não era feliz, porque dentro do meu coração queria cantar minhas raízes. Quando tive a oportunidade, quando pude conhecer o circuito, o Tiziu (do Araripe) ligou para mim. Ele falou: “Hoje eu vou cantar no Remelexo e quero que você dê uma canja”
O Alex (Corrente) me viu e falou que tinha às sextas O Meu Forró. “Você não quer participar? Você monta um trio e vem.” Não foi fácil, o público com mulher, rola um preconceito, o timbre de voz, aquela coisa alta. Eu fui captando as coisas que eu ouvia: um produtor me falou que mulher no Forró não emplaca. “Mulher não agrada”, ele falou.
Mas o público foi prestando atenção às sextas no Nosso Forró. Depois de mim, entrava um trio de Forró e eles se derretiam. Precisa saber tirar o tom: na parte aguda, se você já tem uma voz estridente, ninguém aguenta. A Elis mesmo fala em seu documentário: “É bicho, é muito difícil ser mulher”. Você já nasce com um Carma, tem que ser melhor, se provar, cuidar de filho, marido, casa e ser melhor em tudo. É muita concorrência! Existe muito machismo, por isso as mulheres precisam sempre cuidar da qualidade e melhorar.
Eu tenho 47 anos de carreira, com toda minha bagagem, eu me submeti a ir no FENFIT e concorrer junto aos principiantes. O Alex falou: “Por que você não vai ao FENFIT? Acho que vai dar certo, pois você é muito boa!” comecei a trabalhar repertório, escolhi o chapéu da Marinês como figurino (sempre me espelhei nela), pensei na evolução de palco, na voz. Lá você não entra cantando uma coisinha qualquer porque não vai dar certo. Eu já tinha uma idade e eu não podia competir com menina nova, eu tinha que chegar arrebentando. Quando eu estava passando o som já sentia uma inveja, até das próprias mulheres.
Eu, geralmente, acordo às 7h para estudar repertório, hoje estou com mais de 100 músicas. Mas já chega homem cantando repertório de homem. Tem Hermelinda, Clemilda, Erivalda, Dolores Duran, se você quiser pesquisar tem muita mulher no Forró. “Tchau, meu amor, Tchau” é um brega que eu transformei em Forró; eu estou pesquisando e não paro. Se você estacionar, cai na mesmice.
Eu sou uma inspiração para as mulheres, vou dar um workshop no Fomento do Forró (Lei de Fomento ao Forró de SP) para as cantoras. Meu conselho é: tenha foco, corra atrás, dê o seu melhor. Eu sempre acho que posso melhorar. Digo, “saiba seu timbre”; peço para elas cantarem uma música para eu ouvir, para eu chegar na tonalidade delas. Também ensino ritmo, dicção. Preciso saber quanto tempo elas conseguem cantar a nota, por exemplo.
Eu me inspirei em cantoras que não mostram o corpo. Não tem necessidade de mostrar os seios, não é o caso de uma cantora de Forró Cultural. Naquela época você via Marinês, Maria Bonita, isso ficou na minha cabeça, eu faço esta linha. Eu nunca vou subir no palco com uma rasteirinha, minha cultura é antiga: roupa rodada, abaixo do joelho, nada de mostrar o corpo. Eu não vou pelo lado sensual, mas sim pelo cultural, mas não condeno quem vá.
Eu trabalho com meu marido, Waldo Lima, e ter marido trabalhando junto, a gente tem que se posicionar, tem que ter muito diálogo, pois é muito fácil despinguelar. A gente não tem ciúmes um do outro, o Waldo grava com outras cantoras eu vou para os shows, existe um entendimento. Ele não fica chateado se um fã tentar me agarrar na festa, a gente tem confiança um no outro, ele é super companheiro. Muito prestativo, meu braço direito. O cara que está comigo nesta caminhada. Eu fui agraciada com o Waldo Lima, os arranjos de Empoderadas, ele que criou, mas a música já tava pronta, eu que fiz a letra. Eu tinha o sonho de gravar músicas minhas, mas me sentia insegura e tive a coragem de fazer isso neste último álbum! Eu não faço melodia, só letra, então a gente se complementa!"
Bernadete França Currículo Artístico
Bernadete França nasceu em Rio Tinto no estado da Paraíba, é a caçula de nove filhos de uma família simples. Sua mãe era costureira e seu pai trabalhava na lavoura e era repentista nos finais de semana: fazia versos e tocava viola para as pessoas dos bairros vizinhos de onde morava. Com um ano de idade mudou-se com a família para Recife, aos seis anos cantou a primeira música, o xote O Cheiro da Carolina de Luiz Gonzaga.
Aos doze anos ganhou o prêmio cantora revelação em Recife, no mesmo ano, participou do programa Cidade contra Cidade do apresentador Silvio Santos em São Paulo onde conheceu o pianista e jurado de televisão José Fernandes. Este encontro lhe abriu portas para os palcos mais sofisticados da noite paulistana.
Durante a década de 70 fez parte como crooner dos conjuntos: Coisa Nossa, Super Som TA e da Banda Reveillon. Durante quatro anos atuou ao lado do cantor e compositor Toquinho, onde gravou os CDs Made in Coração e Canção para todas as crianças; e do saxofonista Sadao Watanabe em discos e Shows por toda a América Latina, Ásia e Europa. Em 1974, em seu primeiro compacto simples, gravou as músicas: Salina das Margaridas e Vagalume pela gravadora Chantecler. No ano seguinte, participou da trilha sonora do filme A Pequena Órfã, o que lhe rendeu turnês no Rio Grande do Sul e Argentina. Pela RCA Victor gravou as músicas Pirilampo do Uauá e Fogaréu dos compositores baianos Gereba, Carlos Pita e Walter Queiroz. No CD, Gereba Convida cantou a música Meu Segredo do compositor Abel Silva. Compôs o xote Amor Sem Valor gravado pela banda Quinteto novo + o Velho.
Em 2007 realizou uma temporada com sua banda no navio Mistral onde apresentou um repertório variado com músicas da MPB. Como convidada especial, se apresentou no Neruda Kulturraum e no espaço 7Stern em Viena, Áustria.
Com o acordeonista Walldo Lima apresenta o show Tributo à Marinês: a Rainha do Xaxado. Em 2016 a convite do diretor musical Paulo Fedato e do produtor Renato Figueiredo gravou a música Frevo Mulher para a novela Escrava Mãe da Rede Record de Televisão.
Bernadete França vem divulgando ao longo de sua carreira a música popular nordestina com sucessos de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Humberto Teixeira e Dominguinhos. Cumprindo a função de resgatar a tradição desta vertente da MPB. Também se apresenta regularmente nos SESCs, por todo Brasil.
Em 2017, Bernadete consolida sua carreira ao tornar-se campeã do conceituado Festival Nacional de Forró, o FENFIT, realizado em Itaúnas-ES. E em seguida, grava seu último álbum: Empoderadas, com músicas autorais e que valorizam a mulher e a cultura brasileira de raiz. Sendo sucesso e inspiração para as mulheres no cenário forrozeiro mundial, as músicas de Bernadete são muito tocadas nas festas de Forró Urbano pelo mundo e seus shows performáticos sempre cativam o público super dançante das baladas e festivais de Forró. Dona de uma voz forte e de interpretação dramática, é uma das vozes femininas que mais representa o Nordeste no Sudeste na atualidade.
Minha casa sempre foi ambiente de música, meu pai era repentista, eu cresci com esta vertente, são minhas raízes. Na vizinha tinha um violeiro que organizava saraus. Aos 6 anos de idade cantei “O Cheiro da Carolina”, cantava em festa de final de ano, quando era de dia. O povo pedia à minha mãe: “Leva a Bernadete, Luzia!” Meus pais diziam que eu ia ser cantora.
Meu pai morreu quando eu tinha 4 anos, mas eu me lembro dele cantarolando. Minha mãe era costureira e criou 10 filhos, eu sou a caçula.
Eu vim parar em São Paulo porque ganhei um prêmio. Era para eu cantar no Sílvio Santos, num programa que disputava cidade contra cidade. Eu pensei: “Eu vou e volto”. Mas ganhei o prêmio e fiquei empregada, pois ele tava precisando de cantora.
José Fernandes era jurado e me chamou. Ele era um terror: “Eu estou precisando de uma cantora desse estilo.” Eu respondi: “Mas eu só tenho 12 anos.” Eu vim sozinha com autorização da TVS. O José Fernandes pagou a passagem para minha mãe e ela veio morar comigo. Eu parei meus estudos, fui fazer supletivo com 42 anos e entrei na faculdade de música.”
Eu tive uma filha com um músico. Hoje ela dá aula numa universidade na Áustria. Ela é violinista e tem um quarteto. Ela fala 5 idiomas. Quando eu era solteira, eu trabalhava com Toquinho.Tive uma gravidez e perdi a criança, me separei e fui embora para Europa. Depois eu conheci o pai da Bárbara, minha filha. Eu fui fazer um show no Maksoud Plaza e ele era trompetista.
Quando eu voltei da Itália, parei de trabalhar para ter minha filha. Quando a Bárbara tinha 3 anos, o Zezé di Camargo me chamou para fazer um showmício. Eu contratei uma babá para ficar com minha filha e fui trabalhar. Mas a menina ficava sempre doente, então eu resolvi ficar em casa e cuidar dela.
Quando ela tinha 11 anos, eu me separei. Ela já era violinista, e eu tinha abandonado minha carreira para cuidar dela. Pensei: “O que eu vou fazer da minha vida agora?” Eu já cantava em casamentos, era crooner, montei um grupo com repertório que incluía minha filha.
As noivas me conheciam de outros casamentos, eu comecei a ligar para elas e falar do novo grupo. Eu sou soprano também, então eu canto de tudo um pouco. Eu fazia demonstração na minha sala, servia sanduíche. Era tudo pago: água, iogurte, tudo estava à venda!
Quando eu me separei, minha filha me dava força. Nunca deixei a peteca cair, eu já tinha talento, mas me preparei, então chegava pronta para qualquer repertório.
Com 16 anos, a Bárbara já se apresentava em festivais e quiseram levá-la para Europa. Ela não terminou a escola. Falaram para eu colocá-la para aprender piano e alemão. Eu aluguei um piano e chamei um professor para dar aulas a ela. Com 18 anos ela foi embora sozinha, o pai era difícil, mas mesmo assim ele ajudou. Hoje ela é uma grande mulher, comprou apartamento e trabalha direto no centro de Viena. Ela grava para os filmes de nome.
O Forró é uma continuidade pra minha vida. Eu fiz de tudo, mas não era feliz, porque dentro do meu coração queria cantar minhas raízes. Quando tive a oportunidade, quando pude conhecer o circuito, o Tiziu (do Araripe) ligou para mim. Ele falou: “Hoje eu vou cantar no Remelexo e quero que você dê uma canja”
O Alex (Corrente) me viu e falou que tinha às sextas O Meu Forró. “Você não quer participar? Você monta um trio e vem.” Não foi fácil, o público com mulher, rola um preconceito, o timbre de voz, aquela coisa alta. Eu fui captando as coisas que eu ouvia: um produtor me falou que mulher no Forró não emplaca. “Mulher não agrada”, ele falou.
Mas o público foi prestando atenção às sextas no Nosso Forró. Depois de mim, entrava um trio de Forró e eles se derretiam. Precisa saber tirar o tom: na parte aguda, se você já tem uma voz estridente, ninguém aguenta. A Elis mesmo fala em seu documentário: “É bicho, é muito difícil ser mulher”. Você já nasce com um Carma, tem que ser melhor, se provar, cuidar de filho, marido, casa e ser melhor em tudo. É muita concorrência! Existe muito machismo, por isso as mulheres precisam sempre cuidar da qualidade e melhorar.
Eu tenho 47 anos de carreira, com toda minha bagagem, eu me submeti a ir no FENFIT e concorrer junto aos principiantes. O Alex falou: “Por que você não vai ao FENFIT? Acho que vai dar certo, pois você é muito boa!” comecei a trabalhar repertório, escolhi o chapéu da Marinês como figurino (sempre me espelhei nela), pensei na evolução de palco, na voz. Lá você não entra cantando uma coisinha qualquer porque não vai dar certo. Eu já tinha uma idade e eu não podia competir com menina nova, eu tinha que chegar arrebentando. Quando eu estava passando o som já sentia uma inveja, até das próprias mulheres.
Eu, geralmente, acordo às 7h para estudar repertório, hoje estou com mais de 100 músicas. Mas já chega homem cantando repertório de homem. Tem Hermelinda, Clemilda, Erivalda, Dolores Duran, se você quiser pesquisar tem muita mulher no Forró. “Tchau, meu amor, Tchau” é um brega que eu transformei em Forró; eu estou pesquisando e não paro. Se você estacionar, cai na mesmice.
Eu sou uma inspiração para as mulheres, vou dar um workshop no Fomento do Forró (Lei de Fomento ao Forró de SP) para as cantoras. Meu conselho é: tenha foco, corra atrás, dê o seu melhor. Eu sempre acho que posso melhorar. Digo, “saiba seu timbre”; peço para elas cantarem uma música para eu ouvir, para eu chegar na tonalidade delas. Também ensino ritmo, dicção. Preciso saber quanto tempo elas conseguem cantar a nota, por exemplo.
Eu me inspirei em cantoras que não mostram o corpo. Não tem necessidade de mostrar os seios, não é o caso de uma cantora de Forró Cultural. Naquela época você via Marinês, Maria Bonita, isso ficou na minha cabeça, eu faço esta linha. Eu nunca vou subir no palco com uma rasteirinha, minha cultura é antiga: roupa rodada, abaixo do joelho, nada de mostrar o corpo. Eu não vou pelo lado sensual, mas sim pelo cultural, mas não condeno quem vá.
Eu trabalho com meu marido, Waldo Lima, e ter marido trabalhando junto, a gente tem que se posicionar, tem que ter muito diálogo, pois é muito fácil despinguelar. A gente não tem ciúmes um do outro, o Waldo grava com outras cantoras eu vou para os shows, existe um entendimento. Ele não fica chateado se um fã tentar me agarrar na festa, a gente tem confiança um no outro, ele é super companheiro. Muito prestativo, meu braço direito. O cara que está comigo nesta caminhada. Eu fui agraciada com o Waldo Lima, os arranjos de Empoderadas, ele que criou, mas a música já tava pronta, eu que fiz a letra. Eu tinha o sonho de gravar músicas minhas, mas me sentia insegura e tive a coragem de fazer isso neste último álbum! Eu não faço melodia, só letra, então a gente se complementa!"
Bernadete França Currículo Artístico
Bernadete França nasceu em Rio Tinto no estado da Paraíba, é a caçula de nove filhos de uma família simples. Sua mãe era costureira e seu pai trabalhava na lavoura e era repentista nos finais de semana: fazia versos e tocava viola para as pessoas dos bairros vizinhos de onde morava. Com um ano de idade mudou-se com a família para Recife, aos seis anos cantou a primeira música, o xote O Cheiro da Carolina de Luiz Gonzaga.
Aos doze anos ganhou o prêmio cantora revelação em Recife, no mesmo ano, participou do programa Cidade contra Cidade do apresentador Silvio Santos em São Paulo onde conheceu o pianista e jurado de televisão José Fernandes. Este encontro lhe abriu portas para os palcos mais sofisticados da noite paulistana.
Durante a década de 70 fez parte como crooner dos conjuntos: Coisa Nossa, Super Som TA e da Banda Reveillon. Durante quatro anos atuou ao lado do cantor e compositor Toquinho, onde gravou os CDs Made in Coração e Canção para todas as crianças; e do saxofonista Sadao Watanabe em discos e Shows por toda a América Latina, Ásia e Europa. Em 1974, em seu primeiro compacto simples, gravou as músicas: Salina das Margaridas e Vagalume pela gravadora Chantecler. No ano seguinte, participou da trilha sonora do filme A Pequena Órfã, o que lhe rendeu turnês no Rio Grande do Sul e Argentina. Pela RCA Victor gravou as músicas Pirilampo do Uauá e Fogaréu dos compositores baianos Gereba, Carlos Pita e Walter Queiroz. No CD, Gereba Convida cantou a música Meu Segredo do compositor Abel Silva. Compôs o xote Amor Sem Valor gravado pela banda Quinteto novo + o Velho.
Em 2007 realizou uma temporada com sua banda no navio Mistral onde apresentou um repertório variado com músicas da MPB. Como convidada especial, se apresentou no Neruda Kulturraum e no espaço 7Stern em Viena, Áustria.
Com o acordeonista Walldo Lima apresenta o show Tributo à Marinês: a Rainha do Xaxado. Em 2016 a convite do diretor musical Paulo Fedato e do produtor Renato Figueiredo gravou a música Frevo Mulher para a novela Escrava Mãe da Rede Record de Televisão.
Bernadete França vem divulgando ao longo de sua carreira a música popular nordestina com sucessos de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Humberto Teixeira e Dominguinhos. Cumprindo a função de resgatar a tradição desta vertente da MPB. Também se apresenta regularmente nos SESCs, por todo Brasil.
Em 2017, Bernadete consolida sua carreira ao tornar-se campeã do conceituado Festival Nacional de Forró, o FENFIT, realizado em Itaúnas-ES. E em seguida, grava seu último álbum: Empoderadas, com músicas autorais e que valorizam a mulher e a cultura brasileira de raiz. Sendo sucesso e inspiração para as mulheres no cenário forrozeiro mundial, as músicas de Bernadete são muito tocadas nas festas de Forró Urbano pelo mundo e seus shows performáticos sempre cativam o público super dançante das baladas e festivais de Forró. Dona de uma voz forte e de interpretação dramática, é uma das vozes femininas que mais representa o Nordeste no Sudeste na atualidade.

Ricardo Filgueiras (TRIP) . PEIXELÉTRICO
Ricardo Filgueiras (TRIP) . PEIXELÉTRICO
Cidade nasceu: São Paulo/SP
Cidade onde mora: São Paulo/SP
Ligação familiar com o nordeste: Pai. Salvador, Bahia.
Profissão: Músico, compositor
Banda: Peixelétrico
No Forró desde: 1995
Como conheceu o Forró: Festas Projeto Equilíbrio 1995
Estilo/ manifestação/circuito de Forró que você atua/frequenta: O Forró Universitário se inspira no Forró Pé de Serra e traz músicas autorais em um contexto urbano com influência da MPB.
Hábitos Forrozeiros: Roupa normal. Calça, camisa ou camiseta e tênis. Bebida, cerveja.
Inspiração: Sou compositor e me inspiro na atmosfera acolhedora e de troca na dança e também em outras temáticas sociais.
Principais influências e mestres: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, João do Vale, Alceu Valença, Gilberto Gil, Marinês.
“Forró para mim é Música, dança de uma riqueza enorme. Baião, Xote, Arrasta-pé e Forró são ritmos que fazem parte de um tronco fundamental da música Brasileira. Tão importante quanto o Samba. Com o Forró me profissionalizei como cantor e compositor. O sentimento é de alegria e gratidão.”
Ricardo Porto Filgueiras, conhecido como TRIP, por descer sempre para o litoral de São Paulo é cantor e líder da banda Peixelétrico que surgiu na época do Forró Universitário e resiste há mais de duas décadas fazendo música brasileira no Brasil.
Com dois CDs gravados e agora um documentário contemplado pela 2a edição da Lei de Fomento ao Forró para a cidade de São Paulo que aborda um pouco da história do Forró Universitário, o Peixelétrico tem um som leve, delicado e de resistência política através do amor. Um som que lembra o mar, e letras doces, porém muito fortes que retratam a natureza, os problemas ambientais e as questões da humanidade.
Trip é residente do Morro do Querosene, antigo e ressignificado quilombo, um dos epicentros do Forró Universitário, local de resistência política, cultural e artística na cidade, onde também residem Miltinho Edilberto pesquisador e músico; e Tião Carvalho, organizador da festa do Boi no Morro e grande expoente da cultura popular.
História de TRIP
“Meu nome é Ricardo Trip, sou cantor e compositor da banda Peixe Elétrico. A banda surgiu em janeiro de 99 no Guarujá, em setembro de 99, fizemos nosso primeiro show em São Paulo com sanfona e dali em diante, tamo tocando até hoje, em 2022, com essa formação, tendo como base a zabumba, sanfona, triângulo, somando aí violão, baixo e às vezes guitarra.
Meu primeiro contato com o Forró, com as festas de forró foi em 1995. Eu estudava História na USP e os amigos falaram que tem uma festa, né? Conheci um pessoal lá na faculdade de História, que ia ter uma festa no Projeto Equilíbrio e foi num show do Trio Virgulino, começando o projeto ali todos os sábados, ou sextas-feiras, não lembro, e foi muito legal porque eu dancei ali, dança de salão, que aproxima.
Conheci um pessoal, encontrei pessoas conhecidas e comecei a frequentar toda semana os bailes ali na região de Pinheiros, Projeto Equilíbrio, depois Remelexo, KVA... Fiz coral da USP 97/98, e já compunha algumas coisas e por estar ali, naquele contexto de... dançando e ouvindo as apresentações do Trio Virgulino, Banda Mafuá, Miltinho Edilberto, Trio Bahia, entre outros, Trio Xamego, Trio Sabiá, aquela sonoridade foi influenciado nas músicas que eu fazia, comecei a compor um pouco mais, juntando ali algumas músicas, final de 98, senti vontade de montar uma banda com outros jovens... então eu acompanhei desde o comecinho desses bailes na região de Pinheiros, né, que depois veio receber o nome de Forró Universitário, por conta da USP, uma das turmas que organizava esse Forró, lá no Projeto Equilíbrio era o pessoal da Veterinária da USP, também o Paulinho e o Magno.
Fui percebendo o quanto que o forró era rico, né, rico em ritmos, né, que tinha ali o Xote, o Forró-Baião, e o Arrasta-Pé, três ritmos bem diferentes no meio do Forró, e aí o seu sub ritmos ali do Forró, que é o Xaxado, o Coco...E também fui notando essa ligação com a MPB, quando tocava um Alceu Valença, um Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, eu sempre ficava com aquilo, o Forró também é MPB, né? E aí, eu sempre ouvi muita música brasileira, via que o Tom Jobim tinha composto Forró, Chico Buarque compôs Forró, Edú Lobo, tantos artistas da MPB, né, o Djavan, Gilberto Gil, Caetano Veloso, compuseram Forrós, Baiões, Xotes, e aí, comecei, continuei estudando, compondo.
O que marca muito para mim o Forró é que, essa convicção de que o Forró realmente é um ritmo muito importante dentro da música popular brasileira. Ele influenciou muitos artistas, e estudando um pouco, lendo livros sobre história da música brasileira, tem aquele espetáculo Opinião, né, que tinha o João do Vale, a Nara Leão. Era um pessoal da Bossa Nova, da segunda geração, resgatando a música regional, tiveram vários momentos que houve resgate da música de raiz.
No caso, o Forró de Raiz, primeiramente ali, o Luiz Gonzaga, final da década de 40, começo da década de 50, estourou a nível nacional, mostrando essa riqueza musical do Nordeste para a região Sudeste. Depois veio a Bossa Nova, Forró deu uma sumida na mídia, das rádios... mas continuou presente.
Pessoal tropicalista, né, resgatarou o Forró bastante ali, no começo da década de 70, depois década de 80, Alceu Valença, Elba Ramalho, Amelinha, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, tantos outros, né, faziam essa mistura de Forró com música, com MPB. Década de 90, Chico César, Lenine, Zeca Baleiro, né? Trazendo essa mistura de música regional com MPB, então o Forró sempre, na minha opinião tá permeando a MPB.
História Marcante
Uma história que eu vivi marcante no Forró foi no final de 1999, ou começo dos anos 2000, a gente conhecia o pessoal que fazia as festas, né? Eles iam fazer o... Rave de forró no Circo Escola Picadeiro, a gente já tocava no Radiola São Luís, na Morato Coelho, e aí, de última hora, a banda de Pífano de Caruaru não pode ir, levaram a gente para tocar. E aí já foi um pessoal que já conhecia, conhecia o Peixelétrico, ali, do Radiola São Luís, foi um público bem legal e foi nosso primeiro show, primeiro show da banda Peixe Elétrico é... num palco maior, pra, né, pessoas que frequentavam outras casas noturnas e a gente teve um retorno muito positivo ali, do público, e foi esse nosso primeiro show maior, grande assim, né, no festival, com várias bandas, que a gente participou.
Cidade nasceu: São Paulo/SP
Cidade onde mora: São Paulo/SP
Ligação familiar com o nordeste: Pai. Salvador, Bahia.
Profissão: Músico, compositor
Banda: Peixelétrico
No Forró desde: 1995
Como conheceu o Forró: Festas Projeto Equilíbrio 1995
Estilo/ manifestação/circuito de Forró que você atua/frequenta: O Forró Universitário se inspira no Forró Pé de Serra e traz músicas autorais em um contexto urbano com influência da MPB.
Hábitos Forrozeiros: Roupa normal. Calça, camisa ou camiseta e tênis. Bebida, cerveja.
Inspiração: Sou compositor e me inspiro na atmosfera acolhedora e de troca na dança e também em outras temáticas sociais.
Principais influências e mestres: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, João do Vale, Alceu Valença, Gilberto Gil, Marinês.
“Forró para mim é Música, dança de uma riqueza enorme. Baião, Xote, Arrasta-pé e Forró são ritmos que fazem parte de um tronco fundamental da música Brasileira. Tão importante quanto o Samba. Com o Forró me profissionalizei como cantor e compositor. O sentimento é de alegria e gratidão.”
Ricardo Porto Filgueiras, conhecido como TRIP, por descer sempre para o litoral de São Paulo é cantor e líder da banda Peixelétrico que surgiu na época do Forró Universitário e resiste há mais de duas décadas fazendo música brasileira no Brasil.
Com dois CDs gravados e agora um documentário contemplado pela 2a edição da Lei de Fomento ao Forró para a cidade de São Paulo que aborda um pouco da história do Forró Universitário, o Peixelétrico tem um som leve, delicado e de resistência política através do amor. Um som que lembra o mar, e letras doces, porém muito fortes que retratam a natureza, os problemas ambientais e as questões da humanidade.
Trip é residente do Morro do Querosene, antigo e ressignificado quilombo, um dos epicentros do Forró Universitário, local de resistência política, cultural e artística na cidade, onde também residem Miltinho Edilberto pesquisador e músico; e Tião Carvalho, organizador da festa do Boi no Morro e grande expoente da cultura popular.
História de TRIP
“Meu nome é Ricardo Trip, sou cantor e compositor da banda Peixe Elétrico. A banda surgiu em janeiro de 99 no Guarujá, em setembro de 99, fizemos nosso primeiro show em São Paulo com sanfona e dali em diante, tamo tocando até hoje, em 2022, com essa formação, tendo como base a zabumba, sanfona, triângulo, somando aí violão, baixo e às vezes guitarra.
Meu primeiro contato com o Forró, com as festas de forró foi em 1995. Eu estudava História na USP e os amigos falaram que tem uma festa, né? Conheci um pessoal lá na faculdade de História, que ia ter uma festa no Projeto Equilíbrio e foi num show do Trio Virgulino, começando o projeto ali todos os sábados, ou sextas-feiras, não lembro, e foi muito legal porque eu dancei ali, dança de salão, que aproxima.
Conheci um pessoal, encontrei pessoas conhecidas e comecei a frequentar toda semana os bailes ali na região de Pinheiros, Projeto Equilíbrio, depois Remelexo, KVA... Fiz coral da USP 97/98, e já compunha algumas coisas e por estar ali, naquele contexto de... dançando e ouvindo as apresentações do Trio Virgulino, Banda Mafuá, Miltinho Edilberto, Trio Bahia, entre outros, Trio Xamego, Trio Sabiá, aquela sonoridade foi influenciado nas músicas que eu fazia, comecei a compor um pouco mais, juntando ali algumas músicas, final de 98, senti vontade de montar uma banda com outros jovens... então eu acompanhei desde o comecinho desses bailes na região de Pinheiros, né, que depois veio receber o nome de Forró Universitário, por conta da USP, uma das turmas que organizava esse Forró, lá no Projeto Equilíbrio era o pessoal da Veterinária da USP, também o Paulinho e o Magno.
Fui percebendo o quanto que o forró era rico, né, rico em ritmos, né, que tinha ali o Xote, o Forró-Baião, e o Arrasta-Pé, três ritmos bem diferentes no meio do Forró, e aí o seu sub ritmos ali do Forró, que é o Xaxado, o Coco...E também fui notando essa ligação com a MPB, quando tocava um Alceu Valença, um Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, eu sempre ficava com aquilo, o Forró também é MPB, né? E aí, eu sempre ouvi muita música brasileira, via que o Tom Jobim tinha composto Forró, Chico Buarque compôs Forró, Edú Lobo, tantos artistas da MPB, né, o Djavan, Gilberto Gil, Caetano Veloso, compuseram Forrós, Baiões, Xotes, e aí, comecei, continuei estudando, compondo.
O que marca muito para mim o Forró é que, essa convicção de que o Forró realmente é um ritmo muito importante dentro da música popular brasileira. Ele influenciou muitos artistas, e estudando um pouco, lendo livros sobre história da música brasileira, tem aquele espetáculo Opinião, né, que tinha o João do Vale, a Nara Leão. Era um pessoal da Bossa Nova, da segunda geração, resgatando a música regional, tiveram vários momentos que houve resgate da música de raiz.
No caso, o Forró de Raiz, primeiramente ali, o Luiz Gonzaga, final da década de 40, começo da década de 50, estourou a nível nacional, mostrando essa riqueza musical do Nordeste para a região Sudeste. Depois veio a Bossa Nova, Forró deu uma sumida na mídia, das rádios... mas continuou presente.
Pessoal tropicalista, né, resgatarou o Forró bastante ali, no começo da década de 70, depois década de 80, Alceu Valença, Elba Ramalho, Amelinha, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, tantos outros, né, faziam essa mistura de Forró com música, com MPB. Década de 90, Chico César, Lenine, Zeca Baleiro, né? Trazendo essa mistura de música regional com MPB, então o Forró sempre, na minha opinião tá permeando a MPB.
História Marcante
Uma história que eu vivi marcante no Forró foi no final de 1999, ou começo dos anos 2000, a gente conhecia o pessoal que fazia as festas, né? Eles iam fazer o... Rave de forró no Circo Escola Picadeiro, a gente já tocava no Radiola São Luís, na Morato Coelho, e aí, de última hora, a banda de Pífano de Caruaru não pode ir, levaram a gente para tocar. E aí já foi um pessoal que já conhecia, conhecia o Peixelétrico, ali, do Radiola São Luís, foi um público bem legal e foi nosso primeiro show, primeiro show da banda Peixe Elétrico é... num palco maior, pra, né, pessoas que frequentavam outras casas noturnas e a gente teve um retorno muito positivo ali, do público, e foi esse nosso primeiro show maior, grande assim, né, no festival, com várias bandas, que a gente participou.

Danilo Moraes . PICADINHO
Danilo Moraes
Cidade onde nasceu: São Paulo
Cidade onde mora: São Paulo
Profissão: músico, compositor, produtor, líder de banda
No Forró desde: 1998
Nasceu em: 05/04/1979
Bandas: Picadinho, Banguela Banguela
“Forró para mim é alegria! A principal transformação que o Forró trouxe para minha vida foi aprender a dançar! Uma alegria imensa!”
Muita gente não sabe, mas uma das canções mais famosas da época do Forró Universitário Beijo Roubado, (“Dá vontade de abraçar a noite inteira, até tentar um beijinho de bobeira, de bobeira..) famosa na gravação do Rastapé é de DAnilo Moraes. Dono de composições sensíveis e delicadas, Danilo Moraes fazia parte da banda Banguela Banguela, autora de vários sucessos do Forró na década de 2000. Hoje Danilo segue com o Forró Picadinho, tocando pelas festas de São Paulo, uma banda com muita ginga, carregada de instrumentação com sotaque nordestino.
“No berço, ouvia os discos em casa com meus pais. Coco com MPB. Vou começar um coral com enfoque nos cocos de Jackson e Jacinto. Jackson do Pandeiro, Gonzaga, Jacinto Silva.
A minha história do Forró começou antes mesmo de eu saber o que era o Forró, sabe? Em casa, meu pai que é músico, tal, minha mãe também gosta muito, a gente ouve, eles ouviram muito Jackson do Pandeiro, o Luiz Gonzaga também. Mas Jackson do Pandeiro, eu lembro dos meus pais terem, tenho até hoje, estão comigo, uns vinis. Pelo menos dois, assim, um chamado O Cabra da Peste e uma coletânea do Jackson e eu sempre gostei, desde criança amava e cantava, já gostava e tudo mais…
E aí, teve uma festas... eu tava no colégio, em 96 teve uma, eu tinha uns amigos que foram no Forró, no União Fraterna, em 96, produção do Magno e do Paulinho, show do Dominguinhos, aí fui assistir com meus colegas, tinha, acho 17 anos na época. Comecei a ouvir, tocou Jackson do Pandeiro, Feira de Mangaio, meus pais tinham um disco do Sivuca, esse disco Cabelo de Milho, que tem Feira de Mangaio, que eu também gostava desde criança.
Eu falei, “Rapaz, isso é o Forró então, né?” as músicas que eu conheço, eu, “Caramba, eu gosto de Forró”, de tocar, eu nunca fui muito de dançar, só mais recentemente, mas eu gostava de tocar. E aí, tinha uma banda de MPB, já tinha, chamava Banguela Banguela, e a gente compunha várias músicas, vários estilos né? E aí, chegou uma letra pra gente, do Rodrigo Castilho. O Teté fazia as melodias e eu entrei um pouco depois. O Teté mostrou, “Tem umas músicas pra fazer, as letras aqui, que o Rodrigo mandou, tem essa daqui, que ele falou que é um Forró, tem que ser um Forró”. E aí, tinha lá letra do Beijo Roubado, aí ele a gente começou a fazer, o Teté tinha feito a primeira parte, um pedacinho, “Dá vontade de abraçar a noite inteira, até tentar um beijinho de bobeira, de bobeira...” isso, aí eu fiz o refrão ali, o “pega ladrão” não sei o que, o Teté não gostou muito, aí depois de um tempo ele voltou, “Não, tá bom isso aqui, vamos terminar”. Aí, a gente terminou a música e era o nosso único Forró, da Banda do Banguela Banguela. Era esse xote, a gente nem sabia direito como é que tocava…
A gente participou do festival no KVA, fomos selecionados, Elenco Fast Band, e a música foi gravada porque a gente foi um dos primeiros colocados. A gente ganhou o prêmio, a gravação dessa música,e daí, logo depois, a banda deu um tempo e tudo mais, e essa gravação tocava no KVA porque era uma produção do KVA, então os DJs da casa tocavam e o pessoal curtia, já no nosso show, todo mundo dançava nessa hora. Aí o Rastapé quis gravar, o grupo Rastapé tava no começo, a gente tava meio parado e eles vieram falar, “Não, talvez uma gravadora, talvez isso e aquilo” a gente, “ah, tá bom, beleza, grava aí”, né? Não botando muita fé.
De repente a música estourou e a banda estava meio parada... Nessa surgiu um convite do KVA pra a gente fazer lá, como banda de Forró, aí, a gente não falou nada pra ele que a gente não era uma banda de Forró, estudamos e viramos uma banda de Forró. Com uma data marcada no KVA, todo sábado, praticamente todo sábado, a gente tocava lá pra 3.000 pessoas e tudo mais... Nessas, eu e o Teté compusemos várias outras músicas, Zureta, Herança Nordestina, Sacudidela, Doutor Naná, Cala a boca, Teté fez essa, essa não é minha, enfim, aí a gente criou nosso repertório de Forró.
Sempre o Forró foi uma coisa que foi seguindo na minha vida, né? Fui morar na França, me afastei um pouco do Forró, mas sempre tocando, né? Sempre compondo meus Baiãozinhos e Forrozinhos por aí, e aí, de uns anos para cá, com o Picadinho, que é um forró que eu produzia com Henrique Coelho, das antigas, querido amigo e a gente voltou para o Forró, tanto ele, quanto eu, e a gente fez uns 4 anos até a pandemia, o baile Picadinho.
Agora a gente segue cada um pra um caminho, e eu tô com a minha banda Danilo Moraes e o Picadinho, lancei vários singles, 1 EP, durante a pandemia, um deles chama Vento Vem, que a parceria minha com o Zeca Baleiro, que foi muito bem aceita e outra chamada Promessa, parceria minha com a querida amiga Janaína Pereira, grande, cantora, compositora, que também foi super bem, falando da pandemia e outras que tô lançando, tô fazendo por aí. Agora tô mais forrozeiro do que nunca, porque agora também danço, saio pra dançar... Então é isso aí, Forró é uma Maravilha. Viva!
Quanto à história marcante no Forró pra mim, é, bom, tem várias coisas que se misturam um pouco, sempre envolvendo o KVA, né? Que foi onde eu mais toquei, eu não tocava só Forró no KVA, mas eu vivia lá, tocava três vezes por semana, e enfim... Então, teve vários movimentos, era muito interessante essa coisa da sensação do coletivo, né?
Criando junto, esse movimento que foi o Forró no começo dos anos 2000, né? No começo do século, mas teve uma iniciativa que eu achei, foi muito bacana do KVA, que a gente foi, foram algumas bandas, que foram para o Fórum Social Mundial, acho que em 2002, se não me engano, e aí, o KVA que arrecadou fundos pra levar a gente pra tocar lá, fazer um, fazer um barulho, né?
KVA fez uns eventos chamado Forró Social Mundial e aí depois enfim com que rendeu isso aí, a gente foi de ônibus até Porto Alegre, de São Paulo a Porto Alegre de ônibus dá quase 20 horas e foram umas bandas que misturam um pouco, eu lembro que tinha o Chiquinho Ceará, Chiquinho Alves, né? Da sanfona, que é um músico maravilhoso, E ele... e a galera foi tocando, tinha a Macamba, que era uma banda só de funcionários do KVA, eletricista, pedreiro e era uns caras super queridos assim, e a gente fazia show junto. Foi o Banguela Banguela, eu lembro que a gente foi tocando, a gente não dormiu, foi de São Paulo até Porto Alegre tocando no ônibus e foi uma alegria, era muito legal assim, pra mim sempre a lembrança da alegria assim, né?
De todo mundo sorrindo, feliz, essa, essa coisa que o Forró proporciona, enfim... Foi uma uma experiência muito bacana, essa de ir até lá, a gente praticamente fez um bate e volta pra Porto Alegre de ônibus, dormimos uma noite no hotel e foi super gostoso. Enfim, a gente passou, fez um som lá, teve uma hora que a gente até atrapalhou o pessoal, porque tava tendo, tava tendo conferências, tava tendo palestras, enfim, a gente meio que passou pelo meio da faculdade fazendo um Forró, vieram reclamar...
Mas teve muito convívio bacana, histórias inusitadas de pessoas muito diferentes, com histórias muito diferentes entre si, todo mundo ali, fazendo Forró. Tinha os concursos de Forró, a maratona de Forró, os casais dançavam sem parar, também eu lembro que o Banguela Banguela tocou numa noite no KVA, que a gente não podia fazer intervalo entre as músicas, tinha que tocar uma na sequência da outra e também era um barato assim... Eu ficava um pouco agoniado, confesso, com a maratona de Forró, as pessoas não podiam nem sair pra ir no banheiro, né? Então ficava uma coisa meio maluca…
Assim, tudo gira em torno da paixão pelo Forró e a paixão que é esse movimento, a música, a dança, o encontro que o Forró promove. Então sempre foi uma alegria, eu sempre fico contente, dou risada só de lembrar as coisas, mas é isso daí, acho que sempre o KVA, tem alguma história maluca lá.”
Portfólio:
Banguela Banguela, banda da qual fiz parte:
http://dicionariompb.com.br/banguela-banguela/dados-artisticos
Performance ao vivo em 2002 na extinta casa de shows KVA (maior casa do circuito de forró universitário da época, onde tocávamos semanalmente):
https://www.youtube.com/watch?v=1UhMRyEkMLo
Música mais conhecida, “Beijo Roubado” (Danilo Moraes/Ricardo Teté/Rodrigo Castilho):
https://www.youtube.com/watch?v=cCZjGKjJEWA
Beijo Roubado na versão que ficou famosa, com o grupo Rastapé no começo dos 2000:
https://www.youtube.com/watch?v=kTN-bcMvfXc
Música nossa, “Zureta” (Danilo Moraes/Ricardo Teté) produzida por Rodolfo Stroeter:
https://www.youtube.com/watch?v=MPRUwwzKAlo
Banguela Banguela ao vivo em 2007 no Remelexo Brasil (casa mais antiga ainda na ativa do circuito em SP. Video ruim):
https://www.youtube.com/watch?v=flw1LjMHPhQ
Show “Forró Quentinho” em homenagem à Jackson do Pandeiro com Zé Luis Nascimento (percussão) em Paris, França em 2013:
https://www.youtube.com/watch?v=pGhspTWFr7c
Show “Gonzaga Contemporâneo”, contemplado pelo edital da Funarte “100 anos de Luiz Gonzaga” em 2012:
https://www.youtube.com/watch?v=8GRUb_VtrtU&t=23s
https://www.youtube.com/watch?v=DoS9G1bCtfE
https://www.youtube.com/watch?v=IDYd6dO1zXo
Picadinho, projeto de forró independente que produzo mensalmente em SP desde 2016:
https://www.youtube.com/watch?v=RmEbyDj7IHo
https://www.youtube.com/watch?v=uiDhEjkJQD4
https://www.youtube.com/watch?v=yyevhFUYtO8&t=8s
Canções autorais do álbum “Danilo Moraes e Picadinho”
Vento Vem, parceria com Zeca Baleiro:
https://youtu.be/HrqnSYRNIgs
Promessa, com Janayna Pereira:
https://youtu.be/qBuN3Vg9fCg
Zumbe:
https://youtu.be/uS5YswCHK2k
Encoxa Encaixa:
https://youtu.be/uA9Y9aW3K_o
Cidade onde nasceu: São Paulo
Cidade onde mora: São Paulo
Profissão: músico, compositor, produtor, líder de banda
No Forró desde: 1998
Nasceu em: 05/04/1979
Bandas: Picadinho, Banguela Banguela
“Forró para mim é alegria! A principal transformação que o Forró trouxe para minha vida foi aprender a dançar! Uma alegria imensa!”
Muita gente não sabe, mas uma das canções mais famosas da época do Forró Universitário Beijo Roubado, (“Dá vontade de abraçar a noite inteira, até tentar um beijinho de bobeira, de bobeira..) famosa na gravação do Rastapé é de DAnilo Moraes. Dono de composições sensíveis e delicadas, Danilo Moraes fazia parte da banda Banguela Banguela, autora de vários sucessos do Forró na década de 2000. Hoje Danilo segue com o Forró Picadinho, tocando pelas festas de São Paulo, uma banda com muita ginga, carregada de instrumentação com sotaque nordestino.
“No berço, ouvia os discos em casa com meus pais. Coco com MPB. Vou começar um coral com enfoque nos cocos de Jackson e Jacinto. Jackson do Pandeiro, Gonzaga, Jacinto Silva.
A minha história do Forró começou antes mesmo de eu saber o que era o Forró, sabe? Em casa, meu pai que é músico, tal, minha mãe também gosta muito, a gente ouve, eles ouviram muito Jackson do Pandeiro, o Luiz Gonzaga também. Mas Jackson do Pandeiro, eu lembro dos meus pais terem, tenho até hoje, estão comigo, uns vinis. Pelo menos dois, assim, um chamado O Cabra da Peste e uma coletânea do Jackson e eu sempre gostei, desde criança amava e cantava, já gostava e tudo mais…
E aí, teve uma festas... eu tava no colégio, em 96 teve uma, eu tinha uns amigos que foram no Forró, no União Fraterna, em 96, produção do Magno e do Paulinho, show do Dominguinhos, aí fui assistir com meus colegas, tinha, acho 17 anos na época. Comecei a ouvir, tocou Jackson do Pandeiro, Feira de Mangaio, meus pais tinham um disco do Sivuca, esse disco Cabelo de Milho, que tem Feira de Mangaio, que eu também gostava desde criança.
Eu falei, “Rapaz, isso é o Forró então, né?” as músicas que eu conheço, eu, “Caramba, eu gosto de Forró”, de tocar, eu nunca fui muito de dançar, só mais recentemente, mas eu gostava de tocar. E aí, tinha uma banda de MPB, já tinha, chamava Banguela Banguela, e a gente compunha várias músicas, vários estilos né? E aí, chegou uma letra pra gente, do Rodrigo Castilho. O Teté fazia as melodias e eu entrei um pouco depois. O Teté mostrou, “Tem umas músicas pra fazer, as letras aqui, que o Rodrigo mandou, tem essa daqui, que ele falou que é um Forró, tem que ser um Forró”. E aí, tinha lá letra do Beijo Roubado, aí ele a gente começou a fazer, o Teté tinha feito a primeira parte, um pedacinho, “Dá vontade de abraçar a noite inteira, até tentar um beijinho de bobeira, de bobeira...” isso, aí eu fiz o refrão ali, o “pega ladrão” não sei o que, o Teté não gostou muito, aí depois de um tempo ele voltou, “Não, tá bom isso aqui, vamos terminar”. Aí, a gente terminou a música e era o nosso único Forró, da Banda do Banguela Banguela. Era esse xote, a gente nem sabia direito como é que tocava…
A gente participou do festival no KVA, fomos selecionados, Elenco Fast Band, e a música foi gravada porque a gente foi um dos primeiros colocados. A gente ganhou o prêmio, a gravação dessa música,e daí, logo depois, a banda deu um tempo e tudo mais, e essa gravação tocava no KVA porque era uma produção do KVA, então os DJs da casa tocavam e o pessoal curtia, já no nosso show, todo mundo dançava nessa hora. Aí o Rastapé quis gravar, o grupo Rastapé tava no começo, a gente tava meio parado e eles vieram falar, “Não, talvez uma gravadora, talvez isso e aquilo” a gente, “ah, tá bom, beleza, grava aí”, né? Não botando muita fé.
De repente a música estourou e a banda estava meio parada... Nessa surgiu um convite do KVA pra a gente fazer lá, como banda de Forró, aí, a gente não falou nada pra ele que a gente não era uma banda de Forró, estudamos e viramos uma banda de Forró. Com uma data marcada no KVA, todo sábado, praticamente todo sábado, a gente tocava lá pra 3.000 pessoas e tudo mais... Nessas, eu e o Teté compusemos várias outras músicas, Zureta, Herança Nordestina, Sacudidela, Doutor Naná, Cala a boca, Teté fez essa, essa não é minha, enfim, aí a gente criou nosso repertório de Forró.
Sempre o Forró foi uma coisa que foi seguindo na minha vida, né? Fui morar na França, me afastei um pouco do Forró, mas sempre tocando, né? Sempre compondo meus Baiãozinhos e Forrozinhos por aí, e aí, de uns anos para cá, com o Picadinho, que é um forró que eu produzia com Henrique Coelho, das antigas, querido amigo e a gente voltou para o Forró, tanto ele, quanto eu, e a gente fez uns 4 anos até a pandemia, o baile Picadinho.
Agora a gente segue cada um pra um caminho, e eu tô com a minha banda Danilo Moraes e o Picadinho, lancei vários singles, 1 EP, durante a pandemia, um deles chama Vento Vem, que a parceria minha com o Zeca Baleiro, que foi muito bem aceita e outra chamada Promessa, parceria minha com a querida amiga Janaína Pereira, grande, cantora, compositora, que também foi super bem, falando da pandemia e outras que tô lançando, tô fazendo por aí. Agora tô mais forrozeiro do que nunca, porque agora também danço, saio pra dançar... Então é isso aí, Forró é uma Maravilha. Viva!
Quanto à história marcante no Forró pra mim, é, bom, tem várias coisas que se misturam um pouco, sempre envolvendo o KVA, né? Que foi onde eu mais toquei, eu não tocava só Forró no KVA, mas eu vivia lá, tocava três vezes por semana, e enfim... Então, teve vários movimentos, era muito interessante essa coisa da sensação do coletivo, né?
Criando junto, esse movimento que foi o Forró no começo dos anos 2000, né? No começo do século, mas teve uma iniciativa que eu achei, foi muito bacana do KVA, que a gente foi, foram algumas bandas, que foram para o Fórum Social Mundial, acho que em 2002, se não me engano, e aí, o KVA que arrecadou fundos pra levar a gente pra tocar lá, fazer um, fazer um barulho, né?
KVA fez uns eventos chamado Forró Social Mundial e aí depois enfim com que rendeu isso aí, a gente foi de ônibus até Porto Alegre, de São Paulo a Porto Alegre de ônibus dá quase 20 horas e foram umas bandas que misturam um pouco, eu lembro que tinha o Chiquinho Ceará, Chiquinho Alves, né? Da sanfona, que é um músico maravilhoso, E ele... e a galera foi tocando, tinha a Macamba, que era uma banda só de funcionários do KVA, eletricista, pedreiro e era uns caras super queridos assim, e a gente fazia show junto. Foi o Banguela Banguela, eu lembro que a gente foi tocando, a gente não dormiu, foi de São Paulo até Porto Alegre tocando no ônibus e foi uma alegria, era muito legal assim, pra mim sempre a lembrança da alegria assim, né?
De todo mundo sorrindo, feliz, essa, essa coisa que o Forró proporciona, enfim... Foi uma uma experiência muito bacana, essa de ir até lá, a gente praticamente fez um bate e volta pra Porto Alegre de ônibus, dormimos uma noite no hotel e foi super gostoso. Enfim, a gente passou, fez um som lá, teve uma hora que a gente até atrapalhou o pessoal, porque tava tendo, tava tendo conferências, tava tendo palestras, enfim, a gente meio que passou pelo meio da faculdade fazendo um Forró, vieram reclamar...
Mas teve muito convívio bacana, histórias inusitadas de pessoas muito diferentes, com histórias muito diferentes entre si, todo mundo ali, fazendo Forró. Tinha os concursos de Forró, a maratona de Forró, os casais dançavam sem parar, também eu lembro que o Banguela Banguela tocou numa noite no KVA, que a gente não podia fazer intervalo entre as músicas, tinha que tocar uma na sequência da outra e também era um barato assim... Eu ficava um pouco agoniado, confesso, com a maratona de Forró, as pessoas não podiam nem sair pra ir no banheiro, né? Então ficava uma coisa meio maluca…
Assim, tudo gira em torno da paixão pelo Forró e a paixão que é esse movimento, a música, a dança, o encontro que o Forró promove. Então sempre foi uma alegria, eu sempre fico contente, dou risada só de lembrar as coisas, mas é isso daí, acho que sempre o KVA, tem alguma história maluca lá.”
Portfólio:
Banguela Banguela, banda da qual fiz parte:
http://dicionariompb.com.br/banguela-banguela/dados-artisticos
Performance ao vivo em 2002 na extinta casa de shows KVA (maior casa do circuito de forró universitário da época, onde tocávamos semanalmente):
https://www.youtube.com/watch?v=1UhMRyEkMLo
Música mais conhecida, “Beijo Roubado” (Danilo Moraes/Ricardo Teté/Rodrigo Castilho):
https://www.youtube.com/watch?v=cCZjGKjJEWA
Beijo Roubado na versão que ficou famosa, com o grupo Rastapé no começo dos 2000:
https://www.youtube.com/watch?v=kTN-bcMvfXc
Música nossa, “Zureta” (Danilo Moraes/Ricardo Teté) produzida por Rodolfo Stroeter:
https://www.youtube.com/watch?v=MPRUwwzKAlo
Banguela Banguela ao vivo em 2007 no Remelexo Brasil (casa mais antiga ainda na ativa do circuito em SP. Video ruim):
https://www.youtube.com/watch?v=flw1LjMHPhQ
Show “Forró Quentinho” em homenagem à Jackson do Pandeiro com Zé Luis Nascimento (percussão) em Paris, França em 2013:
https://www.youtube.com/watch?v=pGhspTWFr7c
Show “Gonzaga Contemporâneo”, contemplado pelo edital da Funarte “100 anos de Luiz Gonzaga” em 2012:
https://www.youtube.com/watch?v=8GRUb_VtrtU&t=23s
https://www.youtube.com/watch?v=DoS9G1bCtfE
https://www.youtube.com/watch?v=IDYd6dO1zXo
Picadinho, projeto de forró independente que produzo mensalmente em SP desde 2016:
https://www.youtube.com/watch?v=RmEbyDj7IHo
https://www.youtube.com/watch?v=uiDhEjkJQD4
https://www.youtube.com/watch?v=yyevhFUYtO8&t=8s
Canções autorais do álbum “Danilo Moraes e Picadinho”
Vento Vem, parceria com Zeca Baleiro:
https://youtu.be/HrqnSYRNIgs
Promessa, com Janayna Pereira:
https://youtu.be/qBuN3Vg9fCg
Zumbe:
https://youtu.be/uS5YswCHK2k
Encoxa Encaixa:
https://youtu.be/uA9Y9aW3K_o

Enok Virgulino
Enok Virgulino
Natural de: Parnamirim/PE
Mora em: São Paulo/SP
Profissão: músico
Data de Nascimento: 21/04/1958
No Forró desde: que nasceu
Hábitos: A vestimenta, eu vejo bacana, por exemplo, as meninas com aquelas sainhas, eu acho muito bonita, sapatilha, que foi moda, ainda é.... porque é gostoso que dançar, não machuca o pé, então, foi válido também, então as modas vão se adequando à necessidade do conforto, da tranquilidade, sabe? Quer coisa mais bonita do que uma menina com uma sainha bem bonitinha, dançando ali, toda alegre, toda simpática e a gente olhando ou dançando com ela também? É bom demais, né? Agora das bebidas, é Xiboquinha, foi, foi muito forte na época que começou o Forró, né? O Cipó-cravo lá em Itaúnas também, às vezes, você não tinha grana pra tomar duas ou três bebidas, você pegava um Cipó-cravo já resolvia ali, com uma só. Tudo isso faz parte… Dá aquela calibrada, não precisa tomar três uísque, por exemplo, porque às vezes você não tem essa grana... Principalmente a galera no começo de vida aí, de estudante, ainda não tem emprego, a maioria vive de mesada. Então... toma um cipó que já resolve.
“O Forró pra mim é uma coisa muito importante porque a minha vida inteira, eu fiz Forró, então o Forró pra mim é lazer, Forró é cultura, Forró pra mim é o meu sustento e acredito que de muita gente também, que vive, ganha o seu sustento tocando Forró, então, Forró é tudo, na verdade.
Já fui pros Estados Unidos, já fui pra Europa...Acho que a gente, o Trio Virgulino, foi o primeiro que foi para lá na Europa, né? Eu fui para os Estados Unidos em 1998 e fui para a Europa em 99, para a França, Paris. Aí, depois, no outro ano, já começamos a fazer mais viagens. O pessoal achava muito caro pra ir só num lugar, aí chegamos a fazer projetos pra fazer quatro países diferentes, para dividir as passagens, os custos, ficava bem baratinho, sabe?
Quando a gente foi pra França, a primeira vez, a gente foi entrevistado até pelo Jornal Hoje, aquele jornal da tarde da Globo. Isso aí, se você procurar no, nas coisas da Globo, você acha. Em 99. O pessoal entrevistando a gente, e saindo de lá, tudo, e o pessoal, ‘Um grupo, o primeiro grupo de Forró que vai pra Europa, tocar Forró.’ Pra França, Paris. Aí o pessoal ficava zuando com a gente, pra pedir aquelas comidas lá, aqueles pratos lá francês, e chegava lá, era tudo ruim, não é boa igual as comidas daqui, mas eu tinha que dizer que era bom… Os queijos de lá era ruim mesmo, ô louco... Malcheiroso…Eu perguntei, qual é o queijo mais caro daqui? ‘não queira comer dele, que você não gosta’ .E aí o bicho é mofado, era podre, sabe?
Era o Roquefort. É, eu não sei o nome, mas deve ser isso aí mesmo. É um meio verdeado.”
“Meu nome é Enok Virgulino Dantas, nascido em 21 de abril de 1958, na cidade de Parnamirim – Pernambuco. Na verdade, nasci na zona rural na Fazenda Estrela, em Parnamirim em Pernambuco, em 58. Meus pais sempre gostaram de Forró, mas eu fui o primeiro que toquei aqui um instrumento de Forró. O interesse surgiu porque aos 12 anos de idade eu vim morar na cidade, nasci na zona rural, vim morar na cidade, e em frente à minha casa, do outro lado da cidade, tinha uma igreja e lá ficava um serviço de som, uma difusora e tocava músicas de Luiz Gonzaga.
Tinha um disco de Luiz Gonzaga, tinha um de Nelson Gonçalves, tinha assim uns três LPs e eu ficava na porta da minha casa, ouvindo essas músicas no serviço de som. E era na torre da igreja, lá do outro lado da cidade, e ali eu me apaixonei por pela música, com 2, 3, 4 anos de idade, eu ficava ouvindo ali, Luiz Gonzaga cantando Asa Branca, eu nem sabia o que era Asa Branca, nem sabia o que era alazão, eu só achava bonito, “morreu de sede, meu alazão”, digo, eita...o bichinho vai morrer de sede, não sabia nem que bicho era....
Minha família, meu pai é agricultor, era, né? É falecido. Meu pai se chamava Manoel Virgulino Dantas, cabra puxador de enxada, arrancador de caroá… trabalhava em usina de caroá. O caroá é um tipo de sisal nativo lá do Sertão, que as pessoas apanham pra fazer corda, saco de estopa, pra fazer coisas rústicas… Meu pai trabalhava nessa profissão, ele chegou a ser gerente da usina lá, rapaz... ele sabia ler e escrever, meu pai era chique.
Meu pai fazia as festas e contratava os sanfoneiros na fazenda, aquelas moças bonitas, ela tudo iam dançar com ele e ele achava bom... ele não era besta, não... Tinha um rapaz lá que tocava uma gaitinha, sabe? Uma gaitinha de boca, aí, um dia ele ganhou um dinheiro e conseguiu comprar uma sanfoninha pra ele. A gaita ficou sem serventia, ele deu para mim... Eu fiquei brincando com ela, tocava com ela, brincava, ela se estragou, se perdeu...
A gaita eu ganhei aos 5 anos, aos 8 anos, eu ganhei um cavaquinho, meu pai comprou pra mim. E aí tem um professor de violão que me ensinou os acordes das notas musicais, ele tocava violão e me ensinou no cavaquinho. Eu acompanhava todo mundo ali naquela fazenda, eu acompanhava o pessoal cantando e eu tocando, cantava as música do Roberto Carlos, Jerry Adriani, de Luiz Gonzaga inclusive. Aos 10 anos meu pai foi tomar um guaraná com bastante colarinho numa cidade, umas cachacinha, sabe?
E ele foi numa bicicleta... Chegou lá, o cabra disse ‘Ei, Mané, comprei uma sanfona pro seu menino.” Eu já era conhecido, já tocava o cavaquinho, aí ele disse, “Mas não tenho dinheiro pra lhe comprar...” ele falou, “Eu troco nessa bicicleta”. Meu pai disse: “Mas eu não tenho a volta”, a bicicletinha era véia, né? “Não, eu vendo fiado, você paga na safra do algodão, a volta”. Meu pai trouxe essa sanfona pra mim, com 10 anos, eu ganhei essa sanfona. Era uma sanfona Hering, vermelhinha, de 24 baixos. E aí, a minha aula de sanfona, foi o mesmo caba do violão que deu aula: “Isso aqui ó... você põe o braço esquerdo, põe o outro do lado direito, enfia a mão nesse negócio aqui, puxa o fole aqui, assim, e as músicas que tá no cavaquinho tá tudo aí dentro, é só você sair tocando…” Eu já sabia os acordes todos, maior e menor, com três dias eu já tava tocando... com três dias, eu toquei na minha primeira festa. Só tocava uma música só, mas eu tocava, não tinha outro sanfoneiro, né? Era eu tocando e os caba dançando, lá na fazenda. E foi assim…
Quer dizer, já era um talento aí, que tinha, natural, né?
-Era um talento e a falta de músico, né? Não tinha outro sanfoneiro, só tinha eu... e eu tocava uma música só e já tocando, pro povo dançar...Depois da primeira música, eu já sabia o que eu ia fazer da minha vida. Aí fui tocando, aí o pessoal foi começando a me chamar pra tocar nas festinhas, tinha dia de santo, umas novenas que acontecia um leilão depois. Quando o cara ia pegar o prêmio do leilão a gente tocava uma música... Dava pra comprar um monte de bala, num dava? E foi assim que eu ganhei meu primeiro dinheiro, tocando sanfona já…
E nessa brincadeira, aí fui tocando...Um dia, meu pai inventou de ir embora de casa... Aí, numa aflição danada, minha mãe disse, “Peraí, vamo ali, na feira, você toca lá, quem sabe você ganha alguma coisa.” Rapaz, eu fui tocar no meio dessa feira, eu com já 12 anos de idade, mas eu ganhei tanto dinheiro, rapaz, que minha mãe fez uma feirona, levou para casa, eu digo, “Eita, agora eu tô ficando é rico já, nunca mais que eu passo precisão.”
Foi, graças a Deus, foi assim. Depois, uma comadre da minha mãe foi passear lá em casa “E esse menino, como é que é.... Tem dia que come, tem dia que não come... eles tão tudo na escola, tudo na escola, menos esse aqui.” E era eu, né? Esse não vai pra escola porque a professora expulsou ele de lá, ela disse que ele não enxerga direito, não consegue vê o que ela escreve, ela não quis mais ele lá, não. Aí ela disse: “Eu tenho um menino da idade dele que tá na escola e eu preciso de um menino pra me ajudar”, ela era mascate, essa mulher pegava um monte de sacola e ia vender nos lugares.
Qual era o serviço? Ela vinha com 20 sacolas, ela pegava umas 3 e eu ficava no ponto do ônibus esperando ela vir pegar mais. Na última viagem, quando ela acabava, eu pegava umas 3 também e levava, sabe? Um dia eu levei minha sanfona e comecei a tocar no meio das feiras. Com 10 anos, com 12 anos de idade, 13 anos, eu já sustentava minha casa. Eu não pegava 1 real pra mim, tudo que eu ganhava, levava pra casa.
Minha mãe ficava contente, a ponto de eu sair com um calção rasgado de casa, depois de 15 dias, voltar com o mesmo calção rasgado e um monte de dinheiro no bolso. Perigando cair do bolso....Minha mãe, “Mas por que não compra um calção?” Eu dizia: “Não, tinha que trazer o dinheiro pra senhora.”
Eu já era, no caso, já era profissional, por que eu ganhava a vida com isso, tanto pra mim como pra minha casa, mas o que eu ganhava, dava, sabe? Quando eu chegava em casa, era uma festa, comprava tanta coisa, que eu não podia carregar. Aí quando chegava o caminho da feira, ia de caminhão, trabalhava na roça, quando eu chegava em casa, assim, tinha que chamar alguém pra vim me buscar, porque eu não podia levar as coisas que eu comprava. Comprava de 20 kg de farinha, carne, aquele monte de coisa que eu não conseguia carregar... e era assim, a minha vida, eu nunca quis nada pra mim, sabe? Era como se eu trabalhasse pra eles. Trabalhava pra minha família.
E eu nunca me arrependi disso que eu fiz, da minha vida, até hoje, eu trabalho pra isso, pros filhos. Depois eu comecei tocar numa rádio, e aí eu tocava nas feiras e o pessoal me conhecia da rádio, aí eu ia... “Quanto você cobra?” Eu dizia, “Nem sei quanto”, o que o caba desse, eu tava dentro. E foi assim uns 22 anos. Aí, eu já era famoso por lá, famoso entre aspas, né? Tocando por todas as festas, nas melhores festas, já era convidado…
Comecei a compor aos 15 anos, nunca gravei, mas comecei aos 15 anos. Depois aos 16 anos, eu fiz outra, aí eu fui fazendo, assim, eu tenho, dessas que eu fiz, já gravei duas, dessas que eu compus nessa época, fiz: “Carimbó em Parnamirim” e “Forró do Rei” que fiz com 16 anos, essas que tão gravadas pelo Trio Virgulino, que gravei quando estava lá e deu muito certo, graças a Deus, pessoal recebeu bem...
Depois veio a música minha e do João Silva, que é “Preciso do seu sorriso” em 2001, 2000, na verdade, eu tava preparando um CD pra gravar, em 2000 eu tava com quanto? 40? 42 anos, eu tava, quando eu fiz “Preciso do seu sorriso”. Essa aí já é com João Silva, ele é um compositor muito bom e eu acabei fazendo essa com ele e deu muito certo, viu?!
É, mas tem outras conhecidas também, tem, tem “Flor de Alecrim”, que eu fiz em 1997, uma música muito boa, minha também. Rapaz, a inspiração dela foi porque eu conheci uma pessoa que era muito bacana, sabe aquela pessoa que você, se liga nela assim 24 horas por dia? E, de repente, ela sofreu um acidente de carro e morreu, aí ficou só a saudade.
Tem também aquela que eu gravei com Trio Virgulino também, é doce “Doce mel” ...’Quero te namorar, vem pra cá, me dá um beijo, menina, eu faço tudo pra ganhar o seu amor’ essa música foi gravada pelo Trio Virgulino com Bicho de Pé, e é minha também, é minha e do meu amigo Carlinhos Axé.
Todos os nomes são válidos, agora, o Forró de verdade mesmo é o Forró que Luiz Gonzaga criou, que é o Forró de Mané Vito,agora, essas nomenclaturas que eles inventam, eu vejo só como um destaque que a pessoa quer dar a esse momento que ele tá vivendo, como por exemplo, o Forró Universitário, que você não falou, é o Forró que eles deram esse nome.... porque é uma imitação do que a gente fazia ali no Projeto Equilíbrio, que eles queriam bota o Forró dos Universitários, que era aquele pessoal bonito que dançava ali no nosso Forró, e não tinha outro forró, que era aquele Forró de velho, de faca, de peixeira, de briga, de não sei o quê…
Então eles queriam que aquele Forró fosse gente bem nascida, gente bonita, aí a concorrência escreveu: Forró Universitário, porque queria que... ele queria aquele Forró bonito que a gente tava ali, que realmente é uma coisa linda, é um movimento maravilhoso. Tanto que foi tão bom, que é tão bom que até hoje perdura o Forró que a gente fazia lá no Projeto Equilíbrio, aquilo ali que foi bom, que é bom, porque tem gente bem educada, gente muito tranquila, pessoas que vão lá só com intuito de dançar Forró, não vai procurar briga. Então, eu sou a favor desse Forró. Agora, as nomenclaturas que eles inventam, eu acho válido porque fala do Forró, a mesma coisa, mas Forró de verdade começa pela sua família, rapaz.
A inspiração, ela vem, mas às vezes também você tem que buscar ela, sabe? Alguém já disse que é 10% de inspiração e 90% de transpiração, eu acredito nisso também. Não tem tanta inspiração assim, a não ser que você tenha um motivo legal, uma moça bonita, dançando um Forró, você vai, pega aquela ideia e faz uma música bonita, para ela..., né?
A minha inspiração, por exemplo, quando eu fui para Itaúnas a primeira vez, eu voltei de lá com uma música, a inspiração foi a própria Itaúnas, ‘lá em Itaúnas, andar pelas dunas e...’, entendeu? O próprio lugar já traz essa inspiração, a própria atmosfera do Forró, já é essa inspiração, aí você vai lembrar no outro dia, você lembra e pega o instrumento e faz uma música.
História Marcante
Olha, a primeira história marcante que eu vou te contar, eu tenho 13 anos de idade, ia ter um show de Luiz Gonzaga no estádio Associação Cultural, em Petrolina, Pernambuco e eu queria ver o show do Rei do Baião, mas eu não tinha dinheiro para pagar entrada. Cati a minha sanfona, eu digo, “Eu vou, com essa sanfona aqui, acho que eu consigo entrar lá.” Quando cheguei na porta, O CABA Disse, “Cadê o ingresso?” Eu digo, “Tenho ingresso, não.” “Cadê o dinheiro pra comprar?” “Também não tenho.” “E essa sanfona” eu digo, “Eu vou tocar com o Rei do Baião…” Mentindo, sabe? tocar com o Rei do Baião, “E seus acompanhantes?” aí tinha uns 50 meninos, assim de uns 12, 13 anos, “Vais cantar comigo lá”. “E o que é que eles tocam?” Digo “Isso daqui é o coral, eu canto e eles... eu toco e eles cantam junto comigo.”
Aí ele liberou eu e um monte de menino, tava tudo enchendo o saco, ali na porta pra entrar. Botei logo 50 meninos pra dentro, assim. Eles não sabiam, não me conhecia também, porque eles não era nada meu, disse, “Ó, vai aqui, o palco é aqui, você tá na boca do gol”, mas eu queria só ver o show, fiquei ali com minha sanfona, bem quietinho, assistindo o show né? Daqui a pouco o Rei do Baião disse “Olha, agora quem cantar o hino do nosso patrocinador Rei do Baião vai ganhar um rádio de presente.” Eu digo, “Epa” e eu não tinha rádio, fiquei logo doido, eu digo: “Vou cantar e vou ganhar esse rádio”
Só que eu não sabia a letra da música, aí fui lá, me candidatei para cantar, olha só toquei, aí Luiz Gonzaga disse, “Ele não merece ganhar o rádio porque ele não cantou.” E o pessoal me dando esse rádio porque o pessoal gostava muito de mim lá na cidade, tocava no meio da feira, né? O pessoal querendo me dar esse rádio, aí Anastácia, que era a mulher de Dominguinhos, naquela época, me chamou lá de trás me ensinou a letra, em 2 minutos assim, 1 minuto, eu voltei em cena, aí cantei, toquei, cantei e ganhei o rádio, rapaz. Essa cena foi incrível, porque assim, eu não tinha rádio, cheguei em casa com esse rádio, aqueles radinho assim, pequenininho que eles chama de consola corno, sabe?
Pois é... aí eu ganhei esse rádio e fiquei feliz demais, aí eu tinha rádio pra ouvir música a hora que eu quisesse, óia, foi muito bom. O rádio era mais ou menos do tamanho de um celular, sabe? Era um radinho de pilha. Pequenininho, hoje em dia seria um walkman, né?
Outras histórias…
Um dia, eu fui botar minha sanfona na van e botei foi no chão, em vez de botar dentro da van, escorregou e caiu no chão, desmanchou todinha. Aí, eu tinha o telefone de Dominguinhos, liguei pra ele, né? Aí ele disse, ”Chora, irmão.” Aí eu disse, “É pra chorar, então já vou começar... eu ia botar a sanfona na van, botei foi no chão, desmanchou todinha. Tú não tem uma sanfoninha boa aí pra me vender?” Ele disse, “Tenho, não, Enok, eu só tenho uma que eu comprei de Sivuca, agora eu não vou querer vender ela, não posso te vender, não, mas se você quiser, eu lhe empresto ela, aí você fica tocando com ela, manda arrumar a sua, bem arrumada, quando tiver boa, do jeito que você gosta, aí você devolve a minha.” Moral da história, eu passei 3 meses tocando com a sanfona do Dominguinhos, uma sanfona cara, que ele havia comprado de Sivuca, ele tava amando aquele instrumento, colocou na minha, fiquei 3 meses com a sanfona de Sivuca. É que nem pegar um carrão, pesado, né? Se você não souber dirigir direito, amigo...Também não adianta nada.
-Vai fazer barbeiragem do mesmo jeito.
Pois, é. Tem isso também, né? Não adianta ter um super carro e não dirigir direito. Exatamente, essa história não sai em lugar nenhum, ninguém conta, porque o pessoal conta que era um gênio, que todo mundo já sabe, que cantava bem, tocava bem, não sei que, compunha muito, mas essas coisas ninguém diz, não. E ele fez para mim. Embora que eu também já fiz pra alguém, sabe, que eu não gostaria de contar aqui.
É, rapaz, o meu , é, um dia um camarada..., já uns três aqui aparece, né? Um dia a sanfona caiu no rio, aí ele ficou sem instrumento para tocar, aí ligou aqui, eu digo, “Não, rapaz, eu te ajeito.” Você sabe quem foi, né? Sabe aquele Erivaldinho?
A sanfona dele caiu dentro do mar, rapaz, encheu d'água e estragou tudo. Aí, ele passou uns 3 meses tocando com a minha também.
O outro foi o Joca, Ele é bacana, ali é gente boa, viu? Quando aquele menino dele, quando ele comprou a sanfona do menino, ele não tinha dinheiro, sabe da história? A irmã dele.... a cunhada dele, a irmã da mulher dele bateu o carro, e aí o seguro deu perda total, né? Aí deu 13 mil na mão dela. Ela já tava sem carro mesmo, ele disse,” Você não quer me emprestar esse dinheiro, não? Pra mim comprar uma sanfona pro menino? “ Aí, ela disse, “Empresto.”
Aí, rapaz, ele começou a fazer shows, eu mesmo participei de uns 4, com Trio Virgulino, né? Teve um lá que eu fui, deu 3 mil, ele disse, “Enok, esse foi bom, deu 3 mil.” Só da nossa participação, ele conseguiu vender lá por 3 mil, não é de graça, aí conseguiu levantar essa grana, em quatro shows que eu fiz, mais uns outros fizeram também, ele conseguiu pagar o 13 mil da mulher e resto do dinheiro do carro, que... a irmã dele, pra cunhada dele.
Eu achei muito bacana e o menino tá com a sanfona até hoje. O Joquinha, tem aquela sanfona que ele toca hoje, é aquela. É a mesma.
Olha eu vejo um futuro muito brilhante, eu vejo um futuro muito brilhante, porque esse pessoal novo hoje em dia tem a facilidade da internet, quer uma música, pega lá e ouve 300 vezes, até aprender, pega tutorial, alguém ensinando tocar, como é que toca, do começo ao fim, então, hoje em dia, a molecada tá muito esperta e que tá usando essa ferramenta da internet pra desenvolver. Você pode ver que antigamente, o pessoal tava muito mal, de 30 anos pra cá, hoje, eu tenho um neto aqui que tem 14 anos já tá tocando muito...Eu vejo os vídeos dele.
Por causa dessas coisas, ele aprende. Ele, eu sou professor do professor dele, mas como é que eu era o professor dele? Eu fazia live, ele pedia, música Forró do Rei, aí ele pedia, eu tocava, na live, Por que na live? Porque na live talvez ele ouvia 300 vezes. Eu não precisava tocar 300 vezes pra ele, porque ele, da live, ele já ficava me ouvindo. Aí, nesse ponto, a internet favoreceu esse pessoal novo, né?
Você consegue modular, separar o instrumento, mudar a velocidade, fazer o que você quiser. Pois é. A velocidade também dá pra alternar, né? É, separar os instrumentos, equalizar, agora, com a tecnologia, ficou tudo muito mais fácil, né?
Pois é, aí eu fico muito feliz porque quem agradece, a própria música agradece a tocabilidade dos músicos, ficou melhor, ficou mais fácil, nego tocando música menos errado, antigamente, nego ouvia no rádio e esquecia, ia tocar, tocava de outro jeito.
E agora toca 10 vezes, até aprender direito. Pois é, era praticamente outra.
A Carreira Solo
A carreira tá linda. A carreira tá linda. Eu gravei um CD agora que tem Gilberto Gil...Ó, tem Gilberto Gil, tem Chico César e Geraldo Azevedo, Mestrinho, tem Mariana Aydar, e o Tato do Falamansa, só isso. Tem nove músicas, seis participações. E eu não consegui, eu achava que eu não conseguiria, porque eu saí do Trio Virgulino, eu digo, pronto, eu sai, não consigo mais nada. Oxe, que nada, rapaz, consegui foi de novo. Tenho o nome feito, mas aí é difícil porque eu perco para mim mesmo.
Por exemplo, você vê um vídeo do Trio Virgulino, um milhão de visualizações.
Aí você vê o meu, tem um vídeo do Trio Virgulino com Elba Ramalho, tem um milhão. Você vê o meu, tem 900. Se é eu com Elba Ramalho, devia dizer, não, tô aqui, ó, o do milhão também é meu, mas não é né? É o Trio Virgulino. Aí você olha lá, você não sabe, não sabe distinguir, vê lá Trio Virgulino, 1 milhão, vê o meu só 900, diz, não, o bom é esse aqui, o bom é Trio Virgulino, aí eu perco pra mim mesmo.
Aí eu disse para o Trio Virgulino, eu digo não, fica pra vocês o nome, ele é o pão de cada dia de vocês e eu vou tentar ganhar o meu aqui, se eu não conseguir, um senhor de 64 anos, fica quietinho em casa, né? Tem um monte de veinho aí quietinho... Aí, foi assim que eu fiz, aí deixei com o nome com eles, eu só disse assim ó, a única recomendação que eu fiz, só não pode vender. Mas se for vender, eu quero minha parte, como é meu nome, Enok Virgulino Dantas, é meu nome de batismo, então o Trio foi feito, foi eu que fiz, o nome é meu, era meu, meu nome. Meu pai chama-se Manoel Virgulino.
Não, é porque, veja bem, você tem que pensar que os caras talvez eu não tivesse condições, eu pensei nisso, eu não, eu podia ir trabalhar com Genival Lacerda, com Nando Cordel, saía daqui, eu arrumava um esquema pra tocar, se eu não quiser fazer minha carreira, sabe? Eu como sanfoneiro, eu pulo na vaga de qualquer um, entrava no Trio Xamego, ou outro trio... digo, não, trio por trio, eu já saí do meu, então, vou tentar fazer meu nome, Enok Virgulino. Aí tem os filhos, que tudo toca, botei eles pra tocar comigo…e nunca toca, porque às vezes eles arruma show pra tocar com os outros, vixi, tem dia que eu quero montar uma banda aqui e não acho, porque eles tão muito bom, aí eles vão trocar com os outros. E é porque eu pago bem, hein? Eu pago bem, tem show aí que o povo leva mil reais de cachê, rapaz...Não, mas o que eu digo assim, não é todo dia, não, é só quando aparecer esse showzinho assim, melhorzinho, sabe? Que o cachê é maior, na pegada de normal é metade, é 400, 300... Mas quando tem dinheiro bom, a gente paga bom, primeiro que é meus filho, eu vou dar o dinheiro para eles vão crescer, financeiramente...Tem um que nesse mês de junho, ele já ganhou mais de 10 mil reais, uma filha minha aqui, que toca comigo, zabumba.
Meu empresário é o Jonas, meu filho. Às vezes, se não tem dinheiro, às vezes se não tem dinheiro, ele diz, “Ó pai, vai nessa daqui que essa aqui é boa, é uma divulgação pra você.” Eu vou também, que a gente, não é só dinheiro que segura, né?
Eu fui abrir um show, me disseram aqui, só pra você ter ideia, me disseram pra ir abrir o show, o cara tinha 500 reais, aí eu digo, “Vocês topam ir?”, “Topo”. Aí, eu fui, era pra abrir o show de Geraldo Azevedo. Aí, eu abri o show, ganhei quinhentão, chamei ele pra participar de meu CD, ele veio, e eu ganhei a participação de Geraldo Azevedo. Pronto. E os quinhentão eu dei pros menino mesmo, eu digo, aí, cada um, eu tiro o dinheiro da passagem, aqui do carro... Não recebi uns cem, eu nem quero... pronto.
Eu mesmo, tenho um CD que eu gravei quando eu sai do Trio Virgulino, o nome do CD é “Forró bom é aqui” ali você acha, você acha umas três músicas bem boa, que você pode pôr na sua lista, tranquilo. Quando você procurar, esse é o nome do CD, lá tem, tem 14 músicas, tem umas três assim, se você botar na sua lista lá, uma, que vê como é o nome dela... é... “Remexendo”. É muito boa, rapaz, é animadinha pra dançar, é boa…
Procure lá que tú vai ver, que coisa boa... e fora essa, tem outras também, que eu não vou ficar dizendo pra você, porque... na hora que você ouvir a boa, você já conhece, não precisa nem, ninguém dizer...Pode falar... você sabe que eu tenho aquele CD teu, “Beijo Moreno”, eu tenho o CD. A gravação ainda, lá de trás, 80 e pouco, né? -Ali, você pode vê que os meninos nem cantam ainda, eu queria botar eles pra cantar, mas eles não queriam, aí eu fui incentivando, botando, até que eles começaram, hoje eles são os cantores do Trio Virgulino.
O Virgulino já tinha esse diferencial, lá atrás, que era os três cantarem, né? É, porque eu botei, cada um, digo, “Não, pô, vocês tem que cantar. Vai que uma hora acontece uma coisa comigo, aí, morre um aí, vocês vão ficar sem, então, cuida, cuida.” Botei eles pra cantam, os dois. Não eu pensava mesmo que ia morrer, mesmo, sabe? Você bate as botas, aí, cabou... não... cuida aí... cuida aí que vocês tem futuro. Essas coisas acontecem né?
Hoje mesmo, rapaz, morreu um amigo meu lá de Pernambuco, o cara jovem de tudo, rapaz, morreu assim, teve uma tal de hepatite aos 40 anos, depois virou câncer de fígado e bateu as botas. Ó, por exemplo, o Trio Virgulino, não tem nem um probleminha, tá aí, sempre eles tão trabalhando, mais que eu, mas eu já sabia disso, que eles tem um nome, eu não tenho nome ainda, tô fazendo, mas, e se o meu não acontecer, aí um senhor de 64 anos, diz “Zé, tá na hora de recolher as armas.” Aí, pego a sanfona e fico em casa, tranquilo.
Eu acredito nisso, mas você sabe que às vezes o mercado não aceita, né? Por exemplo, eu já fui xingado por pessoas porque eu saí do Trio Virgulino...As pessoas tem aquilo como uma coisa, sabe, não era pra ter saído, já me disseram, as pessoas da minha cidade, velho, me tem como um bruxo, como o bicho mal e eu compreendo, porque pra eles é isso mesmo, é, é o Trio era uma Santíssima Trindade, tipo assim, entendeu? Que não podia acabar nunca...É, exatamente, mas aí, eu sai, não, mas eles continuam, o nome tá lá, o Trio Virgulino não acabou ainda, eu sai, mas ele continua. Eu vou explicando pra eles e eles vão compreendendo.
Se você olhar a história da música no mundo, de maneira geral, nos últimos cem anos, aí, né? Todas as bandas famosas que tiveram, tal, esse processo de vocalistas sair, fazer carreira solo, é a coisa mais normal do mundo...
-Não, e Beatles, né, velho?
Pois é.
-Beatles foi uma comoção mundial, velho...
Sim, tem gente que não acredita que vai separar nunca, né?
-Não, e a Yoko Ono que é a malvada, né?
É condenada, né? É condenada como se fosse a culpada.
-É condenada até hoje. Não, ela é a culpada, todo mundo diz, que seja ou que não seja, mas o pessoal diz.
Sim, e o ser humano parece que não tem a liberdade de mudar de opinião, né, meu?
-Pois é, mas aí, a gente sabe como é que funciona, pois é, mas ela é culpada, até hoje, eu vejo gente falar mal dela no rádio hoje, velho, “Se não fosse ela, não tinha acabado...”
Besteira.
-É, mas é a vida, né? O ser humano...
As pessoas têm direito de mudar de ideia, de mudar a fase da vida, de estar em um momento diferente...
-Mas, sabe o que é, por exemplo, ‘meu time é melhor do que o seu’, e aí começa essa discussão, sabe? você pode ver que é assim que funciona. E tem gente que é mesmo, tem gente que não é...
Eu acho que as pessoas têm o direito de procurar, procurar o que é melhor para si naquele momento.
-Você tem que compreender, por exemplo, São Paulo, na época do Muricy Ramalho, você só perguntava de quanto o São Paulo ganhou, se é de 3x0, de 2x1, quer dizer, agora essa bola tá com o Palmeiras, acabou ganhando, mas empatou Ceará, com Fortaleza, semana passada, então é assim, né?
-Não tá escrito que tem que ganhar todas, você ganha, você perde.
É, são as fases.
-Trio Virgulino... Trio Virgulino era comigo, agora não é mais, eu sai, pronto.
É, mas você já tem o teu nome, você tem seu espaço e seu nome garantido já...
-Não, eu não tenho ainda, mas eu tô trabalhando pra ter. Eu nem sei se eu vou conseguir, mas, é aquela questão que eu te falei, se eu não conseguir, eu tô muito tranquilo, porque quando você tá feliz que você tá fazendo, você sabe que você tá fazendo, sabe, você sabe que tem uma dificuldade pra transpor, você... eu não tenho ilusões que eu ia sair e ia ganhar na Megasena... não, eu sabia que ia sair na dificuldade, porque você sai de um carro que tá andando pra empurrar um carro velho? Foi o que eu fiz...
Eu pensei que eu não queria mais aquilo pra mim. Aquela correria, do jeito que eles fazia, pra mim não tava bom mais, então eu digo, não. E os erros eram poucos, sabe, mas você chega numa idade que você não quer aquilo, que você tem o cara... por exemplo, investimento, Olha nós gravamos em, em 2010, aí eu podia gravar um disco em 2012, 2013, 2014, até não conseguir, aí eu digo, peraí, tá ficando pra trás. Eu já sai, já gravei dois e eles nenhum ainda. Entendeu?
Agora você vai gravar mais um, daqui a pouco.
Na época de hoje, se você parar, você vê, a Anitta lança uma coisa a cada, cada um mês, cada mês ela lança uma coisa nova, porque não dá mais para lançar um LP, como Roberto Carlos fazia, uma vez por ano e aquilo já sustentava ele o ano todo. Não é mais assim a coisa, agora você vai devagarinho e sempre, se você ficar 3 meses...Pois é, pois é, e eu tô nessa aqui, o meu CD que tem 9 músicas, eu já lancei 2, ainda tem 7... Quando acabar essa 7, eu já quero ter mais, pelo menos umas três, pra ir emendando ali, sabe?
Do meu que tem nove, já lancei duas, dessas novas, eu lancei “Preciso desse seu sorriso” e lancei a música, a música com Gilberto Gil cantando comigo, já tem duas já, mas ainda falta testar, porque eu falei que tem, essa coisa tudo, tem mas não foi lançado ainda. Mestrinho, Mariana Aydar. Já tá tudo gravatinha, prontinha, com as capinhas, tudo pronto. É só escolher a data, por exemplo, se o Jonas quiser lançar uma essa semana, ele lança."
Natural de: Parnamirim/PE
Mora em: São Paulo/SP
Profissão: músico
Data de Nascimento: 21/04/1958
No Forró desde: que nasceu
Hábitos: A vestimenta, eu vejo bacana, por exemplo, as meninas com aquelas sainhas, eu acho muito bonita, sapatilha, que foi moda, ainda é.... porque é gostoso que dançar, não machuca o pé, então, foi válido também, então as modas vão se adequando à necessidade do conforto, da tranquilidade, sabe? Quer coisa mais bonita do que uma menina com uma sainha bem bonitinha, dançando ali, toda alegre, toda simpática e a gente olhando ou dançando com ela também? É bom demais, né? Agora das bebidas, é Xiboquinha, foi, foi muito forte na época que começou o Forró, né? O Cipó-cravo lá em Itaúnas também, às vezes, você não tinha grana pra tomar duas ou três bebidas, você pegava um Cipó-cravo já resolvia ali, com uma só. Tudo isso faz parte… Dá aquela calibrada, não precisa tomar três uísque, por exemplo, porque às vezes você não tem essa grana... Principalmente a galera no começo de vida aí, de estudante, ainda não tem emprego, a maioria vive de mesada. Então... toma um cipó que já resolve.
“O Forró pra mim é uma coisa muito importante porque a minha vida inteira, eu fiz Forró, então o Forró pra mim é lazer, Forró é cultura, Forró pra mim é o meu sustento e acredito que de muita gente também, que vive, ganha o seu sustento tocando Forró, então, Forró é tudo, na verdade.
Já fui pros Estados Unidos, já fui pra Europa...Acho que a gente, o Trio Virgulino, foi o primeiro que foi para lá na Europa, né? Eu fui para os Estados Unidos em 1998 e fui para a Europa em 99, para a França, Paris. Aí, depois, no outro ano, já começamos a fazer mais viagens. O pessoal achava muito caro pra ir só num lugar, aí chegamos a fazer projetos pra fazer quatro países diferentes, para dividir as passagens, os custos, ficava bem baratinho, sabe?
Quando a gente foi pra França, a primeira vez, a gente foi entrevistado até pelo Jornal Hoje, aquele jornal da tarde da Globo. Isso aí, se você procurar no, nas coisas da Globo, você acha. Em 99. O pessoal entrevistando a gente, e saindo de lá, tudo, e o pessoal, ‘Um grupo, o primeiro grupo de Forró que vai pra Europa, tocar Forró.’ Pra França, Paris. Aí o pessoal ficava zuando com a gente, pra pedir aquelas comidas lá, aqueles pratos lá francês, e chegava lá, era tudo ruim, não é boa igual as comidas daqui, mas eu tinha que dizer que era bom… Os queijos de lá era ruim mesmo, ô louco... Malcheiroso…Eu perguntei, qual é o queijo mais caro daqui? ‘não queira comer dele, que você não gosta’ .E aí o bicho é mofado, era podre, sabe?
Era o Roquefort. É, eu não sei o nome, mas deve ser isso aí mesmo. É um meio verdeado.”
“Meu nome é Enok Virgulino Dantas, nascido em 21 de abril de 1958, na cidade de Parnamirim – Pernambuco. Na verdade, nasci na zona rural na Fazenda Estrela, em Parnamirim em Pernambuco, em 58. Meus pais sempre gostaram de Forró, mas eu fui o primeiro que toquei aqui um instrumento de Forró. O interesse surgiu porque aos 12 anos de idade eu vim morar na cidade, nasci na zona rural, vim morar na cidade, e em frente à minha casa, do outro lado da cidade, tinha uma igreja e lá ficava um serviço de som, uma difusora e tocava músicas de Luiz Gonzaga.
Tinha um disco de Luiz Gonzaga, tinha um de Nelson Gonçalves, tinha assim uns três LPs e eu ficava na porta da minha casa, ouvindo essas músicas no serviço de som. E era na torre da igreja, lá do outro lado da cidade, e ali eu me apaixonei por pela música, com 2, 3, 4 anos de idade, eu ficava ouvindo ali, Luiz Gonzaga cantando Asa Branca, eu nem sabia o que era Asa Branca, nem sabia o que era alazão, eu só achava bonito, “morreu de sede, meu alazão”, digo, eita...o bichinho vai morrer de sede, não sabia nem que bicho era....
Minha família, meu pai é agricultor, era, né? É falecido. Meu pai se chamava Manoel Virgulino Dantas, cabra puxador de enxada, arrancador de caroá… trabalhava em usina de caroá. O caroá é um tipo de sisal nativo lá do Sertão, que as pessoas apanham pra fazer corda, saco de estopa, pra fazer coisas rústicas… Meu pai trabalhava nessa profissão, ele chegou a ser gerente da usina lá, rapaz... ele sabia ler e escrever, meu pai era chique.
Meu pai fazia as festas e contratava os sanfoneiros na fazenda, aquelas moças bonitas, ela tudo iam dançar com ele e ele achava bom... ele não era besta, não... Tinha um rapaz lá que tocava uma gaitinha, sabe? Uma gaitinha de boca, aí, um dia ele ganhou um dinheiro e conseguiu comprar uma sanfoninha pra ele. A gaita ficou sem serventia, ele deu para mim... Eu fiquei brincando com ela, tocava com ela, brincava, ela se estragou, se perdeu...
A gaita eu ganhei aos 5 anos, aos 8 anos, eu ganhei um cavaquinho, meu pai comprou pra mim. E aí tem um professor de violão que me ensinou os acordes das notas musicais, ele tocava violão e me ensinou no cavaquinho. Eu acompanhava todo mundo ali naquela fazenda, eu acompanhava o pessoal cantando e eu tocando, cantava as música do Roberto Carlos, Jerry Adriani, de Luiz Gonzaga inclusive. Aos 10 anos meu pai foi tomar um guaraná com bastante colarinho numa cidade, umas cachacinha, sabe?
E ele foi numa bicicleta... Chegou lá, o cabra disse ‘Ei, Mané, comprei uma sanfona pro seu menino.” Eu já era conhecido, já tocava o cavaquinho, aí ele disse, “Mas não tenho dinheiro pra lhe comprar...” ele falou, “Eu troco nessa bicicleta”. Meu pai disse: “Mas eu não tenho a volta”, a bicicletinha era véia, né? “Não, eu vendo fiado, você paga na safra do algodão, a volta”. Meu pai trouxe essa sanfona pra mim, com 10 anos, eu ganhei essa sanfona. Era uma sanfona Hering, vermelhinha, de 24 baixos. E aí, a minha aula de sanfona, foi o mesmo caba do violão que deu aula: “Isso aqui ó... você põe o braço esquerdo, põe o outro do lado direito, enfia a mão nesse negócio aqui, puxa o fole aqui, assim, e as músicas que tá no cavaquinho tá tudo aí dentro, é só você sair tocando…” Eu já sabia os acordes todos, maior e menor, com três dias eu já tava tocando... com três dias, eu toquei na minha primeira festa. Só tocava uma música só, mas eu tocava, não tinha outro sanfoneiro, né? Era eu tocando e os caba dançando, lá na fazenda. E foi assim…
Quer dizer, já era um talento aí, que tinha, natural, né?
-Era um talento e a falta de músico, né? Não tinha outro sanfoneiro, só tinha eu... e eu tocava uma música só e já tocando, pro povo dançar...Depois da primeira música, eu já sabia o que eu ia fazer da minha vida. Aí fui tocando, aí o pessoal foi começando a me chamar pra tocar nas festinhas, tinha dia de santo, umas novenas que acontecia um leilão depois. Quando o cara ia pegar o prêmio do leilão a gente tocava uma música... Dava pra comprar um monte de bala, num dava? E foi assim que eu ganhei meu primeiro dinheiro, tocando sanfona já…
E nessa brincadeira, aí fui tocando...Um dia, meu pai inventou de ir embora de casa... Aí, numa aflição danada, minha mãe disse, “Peraí, vamo ali, na feira, você toca lá, quem sabe você ganha alguma coisa.” Rapaz, eu fui tocar no meio dessa feira, eu com já 12 anos de idade, mas eu ganhei tanto dinheiro, rapaz, que minha mãe fez uma feirona, levou para casa, eu digo, “Eita, agora eu tô ficando é rico já, nunca mais que eu passo precisão.”
Foi, graças a Deus, foi assim. Depois, uma comadre da minha mãe foi passear lá em casa “E esse menino, como é que é.... Tem dia que come, tem dia que não come... eles tão tudo na escola, tudo na escola, menos esse aqui.” E era eu, né? Esse não vai pra escola porque a professora expulsou ele de lá, ela disse que ele não enxerga direito, não consegue vê o que ela escreve, ela não quis mais ele lá, não. Aí ela disse: “Eu tenho um menino da idade dele que tá na escola e eu preciso de um menino pra me ajudar”, ela era mascate, essa mulher pegava um monte de sacola e ia vender nos lugares.
Qual era o serviço? Ela vinha com 20 sacolas, ela pegava umas 3 e eu ficava no ponto do ônibus esperando ela vir pegar mais. Na última viagem, quando ela acabava, eu pegava umas 3 também e levava, sabe? Um dia eu levei minha sanfona e comecei a tocar no meio das feiras. Com 10 anos, com 12 anos de idade, 13 anos, eu já sustentava minha casa. Eu não pegava 1 real pra mim, tudo que eu ganhava, levava pra casa.
Minha mãe ficava contente, a ponto de eu sair com um calção rasgado de casa, depois de 15 dias, voltar com o mesmo calção rasgado e um monte de dinheiro no bolso. Perigando cair do bolso....Minha mãe, “Mas por que não compra um calção?” Eu dizia: “Não, tinha que trazer o dinheiro pra senhora.”
Eu já era, no caso, já era profissional, por que eu ganhava a vida com isso, tanto pra mim como pra minha casa, mas o que eu ganhava, dava, sabe? Quando eu chegava em casa, era uma festa, comprava tanta coisa, que eu não podia carregar. Aí quando chegava o caminho da feira, ia de caminhão, trabalhava na roça, quando eu chegava em casa, assim, tinha que chamar alguém pra vim me buscar, porque eu não podia levar as coisas que eu comprava. Comprava de 20 kg de farinha, carne, aquele monte de coisa que eu não conseguia carregar... e era assim, a minha vida, eu nunca quis nada pra mim, sabe? Era como se eu trabalhasse pra eles. Trabalhava pra minha família.
E eu nunca me arrependi disso que eu fiz, da minha vida, até hoje, eu trabalho pra isso, pros filhos. Depois eu comecei tocar numa rádio, e aí eu tocava nas feiras e o pessoal me conhecia da rádio, aí eu ia... “Quanto você cobra?” Eu dizia, “Nem sei quanto”, o que o caba desse, eu tava dentro. E foi assim uns 22 anos. Aí, eu já era famoso por lá, famoso entre aspas, né? Tocando por todas as festas, nas melhores festas, já era convidado…
Comecei a compor aos 15 anos, nunca gravei, mas comecei aos 15 anos. Depois aos 16 anos, eu fiz outra, aí eu fui fazendo, assim, eu tenho, dessas que eu fiz, já gravei duas, dessas que eu compus nessa época, fiz: “Carimbó em Parnamirim” e “Forró do Rei” que fiz com 16 anos, essas que tão gravadas pelo Trio Virgulino, que gravei quando estava lá e deu muito certo, graças a Deus, pessoal recebeu bem...
Depois veio a música minha e do João Silva, que é “Preciso do seu sorriso” em 2001, 2000, na verdade, eu tava preparando um CD pra gravar, em 2000 eu tava com quanto? 40? 42 anos, eu tava, quando eu fiz “Preciso do seu sorriso”. Essa aí já é com João Silva, ele é um compositor muito bom e eu acabei fazendo essa com ele e deu muito certo, viu?!
É, mas tem outras conhecidas também, tem, tem “Flor de Alecrim”, que eu fiz em 1997, uma música muito boa, minha também. Rapaz, a inspiração dela foi porque eu conheci uma pessoa que era muito bacana, sabe aquela pessoa que você, se liga nela assim 24 horas por dia? E, de repente, ela sofreu um acidente de carro e morreu, aí ficou só a saudade.
Tem também aquela que eu gravei com Trio Virgulino também, é doce “Doce mel” ...’Quero te namorar, vem pra cá, me dá um beijo, menina, eu faço tudo pra ganhar o seu amor’ essa música foi gravada pelo Trio Virgulino com Bicho de Pé, e é minha também, é minha e do meu amigo Carlinhos Axé.
Todos os nomes são válidos, agora, o Forró de verdade mesmo é o Forró que Luiz Gonzaga criou, que é o Forró de Mané Vito,agora, essas nomenclaturas que eles inventam, eu vejo só como um destaque que a pessoa quer dar a esse momento que ele tá vivendo, como por exemplo, o Forró Universitário, que você não falou, é o Forró que eles deram esse nome.... porque é uma imitação do que a gente fazia ali no Projeto Equilíbrio, que eles queriam bota o Forró dos Universitários, que era aquele pessoal bonito que dançava ali no nosso Forró, e não tinha outro forró, que era aquele Forró de velho, de faca, de peixeira, de briga, de não sei o quê…
Então eles queriam que aquele Forró fosse gente bem nascida, gente bonita, aí a concorrência escreveu: Forró Universitário, porque queria que... ele queria aquele Forró bonito que a gente tava ali, que realmente é uma coisa linda, é um movimento maravilhoso. Tanto que foi tão bom, que é tão bom que até hoje perdura o Forró que a gente fazia lá no Projeto Equilíbrio, aquilo ali que foi bom, que é bom, porque tem gente bem educada, gente muito tranquila, pessoas que vão lá só com intuito de dançar Forró, não vai procurar briga. Então, eu sou a favor desse Forró. Agora, as nomenclaturas que eles inventam, eu acho válido porque fala do Forró, a mesma coisa, mas Forró de verdade começa pela sua família, rapaz.
A inspiração, ela vem, mas às vezes também você tem que buscar ela, sabe? Alguém já disse que é 10% de inspiração e 90% de transpiração, eu acredito nisso também. Não tem tanta inspiração assim, a não ser que você tenha um motivo legal, uma moça bonita, dançando um Forró, você vai, pega aquela ideia e faz uma música bonita, para ela..., né?
A minha inspiração, por exemplo, quando eu fui para Itaúnas a primeira vez, eu voltei de lá com uma música, a inspiração foi a própria Itaúnas, ‘lá em Itaúnas, andar pelas dunas e...’, entendeu? O próprio lugar já traz essa inspiração, a própria atmosfera do Forró, já é essa inspiração, aí você vai lembrar no outro dia, você lembra e pega o instrumento e faz uma música.
História Marcante
Olha, a primeira história marcante que eu vou te contar, eu tenho 13 anos de idade, ia ter um show de Luiz Gonzaga no estádio Associação Cultural, em Petrolina, Pernambuco e eu queria ver o show do Rei do Baião, mas eu não tinha dinheiro para pagar entrada. Cati a minha sanfona, eu digo, “Eu vou, com essa sanfona aqui, acho que eu consigo entrar lá.” Quando cheguei na porta, O CABA Disse, “Cadê o ingresso?” Eu digo, “Tenho ingresso, não.” “Cadê o dinheiro pra comprar?” “Também não tenho.” “E essa sanfona” eu digo, “Eu vou tocar com o Rei do Baião…” Mentindo, sabe? tocar com o Rei do Baião, “E seus acompanhantes?” aí tinha uns 50 meninos, assim de uns 12, 13 anos, “Vais cantar comigo lá”. “E o que é que eles tocam?” Digo “Isso daqui é o coral, eu canto e eles... eu toco e eles cantam junto comigo.”
Aí ele liberou eu e um monte de menino, tava tudo enchendo o saco, ali na porta pra entrar. Botei logo 50 meninos pra dentro, assim. Eles não sabiam, não me conhecia também, porque eles não era nada meu, disse, “Ó, vai aqui, o palco é aqui, você tá na boca do gol”, mas eu queria só ver o show, fiquei ali com minha sanfona, bem quietinho, assistindo o show né? Daqui a pouco o Rei do Baião disse “Olha, agora quem cantar o hino do nosso patrocinador Rei do Baião vai ganhar um rádio de presente.” Eu digo, “Epa” e eu não tinha rádio, fiquei logo doido, eu digo: “Vou cantar e vou ganhar esse rádio”
Só que eu não sabia a letra da música, aí fui lá, me candidatei para cantar, olha só toquei, aí Luiz Gonzaga disse, “Ele não merece ganhar o rádio porque ele não cantou.” E o pessoal me dando esse rádio porque o pessoal gostava muito de mim lá na cidade, tocava no meio da feira, né? O pessoal querendo me dar esse rádio, aí Anastácia, que era a mulher de Dominguinhos, naquela época, me chamou lá de trás me ensinou a letra, em 2 minutos assim, 1 minuto, eu voltei em cena, aí cantei, toquei, cantei e ganhei o rádio, rapaz. Essa cena foi incrível, porque assim, eu não tinha rádio, cheguei em casa com esse rádio, aqueles radinho assim, pequenininho que eles chama de consola corno, sabe?
Pois é... aí eu ganhei esse rádio e fiquei feliz demais, aí eu tinha rádio pra ouvir música a hora que eu quisesse, óia, foi muito bom. O rádio era mais ou menos do tamanho de um celular, sabe? Era um radinho de pilha. Pequenininho, hoje em dia seria um walkman, né?
Outras histórias…
Um dia, eu fui botar minha sanfona na van e botei foi no chão, em vez de botar dentro da van, escorregou e caiu no chão, desmanchou todinha. Aí, eu tinha o telefone de Dominguinhos, liguei pra ele, né? Aí ele disse, ”Chora, irmão.” Aí eu disse, “É pra chorar, então já vou começar... eu ia botar a sanfona na van, botei foi no chão, desmanchou todinha. Tú não tem uma sanfoninha boa aí pra me vender?” Ele disse, “Tenho, não, Enok, eu só tenho uma que eu comprei de Sivuca, agora eu não vou querer vender ela, não posso te vender, não, mas se você quiser, eu lhe empresto ela, aí você fica tocando com ela, manda arrumar a sua, bem arrumada, quando tiver boa, do jeito que você gosta, aí você devolve a minha.” Moral da história, eu passei 3 meses tocando com a sanfona do Dominguinhos, uma sanfona cara, que ele havia comprado de Sivuca, ele tava amando aquele instrumento, colocou na minha, fiquei 3 meses com a sanfona de Sivuca. É que nem pegar um carrão, pesado, né? Se você não souber dirigir direito, amigo...Também não adianta nada.
-Vai fazer barbeiragem do mesmo jeito.
Pois, é. Tem isso também, né? Não adianta ter um super carro e não dirigir direito. Exatamente, essa história não sai em lugar nenhum, ninguém conta, porque o pessoal conta que era um gênio, que todo mundo já sabe, que cantava bem, tocava bem, não sei que, compunha muito, mas essas coisas ninguém diz, não. E ele fez para mim. Embora que eu também já fiz pra alguém, sabe, que eu não gostaria de contar aqui.
É, rapaz, o meu , é, um dia um camarada..., já uns três aqui aparece, né? Um dia a sanfona caiu no rio, aí ele ficou sem instrumento para tocar, aí ligou aqui, eu digo, “Não, rapaz, eu te ajeito.” Você sabe quem foi, né? Sabe aquele Erivaldinho?
A sanfona dele caiu dentro do mar, rapaz, encheu d'água e estragou tudo. Aí, ele passou uns 3 meses tocando com a minha também.
O outro foi o Joca, Ele é bacana, ali é gente boa, viu? Quando aquele menino dele, quando ele comprou a sanfona do menino, ele não tinha dinheiro, sabe da história? A irmã dele.... a cunhada dele, a irmã da mulher dele bateu o carro, e aí o seguro deu perda total, né? Aí deu 13 mil na mão dela. Ela já tava sem carro mesmo, ele disse,” Você não quer me emprestar esse dinheiro, não? Pra mim comprar uma sanfona pro menino? “ Aí, ela disse, “Empresto.”
Aí, rapaz, ele começou a fazer shows, eu mesmo participei de uns 4, com Trio Virgulino, né? Teve um lá que eu fui, deu 3 mil, ele disse, “Enok, esse foi bom, deu 3 mil.” Só da nossa participação, ele conseguiu vender lá por 3 mil, não é de graça, aí conseguiu levantar essa grana, em quatro shows que eu fiz, mais uns outros fizeram também, ele conseguiu pagar o 13 mil da mulher e resto do dinheiro do carro, que... a irmã dele, pra cunhada dele.
Eu achei muito bacana e o menino tá com a sanfona até hoje. O Joquinha, tem aquela sanfona que ele toca hoje, é aquela. É a mesma.
Olha eu vejo um futuro muito brilhante, eu vejo um futuro muito brilhante, porque esse pessoal novo hoje em dia tem a facilidade da internet, quer uma música, pega lá e ouve 300 vezes, até aprender, pega tutorial, alguém ensinando tocar, como é que toca, do começo ao fim, então, hoje em dia, a molecada tá muito esperta e que tá usando essa ferramenta da internet pra desenvolver. Você pode ver que antigamente, o pessoal tava muito mal, de 30 anos pra cá, hoje, eu tenho um neto aqui que tem 14 anos já tá tocando muito...Eu vejo os vídeos dele.
Por causa dessas coisas, ele aprende. Ele, eu sou professor do professor dele, mas como é que eu era o professor dele? Eu fazia live, ele pedia, música Forró do Rei, aí ele pedia, eu tocava, na live, Por que na live? Porque na live talvez ele ouvia 300 vezes. Eu não precisava tocar 300 vezes pra ele, porque ele, da live, ele já ficava me ouvindo. Aí, nesse ponto, a internet favoreceu esse pessoal novo, né?
Você consegue modular, separar o instrumento, mudar a velocidade, fazer o que você quiser. Pois é. A velocidade também dá pra alternar, né? É, separar os instrumentos, equalizar, agora, com a tecnologia, ficou tudo muito mais fácil, né?
Pois é, aí eu fico muito feliz porque quem agradece, a própria música agradece a tocabilidade dos músicos, ficou melhor, ficou mais fácil, nego tocando música menos errado, antigamente, nego ouvia no rádio e esquecia, ia tocar, tocava de outro jeito.
E agora toca 10 vezes, até aprender direito. Pois é, era praticamente outra.
A Carreira Solo
A carreira tá linda. A carreira tá linda. Eu gravei um CD agora que tem Gilberto Gil...Ó, tem Gilberto Gil, tem Chico César e Geraldo Azevedo, Mestrinho, tem Mariana Aydar, e o Tato do Falamansa, só isso. Tem nove músicas, seis participações. E eu não consegui, eu achava que eu não conseguiria, porque eu saí do Trio Virgulino, eu digo, pronto, eu sai, não consigo mais nada. Oxe, que nada, rapaz, consegui foi de novo. Tenho o nome feito, mas aí é difícil porque eu perco para mim mesmo.
Por exemplo, você vê um vídeo do Trio Virgulino, um milhão de visualizações.
Aí você vê o meu, tem um vídeo do Trio Virgulino com Elba Ramalho, tem um milhão. Você vê o meu, tem 900. Se é eu com Elba Ramalho, devia dizer, não, tô aqui, ó, o do milhão também é meu, mas não é né? É o Trio Virgulino. Aí você olha lá, você não sabe, não sabe distinguir, vê lá Trio Virgulino, 1 milhão, vê o meu só 900, diz, não, o bom é esse aqui, o bom é Trio Virgulino, aí eu perco pra mim mesmo.
Aí eu disse para o Trio Virgulino, eu digo não, fica pra vocês o nome, ele é o pão de cada dia de vocês e eu vou tentar ganhar o meu aqui, se eu não conseguir, um senhor de 64 anos, fica quietinho em casa, né? Tem um monte de veinho aí quietinho... Aí, foi assim que eu fiz, aí deixei com o nome com eles, eu só disse assim ó, a única recomendação que eu fiz, só não pode vender. Mas se for vender, eu quero minha parte, como é meu nome, Enok Virgulino Dantas, é meu nome de batismo, então o Trio foi feito, foi eu que fiz, o nome é meu, era meu, meu nome. Meu pai chama-se Manoel Virgulino.
Não, é porque, veja bem, você tem que pensar que os caras talvez eu não tivesse condições, eu pensei nisso, eu não, eu podia ir trabalhar com Genival Lacerda, com Nando Cordel, saía daqui, eu arrumava um esquema pra tocar, se eu não quiser fazer minha carreira, sabe? Eu como sanfoneiro, eu pulo na vaga de qualquer um, entrava no Trio Xamego, ou outro trio... digo, não, trio por trio, eu já saí do meu, então, vou tentar fazer meu nome, Enok Virgulino. Aí tem os filhos, que tudo toca, botei eles pra tocar comigo…e nunca toca, porque às vezes eles arruma show pra tocar com os outros, vixi, tem dia que eu quero montar uma banda aqui e não acho, porque eles tão muito bom, aí eles vão trocar com os outros. E é porque eu pago bem, hein? Eu pago bem, tem show aí que o povo leva mil reais de cachê, rapaz...Não, mas o que eu digo assim, não é todo dia, não, é só quando aparecer esse showzinho assim, melhorzinho, sabe? Que o cachê é maior, na pegada de normal é metade, é 400, 300... Mas quando tem dinheiro bom, a gente paga bom, primeiro que é meus filho, eu vou dar o dinheiro para eles vão crescer, financeiramente...Tem um que nesse mês de junho, ele já ganhou mais de 10 mil reais, uma filha minha aqui, que toca comigo, zabumba.
Meu empresário é o Jonas, meu filho. Às vezes, se não tem dinheiro, às vezes se não tem dinheiro, ele diz, “Ó pai, vai nessa daqui que essa aqui é boa, é uma divulgação pra você.” Eu vou também, que a gente, não é só dinheiro que segura, né?
Eu fui abrir um show, me disseram aqui, só pra você ter ideia, me disseram pra ir abrir o show, o cara tinha 500 reais, aí eu digo, “Vocês topam ir?”, “Topo”. Aí, eu fui, era pra abrir o show de Geraldo Azevedo. Aí, eu abri o show, ganhei quinhentão, chamei ele pra participar de meu CD, ele veio, e eu ganhei a participação de Geraldo Azevedo. Pronto. E os quinhentão eu dei pros menino mesmo, eu digo, aí, cada um, eu tiro o dinheiro da passagem, aqui do carro... Não recebi uns cem, eu nem quero... pronto.
Eu mesmo, tenho um CD que eu gravei quando eu sai do Trio Virgulino, o nome do CD é “Forró bom é aqui” ali você acha, você acha umas três músicas bem boa, que você pode pôr na sua lista, tranquilo. Quando você procurar, esse é o nome do CD, lá tem, tem 14 músicas, tem umas três assim, se você botar na sua lista lá, uma, que vê como é o nome dela... é... “Remexendo”. É muito boa, rapaz, é animadinha pra dançar, é boa…
Procure lá que tú vai ver, que coisa boa... e fora essa, tem outras também, que eu não vou ficar dizendo pra você, porque... na hora que você ouvir a boa, você já conhece, não precisa nem, ninguém dizer...Pode falar... você sabe que eu tenho aquele CD teu, “Beijo Moreno”, eu tenho o CD. A gravação ainda, lá de trás, 80 e pouco, né? -Ali, você pode vê que os meninos nem cantam ainda, eu queria botar eles pra cantar, mas eles não queriam, aí eu fui incentivando, botando, até que eles começaram, hoje eles são os cantores do Trio Virgulino.
O Virgulino já tinha esse diferencial, lá atrás, que era os três cantarem, né? É, porque eu botei, cada um, digo, “Não, pô, vocês tem que cantar. Vai que uma hora acontece uma coisa comigo, aí, morre um aí, vocês vão ficar sem, então, cuida, cuida.” Botei eles pra cantam, os dois. Não eu pensava mesmo que ia morrer, mesmo, sabe? Você bate as botas, aí, cabou... não... cuida aí... cuida aí que vocês tem futuro. Essas coisas acontecem né?
Hoje mesmo, rapaz, morreu um amigo meu lá de Pernambuco, o cara jovem de tudo, rapaz, morreu assim, teve uma tal de hepatite aos 40 anos, depois virou câncer de fígado e bateu as botas. Ó, por exemplo, o Trio Virgulino, não tem nem um probleminha, tá aí, sempre eles tão trabalhando, mais que eu, mas eu já sabia disso, que eles tem um nome, eu não tenho nome ainda, tô fazendo, mas, e se o meu não acontecer, aí um senhor de 64 anos, diz “Zé, tá na hora de recolher as armas.” Aí, pego a sanfona e fico em casa, tranquilo.
Eu acredito nisso, mas você sabe que às vezes o mercado não aceita, né? Por exemplo, eu já fui xingado por pessoas porque eu saí do Trio Virgulino...As pessoas tem aquilo como uma coisa, sabe, não era pra ter saído, já me disseram, as pessoas da minha cidade, velho, me tem como um bruxo, como o bicho mal e eu compreendo, porque pra eles é isso mesmo, é, é o Trio era uma Santíssima Trindade, tipo assim, entendeu? Que não podia acabar nunca...É, exatamente, mas aí, eu sai, não, mas eles continuam, o nome tá lá, o Trio Virgulino não acabou ainda, eu sai, mas ele continua. Eu vou explicando pra eles e eles vão compreendendo.
Se você olhar a história da música no mundo, de maneira geral, nos últimos cem anos, aí, né? Todas as bandas famosas que tiveram, tal, esse processo de vocalistas sair, fazer carreira solo, é a coisa mais normal do mundo...
-Não, e Beatles, né, velho?
Pois é.
-Beatles foi uma comoção mundial, velho...
Sim, tem gente que não acredita que vai separar nunca, né?
-Não, e a Yoko Ono que é a malvada, né?
É condenada, né? É condenada como se fosse a culpada.
-É condenada até hoje. Não, ela é a culpada, todo mundo diz, que seja ou que não seja, mas o pessoal diz.
Sim, e o ser humano parece que não tem a liberdade de mudar de opinião, né, meu?
-Pois é, mas aí, a gente sabe como é que funciona, pois é, mas ela é culpada, até hoje, eu vejo gente falar mal dela no rádio hoje, velho, “Se não fosse ela, não tinha acabado...”
Besteira.
-É, mas é a vida, né? O ser humano...
As pessoas têm direito de mudar de ideia, de mudar a fase da vida, de estar em um momento diferente...
-Mas, sabe o que é, por exemplo, ‘meu time é melhor do que o seu’, e aí começa essa discussão, sabe? você pode ver que é assim que funciona. E tem gente que é mesmo, tem gente que não é...
Eu acho que as pessoas têm o direito de procurar, procurar o que é melhor para si naquele momento.
-Você tem que compreender, por exemplo, São Paulo, na época do Muricy Ramalho, você só perguntava de quanto o São Paulo ganhou, se é de 3x0, de 2x1, quer dizer, agora essa bola tá com o Palmeiras, acabou ganhando, mas empatou Ceará, com Fortaleza, semana passada, então é assim, né?
-Não tá escrito que tem que ganhar todas, você ganha, você perde.
É, são as fases.
-Trio Virgulino... Trio Virgulino era comigo, agora não é mais, eu sai, pronto.
É, mas você já tem o teu nome, você tem seu espaço e seu nome garantido já...
-Não, eu não tenho ainda, mas eu tô trabalhando pra ter. Eu nem sei se eu vou conseguir, mas, é aquela questão que eu te falei, se eu não conseguir, eu tô muito tranquilo, porque quando você tá feliz que você tá fazendo, você sabe que você tá fazendo, sabe, você sabe que tem uma dificuldade pra transpor, você... eu não tenho ilusões que eu ia sair e ia ganhar na Megasena... não, eu sabia que ia sair na dificuldade, porque você sai de um carro que tá andando pra empurrar um carro velho? Foi o que eu fiz...
Eu pensei que eu não queria mais aquilo pra mim. Aquela correria, do jeito que eles fazia, pra mim não tava bom mais, então eu digo, não. E os erros eram poucos, sabe, mas você chega numa idade que você não quer aquilo, que você tem o cara... por exemplo, investimento, Olha nós gravamos em, em 2010, aí eu podia gravar um disco em 2012, 2013, 2014, até não conseguir, aí eu digo, peraí, tá ficando pra trás. Eu já sai, já gravei dois e eles nenhum ainda. Entendeu?
Agora você vai gravar mais um, daqui a pouco.
Na época de hoje, se você parar, você vê, a Anitta lança uma coisa a cada, cada um mês, cada mês ela lança uma coisa nova, porque não dá mais para lançar um LP, como Roberto Carlos fazia, uma vez por ano e aquilo já sustentava ele o ano todo. Não é mais assim a coisa, agora você vai devagarinho e sempre, se você ficar 3 meses...Pois é, pois é, e eu tô nessa aqui, o meu CD que tem 9 músicas, eu já lancei 2, ainda tem 7... Quando acabar essa 7, eu já quero ter mais, pelo menos umas três, pra ir emendando ali, sabe?
Do meu que tem nove, já lancei duas, dessas novas, eu lancei “Preciso desse seu sorriso” e lancei a música, a música com Gilberto Gil cantando comigo, já tem duas já, mas ainda falta testar, porque eu falei que tem, essa coisa tudo, tem mas não foi lançado ainda. Mestrinho, Mariana Aydar. Já tá tudo gravatinha, prontinha, com as capinhas, tudo pronto. É só escolher a data, por exemplo, se o Jonas quiser lançar uma essa semana, ele lança."

Tiziu do Araripe
Tiziu | Trio Araripe
Cidade Natal: Iguatu/CE
Cidade onde vive: Osasco/SP
Data de Nascimento: 21/09/1957
Profissão: Músico
Banda: Trio Araripe
No Forró desde: os 15 anos de idade.
Hábitos Forrozeiros: Roupas com estampas floridas, e a comida típica/básica do povo brasileiro (baião de dois, carne cozida, feij]ão, arroz, etc).
“Forró é tudo, é o ar que eu respiro, é o que me sustenta. Eu vivo disso. O Forró me transformou em uma pessoa mais compreensiva e me trouxe ao sudeste, e é através dele que eu continuo vivendo.”
Tiziu do Araripe é uma das principais vozes do Forró de São Paulo. Migrou de Fortaleza para cá em 1974, tendo cantando nos principais salões de baile e casas noturnas da cidade. Forró do Pedro Sertanejo, Patativa, CTN, KVA, Canto da Ema, Espaço Danado de Bom, Canto da Ema, Remelexo Brasil, Lapa Multshow e em diversos festivais. É cantor, compositor, zabumbeiro cearense, iniciou sua carreira aos quinze anos de idade em Fortaleza e foi músico de Luiz Gonzaga, Anastácia, Dominguinhos e já tocou em shows com Carmélia Alves, Dominguinhos, Nelson Ned, Agnaldo Timóteo, Reginaldo Rossi, Martinho da Vila.
Tiziu do Araripe criou o Trio Nortista em 1976, e tocou com ele até 1988, depois fundou o Trio Natal e em 1999 o Trio Araripe com Chiquinho do Acordeom e Zé Neto da Zabumba. Com diversos LPS e CDS gravados Mistura de Raça, O Caminhoneiro, Eu Gosto Disso, Preciso de Você e mais de 200 músicas: , Tiziu do Araripe hoje segue carreira solo e agracia o público sudestino com sua voz e música cantando e tocando pelas casas noturnas e festivais de Forró.
Segundo Tiziu, suas principais influências no Forró foram Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro, Ari Lobo, Marinês. Trio Nortista, 3 do Nordeste e outros cantos dos anos 60-70. Segundo ele, Forró Raiz é originário do sertanejo, começou com as festas do sertão, nas fazendas.
Ele diz: “Chamamos de Samba. -Vai ter samba na casa de fulano. É originário do sertão. Eu vivo da música desde os 15 anos de idade, e para onde me chamam pra divulgar minha música, eu vou. Para mostrar minhas origens.”
“ Uma história que eu tenho pra contar é que quando eu tocava, andei com Gonzaga, no Nordeste, fazendo show pra Seu Luiz, chegando na rodoviária em Cajazeira, em 73, de 72 pra 73, 73. E tinha uma família que tava com quatro filho, querendo ir embora para o Rio Grande do Norte e aí chegou, pediu um prato comida, não sabia que era Gonzaga.
Gonzaga falou, “Cadê o dono da família aí?” “É meu marido, tá aí tentando conseguir umas passagens para gente ir embora para terra da gente.” Aí, Gonzaga foi lá no guichê da rodoviária, comprar as passagem, o cara quando olhou, conheceu Luiz Gonzaga, aí ele ligou para o dono da Princesa do Seridó, que era o dono da linha de ônibus, quando o cara chegou,disse: “Não, Gonzaga, as passagem aqui, você não vai pagar nada, não, pode mandar os seus amigos pra onde você quiser aí, não vai pagar passagem, não”, liberou as passagem.
Gonzaga pegou o dinheiro das passagens e deu pra família quando chegasse lá, alugar uma casinha para não ficar morando na rua. E essa ajudinha que ele deu foi tão grande que o cara comprou uma casa no Rio Grande do Norte de Natal. Essa história que eu tive junto com Seu Luiz.
A minha história no Forró é fácil, eu comecei com 15 anos, tocando no Nordeste e aí quando eu vim aqui para o Sudeste, eu encontrei, tive o privilégio de ir pra Relojoaria Suíça, trabalhar na Relojoaria Suíça e através do Zé Béttio e Arlindo Bettio, o Dominguinhos passou lá com Anastácia para comprar uma corrente de presente pra Anastácia.
Arlindo Bettio pediu pra ele tocar um negocinho lá, que era um Forró que ele gostava muito, e ele falou, não, sem zabumba não dá.”
Arlindo: - Não, tem um zabumbeiro que chegou do Ceará!
Tiziu completa: “Me chamou, eu toquei, acompanhei Dominguinhos na porta da loja, desse Forró, e aí eu recebi o convite dele e de Anastácia pra fazer uns freelance com eles, né? Na época, isso era adequado, viu? Comecei a fazer uns forrozinhos com Anastácia e Dominguinhos, essa é minha história. E daí eu continuei na música, voltei a origem, que eu tinha saído da música, tinha voltado a trabalhar numa firma e depois daí, eu voltei a tocar de novo. Foi nonde surgiu o Trio Nortista, de lá, eu montei Trio Natal, do Trio Natal, Trio Araripe e agora tô seguindo carreira solo.”
Cidade Natal: Iguatu/CE
Cidade onde vive: Osasco/SP
Data de Nascimento: 21/09/1957
Profissão: Músico
Banda: Trio Araripe
No Forró desde: os 15 anos de idade.
Hábitos Forrozeiros: Roupas com estampas floridas, e a comida típica/básica do povo brasileiro (baião de dois, carne cozida, feij]ão, arroz, etc).
“Forró é tudo, é o ar que eu respiro, é o que me sustenta. Eu vivo disso. O Forró me transformou em uma pessoa mais compreensiva e me trouxe ao sudeste, e é através dele que eu continuo vivendo.”
Tiziu do Araripe é uma das principais vozes do Forró de São Paulo. Migrou de Fortaleza para cá em 1974, tendo cantando nos principais salões de baile e casas noturnas da cidade. Forró do Pedro Sertanejo, Patativa, CTN, KVA, Canto da Ema, Espaço Danado de Bom, Canto da Ema, Remelexo Brasil, Lapa Multshow e em diversos festivais. É cantor, compositor, zabumbeiro cearense, iniciou sua carreira aos quinze anos de idade em Fortaleza e foi músico de Luiz Gonzaga, Anastácia, Dominguinhos e já tocou em shows com Carmélia Alves, Dominguinhos, Nelson Ned, Agnaldo Timóteo, Reginaldo Rossi, Martinho da Vila.
Tiziu do Araripe criou o Trio Nortista em 1976, e tocou com ele até 1988, depois fundou o Trio Natal e em 1999 o Trio Araripe com Chiquinho do Acordeom e Zé Neto da Zabumba. Com diversos LPS e CDS gravados Mistura de Raça, O Caminhoneiro, Eu Gosto Disso, Preciso de Você e mais de 200 músicas: , Tiziu do Araripe hoje segue carreira solo e agracia o público sudestino com sua voz e música cantando e tocando pelas casas noturnas e festivais de Forró.
Segundo Tiziu, suas principais influências no Forró foram Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro, Ari Lobo, Marinês. Trio Nortista, 3 do Nordeste e outros cantos dos anos 60-70. Segundo ele, Forró Raiz é originário do sertanejo, começou com as festas do sertão, nas fazendas.
Ele diz: “Chamamos de Samba. -Vai ter samba na casa de fulano. É originário do sertão. Eu vivo da música desde os 15 anos de idade, e para onde me chamam pra divulgar minha música, eu vou. Para mostrar minhas origens.”
“ Uma história que eu tenho pra contar é que quando eu tocava, andei com Gonzaga, no Nordeste, fazendo show pra Seu Luiz, chegando na rodoviária em Cajazeira, em 73, de 72 pra 73, 73. E tinha uma família que tava com quatro filho, querendo ir embora para o Rio Grande do Norte e aí chegou, pediu um prato comida, não sabia que era Gonzaga.
Gonzaga falou, “Cadê o dono da família aí?” “É meu marido, tá aí tentando conseguir umas passagens para gente ir embora para terra da gente.” Aí, Gonzaga foi lá no guichê da rodoviária, comprar as passagem, o cara quando olhou, conheceu Luiz Gonzaga, aí ele ligou para o dono da Princesa do Seridó, que era o dono da linha de ônibus, quando o cara chegou,disse: “Não, Gonzaga, as passagem aqui, você não vai pagar nada, não, pode mandar os seus amigos pra onde você quiser aí, não vai pagar passagem, não”, liberou as passagem.
Gonzaga pegou o dinheiro das passagens e deu pra família quando chegasse lá, alugar uma casinha para não ficar morando na rua. E essa ajudinha que ele deu foi tão grande que o cara comprou uma casa no Rio Grande do Norte de Natal. Essa história que eu tive junto com Seu Luiz.
A minha história no Forró é fácil, eu comecei com 15 anos, tocando no Nordeste e aí quando eu vim aqui para o Sudeste, eu encontrei, tive o privilégio de ir pra Relojoaria Suíça, trabalhar na Relojoaria Suíça e através do Zé Béttio e Arlindo Bettio, o Dominguinhos passou lá com Anastácia para comprar uma corrente de presente pra Anastácia.
Arlindo Bettio pediu pra ele tocar um negocinho lá, que era um Forró que ele gostava muito, e ele falou, não, sem zabumba não dá.”
Arlindo: - Não, tem um zabumbeiro que chegou do Ceará!
Tiziu completa: “Me chamou, eu toquei, acompanhei Dominguinhos na porta da loja, desse Forró, e aí eu recebi o convite dele e de Anastácia pra fazer uns freelance com eles, né? Na época, isso era adequado, viu? Comecei a fazer uns forrozinhos com Anastácia e Dominguinhos, essa é minha história. E daí eu continuei na música, voltei a origem, que eu tinha saído da música, tinha voltado a trabalhar numa firma e depois daí, eu voltei a tocar de novo. Foi nonde surgiu o Trio Nortista, de lá, eu montei Trio Natal, do Trio Natal, Trio Araripe e agora tô seguindo carreira solo.”

Tio Joca . TRIO SABIÁ

Danilo Ramalho . TRIO DONA ZEFA
TRIO DONA ZEFA é um dos trios que mais enche as casas noturnas do Brasil todo. Isso acontece porque eles tocam o Forró tradicional com uma levada mais cadenciada, o que propicia um bom tranquilo e animado para dançar um forrozinho sem muita correria. Contador de causos e dono de um vozeirão forte, Danilo Ramalho, vocalista do Zefa, conta que se inspirou no Genival Lacerda para interpretar suas músicas.
A banda começou com 3 irmãos: Danilo, Murilo e Marcelo Ramalho, passou por diversas configurações e hoje conta com Danilo Ramalho na voz e triângulo, Murilo Ramalho na zabumba, Pedro Mamão no pandeiro , Milla no acordeon. O nome da banda é em homenagem à mãe de Danilo e Murilo e avó do Pedro Mamão. A banda começou em Campinas e ganhou o mundo, fazendo turnês inclusive pela Europa.
Foram primeiro lugar do FENFIT (festival de Itaúnas-ES) em 2004. Com 17 anos de carreira, 5 CDs, 2 LPs, 01 DVD e uma verdadeira legião de fãs, o TRIO DONA ZEFA orgulha de poder dizer que realmente faz Forró tradicional, mas não tem como negar, eles têm um tempero próprio, daqueles de dar água na boca e querer sempre mais!
A banda começou com 3 irmãos: Danilo, Murilo e Marcelo Ramalho, passou por diversas configurações e hoje conta com Danilo Ramalho na voz e triângulo, Murilo Ramalho na zabumba, Pedro Mamão no pandeiro , Milla no acordeon. O nome da banda é em homenagem à mãe de Danilo e Murilo e avó do Pedro Mamão. A banda começou em Campinas e ganhou o mundo, fazendo turnês inclusive pela Europa.
Foram primeiro lugar do FENFIT (festival de Itaúnas-ES) em 2004. Com 17 anos de carreira, 5 CDs, 2 LPs, 01 DVD e uma verdadeira legião de fãs, o TRIO DONA ZEFA orgulha de poder dizer que realmente faz Forró tradicional, mas não tem como negar, eles têm um tempero próprio, daqueles de dar água na boca e querer sempre mais!

Nicolas Krassik

Flavinho Lima
Flavinho Lima
Natural de:
Mora em: São Paulo/SP
Profissão: músico, cantor, compositor
Data de Nascimento:
No Forró desde: que nasceu
Hábitos: Falando aqui do estilo de roupa, né? Ele você vem acompanhando a história, ele vem mudando, né? Ele vai mudando, então lá no começo, Luiz Gonzaga adotou a roupa de cangaceiro, né? Porque ele era muito ligado a Lampião e o cangaço, ele já incrementou aquela roupa, ali pra ele, né, como como um estilo e ficou muito marcante. Ele ligou o Forró com aquela, com aquela roupa de , de..., misturado com cangaceiro…Aí veio mudando, veio mudando... Então chegou um tempo em que as pessoas, é... o Forró começou a ter, a ganhar espaço no meio dos universitários aqui do Sul, Sudeste, então já era uma roupa mais hippie, né? Aquela roupa mais hippie e tal, e hoje assim, tô falando agora 2020, até 22, agora eu já não vejo tanto assim, né? A galera gosta de usar uma roupa meio florida, tal. Mas já não tem tanto assim, sabe, é mais o estilo do, do artista mesmo e o que ele gosta de usar. As pessoas se sensibilizam mais é na música, no som, na simpatia, nas letras das músicas, a nossa cena hoje tá, tá assim…
As bebidas, antes só falava de cachaça, de pinga, né, e tal, cerveja, sei lá... Agora tem várias bebidas aí no Forró, no circuito. Hoje é fala-se de Netuno, de a cachacinha Brejeira, Seleta, tal, a galera toma cerveja, já teve um tempo que foi que foi Xiboquinha, né? Muito Cipó-cravo, se tomava muito cachaça de canela... Então o Forró tá sempre ligado também a bebidas aí, que faz parte..
“O Forró pra mim, cara, hoje eu entendo como uma missão de vida, entendeu? Uma missão que Deus me deu esse dom e eu vim pra compartilhar, eu vim pra colocar uma pedrinha, também junto com meus amigos, junto com os outros artistas, também vim pra colocar uma pedrinha nesse cenário que se chama o Forró, né, da cultura popular brasileira, da música popular brasileira, então o Forró pra mim é uma missão de vida.
O Forró como música, ele tem esse poder, né, tem vez que você tá escutando uma música e você lembra de alguma coisa, traz um sentimento de saudade, uma época marcante, né?! Então ele é meio que...um tipo de oxigênio pra alma, né? Você tá sufocando ali, vai e coloca uma música, lembra de outra, aí compõem outra, sabe, então ele muda teu estado de espírito, você está triste, fica alegre, às vezes tá alegre, fica triste, né? Mas não dá pra viver sem o Forró.”
Flavinho Lima é cantor e compositor de Forró Raiz conhecido por sua voz forte e marcante, com interpretações sensíveis que conquistaram o coração de todo Brasil.
Paulistano, filho de mãe Pernambucana e pai Paraibano, o músico sempre teve o nordeste em suas veias. Fez parte da banda de Dominguinhos, de 2006 até 2013, tocando triângulo e cantando, viajou com o mestre sanfoneiro por todo o Brasil. Foi criado ouvindo Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, violeiros e repentistas que representam o imaginário nordestino.
Hoje Flavinho Lima segue carreira solo com dois álbuns gravados Flavinho canta Luiz Gonzaga e De Corpo e Alma, e vários singles como Forró, Futuro da Nação e Acarinhado por Você que acabaram de ser lançados e estão disponíveis em todas as plataformas digitais, onde o destaque são as músicas autorais que mostram ao mundo também seu trabalho criativo enquanto compositor .
Flavinho foi integrante do Trio Zabumbão e acompanhou vários artistas brasileiros como Anastácia, Elba Ramalho, Targino Gondim, Lino de França e sempre está presente com seu show solo nas mais conhecidas casas de Forró e festivais do país como Canto da Ema, Remelexo Brasil, Sala de Reboco PE e participando das maiores festas de forró do planeta como FENFIT em Itaúnas, São João de Caruaru PE e São João de Campina Grande PB.
O artista ainda conta no seu currículo a participação em diversos programas de TV como: Rede Globo: PROGRAMA DO JÔ - ALTAS HORAS - SOM BRASIL;
Tv Cultura: VIOLA, MINHA VIOLA - SENHOR BRASIL - ENSAIO; Sbt: TELETON
e em centenas de outros canais na internet.
Flavinho Lima é a voz da música brasileira de raiz e sempre traz um show pra lá de balançado com muita alegria, muito forró, baião, xote e arrasta pé.
História de Flavinho Lima
“Olá, eu sou o Flavinho Lima, cantor, compositor, ritmista, venho trabalhando na noite profissionalmente, desde 1998. Eu conheci o Forró através dos meus pais, né? Meu pai é da Paraíba, minha mãe é do Pernambuco, então era meio que a canção de ninar aqui em casa era: Luiz Gonzaga, Os 3 do Nordeste, Trio Nordestino, Dominguinhos. Eu conheci o Forró desde novinho já, aqui em casa, né? Com meu pai rodando os discos, os bolachões, como bom paraibano que é e fã número 1 de Luiz Gonzaga.
Eu acho que o estilo hoje que eu me encaixo, no cenário do Forró, a música que eu faço é o Forró junto com outras manifestações da cultura popular. Porque o Forró é muito grande, Forró cabe tudo, cara, sabe? Ele não tem assim, um limite, a música bem feita, bem tocada, né? É a mesma coisa os instrumentos, é... o Forró começa ali com sanfona, triângulo, zabumba, pandeiro, mas com certeza cabe e é muito bem recebido: guitarra, baixo, batera, flauta, rabeca, pífano, né? E muito mais coisas aí, né? Tudo bem tocado é bonito demais.
A explicação assim, né, do circuito que a gente atua, é meio complicado, ela, acho que daria horas aqui tentando explicar, detalhe por detalhe, né? mas enfim o que eu posso dizer assim é que o Forró de Luiz Gonzaga, o Forró Pé de Serra, Forró Universitário, que é tudo a mesma coisa para mim, o que que acontece, ele, ele vem assim passando, de geração a geração, é muito cultural e hoje, o cenário é muito forte junto com a dança, né? Ele já tem a dança de salão, com essa junção, o nicho. Criou-se o nicho, vamos, vamos, vamos assim entitular de Forró Universitário, Forró Pé-de-Serra, a mesma coisa, mas aí existem as tribos, né?
Então, o nosso Forró, ele tem um nicho e aí corre Vitória, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, né? Tem esse, esse nicho aí do Forró, junto com a dança, os festivais e que é diferente do Forró Estilizado, Forró de Banda, que já é mais lá pro lado do Nordeste, que já tem um uma nova roupagem, né? Eles vem com outras ideias, com outro tipo de composição, com outra batida na música, né? Então separa muito isso, mas é tudo música…se tá aí, é porque tem público. Então, tem que ser respeitado, mas o Forró que a gente faz é o Forró Pé-de-Serra mesmo, Forró Universitário, Forró de Luiz Gonzaga, de Dominguinhos, de Marinês, da Elba Ramalho..É esse daí...
Bom, o meu processo criativo é, eu tô trabalhando muito em cima de músicas autorais, das minhas composições, agora. Claro, no show a gente canta, os artistas, faz homenagens, mas eu tô trabalhando muito em cima do, das minhas músicas autorais agora, né? Então, tô falando de amor, tô falando de algumas histórias que eu conheço, que eu já passei e algumas músicas também do cenário assim, do mundo, do nosso país. Eu acho que meu processo agora, eu tô trabalhando em cima disso, se você pegar minhas, minhas composições agora, você vai ver isso, você vai falando de amor, você vai ver falando de histórias assim que eu conheço, história do Forró, falando um pouquinho também de, do país, do futuro, do, do que eu tô vendo, eu tô trabalhando muito esse lado aí,
A minha principal influência do Forró, já vem do berço, é Luiz Gonzaga, Dominguinhos. Os 3 do Nordeste... Acho que esses aí são os mais fortes, Trio Nordestino também, é, a minha influência no Forró vem daí.
Minha infância, como já comecei falando nela, vivia no Forró, tava sempre escutando, meu pai fazia os Forrós aqui de fim de semana e aí, depois, eu cresci, fiquei adolescente, fui estudar, jogar capoeira e tal, tudo aquelas coisas, aí, na infância tive um triozinho também que chamava Trio Legal, tal, a gente já fazia aquela batucadinha, né? Que já tava meio na veia, depois parei. Aí, voltei pra música de novo lá por quando estourou, né, aquela febre do Forró Universitário, Falamansa, tal, ali ,acho que foi 96, 97 que eu comecei a voltar pra o Forró e, e aí tô até hoje.
E a minha história marcante é... pra quem não sabe, né? Eu trabalhei, tive esse prazer aí, graças a Deus, de trabalhar com o mestre Dominguinhos, do finalzinho de 2006 até a partida dele, em 2013 e uma história bem marcante que aconteceu foi... a gente viajou, pra fazer o São João lá no Nordeste, tal, a gente... eles vinham de São Paulo, fomos fazer o São João. E chegando lá, um certo dia, a gente tinha dois shows pra fazer e mais uns 10 pra terminar agenda de show do São João. E a gente tocou em lugar na Paraíba à tarde, e à noite tinha o maior São João do mundo, que é em Caruaru. E aí, cara, o Dominguinhos perdeu a voz nesse show à tarde, perdeu a voz e aí, ficou rouco, não saía mais nada, e começou aquele bafafá, todo mundo preocupado, “Nossa, mas à noite é Caruaru, é o maior São João do mundo, aí amanhã também é o outro maior São João do mundo, Campina Grande, depois Forró Caju, tipos, os maiores, né? Os maiores palcos e mais famosos assim, do Nordeste. Deu aquele bafafá todo, tal, e aí citaram, “Ó, mas tem o Flavinho aí, que canta tal, canta muito bem...” e... deu que me escolheram lá, o Dominguinhos me escolheu pra mim cobrir a voz do shows dele nesses maiores palcos aí do, e mais importantes da nossa música!
Cara, então, ali eu fui, aí, com as pernas tremendo assim, sabe? Vixe e foi chegando a hora do show e eu ficando mais nervoso, eu falei, “Meu Deus, tá todo mundo esperando aqui o rei e tal, e eu que vou fazer a voz. Aí, chegou na hora, ele tocou assim, algumas músicas instrumentais, depois, chegou a hora de cantar. Ele me chamou pra frente, eu fiquei bem na frente do palco, com ele lá, de Caruaru, aí cantei, fui cantando, fui cantando, aí a gente falou, que ele tinha ficado rouco, que tinha tomado um vento, tal…Foi assim, uma experiência assim, ímpar, cara, ímpar.
Deu tudo certo, graças a Deus, o Empresário até fala, não, o homem, o homem gostou que você cantou lá, porque ele já pagou, então, se pagou, tá tudo certo!” Ele pagou e aí, eu cantei mais 8 shows depois, porque a voz do Dominguinhos não voltou 100%, né? E ele optou não cantar, aí eu cantei mais oito shows. Em Campina Grande, Aracaju e depois descemos para Bahia, eu cantei mais shows lá na Bahia…Viajei muito junto com o mestre Dominguinhos, muitas histórias, muito aprendizado, mas aí, deixa cadastrado isso aí, que eu cantei mais de 10 shows lá no lugar dele, no show dele, porque ele ficou rouco e graças a Deus agradou e deu tudo certo e foi marcante pra mim…”
CONTATO E REDES
Whatsapp: +55 11 98461 0228
Email: flavioforro22@yahoo.com.br
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Spotify: Flavinho Lima https://open.spotify.com/artist/7poLLdGRpiqEmUKEXND0CN
Natural de:
Mora em: São Paulo/SP
Profissão: músico, cantor, compositor
Data de Nascimento:
No Forró desde: que nasceu
Hábitos: Falando aqui do estilo de roupa, né? Ele você vem acompanhando a história, ele vem mudando, né? Ele vai mudando, então lá no começo, Luiz Gonzaga adotou a roupa de cangaceiro, né? Porque ele era muito ligado a Lampião e o cangaço, ele já incrementou aquela roupa, ali pra ele, né, como como um estilo e ficou muito marcante. Ele ligou o Forró com aquela, com aquela roupa de , de..., misturado com cangaceiro…Aí veio mudando, veio mudando... Então chegou um tempo em que as pessoas, é... o Forró começou a ter, a ganhar espaço no meio dos universitários aqui do Sul, Sudeste, então já era uma roupa mais hippie, né? Aquela roupa mais hippie e tal, e hoje assim, tô falando agora 2020, até 22, agora eu já não vejo tanto assim, né? A galera gosta de usar uma roupa meio florida, tal. Mas já não tem tanto assim, sabe, é mais o estilo do, do artista mesmo e o que ele gosta de usar. As pessoas se sensibilizam mais é na música, no som, na simpatia, nas letras das músicas, a nossa cena hoje tá, tá assim…
As bebidas, antes só falava de cachaça, de pinga, né, e tal, cerveja, sei lá... Agora tem várias bebidas aí no Forró, no circuito. Hoje é fala-se de Netuno, de a cachacinha Brejeira, Seleta, tal, a galera toma cerveja, já teve um tempo que foi que foi Xiboquinha, né? Muito Cipó-cravo, se tomava muito cachaça de canela... Então o Forró tá sempre ligado também a bebidas aí, que faz parte..
“O Forró pra mim, cara, hoje eu entendo como uma missão de vida, entendeu? Uma missão que Deus me deu esse dom e eu vim pra compartilhar, eu vim pra colocar uma pedrinha, também junto com meus amigos, junto com os outros artistas, também vim pra colocar uma pedrinha nesse cenário que se chama o Forró, né, da cultura popular brasileira, da música popular brasileira, então o Forró pra mim é uma missão de vida.
O Forró como música, ele tem esse poder, né, tem vez que você tá escutando uma música e você lembra de alguma coisa, traz um sentimento de saudade, uma época marcante, né?! Então ele é meio que...um tipo de oxigênio pra alma, né? Você tá sufocando ali, vai e coloca uma música, lembra de outra, aí compõem outra, sabe, então ele muda teu estado de espírito, você está triste, fica alegre, às vezes tá alegre, fica triste, né? Mas não dá pra viver sem o Forró.”
Flavinho Lima é cantor e compositor de Forró Raiz conhecido por sua voz forte e marcante, com interpretações sensíveis que conquistaram o coração de todo Brasil.
Paulistano, filho de mãe Pernambucana e pai Paraibano, o músico sempre teve o nordeste em suas veias. Fez parte da banda de Dominguinhos, de 2006 até 2013, tocando triângulo e cantando, viajou com o mestre sanfoneiro por todo o Brasil. Foi criado ouvindo Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, violeiros e repentistas que representam o imaginário nordestino.
Hoje Flavinho Lima segue carreira solo com dois álbuns gravados Flavinho canta Luiz Gonzaga e De Corpo e Alma, e vários singles como Forró, Futuro da Nação e Acarinhado por Você que acabaram de ser lançados e estão disponíveis em todas as plataformas digitais, onde o destaque são as músicas autorais que mostram ao mundo também seu trabalho criativo enquanto compositor .
Flavinho foi integrante do Trio Zabumbão e acompanhou vários artistas brasileiros como Anastácia, Elba Ramalho, Targino Gondim, Lino de França e sempre está presente com seu show solo nas mais conhecidas casas de Forró e festivais do país como Canto da Ema, Remelexo Brasil, Sala de Reboco PE e participando das maiores festas de forró do planeta como FENFIT em Itaúnas, São João de Caruaru PE e São João de Campina Grande PB.
O artista ainda conta no seu currículo a participação em diversos programas de TV como: Rede Globo: PROGRAMA DO JÔ - ALTAS HORAS - SOM BRASIL;
Tv Cultura: VIOLA, MINHA VIOLA - SENHOR BRASIL - ENSAIO; Sbt: TELETON
e em centenas de outros canais na internet.
Flavinho Lima é a voz da música brasileira de raiz e sempre traz um show pra lá de balançado com muita alegria, muito forró, baião, xote e arrasta pé.
História de Flavinho Lima
“Olá, eu sou o Flavinho Lima, cantor, compositor, ritmista, venho trabalhando na noite profissionalmente, desde 1998. Eu conheci o Forró através dos meus pais, né? Meu pai é da Paraíba, minha mãe é do Pernambuco, então era meio que a canção de ninar aqui em casa era: Luiz Gonzaga, Os 3 do Nordeste, Trio Nordestino, Dominguinhos. Eu conheci o Forró desde novinho já, aqui em casa, né? Com meu pai rodando os discos, os bolachões, como bom paraibano que é e fã número 1 de Luiz Gonzaga.
Eu acho que o estilo hoje que eu me encaixo, no cenário do Forró, a música que eu faço é o Forró junto com outras manifestações da cultura popular. Porque o Forró é muito grande, Forró cabe tudo, cara, sabe? Ele não tem assim, um limite, a música bem feita, bem tocada, né? É a mesma coisa os instrumentos, é... o Forró começa ali com sanfona, triângulo, zabumba, pandeiro, mas com certeza cabe e é muito bem recebido: guitarra, baixo, batera, flauta, rabeca, pífano, né? E muito mais coisas aí, né? Tudo bem tocado é bonito demais.
A explicação assim, né, do circuito que a gente atua, é meio complicado, ela, acho que daria horas aqui tentando explicar, detalhe por detalhe, né? mas enfim o que eu posso dizer assim é que o Forró de Luiz Gonzaga, o Forró Pé de Serra, Forró Universitário, que é tudo a mesma coisa para mim, o que que acontece, ele, ele vem assim passando, de geração a geração, é muito cultural e hoje, o cenário é muito forte junto com a dança, né? Ele já tem a dança de salão, com essa junção, o nicho. Criou-se o nicho, vamos, vamos, vamos assim entitular de Forró Universitário, Forró Pé-de-Serra, a mesma coisa, mas aí existem as tribos, né?
Então, o nosso Forró, ele tem um nicho e aí corre Vitória, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, né? Tem esse, esse nicho aí do Forró, junto com a dança, os festivais e que é diferente do Forró Estilizado, Forró de Banda, que já é mais lá pro lado do Nordeste, que já tem um uma nova roupagem, né? Eles vem com outras ideias, com outro tipo de composição, com outra batida na música, né? Então separa muito isso, mas é tudo música…se tá aí, é porque tem público. Então, tem que ser respeitado, mas o Forró que a gente faz é o Forró Pé-de-Serra mesmo, Forró Universitário, Forró de Luiz Gonzaga, de Dominguinhos, de Marinês, da Elba Ramalho..É esse daí...
Bom, o meu processo criativo é, eu tô trabalhando muito em cima de músicas autorais, das minhas composições, agora. Claro, no show a gente canta, os artistas, faz homenagens, mas eu tô trabalhando muito em cima do, das minhas músicas autorais agora, né? Então, tô falando de amor, tô falando de algumas histórias que eu conheço, que eu já passei e algumas músicas também do cenário assim, do mundo, do nosso país. Eu acho que meu processo agora, eu tô trabalhando em cima disso, se você pegar minhas, minhas composições agora, você vai ver isso, você vai falando de amor, você vai ver falando de histórias assim que eu conheço, história do Forró, falando um pouquinho também de, do país, do futuro, do, do que eu tô vendo, eu tô trabalhando muito esse lado aí,
A minha principal influência do Forró, já vem do berço, é Luiz Gonzaga, Dominguinhos. Os 3 do Nordeste... Acho que esses aí são os mais fortes, Trio Nordestino também, é, a minha influência no Forró vem daí.
Minha infância, como já comecei falando nela, vivia no Forró, tava sempre escutando, meu pai fazia os Forrós aqui de fim de semana e aí, depois, eu cresci, fiquei adolescente, fui estudar, jogar capoeira e tal, tudo aquelas coisas, aí, na infância tive um triozinho também que chamava Trio Legal, tal, a gente já fazia aquela batucadinha, né? Que já tava meio na veia, depois parei. Aí, voltei pra música de novo lá por quando estourou, né, aquela febre do Forró Universitário, Falamansa, tal, ali ,acho que foi 96, 97 que eu comecei a voltar pra o Forró e, e aí tô até hoje.
E a minha história marcante é... pra quem não sabe, né? Eu trabalhei, tive esse prazer aí, graças a Deus, de trabalhar com o mestre Dominguinhos, do finalzinho de 2006 até a partida dele, em 2013 e uma história bem marcante que aconteceu foi... a gente viajou, pra fazer o São João lá no Nordeste, tal, a gente... eles vinham de São Paulo, fomos fazer o São João. E chegando lá, um certo dia, a gente tinha dois shows pra fazer e mais uns 10 pra terminar agenda de show do São João. E a gente tocou em lugar na Paraíba à tarde, e à noite tinha o maior São João do mundo, que é em Caruaru. E aí, cara, o Dominguinhos perdeu a voz nesse show à tarde, perdeu a voz e aí, ficou rouco, não saía mais nada, e começou aquele bafafá, todo mundo preocupado, “Nossa, mas à noite é Caruaru, é o maior São João do mundo, aí amanhã também é o outro maior São João do mundo, Campina Grande, depois Forró Caju, tipos, os maiores, né? Os maiores palcos e mais famosos assim, do Nordeste. Deu aquele bafafá todo, tal, e aí citaram, “Ó, mas tem o Flavinho aí, que canta tal, canta muito bem...” e... deu que me escolheram lá, o Dominguinhos me escolheu pra mim cobrir a voz do shows dele nesses maiores palcos aí do, e mais importantes da nossa música!
Cara, então, ali eu fui, aí, com as pernas tremendo assim, sabe? Vixe e foi chegando a hora do show e eu ficando mais nervoso, eu falei, “Meu Deus, tá todo mundo esperando aqui o rei e tal, e eu que vou fazer a voz. Aí, chegou na hora, ele tocou assim, algumas músicas instrumentais, depois, chegou a hora de cantar. Ele me chamou pra frente, eu fiquei bem na frente do palco, com ele lá, de Caruaru, aí cantei, fui cantando, fui cantando, aí a gente falou, que ele tinha ficado rouco, que tinha tomado um vento, tal…Foi assim, uma experiência assim, ímpar, cara, ímpar.
Deu tudo certo, graças a Deus, o Empresário até fala, não, o homem, o homem gostou que você cantou lá, porque ele já pagou, então, se pagou, tá tudo certo!” Ele pagou e aí, eu cantei mais 8 shows depois, porque a voz do Dominguinhos não voltou 100%, né? E ele optou não cantar, aí eu cantei mais oito shows. Em Campina Grande, Aracaju e depois descemos para Bahia, eu cantei mais shows lá na Bahia…Viajei muito junto com o mestre Dominguinhos, muitas histórias, muito aprendizado, mas aí, deixa cadastrado isso aí, que eu cantei mais de 10 shows lá no lugar dele, no show dele, porque ele ficou rouco e graças a Deus agradou e deu tudo certo e foi marcante pra mim…”
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Éder . TRIO ALVORADA
Éder | Trio Alvorada
Cidade em que nasceu: São Paulo
Cidade em que mora: São Paulo
Profissão: Músico
No Forró desde: 98/99
Banda:Trio Alvorada
Podcast: Podbruto
Hábitos Forrozeiros: “Oh, no começo, no começo era aquele lance de bermuda tactel, né? Tenizinho Redley baixo, ou chinelo, bonezinho, camisa regata, uma camisa de surf geralmente e as bebidas que tinha na época bastante Canelinha, Xiboquinha. Na época não tinha ainda Catuaba, não conhecia, mas era isso, a gente tomava Gabriela, Xiboquinha, Canelinha. Tomei muita Gabriela. Principalmente nos Forrós que a gente tocava no litoral. Na verdade ela é um misto, cachaça, mel, cravo e canela. E tipo, quase a Xiboquinha, né? É uma bebida muito típica ali nas praias do sul do Rio de Janeiro e a gente tocava muito por ali. Então, naquela região de São Campos, Taubaté, eles consumiam muito essa bebida. Pelo menos na época em que a gente ia, eu vi que voltou para o Forró faz pouco tempo. Aqui no Remelexo, pelo menos, tem agora a Gabriela.”
“O Forró pra mim hoje é a minha inspiração de vida, hoje, hoje eu vivo do Forró e para o Forró. Eu amo o Forró, pra mim é o que traz a comida para dentro de casa, é o que traz alegria para dentro de mim, da minha família e o que me faz feliz. O Forró para mim é uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha vida, cara. Não só a música, o Forró. A música foi incrível ter acontecido, mas o Forró foi uma coisa que, foi... foi surreal, conhecer a galera do Forró, conhecer esse ambiente pra mim foi... eu fui um cara abençoado.
O Forró me transformou em um homem muito melhor, um cara muito mais responsável, eu já tinha umas responsabilidades já, mas eu não conseguia entender os limites da música e tal, e no Forró eu consegui absorver tudo, o Forró pra mim foi uma escola. Eu consegui aprender a gerenciar minha vida financeira com o Forró, eu aprendi a produção musical através de Forró. Eu conheci a música na igreja evangélica, muito tempo atrás, já era músico. Só que o lado profissional da parada, só entrou quando conheci o Forró. Então ele se transformou num profissional, me transformou, hoje num cara influente no meio que eu vivo, né? E eu devo tudo isso ao Forró. Então ele me transformou num profissional, num cantor, num homem melhor, num cara mais responsável, foi... foi muito legal porque entrou bem na época que tipo minha vida tava meio sem...sem direção, sabe? Eu tava meio assim, tava navegando sem... sem um norte e o Forró me trouxe esse norte aí, foi incrível.”
“Eu conheci o Forró através de alguns amigos meus que já frequentavam o Remelexo, tal, e a gente indo para uma festa e os caras falaram, “A gente vai dar uma parada lá no Remelexo, é forró. Falei, “Putz, mano, não tô afim.” Mas acabei indo e...viciei, velho.
O Forró, desde da época que eu comecei a ir, ele era um Forró Universitário onde tinham bandas, onde a formação era violão, percussão, zabumba, acordeom, que nem sempre aparecia, mas às vezes aparecia. A gente chamava de Forró Universitário , uma linguagem que falava mais de praia, mais de amor, mais de... da realidade da pista naquele momento.
Depois eu fui conhecer o forró pé-de-serra que já vem com uma linguagem mais raiz, da região Nordeste, com um dialeto mais nordestino. Com uma linguagem que retrata bem aquela região do Nordeste.
Na primeira vez que eu fui no forró, eu já entendi que o lance era uma dança, que era aquele momento de pista ali, era uma coisa meio religiosa, sabe? Tipo, a galera chega, dança com todo mundo, é uma coisa super democrática e isso foi o que me fez apaixonar pelo forró, esse Lifestyle do Forró, da galera se vestir daquele jeito... E era uma parada que eu meio que já tinha, mas não conhecia o ritmo, mas o jeito de se vestir, o linguajar, tudo isso já era uma coisa bem legal até de falar porque, bem urbana, né?
Era assim, cara. Era assim, a gente chegava e via aquele povo todo dançando e era um lugar onde você tinha uma convivência com qualquer um, independente do bairro, da etnia da pessoa ali, era uma coisa que meio que se esquecia, aí, era só o Forró, ali naquele momento, a dança e aquele momento mágico.
A primeira vez que eu fui ao Forró, eu fui meio que..., eu não estava indo pro Forró, eu tava indo para uma festa de rock.Ah, cara, isso foi em 2000, eu acho, eu não tenho... em 97, acho que foi em 98, 98 ou 99, por aí, mais ou menos essa época aí. E eu tava indo para o forró e a gente tava no carro, todo mundo conversando, a gente tava indo pro rock, eu ia ver um show do The Doors cover. E aí, aí chegamos no meio do caminho, os cara, não, que a gente vai pro forró, eles colocaram na rádio de Forró, começou a rolar o forró na rádio e aí eu falei, “Porra velho, vocês vão mudar?” É, vamo pro forró. Aí fui pro forró. Aí, cheguei lá na porta, os caras, “Pô, vamos entrar, vamo entrar...” Eu falei, “Eu não vou entrar no forró.” Aí fiquei na porta ali, aí no estacionamento, o cara falou assim, “Pô, cara, entra velho, entra.” Aí eu falei, não vou, não, vou entrar, não, vou esperar os cara aqui, porque também ir pro rock sozinho é uma bosta... Aí, falei, “Vou ficar aqui no estacionamento.” Aí, chegou uma hora, falei, “Quer saber? Me dá esse desconto”, o cara falou, “Não, tenho um desconto aqui, tal, você entra lá...” na época tinha uns papelzinho de desconto do Remelexo, né, acho que dia de semana e a gente entrava e pagava coisa de 5 conto, sei lá, tinha o desconto.
Aí entrei, quando eu entrei lá, eu vi todos meus amigos dançando, falei, “Pô, continuo sozinho, cara ... [risos] Aí, fui lá, comecei a tomar uma Xiboquinha, falei, “ah.. vou tirar a Júlia para dançar, não vou ficar aqui esperando... aí fui tirar o pessoal para dançar e aí, “Não sabe dançar?” Não sei dançar, você me ensina?” “Ah, ensino, claro...”Aí comecei a dançar, porra, aí... viciou, cara, aí comecei a ir, de repente, quando fui ver, já tava indo sozinho, pegando o ônibus e indo sozinho pro Forró.
Porque no Forró você nunca fica sozinho, por mais que você não conhece as pessoas ali, de tal, não tenha ido junto, mas chega lá, você tá junto com todo mundo, dançando com todo mundo, aí eu viciei, cara e quando eu olhei, eu falei, “Bom, eu quero mais, eu quero mais, eu sou músico, eu acho que eu consigo mais e aí nas rodinhas de fogueira de praia e tal, eu sempre tocava um forrozinho no violão…
Eu comecei a tocar na igreja, com 16 anos eu já tocava na igreja já, tocava na igreja, ministrava louvores e aí eu só peguei isso que eu aprendi e coloquei no Forró. Comecei a ir e comecei a tocar Forró. Aí, os caras começaram a falar, “O véi, você precisa montar uma banda porque você canta, você toca, a galera gosta, para pra te ouvir...” Falei, “Ah, porque não?” Aí, fui lá, montei um grupo com os amigos, começamos a tocar numa pizzaria, perto de casa... Bicho, de repente, do nada, esse negócio bombava, bombava, bombava, bombava, só que a gente não tinha todos os instrumentos. Aí, a gente começou comprar os instrumentos, ensinar um ao outro a tocar, aí a gente montou a banda, chamava, na época, chamava “O Forró Suadeira”.
E aí, comecei a tocar, comecei a tocar. Minha mãe trabalhava na Secretaria de Cultura na época e conseguiu alguns shows para gente, nos palcos de rua, e aí eu comecei a ganhar feeling, ganhar bagagem, fui tocando... Aí mudamo, mudamo a banda porque a gente foi trocar uma vez na Trindade e a gente tocou até o sol nascer, aí a pessoa chegou e falou assim, “Pô, velho, vocês tocaram até o sol nascer, cara, que massa, e tal... Como é o nome da banda?” Eu falei, “Ah, é Suadeira.” Aí, o cara, a menina falou assim, “Puxa meu, nome meio negativo, porque vocês não mudam pra Trio Sol Nascente, não, aliás, Trio Alvorada. Alvorada é o nascer do sol, um novo dia, uma nova oportunidade, todos anseiam pela alvorada.” Ai, eu falei, “É, véio!” Só que, na época, ela tava mei bêbada, a gente também tava tudo doidão, passou batido...aí depois de um ano a gente foi mudar esse nome. Aí mudamos o nome pra Trio Alvorada. E aí começou... O Alvorada começou a tocar, oh, o Suadeira já existia, acho que desde 2002, mas o Alvorada começou em 2004. Aí começamos a trabalhar, começamos a trabalhar, trabalhar, trabalhar, até a gente ir para Itaúnas em 2007.
Meu Processo Criativo
Quando paro para escrever uma música, eu procuro retratar a nossa realidade, a realidade da pista, as paixões que o forrozeiro urbano tem, né? As paixões que ele vive ali, no momento. A dança é a primeira delas, né? O lance da paquera na pista, o lance da banda tocando, isso tudo é o que a gente, pelo menos eu como compositor, procuro falar mais, falar sobre amor e desamor.
Antes a gente fazia músicas de duplo sentido, era legal pra cassete... Legal você mexer com esse lado, usar a inteligência para burlar as palavras, era muito legal. Hoje já é uma coisa que não é muito legal, não é politicamente correto, mas era uma coisa que eu gostava de brincar muito. Então, tipo, começava com uma história e terminava com uma piadinha. Mas é mais ou menos, isso eu procuro focar na nossa realidade, no que aquilo que a gente vive, naquilo que a gente realmente sente quando a gente tá no Forró, hoje, aqui no sudeste.
Minhas influências no Forró…como compositor eu tenho vários mestres, um deles é o Tato do Falamansa, o cara pra mim é um gênio. Tem também João Silva, que é outro gênio também, que dependente do local e da situação, ele retrata sempre da melhor forma, com a melhor melodia e as melhores palavras, ele é um cara genial também. Eu gosto muito do Trip também, eu gosto muito do Ricardo, compondo também, acho ele muito inteligente e ele compõe muito, o próprio Forróçacana também tem vários compositores, tem o Chris Mourão e Duane são dois compositores que eu admiro muito, da dessa nova geração aqui, aquilo que... é, os caras são os caras eu consigo absorver coisas, hoje, no Forró do nosso meio aqui, no nosso, a coisa mais contemporânea, sabe?
São os caras que eu consigo ver e entender, que são mais próximos da minha realidade, diferente de Humberto Teixeira e tal, que são puta compositores e tal, mas que retratavam a realidade do nordeste e a realidade do povo nordestino e tal, que não é a minha, entendeu? Mas eu acho até, quando eu vejo alguém da nossa, da nossa geração compondo parecido com os caras assim falando de Nordeste, eu acho até uma "apropriação" cultural, que não diz respeito a nossa verdade, entendeu? Tipo, eu não consigo cantar sobre Nordeste sendo que eu não vivo e nem vivi lá. Assim, cantar, sim, interpretar uma música antiga, sim, mas não compor, né?
Minha Infância
Eu cresci no Jardim Brasil, ali, eu, na verdade, eu nasci entre alguns bairros, bairros da periferia de São Paulo e eu brinquei na rua… É Zona Norte, Zona Norte. Na verdade eu moro assim, entre quatro bairros: Vila Ede, Jardim Brasil, Vila Gustavo e Vila Medeiros. Eu moro bem no meio dos quatros, tá ligado? E aí, tipo uma baixada, então, pô, minha infância foi incrível. Foi na rua, ainda tinha rua de terra na época ainda. Então, eu acho que isso hoje é... é ouro, né, cara? E eu pude jogar bolinha de gude, brincar de taco, futebol na rua, esconde-esconde até altas horas da madrugada…
Deixava minha mãe super preocupada, então minha infância foi perfeita, cara. Não tem nada do que reclamar, os meus pais me deram o melhor, mesmo não tendo muitas condições, mas na medida do possível, educação e amor, eles me deram de montão mesmo.
Uma História Marcante
“O mais louco de tudo foi quando eu cheguei, quando a gente participou do Festival de Itaúnas, que nós éramos a última banda a participar da final, depois da gente, ia entrar o Trio dos Sonhos, que era Mestre Zinho, Dió de Araújo e Dominguinhos. Então, tipo, quando eu saí do palco e entrei para o camarim, que acabou a nossa apresentação inteira, entrei no camarim, eu lidei logo com esses três monstros, assim...tá ligado? Tipo, “pau”, dei de cara assim com os caras, e eu mal conhecia, só conhecia através de ouvir nos discos, os CDs, no palco, mas não conhecia assim.
Depois ouvir dos caras que minha banda mandou bem, que eu fui muito bem, que gostaram da música... E logo em seguida, entrou João Silva também, que falou bem da música aí, aquele dia pra mim foi um dia marcante. Tipo, tava todo mundo focado numa galera que tinha tocado e tal, pá... e eu fiquei conversando com os caras ali, tipo, foi muito legal porque eu tive atenção deles todinha e eles começaram a falar comigo ali. Aquilo, para mim, foi incrível, foi tipo surreal, assim, ouvir dos caras que a minha banda era boa... Ouvir do Dominguinhos... Foi muito legal aquele dia.
Cidade em que nasceu: São Paulo
Cidade em que mora: São Paulo
Profissão: Músico
No Forró desde: 98/99
Banda:Trio Alvorada
Podcast: Podbruto
Hábitos Forrozeiros: “Oh, no começo, no começo era aquele lance de bermuda tactel, né? Tenizinho Redley baixo, ou chinelo, bonezinho, camisa regata, uma camisa de surf geralmente e as bebidas que tinha na época bastante Canelinha, Xiboquinha. Na época não tinha ainda Catuaba, não conhecia, mas era isso, a gente tomava Gabriela, Xiboquinha, Canelinha. Tomei muita Gabriela. Principalmente nos Forrós que a gente tocava no litoral. Na verdade ela é um misto, cachaça, mel, cravo e canela. E tipo, quase a Xiboquinha, né? É uma bebida muito típica ali nas praias do sul do Rio de Janeiro e a gente tocava muito por ali. Então, naquela região de São Campos, Taubaté, eles consumiam muito essa bebida. Pelo menos na época em que a gente ia, eu vi que voltou para o Forró faz pouco tempo. Aqui no Remelexo, pelo menos, tem agora a Gabriela.”
“O Forró pra mim hoje é a minha inspiração de vida, hoje, hoje eu vivo do Forró e para o Forró. Eu amo o Forró, pra mim é o que traz a comida para dentro de casa, é o que traz alegria para dentro de mim, da minha família e o que me faz feliz. O Forró para mim é uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha vida, cara. Não só a música, o Forró. A música foi incrível ter acontecido, mas o Forró foi uma coisa que, foi... foi surreal, conhecer a galera do Forró, conhecer esse ambiente pra mim foi... eu fui um cara abençoado.
O Forró me transformou em um homem muito melhor, um cara muito mais responsável, eu já tinha umas responsabilidades já, mas eu não conseguia entender os limites da música e tal, e no Forró eu consegui absorver tudo, o Forró pra mim foi uma escola. Eu consegui aprender a gerenciar minha vida financeira com o Forró, eu aprendi a produção musical através de Forró. Eu conheci a música na igreja evangélica, muito tempo atrás, já era músico. Só que o lado profissional da parada, só entrou quando conheci o Forró. Então ele se transformou num profissional, me transformou, hoje num cara influente no meio que eu vivo, né? E eu devo tudo isso ao Forró. Então ele me transformou num profissional, num cantor, num homem melhor, num cara mais responsável, foi... foi muito legal porque entrou bem na época que tipo minha vida tava meio sem...sem direção, sabe? Eu tava meio assim, tava navegando sem... sem um norte e o Forró me trouxe esse norte aí, foi incrível.”
“Eu conheci o Forró através de alguns amigos meus que já frequentavam o Remelexo, tal, e a gente indo para uma festa e os caras falaram, “A gente vai dar uma parada lá no Remelexo, é forró. Falei, “Putz, mano, não tô afim.” Mas acabei indo e...viciei, velho.
O Forró, desde da época que eu comecei a ir, ele era um Forró Universitário onde tinham bandas, onde a formação era violão, percussão, zabumba, acordeom, que nem sempre aparecia, mas às vezes aparecia. A gente chamava de Forró Universitário , uma linguagem que falava mais de praia, mais de amor, mais de... da realidade da pista naquele momento.
Depois eu fui conhecer o forró pé-de-serra que já vem com uma linguagem mais raiz, da região Nordeste, com um dialeto mais nordestino. Com uma linguagem que retrata bem aquela região do Nordeste.
Na primeira vez que eu fui no forró, eu já entendi que o lance era uma dança, que era aquele momento de pista ali, era uma coisa meio religiosa, sabe? Tipo, a galera chega, dança com todo mundo, é uma coisa super democrática e isso foi o que me fez apaixonar pelo forró, esse Lifestyle do Forró, da galera se vestir daquele jeito... E era uma parada que eu meio que já tinha, mas não conhecia o ritmo, mas o jeito de se vestir, o linguajar, tudo isso já era uma coisa bem legal até de falar porque, bem urbana, né?
Era assim, cara. Era assim, a gente chegava e via aquele povo todo dançando e era um lugar onde você tinha uma convivência com qualquer um, independente do bairro, da etnia da pessoa ali, era uma coisa que meio que se esquecia, aí, era só o Forró, ali naquele momento, a dança e aquele momento mágico.
A primeira vez que eu fui ao Forró, eu fui meio que..., eu não estava indo pro Forró, eu tava indo para uma festa de rock.Ah, cara, isso foi em 2000, eu acho, eu não tenho... em 97, acho que foi em 98, 98 ou 99, por aí, mais ou menos essa época aí. E eu tava indo para o forró e a gente tava no carro, todo mundo conversando, a gente tava indo pro rock, eu ia ver um show do The Doors cover. E aí, aí chegamos no meio do caminho, os cara, não, que a gente vai pro forró, eles colocaram na rádio de Forró, começou a rolar o forró na rádio e aí eu falei, “Porra velho, vocês vão mudar?” É, vamo pro forró. Aí fui pro forró. Aí, cheguei lá na porta, os caras, “Pô, vamos entrar, vamo entrar...” Eu falei, “Eu não vou entrar no forró.” Aí fiquei na porta ali, aí no estacionamento, o cara falou assim, “Pô, cara, entra velho, entra.” Aí eu falei, não vou, não, vou entrar, não, vou esperar os cara aqui, porque também ir pro rock sozinho é uma bosta... Aí, falei, “Vou ficar aqui no estacionamento.” Aí, chegou uma hora, falei, “Quer saber? Me dá esse desconto”, o cara falou, “Não, tenho um desconto aqui, tal, você entra lá...” na época tinha uns papelzinho de desconto do Remelexo, né, acho que dia de semana e a gente entrava e pagava coisa de 5 conto, sei lá, tinha o desconto.
Aí entrei, quando eu entrei lá, eu vi todos meus amigos dançando, falei, “Pô, continuo sozinho, cara ... [risos] Aí, fui lá, comecei a tomar uma Xiboquinha, falei, “ah.. vou tirar a Júlia para dançar, não vou ficar aqui esperando... aí fui tirar o pessoal para dançar e aí, “Não sabe dançar?” Não sei dançar, você me ensina?” “Ah, ensino, claro...”Aí comecei a dançar, porra, aí... viciou, cara, aí comecei a ir, de repente, quando fui ver, já tava indo sozinho, pegando o ônibus e indo sozinho pro Forró.
Porque no Forró você nunca fica sozinho, por mais que você não conhece as pessoas ali, de tal, não tenha ido junto, mas chega lá, você tá junto com todo mundo, dançando com todo mundo, aí eu viciei, cara e quando eu olhei, eu falei, “Bom, eu quero mais, eu quero mais, eu sou músico, eu acho que eu consigo mais e aí nas rodinhas de fogueira de praia e tal, eu sempre tocava um forrozinho no violão…
Eu comecei a tocar na igreja, com 16 anos eu já tocava na igreja já, tocava na igreja, ministrava louvores e aí eu só peguei isso que eu aprendi e coloquei no Forró. Comecei a ir e comecei a tocar Forró. Aí, os caras começaram a falar, “O véi, você precisa montar uma banda porque você canta, você toca, a galera gosta, para pra te ouvir...” Falei, “Ah, porque não?” Aí, fui lá, montei um grupo com os amigos, começamos a tocar numa pizzaria, perto de casa... Bicho, de repente, do nada, esse negócio bombava, bombava, bombava, bombava, só que a gente não tinha todos os instrumentos. Aí, a gente começou comprar os instrumentos, ensinar um ao outro a tocar, aí a gente montou a banda, chamava, na época, chamava “O Forró Suadeira”.
E aí, comecei a tocar, comecei a tocar. Minha mãe trabalhava na Secretaria de Cultura na época e conseguiu alguns shows para gente, nos palcos de rua, e aí eu comecei a ganhar feeling, ganhar bagagem, fui tocando... Aí mudamo, mudamo a banda porque a gente foi trocar uma vez na Trindade e a gente tocou até o sol nascer, aí a pessoa chegou e falou assim, “Pô, velho, vocês tocaram até o sol nascer, cara, que massa, e tal... Como é o nome da banda?” Eu falei, “Ah, é Suadeira.” Aí, o cara, a menina falou assim, “Puxa meu, nome meio negativo, porque vocês não mudam pra Trio Sol Nascente, não, aliás, Trio Alvorada. Alvorada é o nascer do sol, um novo dia, uma nova oportunidade, todos anseiam pela alvorada.” Ai, eu falei, “É, véio!” Só que, na época, ela tava mei bêbada, a gente também tava tudo doidão, passou batido...aí depois de um ano a gente foi mudar esse nome. Aí mudamos o nome pra Trio Alvorada. E aí começou... O Alvorada começou a tocar, oh, o Suadeira já existia, acho que desde 2002, mas o Alvorada começou em 2004. Aí começamos a trabalhar, começamos a trabalhar, trabalhar, trabalhar, até a gente ir para Itaúnas em 2007.
Meu Processo Criativo
Quando paro para escrever uma música, eu procuro retratar a nossa realidade, a realidade da pista, as paixões que o forrozeiro urbano tem, né? As paixões que ele vive ali, no momento. A dança é a primeira delas, né? O lance da paquera na pista, o lance da banda tocando, isso tudo é o que a gente, pelo menos eu como compositor, procuro falar mais, falar sobre amor e desamor.
Antes a gente fazia músicas de duplo sentido, era legal pra cassete... Legal você mexer com esse lado, usar a inteligência para burlar as palavras, era muito legal. Hoje já é uma coisa que não é muito legal, não é politicamente correto, mas era uma coisa que eu gostava de brincar muito. Então, tipo, começava com uma história e terminava com uma piadinha. Mas é mais ou menos, isso eu procuro focar na nossa realidade, no que aquilo que a gente vive, naquilo que a gente realmente sente quando a gente tá no Forró, hoje, aqui no sudeste.
Minhas influências no Forró…como compositor eu tenho vários mestres, um deles é o Tato do Falamansa, o cara pra mim é um gênio. Tem também João Silva, que é outro gênio também, que dependente do local e da situação, ele retrata sempre da melhor forma, com a melhor melodia e as melhores palavras, ele é um cara genial também. Eu gosto muito do Trip também, eu gosto muito do Ricardo, compondo também, acho ele muito inteligente e ele compõe muito, o próprio Forróçacana também tem vários compositores, tem o Chris Mourão e Duane são dois compositores que eu admiro muito, da dessa nova geração aqui, aquilo que... é, os caras são os caras eu consigo absorver coisas, hoje, no Forró do nosso meio aqui, no nosso, a coisa mais contemporânea, sabe?
São os caras que eu consigo ver e entender, que são mais próximos da minha realidade, diferente de Humberto Teixeira e tal, que são puta compositores e tal, mas que retratavam a realidade do nordeste e a realidade do povo nordestino e tal, que não é a minha, entendeu? Mas eu acho até, quando eu vejo alguém da nossa, da nossa geração compondo parecido com os caras assim falando de Nordeste, eu acho até uma "apropriação" cultural, que não diz respeito a nossa verdade, entendeu? Tipo, eu não consigo cantar sobre Nordeste sendo que eu não vivo e nem vivi lá. Assim, cantar, sim, interpretar uma música antiga, sim, mas não compor, né?
Minha Infância
Eu cresci no Jardim Brasil, ali, eu, na verdade, eu nasci entre alguns bairros, bairros da periferia de São Paulo e eu brinquei na rua… É Zona Norte, Zona Norte. Na verdade eu moro assim, entre quatro bairros: Vila Ede, Jardim Brasil, Vila Gustavo e Vila Medeiros. Eu moro bem no meio dos quatros, tá ligado? E aí, tipo uma baixada, então, pô, minha infância foi incrível. Foi na rua, ainda tinha rua de terra na época ainda. Então, eu acho que isso hoje é... é ouro, né, cara? E eu pude jogar bolinha de gude, brincar de taco, futebol na rua, esconde-esconde até altas horas da madrugada…
Deixava minha mãe super preocupada, então minha infância foi perfeita, cara. Não tem nada do que reclamar, os meus pais me deram o melhor, mesmo não tendo muitas condições, mas na medida do possível, educação e amor, eles me deram de montão mesmo.
Uma História Marcante
“O mais louco de tudo foi quando eu cheguei, quando a gente participou do Festival de Itaúnas, que nós éramos a última banda a participar da final, depois da gente, ia entrar o Trio dos Sonhos, que era Mestre Zinho, Dió de Araújo e Dominguinhos. Então, tipo, quando eu saí do palco e entrei para o camarim, que acabou a nossa apresentação inteira, entrei no camarim, eu lidei logo com esses três monstros, assim...tá ligado? Tipo, “pau”, dei de cara assim com os caras, e eu mal conhecia, só conhecia através de ouvir nos discos, os CDs, no palco, mas não conhecia assim.
Depois ouvir dos caras que minha banda mandou bem, que eu fui muito bem, que gostaram da música... E logo em seguida, entrou João Silva também, que falou bem da música aí, aquele dia pra mim foi um dia marcante. Tipo, tava todo mundo focado numa galera que tinha tocado e tal, pá... e eu fiquei conversando com os caras ali, tipo, foi muito legal porque eu tive atenção deles todinha e eles começaram a falar comigo ali. Aquilo, para mim, foi incrível, foi tipo surreal, assim, ouvir dos caras que a minha banda era boa... Ouvir do Dominguinhos... Foi muito legal aquele dia.

Daniel Teixeira . Bicho de Pé
Daniel Teixeira | Bicho de Pé
Cidade onde nasceu: São Paulo / SP
Cidade onde vive: Sao Paulo / SP
Profissão: músico, produtor
Banda: Bicho de Pé
No Forró desde: 1995
“Forró para mim é alegria, vida, trabalho. Como músico de banda de Forró, o ritmo me proporcionou uma vida de conquistas e realizações. Com a banda Bicho de Pé, viajamos por mais de 15 países, em mais de 10 turnês internacionais. Nos concedeu encontros com grandes nomes da música brasileira sempre tocando e divulgando o Forró. Depois de uma vida de realizações, os sentimentos são de amor e gratidão.”
A Banda Bicho de Pé é uma das mais famosas do circuito do Forró Universitário, perdurando da década de 1990 até hoje com diversos sucessos. “Nosso Xote” composição de Janayna Pereira, a primeira vocalista da banda que hoje segue carreira solo. O hit chegou em terceiro lugar nas rádios e TVs do Brasil, dando uma visibilidade muito grande para a banda no cenário nacional e internacional.
O Bicho, como chamam os fãs, é uma banda eclética, que mistura MPB, rock ao Forró que toca regularmente no Canto da Ema e tem conquistado por décadas seguidores fiéis pelo mundo. Além de 10 turnês internacionais, o Bicho de Pé participou do SuperStar na TV Globo.
A história da banda começa no Roma Danças, em São Paulo, em novembro de 1998. Em menos de um ano os shows do Bicho já lotaram as casas de Forró de Pinheiros.
A banda surgiu em meados de 1996, quando Daniel Teixeira conheceu Potiguara Menezes e montou uma banda de Forró para participar de um festival de música na USP e seguiu tocando nos bailes da USP, PUC, MACKENZIE e na Casa noturna Remelexo Brasil.
Em 1998 Daniel e Potiguara convidaram Chica Brother e Janayna Pereira, que tocavam junto com Miltinho Edilberto no circuito do Forró Universitário da época, para integrarem a nova banda que foi batizada de Bicho de Pé depois que todos os integrantes descobriram que pegaram bicho-de-pé viajando para Itaúnas/ES.
Atual formação da banda é com Carla Casarim (voz) (que substituiu Janayna Pereira em 2017), Luiz Cláudio (guitarra e cavaco), Daniel Teixeira (contrabaixo e produção), Clayton Gama (acordeon), Chica Brother (zabumbatera), Blec Paulo (percussão).
Daniel Teixeira conta:
“No final dos anos 90, surgiu um movimento chamado Forró Universitário. A banda Bicho de Pé gravou a música "Nosso Xote", que fez muito sucesso neste período e a banda foi rotulada no movimento do Forró Universitário. Mas além das composições próprias da banda, exercemos um trabalho de resgate e divulgação de compositores nordestinos, tradicionais do Forró Pé-de-Serra. Minhas principais influências no Forró são Dominguinhos, Gonzaga, João do Vale, Jackson do Pandeiro, Alceu Valença, entre outros.
O Bicho de Pé é um grupo que compõe e toca música regional brasileira dançante, do norte e nordeste, como xote, baião, samba, forró, xaxado, maracatu, carimbó e arrastapé. Em 24 anos de carreira, já tocou com grandes nomes da música brasileira como: Dominguinhos, Elba Ramalho, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Fagner, Zeca Baleiro, Geraldo Azevedo, Maria Gadú, Luiza Possi, entre outros.
A banda já fez 10 turnês internacionais e já divulgaram seu trabalho na Suíça, Noruega, Alemanha, Holanda, Bélgica, Portugal, França, Itália, Finlândia, Rússia, Espanha, Áustria, Inglaterra e EUA. Na televisão, participou dos programas: SUPERSTAR, exibido pela rede Globo, Fátima Bernardes, Bem Brasil, Ensaio, Sr. Brasil, Domingo Espetacular, Metrópoles, Hebe, Raul Gil, Programa Livre e Ratinho.
O primeiro CD “Com o Pé nas Nuvens” lançou a música “Nosso Xote”, em 2001, uma das músicas mais tocadas nas rádios e televisões do Brasil. Nos CDs “Que Seja”, “A Vida Vai” e CD / DVD “Bicho de Pé 10 Anos”, o grupo contou com ilustres participações de Elba Ramalho, Dominguinhos, Chico César, Caju Castanha e Miltinho Edilberto.”
Cidade onde nasceu: São Paulo / SP
Cidade onde vive: Sao Paulo / SP
Profissão: músico, produtor
Banda: Bicho de Pé
No Forró desde: 1995
“Forró para mim é alegria, vida, trabalho. Como músico de banda de Forró, o ritmo me proporcionou uma vida de conquistas e realizações. Com a banda Bicho de Pé, viajamos por mais de 15 países, em mais de 10 turnês internacionais. Nos concedeu encontros com grandes nomes da música brasileira sempre tocando e divulgando o Forró. Depois de uma vida de realizações, os sentimentos são de amor e gratidão.”
A Banda Bicho de Pé é uma das mais famosas do circuito do Forró Universitário, perdurando da década de 1990 até hoje com diversos sucessos. “Nosso Xote” composição de Janayna Pereira, a primeira vocalista da banda que hoje segue carreira solo. O hit chegou em terceiro lugar nas rádios e TVs do Brasil, dando uma visibilidade muito grande para a banda no cenário nacional e internacional.
O Bicho, como chamam os fãs, é uma banda eclética, que mistura MPB, rock ao Forró que toca regularmente no Canto da Ema e tem conquistado por décadas seguidores fiéis pelo mundo. Além de 10 turnês internacionais, o Bicho de Pé participou do SuperStar na TV Globo.
A história da banda começa no Roma Danças, em São Paulo, em novembro de 1998. Em menos de um ano os shows do Bicho já lotaram as casas de Forró de Pinheiros.
A banda surgiu em meados de 1996, quando Daniel Teixeira conheceu Potiguara Menezes e montou uma banda de Forró para participar de um festival de música na USP e seguiu tocando nos bailes da USP, PUC, MACKENZIE e na Casa noturna Remelexo Brasil.
Em 1998 Daniel e Potiguara convidaram Chica Brother e Janayna Pereira, que tocavam junto com Miltinho Edilberto no circuito do Forró Universitário da época, para integrarem a nova banda que foi batizada de Bicho de Pé depois que todos os integrantes descobriram que pegaram bicho-de-pé viajando para Itaúnas/ES.
Atual formação da banda é com Carla Casarim (voz) (que substituiu Janayna Pereira em 2017), Luiz Cláudio (guitarra e cavaco), Daniel Teixeira (contrabaixo e produção), Clayton Gama (acordeon), Chica Brother (zabumbatera), Blec Paulo (percussão).
Daniel Teixeira conta:
“No final dos anos 90, surgiu um movimento chamado Forró Universitário. A banda Bicho de Pé gravou a música "Nosso Xote", que fez muito sucesso neste período e a banda foi rotulada no movimento do Forró Universitário. Mas além das composições próprias da banda, exercemos um trabalho de resgate e divulgação de compositores nordestinos, tradicionais do Forró Pé-de-Serra. Minhas principais influências no Forró são Dominguinhos, Gonzaga, João do Vale, Jackson do Pandeiro, Alceu Valença, entre outros.
O Bicho de Pé é um grupo que compõe e toca música regional brasileira dançante, do norte e nordeste, como xote, baião, samba, forró, xaxado, maracatu, carimbó e arrastapé. Em 24 anos de carreira, já tocou com grandes nomes da música brasileira como: Dominguinhos, Elba Ramalho, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Fagner, Zeca Baleiro, Geraldo Azevedo, Maria Gadú, Luiza Possi, entre outros.
A banda já fez 10 turnês internacionais e já divulgaram seu trabalho na Suíça, Noruega, Alemanha, Holanda, Bélgica, Portugal, França, Itália, Finlândia, Rússia, Espanha, Áustria, Inglaterra e EUA. Na televisão, participou dos programas: SUPERSTAR, exibido pela rede Globo, Fátima Bernardes, Bem Brasil, Ensaio, Sr. Brasil, Domingo Espetacular, Metrópoles, Hebe, Raul Gil, Programa Livre e Ratinho.
O primeiro CD “Com o Pé nas Nuvens” lançou a música “Nosso Xote”, em 2001, uma das músicas mais tocadas nas rádios e televisões do Brasil. Nos CDs “Que Seja”, “A Vida Vai” e CD / DVD “Bicho de Pé 10 Anos”, o grupo contou com ilustres participações de Elba Ramalho, Dominguinhos, Chico César, Caju Castanha e Miltinho Edilberto.”

Thiago Fred . BAIÃO CLUB
Thiago Fred / Baião Club
Cidade onde nasceu: São Paulo
Cidade onde mora: São Paulo
Data de Nascimento: 24/06/1983
Profissão: músico
No Forró desde: 1998
Banda: Baião Club
“O Forró é meu trabalho, minha história, minha diversão, meu ciclo de amigos, minha vida toda é ligada ao Forró. E ele me trouxe a independência e o sentimento de que meu nome está eternizado, por conta de algumas músicas e dos lugares onde essas canções chegaram, pelo mundo.”
“Sou cantor e músico, fazendo parte de vários projetos musicais, simultaneamente, atuo dentro de todas as variantes do Forró, desde as músicas mais enraizadas do lado "B", até as mais tocadas músicas das bandas mais novas do cenário musical do Forró. Minhas principais influências são: Jackson do Pandeiro, Lindú, Os Filhos do Nordeste, Falamansa, Zé Neto (Zabumbeiro).”
Thiago Fred tem um orgulho enorme de sua família, segundo ele, pessoas muito justas e honestas. Seu pai era nordestino, de Macaúbas, BA. Considera ter dois pais, pois sua mãe casou novamente, tem também uma irmã. Na infância, estudava bastante, para viajar todo final de ano e nunca tirou notas muito ruins na escola por causa disso. Quando tinha uns dez anos seu pai tentou colocá-lo para fazer aulas de violão, mas não se relacionou muito bem com as aulas. Sua paixão era andar de bicicleta e aos 12 anos começou a surfar. O amor e a paixão pela música veio muito depois deste esporte.
Em 1998, na cidade de Caraguatatuba (SP), começou a frequentar o Forró, onde morou no final de sua adolescência. Foi para São Paulo em 2001 e passou um tempo frequentando alguns Forrós e no mesmo ano, decidiu comprar uma zabumba, seu primeiro instrumento oficial. A partir daí, começou a participar de todos os ensaios da banda Xiado da Xinela, na qual entrou para tocar gaita, depois de alguns meses. Foi progredindo e passou a tocar também triângulo e percussão. Contudo, nunca parou de estudar a zabumba todos os dias, incansavelmente, até conseguir cantar e tocar zabumba na banda que mudou de nome para Forró Xiado.
O artista que mais o influenciou como músico foi o zabumbeiro Zé Neto, filho do Benício Guimarães. Foi o primeiro zabumbeiro com o qual começou a conversar e ter proximidade. Era uma pessoa extremamente humilde, que sempre dava alguma dica nos encontros que tinha com ele. Foi evoluindo no modo de aprender o instrumento e descobriu que existiam outros jeitos de tocar a zabumba.
Thiago: ”Na verdade é um grande problema de todo músico novo de uma banda obter espaço para mostrar seu trabalho, então você tem que saber se vender, vender o que você está apresentando, vender o seu serviço ou sua música pros outros. Isso é muito complicado quando você é novo. Então uma dica que eu dou pra isso, por exemplo, é que você faça amizades com as pessoas do meio. Quando você já tem uma amizade com as pessoas do meio de trabalho, no meio do Forró, tudo fica mais fácil pra você alcançar alguns palcos. Isso vai criar um uma rede de trabalho.”
O momento mais complicado da carreira Thiago foi em 2009, voltando de um show em Brasília, o ônibus em que estava viajando para São Paulo, foi sequestrado numa rodovia federal em Goiás. Bandidos tomaram o ônibus e entraram para dentro de uma estrada de terra, onde não existia sinal de celular. Armados pegaram o filho de uma de uma moça como refém, colocaram uma arma na cabeça da criança. Houve tiro, pessoas desmaiaram, teve gente que apanhou. E nesse incidente roubaram tantas coisas do ônibus que ele literalmente acabou ficando de camiseta, cueca e meias. Fora isso, conta outros problemas como de fazer shows e não receber, percalços da vida de músico.
Ao longo de seus 20 anos de carreira, fez parte de algumas bandas. Primeira banda foi em 2002, Xiado da Xinela, que depois se transformou, mesclou com o Rasta Sandália e virou Forró Xiado. Na banda Forró Xiado, em paralelo fez alguns shows com o Trio Raiz. No primeiro semestre de 2006 começou a fazer parte do Trio Alvorada, onde ficou até final de 2012. Daí em diante, assumiu carreira solo e continua até hoje, mas nesse meio tempo de 2012 pra cá fez alguns projetos com amigos, por exemplo o projeto com o Alex Corrente e Black do Acordeon que era um arrumadinho "oficial", fizeram vários festivais com essa formação. Depois disso entrou no grupo Paralelos, que é formado por Thiago Fred, Alex Corrente, Maicon Fuzuê e Piaba. Em fevereiro de 2019 montou o Baião Club, seu maior projeto, atualmente. Hoje, em atividade, sua carreira solo, o Baião Club, o Paralelos e raramente o Samba dos Forrozeiros (que foi um projeto pioneiro, juntando Forrozeiros de diversas bandas para tocar um ritmo que não fosse Forró).
Projeto musical que tem uma certa concentração atualmente é em gravar com o Baião Club, por ser uma banda que faz muitas releituras, principalmente, de Forró Universitário. Ainda não tem nenhuma gravação, nenhuma música disponível nas plataformas digitais, mas agora abriu-se uma proposta para que gravem,finalmente.
“O que eu gostaria de deixar como recado: é que os verdadeiros amantes do Forró, tanto da música, quanto da dança, do contexto cultural do Forró pesquisassem outras vertentes. Se você gosta de Forró Música, pesquise quem são as pessoas que dançam Forró, quem são as pessoas que ensinam, de onde elas vieram. Se você vem da Dança, vem das escolas de dança, das aulas de dança, pesquise sobre as bandas. Às vezes, você está ouvindo as músicas e não sabe nem de quem é a banda ou o artista da música que você adora tanto. Então pesquisar mais sobre o trabalho das bandas que tocam o Forró que você gosta de dançar. E no contexto cultural do Forró, é pra galera conhecer esse universo porque muita gente acha que o Forró tá extremamente vinculado à Festa Junina, mas na verdade, o Forró tem o seu circuito próprio, principalmente no Sudeste do Brasil e hoje em dia tem também um circuito internacional respeitado. Então, não dá mais pra falar que você é de um lado ou de outro, porque tudo isso é uma coisa só, tudo isso é um universo só. O recado que eu deixo: que as pessoas se misturem.
Forró, literalmente, é para todos, pra que todos se divirtam e todos se misturem. E obviamente, tenho as minhas músicas nas plataformas digitais, por aí no YouTube tem inúmeros trabalhos que eu já fiz pra você assistir e ouvir. Por exemplo, tem show do Baião Club completo disponível pra você ouvir no YouTube e é isso, esse é o recado que eu quero deixar pra você que é do forró, que gosta do forró de qualquer lado que o forró tenha, entenda, o Forró é um mundo redondo, ele não tem lados, tem que tá todo mundo o tempo todo se misturando.”
Releitura do texto de Mariana Gaioti enviado e autorizado por Thiago Fred
Cidade onde nasceu: São Paulo
Cidade onde mora: São Paulo
Data de Nascimento: 24/06/1983
Profissão: músico
No Forró desde: 1998
Banda: Baião Club
“O Forró é meu trabalho, minha história, minha diversão, meu ciclo de amigos, minha vida toda é ligada ao Forró. E ele me trouxe a independência e o sentimento de que meu nome está eternizado, por conta de algumas músicas e dos lugares onde essas canções chegaram, pelo mundo.”
“Sou cantor e músico, fazendo parte de vários projetos musicais, simultaneamente, atuo dentro de todas as variantes do Forró, desde as músicas mais enraizadas do lado "B", até as mais tocadas músicas das bandas mais novas do cenário musical do Forró. Minhas principais influências são: Jackson do Pandeiro, Lindú, Os Filhos do Nordeste, Falamansa, Zé Neto (Zabumbeiro).”
Thiago Fred tem um orgulho enorme de sua família, segundo ele, pessoas muito justas e honestas. Seu pai era nordestino, de Macaúbas, BA. Considera ter dois pais, pois sua mãe casou novamente, tem também uma irmã. Na infância, estudava bastante, para viajar todo final de ano e nunca tirou notas muito ruins na escola por causa disso. Quando tinha uns dez anos seu pai tentou colocá-lo para fazer aulas de violão, mas não se relacionou muito bem com as aulas. Sua paixão era andar de bicicleta e aos 12 anos começou a surfar. O amor e a paixão pela música veio muito depois deste esporte.
Em 1998, na cidade de Caraguatatuba (SP), começou a frequentar o Forró, onde morou no final de sua adolescência. Foi para São Paulo em 2001 e passou um tempo frequentando alguns Forrós e no mesmo ano, decidiu comprar uma zabumba, seu primeiro instrumento oficial. A partir daí, começou a participar de todos os ensaios da banda Xiado da Xinela, na qual entrou para tocar gaita, depois de alguns meses. Foi progredindo e passou a tocar também triângulo e percussão. Contudo, nunca parou de estudar a zabumba todos os dias, incansavelmente, até conseguir cantar e tocar zabumba na banda que mudou de nome para Forró Xiado.
O artista que mais o influenciou como músico foi o zabumbeiro Zé Neto, filho do Benício Guimarães. Foi o primeiro zabumbeiro com o qual começou a conversar e ter proximidade. Era uma pessoa extremamente humilde, que sempre dava alguma dica nos encontros que tinha com ele. Foi evoluindo no modo de aprender o instrumento e descobriu que existiam outros jeitos de tocar a zabumba.
Thiago: ”Na verdade é um grande problema de todo músico novo de uma banda obter espaço para mostrar seu trabalho, então você tem que saber se vender, vender o que você está apresentando, vender o seu serviço ou sua música pros outros. Isso é muito complicado quando você é novo. Então uma dica que eu dou pra isso, por exemplo, é que você faça amizades com as pessoas do meio. Quando você já tem uma amizade com as pessoas do meio de trabalho, no meio do Forró, tudo fica mais fácil pra você alcançar alguns palcos. Isso vai criar um uma rede de trabalho.”
O momento mais complicado da carreira Thiago foi em 2009, voltando de um show em Brasília, o ônibus em que estava viajando para São Paulo, foi sequestrado numa rodovia federal em Goiás. Bandidos tomaram o ônibus e entraram para dentro de uma estrada de terra, onde não existia sinal de celular. Armados pegaram o filho de uma de uma moça como refém, colocaram uma arma na cabeça da criança. Houve tiro, pessoas desmaiaram, teve gente que apanhou. E nesse incidente roubaram tantas coisas do ônibus que ele literalmente acabou ficando de camiseta, cueca e meias. Fora isso, conta outros problemas como de fazer shows e não receber, percalços da vida de músico.
Ao longo de seus 20 anos de carreira, fez parte de algumas bandas. Primeira banda foi em 2002, Xiado da Xinela, que depois se transformou, mesclou com o Rasta Sandália e virou Forró Xiado. Na banda Forró Xiado, em paralelo fez alguns shows com o Trio Raiz. No primeiro semestre de 2006 começou a fazer parte do Trio Alvorada, onde ficou até final de 2012. Daí em diante, assumiu carreira solo e continua até hoje, mas nesse meio tempo de 2012 pra cá fez alguns projetos com amigos, por exemplo o projeto com o Alex Corrente e Black do Acordeon que era um arrumadinho "oficial", fizeram vários festivais com essa formação. Depois disso entrou no grupo Paralelos, que é formado por Thiago Fred, Alex Corrente, Maicon Fuzuê e Piaba. Em fevereiro de 2019 montou o Baião Club, seu maior projeto, atualmente. Hoje, em atividade, sua carreira solo, o Baião Club, o Paralelos e raramente o Samba dos Forrozeiros (que foi um projeto pioneiro, juntando Forrozeiros de diversas bandas para tocar um ritmo que não fosse Forró).
Projeto musical que tem uma certa concentração atualmente é em gravar com o Baião Club, por ser uma banda que faz muitas releituras, principalmente, de Forró Universitário. Ainda não tem nenhuma gravação, nenhuma música disponível nas plataformas digitais, mas agora abriu-se uma proposta para que gravem,finalmente.
“O que eu gostaria de deixar como recado: é que os verdadeiros amantes do Forró, tanto da música, quanto da dança, do contexto cultural do Forró pesquisassem outras vertentes. Se você gosta de Forró Música, pesquise quem são as pessoas que dançam Forró, quem são as pessoas que ensinam, de onde elas vieram. Se você vem da Dança, vem das escolas de dança, das aulas de dança, pesquise sobre as bandas. Às vezes, você está ouvindo as músicas e não sabe nem de quem é a banda ou o artista da música que você adora tanto. Então pesquisar mais sobre o trabalho das bandas que tocam o Forró que você gosta de dançar. E no contexto cultural do Forró, é pra galera conhecer esse universo porque muita gente acha que o Forró tá extremamente vinculado à Festa Junina, mas na verdade, o Forró tem o seu circuito próprio, principalmente no Sudeste do Brasil e hoje em dia tem também um circuito internacional respeitado. Então, não dá mais pra falar que você é de um lado ou de outro, porque tudo isso é uma coisa só, tudo isso é um universo só. O recado que eu deixo: que as pessoas se misturem.
Forró, literalmente, é para todos, pra que todos se divirtam e todos se misturem. E obviamente, tenho as minhas músicas nas plataformas digitais, por aí no YouTube tem inúmeros trabalhos que eu já fiz pra você assistir e ouvir. Por exemplo, tem show do Baião Club completo disponível pra você ouvir no YouTube e é isso, esse é o recado que eu quero deixar pra você que é do forró, que gosta do forró de qualquer lado que o forró tenha, entenda, o Forró é um mundo redondo, ele não tem lados, tem que tá todo mundo o tempo todo se misturando.”
Releitura do texto de Mariana Gaioti enviado e autorizado por Thiago Fred

DJ Tick . FORRÓ VENENO
DJ Tick
Tiago Rossi de Aquino
Cidade onde nasceu: São Paulo
Cidade onde mora: São Paulo
Profissão: DJ
No Forró desde: 1996
Hábitos forrozeiros: Roupas - Utilizo a roupa do dia a dia mesmo. Se estiver calor bermuda e camiseta, se estiver um dia mais fresco, bermuda e camiseta também. Bebidas - Para beber sempre cerveja acompanhada eventualmente de netuno.
DJ Tick é um grande pesquisador e DJ de Forró. Frequenta o circuito de Forró desde 1996 e começou a discotecar em 2000. Foi DJ residente do KVA por 5 anos e é co-responsável pela grande discoteca digital de Forró no Forró em Vinil, onde milhares de forrozeiras e forrozeiros baixam músicas gratuitamente e recebem inúmeras matérias sobre Forró!
Um dos fundadores do Festival Rootstock, um dos maiores no gênero, e do PodBruto, um dos primeiros podcasts (se não for “o” primeiro) de Forró do mundo que se iniciou antes da moda das entrevistas na pandemia(e infelizmente parou com o Covid-19)! Todos estes projetos foram pioneiros nas suas respectivas áreas e trouxeram imensa contribuição para o universo forrozeiro enquanto pesquisa, resgate de músicos e musicistas antigas/os, e lançamento de novas músicas e bandas.
“Para mim o Forró é um estilo de vida. O forró me fez ganhar todo um novo ciclo de amizades. Estar no Forró ou envolto pelas pessoas que o forró trouxe para a minha vida é sempre um momento de muita alegria. Frequento desde 1996 e comecei a atuar como DJ em 2000. Através de colegas quando estudava no Guaracy Silveira em Pinheiros. Todas as quartas eles iam ao Projeto Equilíbrio. Em certo momento resolvi ir com eles e desde então não deixei mais de frequentar.”
Hoje com DJ atuo em duas frentes. Uma é o projeto de trazer a discotecagem em vinil, pesquisando e resgatando as origens do Forró e outra é a discotecagem através do computador, trazendo o Forró mais contemporâneo à cena. Meu processo principal acerca da discotecagem é a pesquisa, tanto de sons antigos através do vinil quanto de novidades que são lançadas dia a dia. Tento entender para qual público vou tocar nos eventos e baseado nisso, separo o material que usarei para tocar no dia. Com certeza as maiores referências que tenho no Forró são Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Dominguinhos e Mestre Zinho.
Minha história no Forró começa antes dos anos 2000, quando já frequentador assíduo, comecei a me envolver além dos bailes. Meu primeiro envolvimento foi com sites de Forró, tive o prazer de ser um “Forronauta”, grupo de forrozeiros de vários estados que se conheceram pela internet. Além de ser participante comecei a colaborar com a organização do projeto, passando em sequência a lançar um portal de Forró aqui em São Paulo, o “Forrozeiros”. Mais tarde, o site dos forrozeiros se juntou com um site de Minas Gerais e outro do Rio de Janeiro dando lugar ao “Forró Brasil”, site que cobria tudo que acontecia no forró aqui pelo Sudeste.
Quando no começo dos anos 2000 já com diversas amizades com músicos, produtores e DJs de forró comecei também a discotecar. Antes disso já tocava em banda, mas isso foi sem muita repercussão para o meu envolvimento com o Forró. Tive o enorme prazer de ser DJ residente da principal casa de Forró da época, o KVA, durante 5 anos, de 2001 até o seu fechamento.
Posso dizer que no Forró já fiz praticamente de tudo um pouco. Além das atividades já citadas acima trabalhei por um tempo com produção, sendo um dos fundadores do “Festival Rootstock”. Na área da divulgação do Forró sou também um dos fundadores do blog “Forró em Vinil”, junto com o DJ Ivan Dias. O Forró em Vinil é um blog que visa disponibilizar a discografia do Forró para que não só os djs possam ter acesso às músicas, mas sim qualquer pessoa que quiser.
Uma história muito marcante que trago do Forró é a convivência e relação que pude ter com seu Zequinha (Zequinha de Andrade). Seu Zequinha era integrante do Trio Xamego e irmão de Jonas de Andrade, cantor e criador do famoso Trio Nortista. Durante anos de convivência, cervejas e sinucas aprendi muito sobre a vida e sobre o forró com ele.
Seu Zequinha gostava muito de cantar, mas nunca tinha tido esta oportunidade. Para resolvermos isso, juntamos eu, Ivan Dias e PC que éramos integrante do 3°teto Boca Mole e resolvemos convidá-lo para fazer uma participação em nosso CD, cantando duas músicas.
Fizemos o convite e seu Zequinha ficou muito feliz, mas como a vida sempre nos prega muitas peças, quando já estávamos com a base preparada para seu Zequinha colocar a voz ele teve uma complicação de saúde e teve que ser internado. Como a vontade dele ainda era muito grande em fazer essa participação e finalmente cantar em um CD, com a autorização da diretoria do hospital conseguimos montar uma estrutura no quarto dele para que ele fizesse a gravação.
Naquele dia seu Zequinha virou a atração do hospital. Infelizmente a gravação não ficou com a qualidade que queríamos, mas mesmo assim conseguimos que a versão da música “A velha debaixo da cama” de autoria do seu irmão Jonas de Andrade entrasse como faixa bônus em nosso CD. Infelizmente no mesmo dia que recebemos a notícia que a música estava finalizada, seu Zequinha veio a falecer, sem poder assim ter escutado a sua primeira gravação como cantor. Mas foi uma honra poder realizar esta vontade de alguém que era tão querido por nós.”
Tiago Rossi de Aquino
Cidade onde nasceu: São Paulo
Cidade onde mora: São Paulo
Profissão: DJ
No Forró desde: 1996
Hábitos forrozeiros: Roupas - Utilizo a roupa do dia a dia mesmo. Se estiver calor bermuda e camiseta, se estiver um dia mais fresco, bermuda e camiseta também. Bebidas - Para beber sempre cerveja acompanhada eventualmente de netuno.
DJ Tick é um grande pesquisador e DJ de Forró. Frequenta o circuito de Forró desde 1996 e começou a discotecar em 2000. Foi DJ residente do KVA por 5 anos e é co-responsável pela grande discoteca digital de Forró no Forró em Vinil, onde milhares de forrozeiras e forrozeiros baixam músicas gratuitamente e recebem inúmeras matérias sobre Forró!
Um dos fundadores do Festival Rootstock, um dos maiores no gênero, e do PodBruto, um dos primeiros podcasts (se não for “o” primeiro) de Forró do mundo que se iniciou antes da moda das entrevistas na pandemia(e infelizmente parou com o Covid-19)! Todos estes projetos foram pioneiros nas suas respectivas áreas e trouxeram imensa contribuição para o universo forrozeiro enquanto pesquisa, resgate de músicos e musicistas antigas/os, e lançamento de novas músicas e bandas.
“Para mim o Forró é um estilo de vida. O forró me fez ganhar todo um novo ciclo de amizades. Estar no Forró ou envolto pelas pessoas que o forró trouxe para a minha vida é sempre um momento de muita alegria. Frequento desde 1996 e comecei a atuar como DJ em 2000. Através de colegas quando estudava no Guaracy Silveira em Pinheiros. Todas as quartas eles iam ao Projeto Equilíbrio. Em certo momento resolvi ir com eles e desde então não deixei mais de frequentar.”
Hoje com DJ atuo em duas frentes. Uma é o projeto de trazer a discotecagem em vinil, pesquisando e resgatando as origens do Forró e outra é a discotecagem através do computador, trazendo o Forró mais contemporâneo à cena. Meu processo principal acerca da discotecagem é a pesquisa, tanto de sons antigos através do vinil quanto de novidades que são lançadas dia a dia. Tento entender para qual público vou tocar nos eventos e baseado nisso, separo o material que usarei para tocar no dia. Com certeza as maiores referências que tenho no Forró são Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Dominguinhos e Mestre Zinho.
Minha história no Forró começa antes dos anos 2000, quando já frequentador assíduo, comecei a me envolver além dos bailes. Meu primeiro envolvimento foi com sites de Forró, tive o prazer de ser um “Forronauta”, grupo de forrozeiros de vários estados que se conheceram pela internet. Além de ser participante comecei a colaborar com a organização do projeto, passando em sequência a lançar um portal de Forró aqui em São Paulo, o “Forrozeiros”. Mais tarde, o site dos forrozeiros se juntou com um site de Minas Gerais e outro do Rio de Janeiro dando lugar ao “Forró Brasil”, site que cobria tudo que acontecia no forró aqui pelo Sudeste.
Quando no começo dos anos 2000 já com diversas amizades com músicos, produtores e DJs de forró comecei também a discotecar. Antes disso já tocava em banda, mas isso foi sem muita repercussão para o meu envolvimento com o Forró. Tive o enorme prazer de ser DJ residente da principal casa de Forró da época, o KVA, durante 5 anos, de 2001 até o seu fechamento.
Posso dizer que no Forró já fiz praticamente de tudo um pouco. Além das atividades já citadas acima trabalhei por um tempo com produção, sendo um dos fundadores do “Festival Rootstock”. Na área da divulgação do Forró sou também um dos fundadores do blog “Forró em Vinil”, junto com o DJ Ivan Dias. O Forró em Vinil é um blog que visa disponibilizar a discografia do Forró para que não só os djs possam ter acesso às músicas, mas sim qualquer pessoa que quiser.
Uma história muito marcante que trago do Forró é a convivência e relação que pude ter com seu Zequinha (Zequinha de Andrade). Seu Zequinha era integrante do Trio Xamego e irmão de Jonas de Andrade, cantor e criador do famoso Trio Nortista. Durante anos de convivência, cervejas e sinucas aprendi muito sobre a vida e sobre o forró com ele.
Seu Zequinha gostava muito de cantar, mas nunca tinha tido esta oportunidade. Para resolvermos isso, juntamos eu, Ivan Dias e PC que éramos integrante do 3°teto Boca Mole e resolvemos convidá-lo para fazer uma participação em nosso CD, cantando duas músicas.
Fizemos o convite e seu Zequinha ficou muito feliz, mas como a vida sempre nos prega muitas peças, quando já estávamos com a base preparada para seu Zequinha colocar a voz ele teve uma complicação de saúde e teve que ser internado. Como a vontade dele ainda era muito grande em fazer essa participação e finalmente cantar em um CD, com a autorização da diretoria do hospital conseguimos montar uma estrutura no quarto dele para que ele fizesse a gravação.
Naquele dia seu Zequinha virou a atração do hospital. Infelizmente a gravação não ficou com a qualidade que queríamos, mas mesmo assim conseguimos que a versão da música “A velha debaixo da cama” de autoria do seu irmão Jonas de Andrade entrasse como faixa bônus em nosso CD. Infelizmente no mesmo dia que recebemos a notícia que a música estava finalizada, seu Zequinha veio a falecer, sem poder assim ter escutado a sua primeira gravação como cantor. Mas foi uma honra poder realizar esta vontade de alguém que era tão querido por nós.”

Jonas Virgulino . DOIS DOBRADO
Jonas Virgulino, DOIS DOBRADO
Natural de Americana/SP, filho de um dos maiores músicos de Forró do Brasil: Enok Virgulino!
Jonas fala: "O Forró sempre foi um momento de alegria para minha família, desde criança dançava e cantarolava com eles. Em 2020 comecei a estudar sanfona e em meses já estava tocando nos palcos!”
O DOIS DOBRADO faz um forró bem animado que agita a pista para dançar. Formado por Marcelo Lima (Voz e Triângulo), Jonas Virgulino (Voz e Sanfona) Jorge Silva (Voz e Cavaquinho), Will Nascimento ( Voz e Zabumba), com influências como o Rock, Choro, Música Erudita carrega a essência do tradicional em uma linguagem moderna e dinâmica.
Formada em 2013, a banda participou da Virada Cultural em 2015 e 2017, foi ganhadora do Festival de MPB de Indaiatuba nos anos de 2013 e 2015, participou do programa “Bem Estar” da Rede Globo e também esteve no lançamento do filme “O Matador“ da Netflix, fez apresentações em unidades do SESC do Bom Retiro, Campinas, Santo André, Santo Amaro, Sorocaba, São Carlos, Araraquara, Bauru e Chapecó, ainda esteve nas unidades do SESI Campinas, Indaiatuba, Itu, Jundiaí, Sumaré e Santos.
Já dividiu o palco com grandes nomes da música brasileira, como Sandra de Sá, Oswaldo Montenegro, Lucy Alves, Tato (Falamansa), Bicho de Pé, Trio Virgulino, Rastapé, e já se apresentou em algumas das maiores casas de forró do país, como o Canto da Ema, Remelexo Brasil, Brasuca e CTN (Centro de Tradições Nordestinas) em São Paulo; Forró de Bamba, Roda de Forró e Quarta Democrática no Rio de Janeiro; Forró Ispilicute e Arena do Forró em Brasília; CasaduNando e Forró da Lua em Curitiba (PR); Ziriguidum e Forró no Iate em Belo Horizonte (MG); Bar Forró em Itaúnas (ES) e Forró do Ouriço em Caraíva e Coliseu do Forró (BA).
Natural de Americana/SP, filho de um dos maiores músicos de Forró do Brasil: Enok Virgulino!
Jonas fala: "O Forró sempre foi um momento de alegria para minha família, desde criança dançava e cantarolava com eles. Em 2020 comecei a estudar sanfona e em meses já estava tocando nos palcos!”
O DOIS DOBRADO faz um forró bem animado que agita a pista para dançar. Formado por Marcelo Lima (Voz e Triângulo), Jonas Virgulino (Voz e Sanfona) Jorge Silva (Voz e Cavaquinho), Will Nascimento ( Voz e Zabumba), com influências como o Rock, Choro, Música Erudita carrega a essência do tradicional em uma linguagem moderna e dinâmica.
Formada em 2013, a banda participou da Virada Cultural em 2015 e 2017, foi ganhadora do Festival de MPB de Indaiatuba nos anos de 2013 e 2015, participou do programa “Bem Estar” da Rede Globo e também esteve no lançamento do filme “O Matador“ da Netflix, fez apresentações em unidades do SESC do Bom Retiro, Campinas, Santo André, Santo Amaro, Sorocaba, São Carlos, Araraquara, Bauru e Chapecó, ainda esteve nas unidades do SESI Campinas, Indaiatuba, Itu, Jundiaí, Sumaré e Santos.
Já dividiu o palco com grandes nomes da música brasileira, como Sandra de Sá, Oswaldo Montenegro, Lucy Alves, Tato (Falamansa), Bicho de Pé, Trio Virgulino, Rastapé, e já se apresentou em algumas das maiores casas de forró do país, como o Canto da Ema, Remelexo Brasil, Brasuca e CTN (Centro de Tradições Nordestinas) em São Paulo; Forró de Bamba, Roda de Forró e Quarta Democrática no Rio de Janeiro; Forró Ispilicute e Arena do Forró em Brasília; CasaduNando e Forró da Lua em Curitiba (PR); Ziriguidum e Forró no Iate em Belo Horizonte (MG); Bar Forró em Itaúnas (ES) e Forró do Ouriço em Caraíva e Coliseu do Forró (BA).

Leo do Pandeiro
Léo Rodrigues
Natural de: São Paulo
Mora em: São Paulo
Profissão: Músico/pandeirista/frequentador do Forró
No Forró desde: 2002
Hábitos Forrozeiros: Uso roupa que ando no dia a dia. Chinelo, bermuda e camiseta. É o traje que mais uso e gosto!
“O forró é um lugar de acolhimento para mim. Um lugar que me abraça e me deixa exercer minha felicidade que é dançar. Acho que ele mexeu bastante na minha timidez. Em baladas, no geral, eu não conseguia conhecer ninguém. Acho que o forró me deu essa sensação de coragem, pois a dança em si já justifica a interação. E sinto que no meio do processo de aprender, você se conecta a pessoas que estão tendo as mesmas dificuldades. Então, o papo sobre a dança é leve, parece que você sabe o que o outro está passando; fora que o outro ama a mesma coisa que você e isso cria uma conexão imediata. Nesse sentido, ele me transformou muito, pois eu me sentia capaz de ir sozinho, capaz de me divertir. Eu era muito travado antes do forró. Consequentemente, o sentimento que ele me causa é de pura gratidão. Sinto amor e gratidão por tudo que ele me proporcionou ao longo da vida.”
“Me chamo Léo Rodrigues e toco com o Mestrinho, Mariana Aydar e Elba Ramalho. Não consigo definir um estilo. Frequento um circuito de forró que é muito comum e forte aqui no sudeste. Nesse contexto é muito comum reverenciar figuras como Luiz Gonzaga, Marinês, Dominguinhos, entre outros. Sendo assim, se pratica um tipo de forró mais conectado com o forró original, raiz. Obviamente isso se multiplicou para releituras e construções musicais mais modernas, acolhendo a história de cada artista. Com isso, tudo se fundiu e sinto que temos um forró sólido, onde se misturam, de maneira saudável, diversos tipos de conceitos como o forró pé-de-serra junto com o forró universitário, e diversos outros tipos. Eles convivem em harmonia e criam um lugar onde as pessoas se conectam para dançar e abraçam quase que um estilo de vida.
Como músico e frequentador assíduo, sinto que o forró de alguma maneira permeia a minha vida o tempo inteiro. Muitas vezes quando posso descansar, escolho destinos e viagens onde o forró é presente e por esse motivo, ele deixa de ser apenas um gênero. Entendo quando falam que é um estilo de vida, pois de fato é. Ele habita nas trilhas sonoras de momentos que vivo em minha vida pessoal. Ele esteve presente nos momentos em que conheci pessoas que convivem comigo há mais de 20 anos. Ele é palco para começo de grandes amores, inclusive foi onde conheci a pessoa com quem morei junto nos últimos 4 anos da minha vida. É a música que mais escuto, que mais gosto e que menos canso. Dentro do baile é incrível como fico bem de qualquer um dos jeitos possíveis: Fico feliz apenas olhando os outros dançarem; Fico feliz apenas escutando um show; Amo ver um artista que admiro ali debaixo do palco; Amo estar em cima do palco tocando para os outros dançarem; Amo estar na pista gastando meu chinelo; ou seja, de qualquer jeito que eu puder, eu vou estar feliz no ambiente do forró.
Minha influência real no forró foi o Festival de Forró de Itaúnas. Foi lá que percebi a grandeza que tinha o forró. E foi lá que vi de perto shows e momentos que mudaram minha percepção. Todos que ouvi e me emocionaram me influenciaram. Todos. De bandas que estavam começando a artistas consagrados. Fuba de Taperoá foi uma pessoa que muito me influenciou. Sempre chorei ouvindo ele cantar e tocar. Sempre me arrepiei com a figura dele. Dominguinhos para mim é e sempre será o maior de todos. Maior de verdade. O que mais me toca, me emociona e me inspira. Ele é tudo pra mim. Conheci e vi muito de perto também o Mestre Zinho que foi um cara que me mostrou como é possível estar sempre presente no palco. Como é possível ser sempre um cometa quando se faz o que ama. Ele é uma força da natureza que com certeza me inspirou muito.
Não posso deixar de citar grupos e artistas que cruzaram meu caminho e me impulsionaram para viver meus sonhos e de alguma maneira são grandes referências na minha vida: Forróçacana, Arleno Farias, Trio Araripe, Trio Xamego, Bando de Maria, Rastapé, Bicho de Pé, Circuladô de Fulô, Trio Virgulino, Falamansa, Pirão de Peixe, Trio Nordestino, Os Três do Nordeste, Anastácia, Janaina Pereira e muitos outros que fazem parte desse circuito do forró pé-de-serra. Eu não conheci e convivi com ele, mas é impossível eu ser ou tocar se não existisse Jackson do Pandeiro. Esse cara realmente norteou diversas escolhas na minha vida e de fato sempre foi uma referência para mim.
Eu comecei a ouvir forró quando tinha uns 16 anos dentro de casa, em 2002, pois a minha irmã era apaixonada por forró e o movimento Universitário estava com força total. Eu, no princípio, não gostava e achava chato. Lembro que uma vez minha irmã me chamou para tentar dançar com as amigas dela pois não tinha quem conduzisse e eu muito a contra gosto, fui lá servir de cobaia. Depois de um tempo tentando rodar e aprender alguma coisa eu fui convencido a ir de fato num forró que tinha ali na rua da praia de Camburi no litoral de São Paulo, onde tudo mudou.
Eu sempre fui muito careta e tímido e odiava as baladas da época. Não bebia e também nunca gostei de dançar sozinho nas festas. O forró me apresentou uma possibilidade nova onde eu dançava com alguém. E geralmente alguém que também estava aprendendo. Os papos e risadas fluíam muito e eu me sentia muito bem. Lembro de conhecer muita gente e sempre voltar feliz pra casa. Não parecia um rolê noturno. Era leve. Você conversava com as pessoas. Tudo muito novo e incrível. As músicas ficavam nas nossas cabeças e a gente ficava de dia treinando para aprender a rodar e evoluir um pouco.
Quando estava perto dos meus 17 anos conheci o forró e não tem como desligar minha adolescência toda do universo do forró. Para falar a verdade eu nunca me encaixei em outras baladas. Sou um cara que nunca bebi e nunca usei drogas. O forró me permitia conversar, dançar e fazer amigos mesmo indo sozinho na balada. Isso fez com que eu frequentasse o forró minha vida toda. Sempre gostei de viajar, botar uma mochila nas costas e sair por aí descobrindo praias, lugares e pessoas. Foi uma juventude maravilhosa que eu não trocaria nada. E sempre, sempre, sempre com o forró no meio!
Uma das coisas que não saía da minha cabeça era um lugar que aparecia em diversas músicas e chamava Itaúnas. Na época não tinha internet ou rede social. Eu acabei descobrindo que acontecia um grande festival neste lugar e consegui descobrir a data exata que ele ia acontecer. O curioso foi que eu não sabia onde era Itaúnas. Não fazia ideia em que estado essa cidade ficava. Então no dia do Festival eu tive a brilhante ideia de fazer uma mochila e ir para a rodoviária. Fiquei uns minutos perguntando nos guichês, até descobrir que a empresa São Geraldo tinha ônibus até Linhares, que era perto de Itaúnas. Comprei a passagem e no meio da viagem descobri que na verdade precisava ir pra São Mateus. Uma menina me ajudou a desenrolar com o motorista e ele deixou eu descer na cidade certa. Pegamos um ônibus pra Conceição da Barra e depois carona para Itaúnas.
Eu cheguei de madrugada, montei a barraca num terreno baldio e sai andando no breu da cidade atrás do som que eu escutava. A hora que dei de cara com a placa do Buraco do Tatu eu fiquei muito emocionado. Eu ouvia falar muito daquele lugar nas músicas. Isso foi em 2003. Eu entrei e tive uma das melhores noites de forró da minha vida. Inclusive conheci pessoas que são minhas amigas até hoje. Depois dessa aventura, quando cheguei em São Paulo comecei a ir no forró mais do que eu ia na escola. Frequentava o KVA toda segunda, terça, sexta, sábado e domingo. E ia muito no Projeto Equilíbrio. Eu vivia forró. Respirava forró. Com o tempo a dança vai melhorando e o prazer aumentando. Depois disso eu voltei em todos os próximos festivais seguidos, sem perder nenhum.
Ao mesmo tempo eu já tinha começado a tocar pandeiro e levava o pandeiro junto para essas viagens. Então eu vivia um sonho duplo, pois dançava 24 horas por dia e ao mesmo tempo fazia som com todo mundo do universo do forró. Lembro quando o Baianinho me chamou para fazer a abertura do Festival e eu nunca tinha tocado em um palco de verdade. E de repente, eu estava lá, sem ganhar um centavo, mas entrando de graça no forró e vivendo essa emoção de fazer um som pras pessoas dançarem.
Eu vivi muitas histórias marcantes no forró. Mas lembro de uma vez que o Arleno Farias me convidou para tocar com ele no show principal de Réveillon do famoso Bar do Forró em Itaúnas. Até então ia ser o maior show da minha vida e eu estava muito emocionado pois era a realização de um sonho. Sem contar que o Arleno na época estava estourado e era uma sensação no forró. Se eu não me engano isso foi em 2006 ou 2007, não lembro.
Só sei que foi tudo bem informal e ele apenas me disse para estar no camarim às 2h da manhã, pois nosso show seria por volta de 2h30, bem na noite da virada. Eu já estava há muitos dias virando noites em Itaúnas e prudentemente resolvi descansar antes desse show que era tão importante. Então quando deu umas 17h do dia 31 de dezembro, eu voltei da praia e fui tirar um cochilo até umas 23h. Aí eu poderia passar a virada na praia, descansado, e logo depois ir trabalhar e fazer o show com o Arleno Farias. Eu só sei que eu apaguei e quando eu abri os olhos e olhei no relógio eram exatamente 3h30 da manhã.
Minha alma saiu do corpo, eu fiquei desesperado, sei lá como me vesti e fui correndo para o lugar do show. Já estava preparado para ter estragado tudo. Estava em pânico. E assim que adentrei o camarim correndo o Arleno disse: “Viu um fantasma Léo?” Eu perguntei se o show já tinha acontecido e ele disse que estava tudo atrasado e que iríamos entrar em 30 minutos. Contei tudo pra eles, eles riram e consegui me acalmar para poder fazer o show. Só sei que deu tudo certo e foi uma das noites mais incríveis da minha vida, pois nunca tinha feito um show para tantas pessoas. O lugar estava lotado e logo no templo maior do forró pé-de-serra do planeta.
Paralelo às idas a Itaúnas, eu também frequentei todos os eventos de forró que houve entre 2003 e 2015. Ia de ônibus pro Forró da Melancia, acampei no primeiro Rootstock em um sítio no interior de São Paulo. Lembro que pagava 5 reais para entrar no Forró do Pelé em Caraíva quando a vila ainda nem tinha energia elétrica. Fui para o primeiro Faiscada em Brasília e, provavelmente, estava nas primeiras edições de qualquer projeto que surgiu na época, rs.
O forró é de fato um estilo de vida para mim. Hoje quando digo e sinto que tive uma vida deliciosa, uma porcentagem gigante é responsabilidade do forró. Tantas viagens, pessoas, risadas, danças. Não tem palavra que chegue perto de explicar o quanto o forró é importante na minha vida.
Em 2005 ou 2006 se não me engano, eu vivia viajando para Itaúnas, sempre grudado com o meu pandeirinho. Inclusive foi desse jeito que toquei com Mestre Zinho, Dió, Fuba de Taperoá e muitos outros. Quando o forró acabava íamos todos para os botecos tocar enlouquecidamente. Tinha também o Bar do Côco onde o forró rolava na praia durante a tarde inteira. Todos os artistas do forró passavam por lá e realmente era emocionante o som que rolava de maneira espontânea naquele lugar.
Um certo dia, quando estava amanhecendo, o Mestrinho com mais ou menos uns 15 ou 16 anos chegou junto do seu irmão Erivaldinho, grande sanfoneiro. Isso foi de manhã no meio da rua de terra, na vila de Itaúnas. Eu já estava ali com o pandeiro e não tinham outros instrumentos. Nós começamos a tocar e passamos um bom tempo ali improvisando e se divertindo. A música tem dessas coisas, de conectar você a alguém que você nem conhece direito. Assim nos conhecemos e passamos a tocar juntos ali em pequenas rodas e em encontros casuais.
No ano seguinte, ele voltou com o Trio Juriti para participar do festival. Como já tínhamos afinidade na música, ele começou a me chamar para dar canjas no show do trio. Então eu subia para tocar uma ou duas músicas e na maioria das vezes em alguma música instrumental. Assim a gente ficava mais livre para dialogar e criar na hora. Isso começou a rolar também em São Paulo!
Chegou um momento em que eu fui convidado para gravar o CD do Trio Juriti e um pouco depois o Mestrinho estava se desligando do trio para iniciar seu caminho na carreira solo. Ele montou uma pequena banda para fazer os primeiros shows. Pouco tempo depois ele me convidou para fazer um show com ele, desta vez já como Mestrinho e não mais como trio. Eu levei meu pandeiro, reco-reco e mais alguns instrumentos e o som rolou de maneira muito fluida. Foram vindo convites, até um certo momento onde sem percebermos a banda estava montada e fixa.
Isso coincidiu com um momento pessoal, quando nasceu meu filho e eu tinha optado por sair do circuito de bares aqui em São Paulo, onde tocávamos durante toda a madrugada. Era uma época em que eu queria fazer mais shows em palco e tocar com mais artistas que eu acompanhava. Lembro que foi um começo fulminante, pois em pouco tempo a banda virou uma sensação no circuito. Era uma reunião de grandes músicos. Por muito tempo o zabumbeiro da banda foi o lendário Durval Pereira que sempre foi um show à parte. Além de ser a maior referência na atualidade, ele já tocou com Sivuca, Jackson do Pandeiro, Gonzaga, Dominguinhos e quase todo mundo do universo do forró. Outra lenda também era o baixista Lau Trajano. Uma das maiores referências do forró, tendo tocado por décadas com o Mestre Dominguinhos.
Assim misturamos a juventude com a velha guarda e o forró comia solto com muito balanço e irmandade por parte de todos nós. Ao longo do tempo a banda foi se transformando, foram mudando os integrantes e até a instrumentação. Eu só sei que eu, particularmente, nunca saí e estou desde o comecinho, tendo passado por todas essas mudanças. Hoje temos na formação o Vinicinho Vim no zabumba, Elton Moraes no triângulo, Cainã Cavalcante na guitarra, Pipoquinha no baixo e eu na percussão. E claro que o grande Mestrinho no acordeon e sendo um elo gigante entre todos da banda.
Natural de: São Paulo
Mora em: São Paulo
Profissão: Músico/pandeirista/frequentador do Forró
No Forró desde: 2002
Hábitos Forrozeiros: Uso roupa que ando no dia a dia. Chinelo, bermuda e camiseta. É o traje que mais uso e gosto!
“O forró é um lugar de acolhimento para mim. Um lugar que me abraça e me deixa exercer minha felicidade que é dançar. Acho que ele mexeu bastante na minha timidez. Em baladas, no geral, eu não conseguia conhecer ninguém. Acho que o forró me deu essa sensação de coragem, pois a dança em si já justifica a interação. E sinto que no meio do processo de aprender, você se conecta a pessoas que estão tendo as mesmas dificuldades. Então, o papo sobre a dança é leve, parece que você sabe o que o outro está passando; fora que o outro ama a mesma coisa que você e isso cria uma conexão imediata. Nesse sentido, ele me transformou muito, pois eu me sentia capaz de ir sozinho, capaz de me divertir. Eu era muito travado antes do forró. Consequentemente, o sentimento que ele me causa é de pura gratidão. Sinto amor e gratidão por tudo que ele me proporcionou ao longo da vida.”
“Me chamo Léo Rodrigues e toco com o Mestrinho, Mariana Aydar e Elba Ramalho. Não consigo definir um estilo. Frequento um circuito de forró que é muito comum e forte aqui no sudeste. Nesse contexto é muito comum reverenciar figuras como Luiz Gonzaga, Marinês, Dominguinhos, entre outros. Sendo assim, se pratica um tipo de forró mais conectado com o forró original, raiz. Obviamente isso se multiplicou para releituras e construções musicais mais modernas, acolhendo a história de cada artista. Com isso, tudo se fundiu e sinto que temos um forró sólido, onde se misturam, de maneira saudável, diversos tipos de conceitos como o forró pé-de-serra junto com o forró universitário, e diversos outros tipos. Eles convivem em harmonia e criam um lugar onde as pessoas se conectam para dançar e abraçam quase que um estilo de vida.
Como músico e frequentador assíduo, sinto que o forró de alguma maneira permeia a minha vida o tempo inteiro. Muitas vezes quando posso descansar, escolho destinos e viagens onde o forró é presente e por esse motivo, ele deixa de ser apenas um gênero. Entendo quando falam que é um estilo de vida, pois de fato é. Ele habita nas trilhas sonoras de momentos que vivo em minha vida pessoal. Ele esteve presente nos momentos em que conheci pessoas que convivem comigo há mais de 20 anos. Ele é palco para começo de grandes amores, inclusive foi onde conheci a pessoa com quem morei junto nos últimos 4 anos da minha vida. É a música que mais escuto, que mais gosto e que menos canso. Dentro do baile é incrível como fico bem de qualquer um dos jeitos possíveis: Fico feliz apenas olhando os outros dançarem; Fico feliz apenas escutando um show; Amo ver um artista que admiro ali debaixo do palco; Amo estar em cima do palco tocando para os outros dançarem; Amo estar na pista gastando meu chinelo; ou seja, de qualquer jeito que eu puder, eu vou estar feliz no ambiente do forró.
Minha influência real no forró foi o Festival de Forró de Itaúnas. Foi lá que percebi a grandeza que tinha o forró. E foi lá que vi de perto shows e momentos que mudaram minha percepção. Todos que ouvi e me emocionaram me influenciaram. Todos. De bandas que estavam começando a artistas consagrados. Fuba de Taperoá foi uma pessoa que muito me influenciou. Sempre chorei ouvindo ele cantar e tocar. Sempre me arrepiei com a figura dele. Dominguinhos para mim é e sempre será o maior de todos. Maior de verdade. O que mais me toca, me emociona e me inspira. Ele é tudo pra mim. Conheci e vi muito de perto também o Mestre Zinho que foi um cara que me mostrou como é possível estar sempre presente no palco. Como é possível ser sempre um cometa quando se faz o que ama. Ele é uma força da natureza que com certeza me inspirou muito.
Não posso deixar de citar grupos e artistas que cruzaram meu caminho e me impulsionaram para viver meus sonhos e de alguma maneira são grandes referências na minha vida: Forróçacana, Arleno Farias, Trio Araripe, Trio Xamego, Bando de Maria, Rastapé, Bicho de Pé, Circuladô de Fulô, Trio Virgulino, Falamansa, Pirão de Peixe, Trio Nordestino, Os Três do Nordeste, Anastácia, Janaina Pereira e muitos outros que fazem parte desse circuito do forró pé-de-serra. Eu não conheci e convivi com ele, mas é impossível eu ser ou tocar se não existisse Jackson do Pandeiro. Esse cara realmente norteou diversas escolhas na minha vida e de fato sempre foi uma referência para mim.
Eu comecei a ouvir forró quando tinha uns 16 anos dentro de casa, em 2002, pois a minha irmã era apaixonada por forró e o movimento Universitário estava com força total. Eu, no princípio, não gostava e achava chato. Lembro que uma vez minha irmã me chamou para tentar dançar com as amigas dela pois não tinha quem conduzisse e eu muito a contra gosto, fui lá servir de cobaia. Depois de um tempo tentando rodar e aprender alguma coisa eu fui convencido a ir de fato num forró que tinha ali na rua da praia de Camburi no litoral de São Paulo, onde tudo mudou.
Eu sempre fui muito careta e tímido e odiava as baladas da época. Não bebia e também nunca gostei de dançar sozinho nas festas. O forró me apresentou uma possibilidade nova onde eu dançava com alguém. E geralmente alguém que também estava aprendendo. Os papos e risadas fluíam muito e eu me sentia muito bem. Lembro de conhecer muita gente e sempre voltar feliz pra casa. Não parecia um rolê noturno. Era leve. Você conversava com as pessoas. Tudo muito novo e incrível. As músicas ficavam nas nossas cabeças e a gente ficava de dia treinando para aprender a rodar e evoluir um pouco.
Quando estava perto dos meus 17 anos conheci o forró e não tem como desligar minha adolescência toda do universo do forró. Para falar a verdade eu nunca me encaixei em outras baladas. Sou um cara que nunca bebi e nunca usei drogas. O forró me permitia conversar, dançar e fazer amigos mesmo indo sozinho na balada. Isso fez com que eu frequentasse o forró minha vida toda. Sempre gostei de viajar, botar uma mochila nas costas e sair por aí descobrindo praias, lugares e pessoas. Foi uma juventude maravilhosa que eu não trocaria nada. E sempre, sempre, sempre com o forró no meio!
Uma das coisas que não saía da minha cabeça era um lugar que aparecia em diversas músicas e chamava Itaúnas. Na época não tinha internet ou rede social. Eu acabei descobrindo que acontecia um grande festival neste lugar e consegui descobrir a data exata que ele ia acontecer. O curioso foi que eu não sabia onde era Itaúnas. Não fazia ideia em que estado essa cidade ficava. Então no dia do Festival eu tive a brilhante ideia de fazer uma mochila e ir para a rodoviária. Fiquei uns minutos perguntando nos guichês, até descobrir que a empresa São Geraldo tinha ônibus até Linhares, que era perto de Itaúnas. Comprei a passagem e no meio da viagem descobri que na verdade precisava ir pra São Mateus. Uma menina me ajudou a desenrolar com o motorista e ele deixou eu descer na cidade certa. Pegamos um ônibus pra Conceição da Barra e depois carona para Itaúnas.
Eu cheguei de madrugada, montei a barraca num terreno baldio e sai andando no breu da cidade atrás do som que eu escutava. A hora que dei de cara com a placa do Buraco do Tatu eu fiquei muito emocionado. Eu ouvia falar muito daquele lugar nas músicas. Isso foi em 2003. Eu entrei e tive uma das melhores noites de forró da minha vida. Inclusive conheci pessoas que são minhas amigas até hoje. Depois dessa aventura, quando cheguei em São Paulo comecei a ir no forró mais do que eu ia na escola. Frequentava o KVA toda segunda, terça, sexta, sábado e domingo. E ia muito no Projeto Equilíbrio. Eu vivia forró. Respirava forró. Com o tempo a dança vai melhorando e o prazer aumentando. Depois disso eu voltei em todos os próximos festivais seguidos, sem perder nenhum.
Ao mesmo tempo eu já tinha começado a tocar pandeiro e levava o pandeiro junto para essas viagens. Então eu vivia um sonho duplo, pois dançava 24 horas por dia e ao mesmo tempo fazia som com todo mundo do universo do forró. Lembro quando o Baianinho me chamou para fazer a abertura do Festival e eu nunca tinha tocado em um palco de verdade. E de repente, eu estava lá, sem ganhar um centavo, mas entrando de graça no forró e vivendo essa emoção de fazer um som pras pessoas dançarem.
Eu vivi muitas histórias marcantes no forró. Mas lembro de uma vez que o Arleno Farias me convidou para tocar com ele no show principal de Réveillon do famoso Bar do Forró em Itaúnas. Até então ia ser o maior show da minha vida e eu estava muito emocionado pois era a realização de um sonho. Sem contar que o Arleno na época estava estourado e era uma sensação no forró. Se eu não me engano isso foi em 2006 ou 2007, não lembro.
Só sei que foi tudo bem informal e ele apenas me disse para estar no camarim às 2h da manhã, pois nosso show seria por volta de 2h30, bem na noite da virada. Eu já estava há muitos dias virando noites em Itaúnas e prudentemente resolvi descansar antes desse show que era tão importante. Então quando deu umas 17h do dia 31 de dezembro, eu voltei da praia e fui tirar um cochilo até umas 23h. Aí eu poderia passar a virada na praia, descansado, e logo depois ir trabalhar e fazer o show com o Arleno Farias. Eu só sei que eu apaguei e quando eu abri os olhos e olhei no relógio eram exatamente 3h30 da manhã.
Minha alma saiu do corpo, eu fiquei desesperado, sei lá como me vesti e fui correndo para o lugar do show. Já estava preparado para ter estragado tudo. Estava em pânico. E assim que adentrei o camarim correndo o Arleno disse: “Viu um fantasma Léo?” Eu perguntei se o show já tinha acontecido e ele disse que estava tudo atrasado e que iríamos entrar em 30 minutos. Contei tudo pra eles, eles riram e consegui me acalmar para poder fazer o show. Só sei que deu tudo certo e foi uma das noites mais incríveis da minha vida, pois nunca tinha feito um show para tantas pessoas. O lugar estava lotado e logo no templo maior do forró pé-de-serra do planeta.
Paralelo às idas a Itaúnas, eu também frequentei todos os eventos de forró que houve entre 2003 e 2015. Ia de ônibus pro Forró da Melancia, acampei no primeiro Rootstock em um sítio no interior de São Paulo. Lembro que pagava 5 reais para entrar no Forró do Pelé em Caraíva quando a vila ainda nem tinha energia elétrica. Fui para o primeiro Faiscada em Brasília e, provavelmente, estava nas primeiras edições de qualquer projeto que surgiu na época, rs.
O forró é de fato um estilo de vida para mim. Hoje quando digo e sinto que tive uma vida deliciosa, uma porcentagem gigante é responsabilidade do forró. Tantas viagens, pessoas, risadas, danças. Não tem palavra que chegue perto de explicar o quanto o forró é importante na minha vida.
Em 2005 ou 2006 se não me engano, eu vivia viajando para Itaúnas, sempre grudado com o meu pandeirinho. Inclusive foi desse jeito que toquei com Mestre Zinho, Dió, Fuba de Taperoá e muitos outros. Quando o forró acabava íamos todos para os botecos tocar enlouquecidamente. Tinha também o Bar do Côco onde o forró rolava na praia durante a tarde inteira. Todos os artistas do forró passavam por lá e realmente era emocionante o som que rolava de maneira espontânea naquele lugar.
Um certo dia, quando estava amanhecendo, o Mestrinho com mais ou menos uns 15 ou 16 anos chegou junto do seu irmão Erivaldinho, grande sanfoneiro. Isso foi de manhã no meio da rua de terra, na vila de Itaúnas. Eu já estava ali com o pandeiro e não tinham outros instrumentos. Nós começamos a tocar e passamos um bom tempo ali improvisando e se divertindo. A música tem dessas coisas, de conectar você a alguém que você nem conhece direito. Assim nos conhecemos e passamos a tocar juntos ali em pequenas rodas e em encontros casuais.
No ano seguinte, ele voltou com o Trio Juriti para participar do festival. Como já tínhamos afinidade na música, ele começou a me chamar para dar canjas no show do trio. Então eu subia para tocar uma ou duas músicas e na maioria das vezes em alguma música instrumental. Assim a gente ficava mais livre para dialogar e criar na hora. Isso começou a rolar também em São Paulo!
Chegou um momento em que eu fui convidado para gravar o CD do Trio Juriti e um pouco depois o Mestrinho estava se desligando do trio para iniciar seu caminho na carreira solo. Ele montou uma pequena banda para fazer os primeiros shows. Pouco tempo depois ele me convidou para fazer um show com ele, desta vez já como Mestrinho e não mais como trio. Eu levei meu pandeiro, reco-reco e mais alguns instrumentos e o som rolou de maneira muito fluida. Foram vindo convites, até um certo momento onde sem percebermos a banda estava montada e fixa.
Isso coincidiu com um momento pessoal, quando nasceu meu filho e eu tinha optado por sair do circuito de bares aqui em São Paulo, onde tocávamos durante toda a madrugada. Era uma época em que eu queria fazer mais shows em palco e tocar com mais artistas que eu acompanhava. Lembro que foi um começo fulminante, pois em pouco tempo a banda virou uma sensação no circuito. Era uma reunião de grandes músicos. Por muito tempo o zabumbeiro da banda foi o lendário Durval Pereira que sempre foi um show à parte. Além de ser a maior referência na atualidade, ele já tocou com Sivuca, Jackson do Pandeiro, Gonzaga, Dominguinhos e quase todo mundo do universo do forró. Outra lenda também era o baixista Lau Trajano. Uma das maiores referências do forró, tendo tocado por décadas com o Mestre Dominguinhos.
Assim misturamos a juventude com a velha guarda e o forró comia solto com muito balanço e irmandade por parte de todos nós. Ao longo do tempo a banda foi se transformando, foram mudando os integrantes e até a instrumentação. Eu só sei que eu, particularmente, nunca saí e estou desde o comecinho, tendo passado por todas essas mudanças. Hoje temos na formação o Vinicinho Vim no zabumba, Elton Moraes no triângulo, Cainã Cavalcante na guitarra, Pipoquinha no baixo e eu na percussão. E claro que o grande Mestrinho no acordeon e sendo um elo gigante entre todos da banda.

Lukinhas Almeida . BASTIÃO
Lukinhas Almeida | Bastião
Natural de: São Paulo/SP
Mora em: São Paulo/SP
Profissão: músico, produtor
Banda: Bastião
Data de Nascimento:
No Forró desde: Frequento desde 2000, atuo desde 2003!
Hábitos: A roupa que me deixe bem, nao tenho estilo! Bebida geralmente é cerveja.
Vertentes do Forró que atua: Atuo no Forró "sudestino" . Pé-de- serra e o Urbano, pois a minha escola é o Forró Tradicional pé-de-serra, mas meu cenário é o do Forró do sudeste, que de repente nessa mescla que se tornou o Forró Urbano!
“O Forró pra mim, é diversão, trabalho, terapia. Virei frequentador do Forró muito cedo, apesar da idade, já estou no Forró há 20 anos. Forró pra mim é referência para quase tudo. Foi nele que fiz grandes amigos, onde realizei sonhos e até encontrei uma parceira para seguir ao meu lado na vida. Então basicamente o Forró pra mim é tudo!
O Forró trouxe para minha vida um ofício, uma profissão. Hoje posso bater no peito e dizer que sou músico graças ao Forró. Os sentimentos são vários, mas o de alegria quase sempre é o que impera!”
Minha rotina que tem a maior demanda é como produtor da minha banda! Que consiste em criar conteúdo, sejam eles digitais ou fonográficos. Responder e entrar em contato com outros produtores para gerir a agenda da banda! Meus mestres foram: Luiz Gonzaga e Dominguinhos, sem dúvida, por toda a sua grandeza. Mas quem me levou até eles foram, Falamansa, Caiana, Peixelétrico. Daí então conheci Trio Forrozão, Trio Sabiá, Trio Virgulino e segui na trilha desses grandes mestres.
Minha infância foi boa , mas não muito longa. Aos 14 já tive que ir atrás de trabalho pra poder ajudar em casa. Mudei várias vezes de escola, e por conta de tanta mudança, acho que facilitou para que eu não tivesse medo de pessoas (público), logo tão pouco medo dos palcos aprendi a socializar rápido. Aos 16 já dividia meu tempo em um trabalho meio período pela manhã, estudar à tarde e tocar à noite. E assim foi durante 5 anos, até o ponto onde nada mais era possível fazer além da música!
Eu acho que dessa minha vida inteira, eu acho que uma das histórias mais marcantes, sem dúvida é do Festival de Itaúnas, a gente competiu no Festival de 2010. Até então, eu já conhecia Itaúnas nos vídeos e nas fotos, nos comentários, nem tanto vídeo, nem tanta foto, porque nessa época não era tão comum assim, ter uma câmera no bolso.
Mas, uma coisa que eu tinha para mim era é que: a primeira vez que eu fosse para Itaúnas, tinha que ser para competir, tinha que ser para ir para o Festival.E foi assim que eu vivi durante uns 3, 4 anos eu acho que era 2006, 2007, quando comecei a tocar muito, quando o Forró foi tomando conta de quase toda minha vida. Não tinha tempo pra quase nada e aí surgiu essa história de Itaúnas. Eu falei, não, só vou pra lá quando eu for competir e tiver uma banda para competir.
E em 2010, fui e acabei ganhando o Festival, né? O Bastião acabou ganhando a taça lá, e o dia da apresentação foi algo assim, maravilhoso, porque tinham três bandas de São Paulo, mas só uma tinha o nome de trio, né? que começava com trio, que era Trio Bastião na época, as outras bandas não tinham. Eu lembro que o Coisa de Zé tava participando, tinha uma outra, acho que Os Três Maria, e aí, quando foi os, a sexta-feira, não foi no sábado, que eles apresentam o campeão, apresentaram o terceiro lugar, a gente, “Puta, não falou nosso nome”, né? Apresentaram o segundo lugar, a gente, “Poxa, valeu, né? Competimos, isso é importante” Aí, quando ele falou, “Em primeiro lugar ‘Trio’...” na verdade, ele falou, “Em primeiro lugar, de São Paulo, ‘Trio’” aí já foi, a gente já sabia que era a gente.
Foi um mar de gente pulando, gente gritando, chorando, né? Porque o Bastião tava na formação original, então tava eu, Timba, Betão, Chan e aí, de repente, Itaúnas inteira, assim, nego que eu nunca vi na vida, me abraçando, chorando, e ver o sonho ser realizado foi maravilhoso, né?
Eu pedi as contas do trabalho, pra poder participar deste Festival, se eu não tivesse ganhado, a minha vida com certeza estaria sem prumo. E aí, graças a esse título, a gente conseguiu, não, a gente só tinha o Forró pra viver, assim, não daria para fazer mais nada, era gente do Rio, de São Paulo, de Minas Gerais, do Espírito Santo e isso foi se estendendo a outras cidades, depois de outras cidades, países e aí o Bastião já rodou por mais de 15 países nesse mundo afora e poxa, acho que a mais marcante mesmo foi essa, de chegar lá e ser esse campeão.
Bom, vamos lá, a minha história no Forró, a minha história no Forró, ela é bem antiga, apesar de eu ser novo, né? Eu tenho 33 anos, mas eu já escuto e vou ao Forró desde dos meus 12 anos, então a gente já tá indo para 21 anos de forró. E a minha, começou com um primo meu, esse primo, eu sempre ia para casa dele, né? Eu sempre passava as férias de Julho na casa dele e aí ele tocava violão, tal, tinha a galera, ele morava no condomínio. Esse condomínio era muito bacana, assim, e aí apareceu essa onda do Forró né, e como ele é mais velho, era jovem eu era uma criança, ele jovem, então, ele ficou sabendo, através de amigos também, começou a curtir o Forró.
Resolveram montar uma bandinha de Forró, porque ele tocava violão, aí tem um outro amigo também tocava violão e mais um outro amigo que fazia barulho e resolveu montar uma banda de Forró. Só que antes de eles montarem essa banda, já tocavam Forró porque ele tinha um violão, um amigo tinha um triângulo, só que não existia o zabumba ainda, na época, a gente fazia o Forró com o Tantan, que foi até onde eu aprendi assim, os primeiros toques de zabumba, foi um Tantan, né, porque você tem a lateral grave, né, a pele grave, na lateral você consegue som agudo, né? E aí foi onde eu aprendi tocar zabumba.
E aí, quando a gente resolveu montar essa banda, os caras falaram, “Meu, não tenho zabumba.” Eu falei:“Cara se eu comprar a zabumba, eu posso entrar na banda?” “Demorou. Se você comprar a zabumba, você entrou na banda.” E aí meu pai foi, comprou a zabumba e tal, só que era muito grande essa zabumba pra mim, né? Já não sou lá, um rapaz tão alto, e aí com 12 anos eu ganhei uma zabumba aro 20, muito pesada, muito difícil e nessa época a gente não entendia nada de correia, de baqueta, de nada, a gente fazia tudo como a gente achava que era, via fotos, né? Porque também não tinha muito arquivo, muita coisa para tentar copiar.
E aí, eu não conseguia segurar essa zabumbão o show todo, porque era muito grande, muito pesada, acabei que eu saí da zabumba e fui trocar triângulo. Fiquei tocando triângulo nessa banda um tempinho, mas eu era muito novo, então era meio que o mascote da banda. Aí o rapaz seguiu tocando a zabumba, eu tocava o triângulo de vez em quando, nem todos os shows e tal, mas aprendi a tocar e tinha a zabumba.
Passaram uns três quatro anos depois disso, só curtindo o Forró, só vendo os meninos tocarem, pintou uma outra banda, assim, num site. Na época, chamava Palco MP3. Esse Palco MP3, ele tinha um link que era como se fosse uma rede social de músicos. Eu conheci aí outros músicos também, que tinham uma banda de Forró e precisavam de alguém na guitarra, e nessa época, eu já tinha aprendido a tocar guitarra.
E eu cheguei lá no ensaio deles, só que nessa época não era, a comunicação não era tão, né, online assim, na hora você responde. E aí, essa galera brigou na semana, esse cara fez o post, queria um guitarrista, no final de semana, era o ensaio, quando eu cheguei lá, eles já tinham feito as pazes com guitarrista antigo. O guitarrista tocando e tal, só que o zabumbeiro faltou e a zabumba do cara tava lá. E eu falei, perguntei pros caras lá, “Se você quiserem, eu posso fazer um som aí, só para vocês ensaiarem.” No final da terceira música, eles já falaram, “Meu, entra pra nossa banda, a gente vai tirar o zabumbeiro, ele falta muito.”
Aí, beleza, acabei entrando para zabumba, essa banda durou seis meses. Arrumei uma outra banda pra tocar minha guitarra, né? Porque eu queria tocar guitarra. Entrei pra essa outra banda, ensaiamos e tal, aí no primeiro show, o zabumbeiro faltou, eu tive que fazer o zabumba... falei, beleza. Aí saiu o zabumbeiro e o violeiro da banda, a gente conseguiu contratar uma outra pessoa para tocar zabumba também, eu sei que essa outra pessoa desistiu de tocar a zabumba e acabou que eu fui pra zabumba e essa foi, foi a minha história assim, a zabumba me escolheu, eu tentei fugir dela algumas vezes, no final das contas, ela sobrou para mim, eu falei, bom, se é para ser assim, então, que assim seja. E aí, tô eu carregando a zabumba no peito há 21 anos.
Bom, a minha banda, ela surgiu em abril de 2010, né? Foi quando a gente afirmou “vamos tocar, Bastião vai tocar”. E aí, quem idealizou essa banda foi o Tinga, né? Foi o primeiro sanfoneiro da banda. Ele veio, ele é da Bahia, veio para São Paulo com uma outra banda. Ele veio para São Paulo com Trio Aratu, e no Trio Aratu o vocalista já era o Chan. Que foi vocalista por muito tempo também do Bastião. O Trio Aratu, tentou uma vida por aqui, mas não deu muito certo, os meninos desanimaram, o Guilhermino Ramos e o Mateus também faziam parte da banda.
E, esses dois, hoje em dia, tão lá em Londres, estão fazendo Forró também, é o Forró de Bamba, os meninos tão muito bem... Na época, em 2010, eles voltaram pra Bahia: “Vou voltar pra lá, porque aqui não deu, deixa para lá” E o Timba ficou aqui sozinho, abandonado e o Chan com as malas para ir pra Bahia também. E ele tentou convencer o Chan e tal, a entrar para banda, né, na época ele tava meio, meio resistente, porque tava meio desacreditado, né?
E aí, a gente acabou se conhecendo através de um amigo, Paulinho Sacolejada, foi que indicou meu telefone pro Timba, ele me ligou, falou se não podia encontrar com ele pra conversar...Falei, “Pô, encontro, sim, vamos marcar um dia.” Aí, marcamos um dia pra sentar e conversar. Cheguei lá sem a zabumba, porque ele marcou pra conversar, não pra ensaiar , nem tocar, nem mostrar o que eu sabia.... Cheguei lá sem zabumba, ele falou, “pô, mas veio sem zabumba” falei, “Cara, você me chamou pra conversar, né, não foi pra tocar vamos, vamos conversar e tal.” Então, ele acabou pegando a sanfona, eu fiz um som, eu toquei na mesa de centro dele lá, não tinha zabumba, foi assim que eu consegui passar na prova pra entrar no Bastião, tocando na mesa de centro. E nesse dia, eu falei com ele, eu falei, “Cara, eu entro pra sua banda, mas só, se você... se for pra competir em Itaúnas porque, por aqui por São Paulo, já tentei de tudo e o negócio é ir para lá, porque se for pra ficar rodando por aqui de novo, eu, eu tô de boa…
Ele falou não, a minha intenção é essa mesmo, eu quero ir pra Itaúnas, quero competir”. Falei, “Demorou então”. E aí, na época, o Chan ainda nem tava firme, na época eu ia cantar e mais uma outra menina, que eu não me recordo o nome dela agora, então ia ser eu, essa outra menina, porque o Chan tava de saída, né? E o Betão no Triângulo. E aí, o Chan pensou melhor, resolveu ficar, essa menina acabou que não ficou também, porque ela é vocalista, né? Como o Chan resolveu ficar, ele falou, não, então ela falou, “não, então beleza, segue aí vocês, que eu vou fazer outra coisa então”. E a gente seguiu com o Bastião. E aí, foi para Itaúnas, isso era em foi em abril, né? Tudo aconteceu em abril, maio, julho a gente tava no Festival em Itaúnas e acabamos ganhando a parada e tal e foi onde, foi o pontapé para a gente poder seguir com a banda, né?
As pessoas todas adoraram, a banda tinha uma energia muito boa, o Chan também tinha uma presença de palco que não era normal no Forró. Então isso foi cativando e contagiando muito rápido as pessoas. É tanto que, em Itaúnas quase sempre tem um burburinho, quando ganha um, quando ganha outro, sempre tem, ah mas fulano era melhor, ciclano era melhor e o nosso ano foi um ano de não ter essa discussão. Eu sou muito feliz por isso, porque, porque a gente conseguiu ganhar sem ajuda de ninguém, até então, eu achava que Itaúnas era uma coisa é meio que armada. E meu, a gente chegou lá sem conhecer ninguém, perdidos, nem o povo de São Paulo conhecia a gente e aí ganhamos o Festival.
E, o que a gente resolveu fazer foi que todo show que a gente subisse teria que ser igual a Itaúnas, por isso que fomos cativando e ganhando mais público. Já são 12 anos de banda, hoje em dia, a formação é totalmente diferente, eu sou o único que ainda resisto, desde aquela época, né?
E hoje em dia, sou eu quem canto, hoje a banda tem uma outra cara, uma outra forma, mas acredito eu, que siga com qualidade, porque a gente segue tocando por aí afora, as pessoas chamando e voltando nos lugares e o Bastião é isso, a gente nasceu pra poder fazer Forró pro povo se alegrar, seja onde for, seja um ou seja mil, a gente faz o Forró pro povo curtir.
Natural de: São Paulo/SP
Mora em: São Paulo/SP
Profissão: músico, produtor
Banda: Bastião
Data de Nascimento:
No Forró desde: Frequento desde 2000, atuo desde 2003!
Hábitos: A roupa que me deixe bem, nao tenho estilo! Bebida geralmente é cerveja.
Vertentes do Forró que atua: Atuo no Forró "sudestino" . Pé-de- serra e o Urbano, pois a minha escola é o Forró Tradicional pé-de-serra, mas meu cenário é o do Forró do sudeste, que de repente nessa mescla que se tornou o Forró Urbano!
“O Forró pra mim, é diversão, trabalho, terapia. Virei frequentador do Forró muito cedo, apesar da idade, já estou no Forró há 20 anos. Forró pra mim é referência para quase tudo. Foi nele que fiz grandes amigos, onde realizei sonhos e até encontrei uma parceira para seguir ao meu lado na vida. Então basicamente o Forró pra mim é tudo!
O Forró trouxe para minha vida um ofício, uma profissão. Hoje posso bater no peito e dizer que sou músico graças ao Forró. Os sentimentos são vários, mas o de alegria quase sempre é o que impera!”
Minha rotina que tem a maior demanda é como produtor da minha banda! Que consiste em criar conteúdo, sejam eles digitais ou fonográficos. Responder e entrar em contato com outros produtores para gerir a agenda da banda! Meus mestres foram: Luiz Gonzaga e Dominguinhos, sem dúvida, por toda a sua grandeza. Mas quem me levou até eles foram, Falamansa, Caiana, Peixelétrico. Daí então conheci Trio Forrozão, Trio Sabiá, Trio Virgulino e segui na trilha desses grandes mestres.
Minha infância foi boa , mas não muito longa. Aos 14 já tive que ir atrás de trabalho pra poder ajudar em casa. Mudei várias vezes de escola, e por conta de tanta mudança, acho que facilitou para que eu não tivesse medo de pessoas (público), logo tão pouco medo dos palcos aprendi a socializar rápido. Aos 16 já dividia meu tempo em um trabalho meio período pela manhã, estudar à tarde e tocar à noite. E assim foi durante 5 anos, até o ponto onde nada mais era possível fazer além da música!
Eu acho que dessa minha vida inteira, eu acho que uma das histórias mais marcantes, sem dúvida é do Festival de Itaúnas, a gente competiu no Festival de 2010. Até então, eu já conhecia Itaúnas nos vídeos e nas fotos, nos comentários, nem tanto vídeo, nem tanta foto, porque nessa época não era tão comum assim, ter uma câmera no bolso.
Mas, uma coisa que eu tinha para mim era é que: a primeira vez que eu fosse para Itaúnas, tinha que ser para competir, tinha que ser para ir para o Festival.E foi assim que eu vivi durante uns 3, 4 anos eu acho que era 2006, 2007, quando comecei a tocar muito, quando o Forró foi tomando conta de quase toda minha vida. Não tinha tempo pra quase nada e aí surgiu essa história de Itaúnas. Eu falei, não, só vou pra lá quando eu for competir e tiver uma banda para competir.
E em 2010, fui e acabei ganhando o Festival, né? O Bastião acabou ganhando a taça lá, e o dia da apresentação foi algo assim, maravilhoso, porque tinham três bandas de São Paulo, mas só uma tinha o nome de trio, né? que começava com trio, que era Trio Bastião na época, as outras bandas não tinham. Eu lembro que o Coisa de Zé tava participando, tinha uma outra, acho que Os Três Maria, e aí, quando foi os, a sexta-feira, não foi no sábado, que eles apresentam o campeão, apresentaram o terceiro lugar, a gente, “Puta, não falou nosso nome”, né? Apresentaram o segundo lugar, a gente, “Poxa, valeu, né? Competimos, isso é importante” Aí, quando ele falou, “Em primeiro lugar ‘Trio’...” na verdade, ele falou, “Em primeiro lugar, de São Paulo, ‘Trio’” aí já foi, a gente já sabia que era a gente.
Foi um mar de gente pulando, gente gritando, chorando, né? Porque o Bastião tava na formação original, então tava eu, Timba, Betão, Chan e aí, de repente, Itaúnas inteira, assim, nego que eu nunca vi na vida, me abraçando, chorando, e ver o sonho ser realizado foi maravilhoso, né?
Eu pedi as contas do trabalho, pra poder participar deste Festival, se eu não tivesse ganhado, a minha vida com certeza estaria sem prumo. E aí, graças a esse título, a gente conseguiu, não, a gente só tinha o Forró pra viver, assim, não daria para fazer mais nada, era gente do Rio, de São Paulo, de Minas Gerais, do Espírito Santo e isso foi se estendendo a outras cidades, depois de outras cidades, países e aí o Bastião já rodou por mais de 15 países nesse mundo afora e poxa, acho que a mais marcante mesmo foi essa, de chegar lá e ser esse campeão.
Bom, vamos lá, a minha história no Forró, a minha história no Forró, ela é bem antiga, apesar de eu ser novo, né? Eu tenho 33 anos, mas eu já escuto e vou ao Forró desde dos meus 12 anos, então a gente já tá indo para 21 anos de forró. E a minha, começou com um primo meu, esse primo, eu sempre ia para casa dele, né? Eu sempre passava as férias de Julho na casa dele e aí ele tocava violão, tal, tinha a galera, ele morava no condomínio. Esse condomínio era muito bacana, assim, e aí apareceu essa onda do Forró né, e como ele é mais velho, era jovem eu era uma criança, ele jovem, então, ele ficou sabendo, através de amigos também, começou a curtir o Forró.
Resolveram montar uma bandinha de Forró, porque ele tocava violão, aí tem um outro amigo também tocava violão e mais um outro amigo que fazia barulho e resolveu montar uma banda de Forró. Só que antes de eles montarem essa banda, já tocavam Forró porque ele tinha um violão, um amigo tinha um triângulo, só que não existia o zabumba ainda, na época, a gente fazia o Forró com o Tantan, que foi até onde eu aprendi assim, os primeiros toques de zabumba, foi um Tantan, né, porque você tem a lateral grave, né, a pele grave, na lateral você consegue som agudo, né? E aí foi onde eu aprendi tocar zabumba.
E aí, quando a gente resolveu montar essa banda, os caras falaram, “Meu, não tenho zabumba.” Eu falei:“Cara se eu comprar a zabumba, eu posso entrar na banda?” “Demorou. Se você comprar a zabumba, você entrou na banda.” E aí meu pai foi, comprou a zabumba e tal, só que era muito grande essa zabumba pra mim, né? Já não sou lá, um rapaz tão alto, e aí com 12 anos eu ganhei uma zabumba aro 20, muito pesada, muito difícil e nessa época a gente não entendia nada de correia, de baqueta, de nada, a gente fazia tudo como a gente achava que era, via fotos, né? Porque também não tinha muito arquivo, muita coisa para tentar copiar.
E aí, eu não conseguia segurar essa zabumbão o show todo, porque era muito grande, muito pesada, acabei que eu saí da zabumba e fui trocar triângulo. Fiquei tocando triângulo nessa banda um tempinho, mas eu era muito novo, então era meio que o mascote da banda. Aí o rapaz seguiu tocando a zabumba, eu tocava o triângulo de vez em quando, nem todos os shows e tal, mas aprendi a tocar e tinha a zabumba.
Passaram uns três quatro anos depois disso, só curtindo o Forró, só vendo os meninos tocarem, pintou uma outra banda, assim, num site. Na época, chamava Palco MP3. Esse Palco MP3, ele tinha um link que era como se fosse uma rede social de músicos. Eu conheci aí outros músicos também, que tinham uma banda de Forró e precisavam de alguém na guitarra, e nessa época, eu já tinha aprendido a tocar guitarra.
E eu cheguei lá no ensaio deles, só que nessa época não era, a comunicação não era tão, né, online assim, na hora você responde. E aí, essa galera brigou na semana, esse cara fez o post, queria um guitarrista, no final de semana, era o ensaio, quando eu cheguei lá, eles já tinham feito as pazes com guitarrista antigo. O guitarrista tocando e tal, só que o zabumbeiro faltou e a zabumba do cara tava lá. E eu falei, perguntei pros caras lá, “Se você quiserem, eu posso fazer um som aí, só para vocês ensaiarem.” No final da terceira música, eles já falaram, “Meu, entra pra nossa banda, a gente vai tirar o zabumbeiro, ele falta muito.”
Aí, beleza, acabei entrando para zabumba, essa banda durou seis meses. Arrumei uma outra banda pra tocar minha guitarra, né? Porque eu queria tocar guitarra. Entrei pra essa outra banda, ensaiamos e tal, aí no primeiro show, o zabumbeiro faltou, eu tive que fazer o zabumba... falei, beleza. Aí saiu o zabumbeiro e o violeiro da banda, a gente conseguiu contratar uma outra pessoa para tocar zabumba também, eu sei que essa outra pessoa desistiu de tocar a zabumba e acabou que eu fui pra zabumba e essa foi, foi a minha história assim, a zabumba me escolheu, eu tentei fugir dela algumas vezes, no final das contas, ela sobrou para mim, eu falei, bom, se é para ser assim, então, que assim seja. E aí, tô eu carregando a zabumba no peito há 21 anos.
Bom, a minha banda, ela surgiu em abril de 2010, né? Foi quando a gente afirmou “vamos tocar, Bastião vai tocar”. E aí, quem idealizou essa banda foi o Tinga, né? Foi o primeiro sanfoneiro da banda. Ele veio, ele é da Bahia, veio para São Paulo com uma outra banda. Ele veio para São Paulo com Trio Aratu, e no Trio Aratu o vocalista já era o Chan. Que foi vocalista por muito tempo também do Bastião. O Trio Aratu, tentou uma vida por aqui, mas não deu muito certo, os meninos desanimaram, o Guilhermino Ramos e o Mateus também faziam parte da banda.
E, esses dois, hoje em dia, tão lá em Londres, estão fazendo Forró também, é o Forró de Bamba, os meninos tão muito bem... Na época, em 2010, eles voltaram pra Bahia: “Vou voltar pra lá, porque aqui não deu, deixa para lá” E o Timba ficou aqui sozinho, abandonado e o Chan com as malas para ir pra Bahia também. E ele tentou convencer o Chan e tal, a entrar para banda, né, na época ele tava meio, meio resistente, porque tava meio desacreditado, né?
E aí, a gente acabou se conhecendo através de um amigo, Paulinho Sacolejada, foi que indicou meu telefone pro Timba, ele me ligou, falou se não podia encontrar com ele pra conversar...Falei, “Pô, encontro, sim, vamos marcar um dia.” Aí, marcamos um dia pra sentar e conversar. Cheguei lá sem a zabumba, porque ele marcou pra conversar, não pra ensaiar , nem tocar, nem mostrar o que eu sabia.... Cheguei lá sem zabumba, ele falou, “pô, mas veio sem zabumba” falei, “Cara, você me chamou pra conversar, né, não foi pra tocar vamos, vamos conversar e tal.” Então, ele acabou pegando a sanfona, eu fiz um som, eu toquei na mesa de centro dele lá, não tinha zabumba, foi assim que eu consegui passar na prova pra entrar no Bastião, tocando na mesa de centro. E nesse dia, eu falei com ele, eu falei, “Cara, eu entro pra sua banda, mas só, se você... se for pra competir em Itaúnas porque, por aqui por São Paulo, já tentei de tudo e o negócio é ir para lá, porque se for pra ficar rodando por aqui de novo, eu, eu tô de boa…
Ele falou não, a minha intenção é essa mesmo, eu quero ir pra Itaúnas, quero competir”. Falei, “Demorou então”. E aí, na época, o Chan ainda nem tava firme, na época eu ia cantar e mais uma outra menina, que eu não me recordo o nome dela agora, então ia ser eu, essa outra menina, porque o Chan tava de saída, né? E o Betão no Triângulo. E aí, o Chan pensou melhor, resolveu ficar, essa menina acabou que não ficou também, porque ela é vocalista, né? Como o Chan resolveu ficar, ele falou, não, então ela falou, “não, então beleza, segue aí vocês, que eu vou fazer outra coisa então”. E a gente seguiu com o Bastião. E aí, foi para Itaúnas, isso era em foi em abril, né? Tudo aconteceu em abril, maio, julho a gente tava no Festival em Itaúnas e acabamos ganhando a parada e tal e foi onde, foi o pontapé para a gente poder seguir com a banda, né?
As pessoas todas adoraram, a banda tinha uma energia muito boa, o Chan também tinha uma presença de palco que não era normal no Forró. Então isso foi cativando e contagiando muito rápido as pessoas. É tanto que, em Itaúnas quase sempre tem um burburinho, quando ganha um, quando ganha outro, sempre tem, ah mas fulano era melhor, ciclano era melhor e o nosso ano foi um ano de não ter essa discussão. Eu sou muito feliz por isso, porque, porque a gente conseguiu ganhar sem ajuda de ninguém, até então, eu achava que Itaúnas era uma coisa é meio que armada. E meu, a gente chegou lá sem conhecer ninguém, perdidos, nem o povo de São Paulo conhecia a gente e aí ganhamos o Festival.
E, o que a gente resolveu fazer foi que todo show que a gente subisse teria que ser igual a Itaúnas, por isso que fomos cativando e ganhando mais público. Já são 12 anos de banda, hoje em dia, a formação é totalmente diferente, eu sou o único que ainda resisto, desde aquela época, né?
E hoje em dia, sou eu quem canto, hoje a banda tem uma outra cara, uma outra forma, mas acredito eu, que siga com qualidade, porque a gente segue tocando por aí afora, as pessoas chamando e voltando nos lugares e o Bastião é isso, a gente nasceu pra poder fazer Forró pro povo se alegrar, seja onde for, seja um ou seja mil, a gente faz o Forró pro povo curtir.

Juliana Lima . TRIO BEIJO DE MOÇA
Juliana Lima | Trio Beijo de Moça
Data de Nascimento: 26/01/1983
Cidade em que nasceu: Santo André
Cidade onde vive: São Paulo
Profissão: sanfoneira, cantora, compositora, produtora
Banda: Trio Beijo de Moça
No Forró desde: Desde 2014
Hábitos Forrozeiros: Uso roupas confortáveis, e costumo usar mais saias e vestidos
“Para mim o Forró é uma conexão com a minha ancestralidade. O Forró me possibilitou conectar com um público mais amplo, com idosos, adultos e crianças, além de me conectar com os meus antepassados. Eu brinco que eu não escolhi o forró, ele me escolheu! E para mim é uma missão levar esse legado adiante para as futuras gerações. “
Juliana Lima é autora de mais de 500 músicas, cantora, compositora, instrumentista, gestora cultural e produtora musical com 24 anos de carreira, seis CDs gravados: Procuro Um Amor, 1997; Raios de Sol, 2001; Tudo & Mais, 2004; O Dom, 2007; Aquariana, 2013; Trio Beijo de Moça, 2017 e o DVD ao vivo: Aquariana de 2015.
Menina prodígio, com talento nato, estudou e se dedicou desde muito cedo à música, buscando oportunidades para se desenvolver nesta arte. Em 1993, aos 10 anos de idade, ingressou no Conservatório M.O. Maia em Santo André, onde estudou Órgão Popular. Em 2002, ingressou no grupo vocal “Madrigal” da USP, onde estudou técnica vocal. Aos 18 anos gravou seu segundo CD: “Raios de Sol”. Fez Musicoterapia pela Faculdade Paulista de Artes, formando-se em 2006.
E Juliana continuou estudando, em 2014 formou-se em Gestão de Projetos Culturais pelo Celacc – USP - Universidade do Estado de São Paulo, e em 2015 em Produção Musical na EM&T - Escola de Música e Tecnologia.
Hoje Juliana Lima tem carreira solo e é fundadora e integrante da banda de Forró Trio Beijo de Moça. A artista toca violão, acordeon, ukulele e gaita e teve sua primeira turnê internacional em 2016, apresentando-se na Argentina, Espanha, Itália, Portugal e República da Irlanda.
Além de musicista, Juliana é produtora e gestora cultural, participando do SP Forró e Forró das Minas, realizou e coorganizou vários festivais e shows, dentre eles o primeiro festival de Forró de Mulheres de São Paulo, o Festival Forró das Minas que aconteceu em 2022 e foi contemplado pela segunda edição da Lei de Fomento ao Forró para a cidade de São Paulo pela Secretaria de Cultura.
“Costumo compor músicas no estilo do Forró, de uma forma muito natural e espontânea. Eu brinco que os anjos sopram letras e melodias em meus ouvidos! Estou sempre me apresentando com o meu trio de mulheres em casas de cultura, espaços culturais, casas de show, festivais, SESCs e SESIs.
As minhas principais influências são Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Anastácia, Marinês, Elba Ramalho e Alceu Valença, eles são grandes mestres para mim. O Forró que escuto, pesquiso, componho e toco tem ligações com o Forró Raiz, o Forró Pé-de-serra e o Universitário.
Meu pai Elias, tocava violão, ele é de Alagoas, meus avós paternos são de Pernambuco e meu avô materno é da Bahia. A minha infância e juventude foram tranquilas! A música sempre foi uma grande companheira de vida em todos os momentos. “Com 13 anos de idade já tinha várias composições. Montei uma banda na Escola para realizar uma apresentação com músicas dos anos 60. O show foi tão bom, que me convidaram para ir à rádio local, depois para entrar em outra banda profissional, e gravar as minhas primeiras músicas. Passei também a fazer shows em eventos e festas. Com 14 anos fui convidada para gravar o meu primeiro CD. E desde então não parei mais.” Fala para a Revista Ritmo Melodia - https://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/juliana-lima/
Em junho de 2014, eu criei o Trio de Moça junto com duas grandes amigas e eu tocava, nessa época, em uma casa na Bela Vista, São Paulo, o Benedita, que é um restaurante de comidas nordestinas, porque a dona lá tem uma história com o Nordeste. Tem uma cozinheira baiana na casa também e eu fazia shows de MPB lá, muito pertinho da minha casa. Um dia ela chegou em mim e falou: “Eu vou fazer uma festa junina aqui e eu queria muito um trio de mulheres para compor essa festa.” Falei: “Nossa, que ideia maravilhosa!”
O nome dela é Gleice e ela tem o codinome de “Bê” que é Benedita, porque é o nome que ela homenageou a vó dela. Falei: “Nossa, Bê, que ideia bacana! Pena que eu não tenho trio, né?” Ela falou, “Não, mas você tem que montar esse grupo, você vem fazer, você consegue” Eu falei, “Imagina...”, não tinha nem repertório pra isso, mas ela me convenceu e eu saí de lá com aquele show fechado.
Eu não tinha nada, não tinha repertório, não tinha grupo, não tinha nome de grupo, não tinha nada, eu peguei duas grandes amigas, a Ana Vic, que já cantava comigo, fazia backing vocal pro meu trabalho autoral, a Cacá Molgora, que era percussionista, que já fazia shows comigo também, tocando percussão; convidei elas duas, em duas semanas eu tirei um repertório, assim, de umas 30 músicas de Forró, fiz uma pesquisa e tirei essas músicas e fomos para esse show que eu achei que seria pontual, faria aquele show pra atender o pedido dessa amiga.
E naquele momento eu fiz um show em voz, violão, zabumba, triângulo e uma gatinha, né, que eu fazia algumas brincadeiras, mas energia daquele dia foi tão especial, tão incrível, que todo mundo adorou e eu saí de lá já com outro show fechado. E desse outro show, mais um show e quando a gente viu, não conseguimos parar mais de fazer esse trabalho.
E eu lembro que no dia do primeiro show, eu me reuni com as minhas amigas, a gente fez ali uma seleção, sugerimos várias músicas, quando eu falei “Trio Beijo de Moça”, elas falaram, “Ah, é esse nome, né?” Então no primeiro show já tinha o nome do grupo, e aí, foi, foi mais forte que nós, né? O projeto fez muito sucesso, acho que por não ter muitas mulheres fazendo Forró, enfim, e a gente não conseguiu mais parar, até que começaram a me dizer, “Ah, você precisa tocar sanfona, né? Forró tem que ter sanfona.” E aí, um ano depois, em 2015, eu ganhei uma sanfona.
Então fui desafiada a aprender a tocar aquele instrumento, aí não tinha mais volta, né? Comecei a estudar, fui autodidata, peguei algumas dicas com alguns sanfoneiros também, e sanfoneiras, e aí a coisa foi ficando mais séria, ganhando outras proporções. Só que, apesar de haver o preconceito contra mulheres tocando, ao mesmo tempo, também há uma surpresa e muitas portas foram se abrindo aí, pra a gente poder fazer esse projeto. Em 2015 eu ganhei a sanfona, no final de 2015, eu já tava levando a sanfona para o show e tocando algumas músicas.
E assim, ao longo do tempo, eu fui tirando músicas, fui... como já tinha uma experiência com instrumento de tecla, já tinha muita vivência musical, então, é um instrumento extremamente difícil, porém, foi mais fácil essa transição pra poder tocar. Ainda tô aprendendo, mas já é um instrumento que eu amo muito, que me dá muitas alegrias. E o Beijo de Moça teve uma mudança de formação, né? no ano de 2019 e agora também em 2020, na pandemia, mas o projeto agora já completou 8 anos e a mulherada está espalhando aí Forró para todos os cantos e é o projeto que eu tenho hoje muito orgulho e sou muito grata por ter tido essa oportunidade de fazer Forró com mulheres incríveis e levar essa cultura nordestina adiante é um grande privilégio, prazer e missão.”
Data de Nascimento: 26/01/1983
Cidade em que nasceu: Santo André
Cidade onde vive: São Paulo
Profissão: sanfoneira, cantora, compositora, produtora
Banda: Trio Beijo de Moça
No Forró desde: Desde 2014
Hábitos Forrozeiros: Uso roupas confortáveis, e costumo usar mais saias e vestidos
“Para mim o Forró é uma conexão com a minha ancestralidade. O Forró me possibilitou conectar com um público mais amplo, com idosos, adultos e crianças, além de me conectar com os meus antepassados. Eu brinco que eu não escolhi o forró, ele me escolheu! E para mim é uma missão levar esse legado adiante para as futuras gerações. “
Juliana Lima é autora de mais de 500 músicas, cantora, compositora, instrumentista, gestora cultural e produtora musical com 24 anos de carreira, seis CDs gravados: Procuro Um Amor, 1997; Raios de Sol, 2001; Tudo & Mais, 2004; O Dom, 2007; Aquariana, 2013; Trio Beijo de Moça, 2017 e o DVD ao vivo: Aquariana de 2015.
Menina prodígio, com talento nato, estudou e se dedicou desde muito cedo à música, buscando oportunidades para se desenvolver nesta arte. Em 1993, aos 10 anos de idade, ingressou no Conservatório M.O. Maia em Santo André, onde estudou Órgão Popular. Em 2002, ingressou no grupo vocal “Madrigal” da USP, onde estudou técnica vocal. Aos 18 anos gravou seu segundo CD: “Raios de Sol”. Fez Musicoterapia pela Faculdade Paulista de Artes, formando-se em 2006.
E Juliana continuou estudando, em 2014 formou-se em Gestão de Projetos Culturais pelo Celacc – USP - Universidade do Estado de São Paulo, e em 2015 em Produção Musical na EM&T - Escola de Música e Tecnologia.
Hoje Juliana Lima tem carreira solo e é fundadora e integrante da banda de Forró Trio Beijo de Moça. A artista toca violão, acordeon, ukulele e gaita e teve sua primeira turnê internacional em 2016, apresentando-se na Argentina, Espanha, Itália, Portugal e República da Irlanda.
Além de musicista, Juliana é produtora e gestora cultural, participando do SP Forró e Forró das Minas, realizou e coorganizou vários festivais e shows, dentre eles o primeiro festival de Forró de Mulheres de São Paulo, o Festival Forró das Minas que aconteceu em 2022 e foi contemplado pela segunda edição da Lei de Fomento ao Forró para a cidade de São Paulo pela Secretaria de Cultura.
“Costumo compor músicas no estilo do Forró, de uma forma muito natural e espontânea. Eu brinco que os anjos sopram letras e melodias em meus ouvidos! Estou sempre me apresentando com o meu trio de mulheres em casas de cultura, espaços culturais, casas de show, festivais, SESCs e SESIs.
As minhas principais influências são Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Anastácia, Marinês, Elba Ramalho e Alceu Valença, eles são grandes mestres para mim. O Forró que escuto, pesquiso, componho e toco tem ligações com o Forró Raiz, o Forró Pé-de-serra e o Universitário.
Meu pai Elias, tocava violão, ele é de Alagoas, meus avós paternos são de Pernambuco e meu avô materno é da Bahia. A minha infância e juventude foram tranquilas! A música sempre foi uma grande companheira de vida em todos os momentos. “Com 13 anos de idade já tinha várias composições. Montei uma banda na Escola para realizar uma apresentação com músicas dos anos 60. O show foi tão bom, que me convidaram para ir à rádio local, depois para entrar em outra banda profissional, e gravar as minhas primeiras músicas. Passei também a fazer shows em eventos e festas. Com 14 anos fui convidada para gravar o meu primeiro CD. E desde então não parei mais.” Fala para a Revista Ritmo Melodia - https://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/juliana-lima/
Em junho de 2014, eu criei o Trio de Moça junto com duas grandes amigas e eu tocava, nessa época, em uma casa na Bela Vista, São Paulo, o Benedita, que é um restaurante de comidas nordestinas, porque a dona lá tem uma história com o Nordeste. Tem uma cozinheira baiana na casa também e eu fazia shows de MPB lá, muito pertinho da minha casa. Um dia ela chegou em mim e falou: “Eu vou fazer uma festa junina aqui e eu queria muito um trio de mulheres para compor essa festa.” Falei: “Nossa, que ideia maravilhosa!”
O nome dela é Gleice e ela tem o codinome de “Bê” que é Benedita, porque é o nome que ela homenageou a vó dela. Falei: “Nossa, Bê, que ideia bacana! Pena que eu não tenho trio, né?” Ela falou, “Não, mas você tem que montar esse grupo, você vem fazer, você consegue” Eu falei, “Imagina...”, não tinha nem repertório pra isso, mas ela me convenceu e eu saí de lá com aquele show fechado.
Eu não tinha nada, não tinha repertório, não tinha grupo, não tinha nome de grupo, não tinha nada, eu peguei duas grandes amigas, a Ana Vic, que já cantava comigo, fazia backing vocal pro meu trabalho autoral, a Cacá Molgora, que era percussionista, que já fazia shows comigo também, tocando percussão; convidei elas duas, em duas semanas eu tirei um repertório, assim, de umas 30 músicas de Forró, fiz uma pesquisa e tirei essas músicas e fomos para esse show que eu achei que seria pontual, faria aquele show pra atender o pedido dessa amiga.
E naquele momento eu fiz um show em voz, violão, zabumba, triângulo e uma gatinha, né, que eu fazia algumas brincadeiras, mas energia daquele dia foi tão especial, tão incrível, que todo mundo adorou e eu saí de lá já com outro show fechado. E desse outro show, mais um show e quando a gente viu, não conseguimos parar mais de fazer esse trabalho.
E eu lembro que no dia do primeiro show, eu me reuni com as minhas amigas, a gente fez ali uma seleção, sugerimos várias músicas, quando eu falei “Trio Beijo de Moça”, elas falaram, “Ah, é esse nome, né?” Então no primeiro show já tinha o nome do grupo, e aí, foi, foi mais forte que nós, né? O projeto fez muito sucesso, acho que por não ter muitas mulheres fazendo Forró, enfim, e a gente não conseguiu mais parar, até que começaram a me dizer, “Ah, você precisa tocar sanfona, né? Forró tem que ter sanfona.” E aí, um ano depois, em 2015, eu ganhei uma sanfona.
Então fui desafiada a aprender a tocar aquele instrumento, aí não tinha mais volta, né? Comecei a estudar, fui autodidata, peguei algumas dicas com alguns sanfoneiros também, e sanfoneiras, e aí a coisa foi ficando mais séria, ganhando outras proporções. Só que, apesar de haver o preconceito contra mulheres tocando, ao mesmo tempo, também há uma surpresa e muitas portas foram se abrindo aí, pra a gente poder fazer esse projeto. Em 2015 eu ganhei a sanfona, no final de 2015, eu já tava levando a sanfona para o show e tocando algumas músicas.
E assim, ao longo do tempo, eu fui tirando músicas, fui... como já tinha uma experiência com instrumento de tecla, já tinha muita vivência musical, então, é um instrumento extremamente difícil, porém, foi mais fácil essa transição pra poder tocar. Ainda tô aprendendo, mas já é um instrumento que eu amo muito, que me dá muitas alegrias. E o Beijo de Moça teve uma mudança de formação, né? no ano de 2019 e agora também em 2020, na pandemia, mas o projeto agora já completou 8 anos e a mulherada está espalhando aí Forró para todos os cantos e é o projeto que eu tenho hoje muito orgulho e sou muito grata por ter tido essa oportunidade de fazer Forró com mulheres incríveis e levar essa cultura nordestina adiante é um grande privilégio, prazer e missão.”

Rafael Beibi . DONA ZAÍRA
Rafael Beibi | Dona Zaíra | Zabumblog
Cidade Natal: Piracicaba
Cidade onde vive: São Paulo
Profissão: Músico, compositor, produtor, blogueiro
Bandas: Dona Zaíra / Beatles Cordel / Zabumblog / Fuá do Guegué
No Forró desde: 2000
Hábitos Forrozeiros: Me visto como me sinto confortável, independente do rolê. Geralmente vou de bermuda, camiseta e tênis mesmo. Bebida? Cerveja e cachaça.
“O Forró é responsável por eu me tornar músico e compositor, que são as coisas que me fazem respirar e viver. É isso. “
“Inicialmente comecei a frequentar festas de forró ou forreggae que aconteciam na cidade de Piracicaba. Como já era músico, comecei a tocar o estilo e em 2005 começou o trabalho da Dona Zaíra, meu primeiro projeto no Forró.
Minha relação com o Forró sempre foi de misturar e situar o conceito da música, poesia e comportamento em um contexto mais contemporâneo. Lógico que, para isso, passei quase 10 anos ouvindo só Forró pé-de-serra, pesquisando horas e horas e horas de muitos artistas nordestinos das décadas de 50, 60 e 70, principalmente.
Como músico e apaixonado pela zabumba, também criei um blog em 2009 para compartilhar meus estudos na percussão e na zabumba: o Zabumblog. Depois esse blog virou um canal do youtube e hoje é uma referência para pessoas do Brasil e do mundo todo que querem aprender mais sobre zabumba e os ritmos do Forró pé de-serra.
Paralelamente a isso, a banda que fundei também estava desde 2005 se movimentando, tocando muito e entendendo/criando sua identidade com banda de Forró. Partimos pra estrada e realizamos muita coisa desde então. Lançamos 4 discos, vários EPs e singles, fizemos 2 turnês europeias, gravamos com Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Rapadura, Francisco el Hombre. Aprovamos vários projetos por editais, participamos de um reality show na Rede Globo Superstar.
Hoje demos uma pausa, pois um dos integrantes está morando na Europa. Em 2019 lancei um projeto chamado Beatles Cordel, que mistura teatro e música pra "imaginar" Beatles em um contexto regional. Em 2021 lancei o primeiro disco desse projeto nos streamings, e atualmente estou fazendo uma circulação de shows aprovada no Proac editais.
Também sou um dos vocalistas de um projeto chamado Fuá do Guegué, fundado pelo percussionista e baterista paraibano Guegué Medeiros. E produzi nesse ano de 2022 duas faixas de uma cantora e sanfoneira paraibana chamada Bella Raiane, participante do The Voice.
Enfim, essa é minha relação com o forró, uma coisa quase simbiótica: como compositor tudo o que componho e escrevo tem um pé no Forró, como músico e criador todos os meus trabalhos tangem de alguma forma esse gênero, como produtor musical tbem, enfim... minha vida é todinha Forró!
Meus mestres são Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Alceu Valença, Marinês, Cátia de França, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Forróçacana, Tato Cruz, Banda de Pífanos de Caruaru, Edmilson do Pífano, Mestre Ambrósio, Cascabulho.
Minha infância foi no interior de São Paulo, na cidade de Piracicaba. Nunca ouvi muito Forró, mas de vez em quando eu ouvia um Luiz Gonzaga, Jackson ou Dominguinhos em algum lugar aleatório. Na juventude morei no estado do Tocantins por cinco anos, e quando voltei pro estado de São Paulo no ano 2000 a febre do Forró Universitário já estava tomando conta de tudo (no Tocantins essa febre não chegou muito). Foi nessa época que comecei a tocar na noite e me interessar por Forró.
Uma História Marcante
Vou contar uma história com o Dominguinhos, é uma história que, quando ele participou do segundo disco da Zaíra, que foi lançado em 2012, um disco que se chama “Tome Forró”. E aí, o Dominguinhos, a gente se conheceu no Canto da Ema lá, e tal, e ele topou participar de uma música no disco. E aí, a gente, a gravação que o Dominguinhos ia fazer nessa música era no domingo, né, no estúdio, em São Paulo.
E aí, a gente foi um fim de semana completamente atípico para gente, porque a gente tinha show quinta-feira em Brasília, sábado em Piracicaba, não, quinta em Brasília, sexta em Piracicaba, sábado em Florianópolis e domingo o Dominguinhos ia gravar. Então foi uma correria porque a gente viajava com nosso carro próprio, né, a gente comprou um carro, na verdade é um carro meu, em sociedade com a banda, uma Zafira, um carrão grandão e tal... que dá para viajar confortável.
A gente era motorista também, a gente fez aquele corre, tocou em Brasília na quinta, voltou direto pra Piracicaba, tocou em Piracicaba, dormiu um pouquinho, foi para Florianópolis e voltou direto também, pra a gente conseguir acompanhar o Dominguinhos gravando no nosso disco, no domingo, né? Porque a gente já tinha gravado tudo e o Dominguinhos ia só colocar a voz na música.Então, assim, essa foi uma correria que a gente fez pra poder viver esse momento de presenciar o Dominguinhos gravando uma música ali e foi lindo, né?
Ele era um gênio, com sensibilidade fora de série, foi muito emocionante acompanhar ele no nosso disco, gravando uma composição minha que chama “Todo dia”.
E tem uma outra história também com Oswaldinho do Acordeom. O Oswaldinho foi no show no Canto da Ema, foi assistir a Zaíra. O Oswaldinho é famoso por fazer na discografia dele ter muita música misturando Forró com Rock-and-Roll, com música progressiva, né? E ele adorou o show e falou que a gente é muito doido e isso pra mim foi um grande elogio, porque o Oswaldinho também é muito doido dentro do Forró, um cara que fez umas coisas muito doidas, ele gostou muito do show e foi um dia muito marcante também.
Bom, a história legal que aconteceu foi durante a turnê europeia, uma das turnês europeias que a gente fez viajando de, da Holanda para Portugal pra fazer um show. E aí o produtor lá na Holanda pegou um trem errado e a gente perdeu o voo. A gente tava em Amsterdam, capital da Holanda, teve que viajar pra outra cidade do interior pra pegar um voo num aeroporto menor que tinha lá.
A gente conseguiu chegar com bastante antecedência, achou que tava tudo certo, né, a gente sempre coloca os instrumentos mais delicados dentro do avião a gente chegiu mais cedo, fez o check-in, ficou com os instrumentos ali, no colo, esperando dar a hora do voo. Quando a gente foi embarcar, eles não deixaram a gente subir com os instrumentos na cabine do avião.
E quem é músico sabe que as companhias aéreas, elas destroem o instrumento, não é uma possibilidade você colocar, despachar o instrumento. E aí, a gente já tava ficando desesperado, porque nesse meio tempo, a gente começou a ficar atrasado para o voo, não deixavam a gente entrar no avião. Eu era o único que falava um pouquinho de inglês, então fui conversando com todo mundo do aeroporto e aí falaram que era impossível a gente embarcar.
A gente decidiu comprar um banco, um assento, pra colocar os instrumentos, porque falaram que essa era uma opção. Quando eu fui até o balcão pra comprar a passagem mesmo, né, aí a atendente perguntou o que tava acontecendo. E aí, eu expliquei pra ela e ela falou assim, “Você são músicos? Então toca uma música aí pra gente, que eu deixo vocês subirem com instrumento.” Isso depois, assim, de sei lá, uma hora tentando resolver, a mulher simplesmente falou que, se a gente tocasse uma música, aí a gente podia subir com os instrumentos.
Tava... parecia que tava zoando com a nossa cara, né? Eu pedi pro André, que era o sanfoneiro, tirar sanfona da mala e tocar uma música. Aí, ele tocou, né, todo mundo.... ninguém tava entendendo nada, todo mundo no aeroporto passando e olhando, aquela situação... Aí o André terminou de tocar uma música instrumental e ela olhou para minha cara e falou, “Mas vocês não cantam também?” E aí, a gente teve que cantar uma música, e ela só escreveu nossa passagem Musician, né, músico, e falou que a gente podia subir com instrumentos. E a gente foi para Portugal fazer mais um show.
Bom, acho que já falei um pouquinho ali em cima sobre minha história, mas eu... vou acho que contado é um pouco diferente, né? Então, comecei... eu já era músico, né? Já tocava bateria, já tinha tido umas bandinhas de rock e tal, mas aí eu comecei a frequentar na verdade esse movimento, né, do Forró Universitário, das festas aqui, eu achei o ambiente do Forró muito massa, muito acolhedor, muito diferente das outras baladas e comecei a me interessar, né?
Eu já tocava com a galera, que depois virou a Dona Zaíra, mas eu já tocava junto com eles, aí a gente começou a pesquisar mais Forró, a gente já ouvia ali, o que tava acontecendo, Forró Universitário, Falamansa, né, assim, Bicho de Pé…A gente começou a pesquisar mais, aprofundar mais, naquela época difícil, né, baixar música, e aí a gente ficava baixando as músicas lá no Kasaa, no Emule, conhecendo, pesquisando…
Depois começou a ter mais acesso, com o site do Forró em Vinil, que disponibiliza um monte de álbuns pra gente baixar. Assim eu comecei a me apaixonar pelo Forró e compor nesse estilo, as músicas do Zaíra são a maioria assim, minhas.
E aí, eu... né essa, essa é minha, minha onda, assim, né, o Forró é tão importante, importante na minha vida, porque foi a partir dele que eu realmente me tornei músico, comecei a tocar um instrumento, que é minha paixão, que é a zabumba. Com a zabumba no peito foi que eu me tornei músico e pisei em todos os palcos da vida. Toquei Forró na Europa, toquei Forró no reality show da Globo, toquei no Nordeste também, em casas muito importantes, como Sala de Reboco, de uma das casas mais tradicionais do Recife, na Casa de Zé Nabo, que é uma casa super tradicional também, que o Gonzaga tocou lá, sabe
Então isso tudo, assim, é muito importante para mim, mas como como eu não sou nordestino, sou do interior de São Paulo, sempre olhei esse Forró, sempre me chegou diferente do que chega pros nordestinos, né, porque lá eles nascem ouvindo Forró, como no interior de São Paulo a gente nasce ouvindo moda de viola, música caipira. Eu sempre quis fazer essa transposição do Forró e depois de muito pesquisar, depois de muito tocar o pé de serra e reproduzir igualzinho, né, os mestres do pé-de-serra faziam, eu comecei a... a daí, dar uma, dá uma identidade, para essas letras e junto com a banda pra essas músicas e arranjos.
E aí eu criei a minha forma de me relacionar com o Forró, e o Forró é uma música brasileira, né, cara? Se você vai, por exemplo, vai pra Europa tocar, eles não vão saber, muita gente não vai saber onde é o Nordeste, né, eles sabem que o Forró do Brasil. Então, nesse contexto, eu acho que eu enxergo o Forró como uma música brasileira, né? Eu adoro o Nordeste, eu adoro os artistas nordestinos, os intelectuais nordestinos, adoro poesia de cordel, tanto que o Beatles Cordel depois, que foi uma criação minha, eu roteirizei ele todo, escrevi todas as falas em cordel, porque tem um ator em cena, né, junto com a banda, eu também faço um personagem ali.
Então é tudo que eu faço artisticamente, como eu já falei ali, no texto acima, passa por esse lugar da cultura nordestina, sim, porque eu me identifico muito com essa cultura, entendeu? Me identifico muito, mais do que qualquer coisa e aí eu sou esse forrozeiro e nordestino, adotado pelo Forró.”
Cidade Natal: Piracicaba
Cidade onde vive: São Paulo
Profissão: Músico, compositor, produtor, blogueiro
Bandas: Dona Zaíra / Beatles Cordel / Zabumblog / Fuá do Guegué
No Forró desde: 2000
Hábitos Forrozeiros: Me visto como me sinto confortável, independente do rolê. Geralmente vou de bermuda, camiseta e tênis mesmo. Bebida? Cerveja e cachaça.
“O Forró é responsável por eu me tornar músico e compositor, que são as coisas que me fazem respirar e viver. É isso. “
“Inicialmente comecei a frequentar festas de forró ou forreggae que aconteciam na cidade de Piracicaba. Como já era músico, comecei a tocar o estilo e em 2005 começou o trabalho da Dona Zaíra, meu primeiro projeto no Forró.
Minha relação com o Forró sempre foi de misturar e situar o conceito da música, poesia e comportamento em um contexto mais contemporâneo. Lógico que, para isso, passei quase 10 anos ouvindo só Forró pé-de-serra, pesquisando horas e horas e horas de muitos artistas nordestinos das décadas de 50, 60 e 70, principalmente.
Como músico e apaixonado pela zabumba, também criei um blog em 2009 para compartilhar meus estudos na percussão e na zabumba: o Zabumblog. Depois esse blog virou um canal do youtube e hoje é uma referência para pessoas do Brasil e do mundo todo que querem aprender mais sobre zabumba e os ritmos do Forró pé de-serra.
Paralelamente a isso, a banda que fundei também estava desde 2005 se movimentando, tocando muito e entendendo/criando sua identidade com banda de Forró. Partimos pra estrada e realizamos muita coisa desde então. Lançamos 4 discos, vários EPs e singles, fizemos 2 turnês europeias, gravamos com Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Rapadura, Francisco el Hombre. Aprovamos vários projetos por editais, participamos de um reality show na Rede Globo Superstar.
Hoje demos uma pausa, pois um dos integrantes está morando na Europa. Em 2019 lancei um projeto chamado Beatles Cordel, que mistura teatro e música pra "imaginar" Beatles em um contexto regional. Em 2021 lancei o primeiro disco desse projeto nos streamings, e atualmente estou fazendo uma circulação de shows aprovada no Proac editais.
Também sou um dos vocalistas de um projeto chamado Fuá do Guegué, fundado pelo percussionista e baterista paraibano Guegué Medeiros. E produzi nesse ano de 2022 duas faixas de uma cantora e sanfoneira paraibana chamada Bella Raiane, participante do The Voice.
Enfim, essa é minha relação com o forró, uma coisa quase simbiótica: como compositor tudo o que componho e escrevo tem um pé no Forró, como músico e criador todos os meus trabalhos tangem de alguma forma esse gênero, como produtor musical tbem, enfim... minha vida é todinha Forró!
Meus mestres são Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Alceu Valença, Marinês, Cátia de França, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Forróçacana, Tato Cruz, Banda de Pífanos de Caruaru, Edmilson do Pífano, Mestre Ambrósio, Cascabulho.
Minha infância foi no interior de São Paulo, na cidade de Piracicaba. Nunca ouvi muito Forró, mas de vez em quando eu ouvia um Luiz Gonzaga, Jackson ou Dominguinhos em algum lugar aleatório. Na juventude morei no estado do Tocantins por cinco anos, e quando voltei pro estado de São Paulo no ano 2000 a febre do Forró Universitário já estava tomando conta de tudo (no Tocantins essa febre não chegou muito). Foi nessa época que comecei a tocar na noite e me interessar por Forró.
Uma História Marcante
Vou contar uma história com o Dominguinhos, é uma história que, quando ele participou do segundo disco da Zaíra, que foi lançado em 2012, um disco que se chama “Tome Forró”. E aí, o Dominguinhos, a gente se conheceu no Canto da Ema lá, e tal, e ele topou participar de uma música no disco. E aí, a gente, a gravação que o Dominguinhos ia fazer nessa música era no domingo, né, no estúdio, em São Paulo.
E aí, a gente foi um fim de semana completamente atípico para gente, porque a gente tinha show quinta-feira em Brasília, sábado em Piracicaba, não, quinta em Brasília, sexta em Piracicaba, sábado em Florianópolis e domingo o Dominguinhos ia gravar. Então foi uma correria porque a gente viajava com nosso carro próprio, né, a gente comprou um carro, na verdade é um carro meu, em sociedade com a banda, uma Zafira, um carrão grandão e tal... que dá para viajar confortável.
A gente era motorista também, a gente fez aquele corre, tocou em Brasília na quinta, voltou direto pra Piracicaba, tocou em Piracicaba, dormiu um pouquinho, foi para Florianópolis e voltou direto também, pra a gente conseguir acompanhar o Dominguinhos gravando no nosso disco, no domingo, né? Porque a gente já tinha gravado tudo e o Dominguinhos ia só colocar a voz na música.Então, assim, essa foi uma correria que a gente fez pra poder viver esse momento de presenciar o Dominguinhos gravando uma música ali e foi lindo, né?
Ele era um gênio, com sensibilidade fora de série, foi muito emocionante acompanhar ele no nosso disco, gravando uma composição minha que chama “Todo dia”.
E tem uma outra história também com Oswaldinho do Acordeom. O Oswaldinho foi no show no Canto da Ema, foi assistir a Zaíra. O Oswaldinho é famoso por fazer na discografia dele ter muita música misturando Forró com Rock-and-Roll, com música progressiva, né? E ele adorou o show e falou que a gente é muito doido e isso pra mim foi um grande elogio, porque o Oswaldinho também é muito doido dentro do Forró, um cara que fez umas coisas muito doidas, ele gostou muito do show e foi um dia muito marcante também.
Bom, a história legal que aconteceu foi durante a turnê europeia, uma das turnês europeias que a gente fez viajando de, da Holanda para Portugal pra fazer um show. E aí o produtor lá na Holanda pegou um trem errado e a gente perdeu o voo. A gente tava em Amsterdam, capital da Holanda, teve que viajar pra outra cidade do interior pra pegar um voo num aeroporto menor que tinha lá.
A gente conseguiu chegar com bastante antecedência, achou que tava tudo certo, né, a gente sempre coloca os instrumentos mais delicados dentro do avião a gente chegiu mais cedo, fez o check-in, ficou com os instrumentos ali, no colo, esperando dar a hora do voo. Quando a gente foi embarcar, eles não deixaram a gente subir com os instrumentos na cabine do avião.
E quem é músico sabe que as companhias aéreas, elas destroem o instrumento, não é uma possibilidade você colocar, despachar o instrumento. E aí, a gente já tava ficando desesperado, porque nesse meio tempo, a gente começou a ficar atrasado para o voo, não deixavam a gente entrar no avião. Eu era o único que falava um pouquinho de inglês, então fui conversando com todo mundo do aeroporto e aí falaram que era impossível a gente embarcar.
A gente decidiu comprar um banco, um assento, pra colocar os instrumentos, porque falaram que essa era uma opção. Quando eu fui até o balcão pra comprar a passagem mesmo, né, aí a atendente perguntou o que tava acontecendo. E aí, eu expliquei pra ela e ela falou assim, “Você são músicos? Então toca uma música aí pra gente, que eu deixo vocês subirem com instrumento.” Isso depois, assim, de sei lá, uma hora tentando resolver, a mulher simplesmente falou que, se a gente tocasse uma música, aí a gente podia subir com os instrumentos.
Tava... parecia que tava zoando com a nossa cara, né? Eu pedi pro André, que era o sanfoneiro, tirar sanfona da mala e tocar uma música. Aí, ele tocou, né, todo mundo.... ninguém tava entendendo nada, todo mundo no aeroporto passando e olhando, aquela situação... Aí o André terminou de tocar uma música instrumental e ela olhou para minha cara e falou, “Mas vocês não cantam também?” E aí, a gente teve que cantar uma música, e ela só escreveu nossa passagem Musician, né, músico, e falou que a gente podia subir com instrumentos. E a gente foi para Portugal fazer mais um show.
Bom, acho que já falei um pouquinho ali em cima sobre minha história, mas eu... vou acho que contado é um pouco diferente, né? Então, comecei... eu já era músico, né? Já tocava bateria, já tinha tido umas bandinhas de rock e tal, mas aí eu comecei a frequentar na verdade esse movimento, né, do Forró Universitário, das festas aqui, eu achei o ambiente do Forró muito massa, muito acolhedor, muito diferente das outras baladas e comecei a me interessar, né?
Eu já tocava com a galera, que depois virou a Dona Zaíra, mas eu já tocava junto com eles, aí a gente começou a pesquisar mais Forró, a gente já ouvia ali, o que tava acontecendo, Forró Universitário, Falamansa, né, assim, Bicho de Pé…A gente começou a pesquisar mais, aprofundar mais, naquela época difícil, né, baixar música, e aí a gente ficava baixando as músicas lá no Kasaa, no Emule, conhecendo, pesquisando…
Depois começou a ter mais acesso, com o site do Forró em Vinil, que disponibiliza um monte de álbuns pra gente baixar. Assim eu comecei a me apaixonar pelo Forró e compor nesse estilo, as músicas do Zaíra são a maioria assim, minhas.
E aí, eu... né essa, essa é minha, minha onda, assim, né, o Forró é tão importante, importante na minha vida, porque foi a partir dele que eu realmente me tornei músico, comecei a tocar um instrumento, que é minha paixão, que é a zabumba. Com a zabumba no peito foi que eu me tornei músico e pisei em todos os palcos da vida. Toquei Forró na Europa, toquei Forró no reality show da Globo, toquei no Nordeste também, em casas muito importantes, como Sala de Reboco, de uma das casas mais tradicionais do Recife, na Casa de Zé Nabo, que é uma casa super tradicional também, que o Gonzaga tocou lá, sabe
Então isso tudo, assim, é muito importante para mim, mas como como eu não sou nordestino, sou do interior de São Paulo, sempre olhei esse Forró, sempre me chegou diferente do que chega pros nordestinos, né, porque lá eles nascem ouvindo Forró, como no interior de São Paulo a gente nasce ouvindo moda de viola, música caipira. Eu sempre quis fazer essa transposição do Forró e depois de muito pesquisar, depois de muito tocar o pé de serra e reproduzir igualzinho, né, os mestres do pé-de-serra faziam, eu comecei a... a daí, dar uma, dá uma identidade, para essas letras e junto com a banda pra essas músicas e arranjos.
E aí eu criei a minha forma de me relacionar com o Forró, e o Forró é uma música brasileira, né, cara? Se você vai, por exemplo, vai pra Europa tocar, eles não vão saber, muita gente não vai saber onde é o Nordeste, né, eles sabem que o Forró do Brasil. Então, nesse contexto, eu acho que eu enxergo o Forró como uma música brasileira, né? Eu adoro o Nordeste, eu adoro os artistas nordestinos, os intelectuais nordestinos, adoro poesia de cordel, tanto que o Beatles Cordel depois, que foi uma criação minha, eu roteirizei ele todo, escrevi todas as falas em cordel, porque tem um ator em cena, né, junto com a banda, eu também faço um personagem ali.
Então é tudo que eu faço artisticamente, como eu já falei ali, no texto acima, passa por esse lugar da cultura nordestina, sim, porque eu me identifico muito com essa cultura, entendeu? Me identifico muito, mais do que qualquer coisa e aí eu sou esse forrozeiro e nordestino, adotado pelo Forró.”

Ale da Sanfona . TRIO MALAQUIAS
Ale Sanfona | TRIO MALAQUIAS
Cidade Natal: São Paulo
Cidade onde vive: São Paulo
Profissão: Músico, sanfoneiro
Banda: Trio Malaquias
No Forró desde: 2000
Hábitos Forrozeiros: vamos com a roupa que nos sentimos bem, a bebida é catuaba, um refri.... uma água.... comida, claro que um baião é sempre bom.... mas depois do show.... antes pesa muito! mas uma pizza ou um hamburger também tá ótimo!
“Forró é um desafio, é a nossa casa, é o que dá raiva, é o que dá orgulho.... é o que acreditamos que estamos fazendo e vivenciando! O sentimento é Orgulho (sem dúvida) Amor nem precisa falar..... O Forró mudou a forma de perceber o contexto.... sem sentir na pele, não sabemos o que é de verdade!”
“Somos uma banda independente e atuamos no chamado circuito do Forró pé-de-serra pelo Brasil (SP, BH, RJ, DF, ES...) acreditamos em manter a chama do Forró raiz e sua importância, mas também fazemos releituras de clássicos de outros estilos musicais (mpb... reggae... e etc) com a instrumentação pé de serra. Isso atrai público novo para o cenário do Forró, além de nos abrir portas para fora do circuito. Também temos um trabalho autoral sólido, temos 1 álbum com 12 faixas e 6 singles já lançados no mercado, e o próximo álbum já está no forno! “
“Minha história começou em 99/2000 com o irmão do Oswaldinho do Acordeom, o Ari era um zabumbeiro do Trio Vatapás. E fui tocar baixo com ele, toquei um bom tempo, e aí eu vi a sanfona de perto e falei: “Quero tocar esse negócio”. Assim eu comecei a tocar e vivenciar o Forró, antes do Falamansa fazer sucesso.
Depois veio Falamansa, o Falamansa convidou o Trio Vatapás pra tocar no palco do Remelexo, antes de ter o Remelexinho, quando o palco era ali, mais perto... onde é o Remelexinho hoje, enfim, venho dessa época do Forró. Depois eu saí, fui fazer baile, fui fazer outras coisas, pra trabalhar mesmo e voltei no Forró com o Malaquias no finalzinho de 2015.
A história do Jefferson, Jé, eu sei um pouco, ele ouve Forró desde que nasceu, por conta dos pais dele, do pai principalmente. Já teve algumas bandas e tudo, e em 2017 ele veio fazer parte do Malaquias. O Gordinho, o Gleison, ele fez parte do Nata Forrozeira, ele fez parte da organização do Nata, junto com Jah, e tocava triângulo com Chambinho do Acordeom, enfim, todo mundo sempre foi envolvido com o Forró, mas foi com o Malaquias que os três realmente se sentiram bem em fazer parte de um negócio nosso. Então a gente está realmente aí desde 2017, na batalha.
O Trio Malaquias surgiu em 2015, o pessoal me procurou, eu era um vocalista antigo e o Gordinho, eles me encontraram no Facebook. Digitaram lá, “sanfona” no Facebook e apareceu eu. Eu tenho mania de falar que os caras digitaram no Facebook “o melhor sanfoneiro do mundo” e apareceu eu. Mas enfim, me acharam no Facebook. Ai me adicionaram, aquela coisa, “Você topa fazer parte? O que você acha?” Falei, “Ah, demorou, vamo tentar, vamo ver qual é que é...”
Eu trabalhava com sertanejo, com baile, com outras coisas no acordeom, mas por conta de não conseguir tocar no Forró, não conseguia... enfim... Aí pá, peguei as músicas, estudei, vamos pra cima, não sei o quê... fizemos a banda. No primeiro ano, que foi 2016, não agradou tanto assim, digamos. Aí, a gente falou, “Pô, a gente tem que ir mais pra cima, né?” Só que o André, que era o vocalista, ele num... ele queria mais um hobby... eu falei, não, eu quero tocar de verdade e o Gordinho também. A gente falou com ele e ele falou, “Não, puta, pra mim vai ser meio pesado, pegar uma banda de verdade assim, né?” A gente falou, “Então a gente vai procurar outro vocalista, tudo bem?” Ele falou, “Não, tudo bem, vocês tão nessa de ir pra cima mesmo, beleza.”
Aí achamos o Jé, que também tava a fim de vir pra cima memo. E começou a rolar, começamos a fazer umas versões diferentes, uns Forrós pesados mesmo, umas músicas próprias, enfim. E aí começou a andar.
2017 foi legal, 2018 foi muito bom, fomos pra Itaúnas. Ficamos entre os 10 primeiros em Itaúnas, em 2018. Trabalhando por aí, Remelexo, o Canto da Ema mesmo, abriu as portas, graças a Deus, foi uma conquista legal.
Depois veio a pandemia, em 2020, ficamos parado e agora tamo voltando. E sempre foi pelo amor ao Forró mesmo, não é... é lógico, tem que pagar conta, tem que trabalhar, tem que vender direito, não é só “vamos tocar por cachaça”, nunca foi isso. Mas é o amor mesmo, é o Forró, é gostar do negócio mesmo, porque financeiramente, tem outros estilos que dão muito mais, mas quem toca Forró, é foda... não tem outro... é foda.
E é isso, essa é a história do Trio, começamos a lançar vídeo, clip, álbuns e afins e com as músicas próprias também ganhamos um espaço mais interessante, e é isso. De pouquinho em pouquinho, tamo aí ainda, na estrada, já fizemos bastante coisa, mas ainda tem muita coisa pra fazer. E tamo fazendo, graças a Deus, devagarinho.
Histórias do Forró
A gente foi tocar num festival, o Trio Malaquias, o Festival de Vila Velha, lá no Rio de Janeiro, um festival grande, um festival importante, e é um festival, um dos mais legais, porque o pessoal fica lá trancado mesmo, enfim, não tem o que fazer, é só o Forró, e é pra isso que se vai, sabe?
E a gente tava meio preocupado, porque é um Forró grande, tem uma importância legal, então assim, se você faz besteira com a sua banda, você fica meio queimado, então a gente, lógico, quer mostrar um trabalho decente, a gente ensaia e batalha pra isso. Fomos lá fazer e foi muito bom, o pessoal, o povo todo gostou demais, o público veio muito na nossa, foi uma energia, uma troca de energia muito grande com o público... um reconhecimento legal, sabe? Tanto por parte do contratante, como do público, foi muito bom. A gente ficou tão feliz que beber depois... aí, começa a beber devagar e tal, quando vê, eu e o gordinho, o zabumbeiro, os dois tava muito mal, eu e ele, mal de não conseguir dirigir, e nisso o Jeferson, que é o cantor, só ele tava bom pra gente ir pra pousada, como é que nós vamos, aí ele pegou o carro, e “Pô, gente, obrigado que vocês confiaram o carro pra eu dirigir, ele não dirigia. E a gente, “Se não for você, vai ser quem, né, meu? Tipo... estrada toda zoada, de terra, toda, enfim, mas chegamos lá, né? Foi muito engraçado a situação, mas o que mais ficou, o que marcou a gente mesmo foi que um pode contar com o outro, como um cuidou do outro e isso é mais do que uma banda, é uma família, enfim, e isso foi um episódio muito marcante porque a gente sentiu isso mesmo, a gente pode muito contar um com o outro, mas do que a gente pensava, sabe? Então esse episódio foi muito louco, esse show. Foi muito... por todos... por tudo, né? Pelo show, pela curtição depois de dar risada pra caramba, e depois, enfim, contar um com outro, é isso, Trio Malaquias é isso aí, é uma família.“
Cidade Natal: São Paulo
Cidade onde vive: São Paulo
Profissão: Músico, sanfoneiro
Banda: Trio Malaquias
No Forró desde: 2000
Hábitos Forrozeiros: vamos com a roupa que nos sentimos bem, a bebida é catuaba, um refri.... uma água.... comida, claro que um baião é sempre bom.... mas depois do show.... antes pesa muito! mas uma pizza ou um hamburger também tá ótimo!
“Forró é um desafio, é a nossa casa, é o que dá raiva, é o que dá orgulho.... é o que acreditamos que estamos fazendo e vivenciando! O sentimento é Orgulho (sem dúvida) Amor nem precisa falar..... O Forró mudou a forma de perceber o contexto.... sem sentir na pele, não sabemos o que é de verdade!”
“Somos uma banda independente e atuamos no chamado circuito do Forró pé-de-serra pelo Brasil (SP, BH, RJ, DF, ES...) acreditamos em manter a chama do Forró raiz e sua importância, mas também fazemos releituras de clássicos de outros estilos musicais (mpb... reggae... e etc) com a instrumentação pé de serra. Isso atrai público novo para o cenário do Forró, além de nos abrir portas para fora do circuito. Também temos um trabalho autoral sólido, temos 1 álbum com 12 faixas e 6 singles já lançados no mercado, e o próximo álbum já está no forno! “
“Minha história começou em 99/2000 com o irmão do Oswaldinho do Acordeom, o Ari era um zabumbeiro do Trio Vatapás. E fui tocar baixo com ele, toquei um bom tempo, e aí eu vi a sanfona de perto e falei: “Quero tocar esse negócio”. Assim eu comecei a tocar e vivenciar o Forró, antes do Falamansa fazer sucesso.
Depois veio Falamansa, o Falamansa convidou o Trio Vatapás pra tocar no palco do Remelexo, antes de ter o Remelexinho, quando o palco era ali, mais perto... onde é o Remelexinho hoje, enfim, venho dessa época do Forró. Depois eu saí, fui fazer baile, fui fazer outras coisas, pra trabalhar mesmo e voltei no Forró com o Malaquias no finalzinho de 2015.
A história do Jefferson, Jé, eu sei um pouco, ele ouve Forró desde que nasceu, por conta dos pais dele, do pai principalmente. Já teve algumas bandas e tudo, e em 2017 ele veio fazer parte do Malaquias. O Gordinho, o Gleison, ele fez parte do Nata Forrozeira, ele fez parte da organização do Nata, junto com Jah, e tocava triângulo com Chambinho do Acordeom, enfim, todo mundo sempre foi envolvido com o Forró, mas foi com o Malaquias que os três realmente se sentiram bem em fazer parte de um negócio nosso. Então a gente está realmente aí desde 2017, na batalha.
O Trio Malaquias surgiu em 2015, o pessoal me procurou, eu era um vocalista antigo e o Gordinho, eles me encontraram no Facebook. Digitaram lá, “sanfona” no Facebook e apareceu eu. Eu tenho mania de falar que os caras digitaram no Facebook “o melhor sanfoneiro do mundo” e apareceu eu. Mas enfim, me acharam no Facebook. Ai me adicionaram, aquela coisa, “Você topa fazer parte? O que você acha?” Falei, “Ah, demorou, vamo tentar, vamo ver qual é que é...”
Eu trabalhava com sertanejo, com baile, com outras coisas no acordeom, mas por conta de não conseguir tocar no Forró, não conseguia... enfim... Aí pá, peguei as músicas, estudei, vamos pra cima, não sei o quê... fizemos a banda. No primeiro ano, que foi 2016, não agradou tanto assim, digamos. Aí, a gente falou, “Pô, a gente tem que ir mais pra cima, né?” Só que o André, que era o vocalista, ele num... ele queria mais um hobby... eu falei, não, eu quero tocar de verdade e o Gordinho também. A gente falou com ele e ele falou, “Não, puta, pra mim vai ser meio pesado, pegar uma banda de verdade assim, né?” A gente falou, “Então a gente vai procurar outro vocalista, tudo bem?” Ele falou, “Não, tudo bem, vocês tão nessa de ir pra cima mesmo, beleza.”
Aí achamos o Jé, que também tava a fim de vir pra cima memo. E começou a rolar, começamos a fazer umas versões diferentes, uns Forrós pesados mesmo, umas músicas próprias, enfim. E aí começou a andar.
2017 foi legal, 2018 foi muito bom, fomos pra Itaúnas. Ficamos entre os 10 primeiros em Itaúnas, em 2018. Trabalhando por aí, Remelexo, o Canto da Ema mesmo, abriu as portas, graças a Deus, foi uma conquista legal.
Depois veio a pandemia, em 2020, ficamos parado e agora tamo voltando. E sempre foi pelo amor ao Forró mesmo, não é... é lógico, tem que pagar conta, tem que trabalhar, tem que vender direito, não é só “vamos tocar por cachaça”, nunca foi isso. Mas é o amor mesmo, é o Forró, é gostar do negócio mesmo, porque financeiramente, tem outros estilos que dão muito mais, mas quem toca Forró, é foda... não tem outro... é foda.
E é isso, essa é a história do Trio, começamos a lançar vídeo, clip, álbuns e afins e com as músicas próprias também ganhamos um espaço mais interessante, e é isso. De pouquinho em pouquinho, tamo aí ainda, na estrada, já fizemos bastante coisa, mas ainda tem muita coisa pra fazer. E tamo fazendo, graças a Deus, devagarinho.
Histórias do Forró
A gente foi tocar num festival, o Trio Malaquias, o Festival de Vila Velha, lá no Rio de Janeiro, um festival grande, um festival importante, e é um festival, um dos mais legais, porque o pessoal fica lá trancado mesmo, enfim, não tem o que fazer, é só o Forró, e é pra isso que se vai, sabe?
E a gente tava meio preocupado, porque é um Forró grande, tem uma importância legal, então assim, se você faz besteira com a sua banda, você fica meio queimado, então a gente, lógico, quer mostrar um trabalho decente, a gente ensaia e batalha pra isso. Fomos lá fazer e foi muito bom, o pessoal, o povo todo gostou demais, o público veio muito na nossa, foi uma energia, uma troca de energia muito grande com o público... um reconhecimento legal, sabe? Tanto por parte do contratante, como do público, foi muito bom. A gente ficou tão feliz que beber depois... aí, começa a beber devagar e tal, quando vê, eu e o gordinho, o zabumbeiro, os dois tava muito mal, eu e ele, mal de não conseguir dirigir, e nisso o Jeferson, que é o cantor, só ele tava bom pra gente ir pra pousada, como é que nós vamos, aí ele pegou o carro, e “Pô, gente, obrigado que vocês confiaram o carro pra eu dirigir, ele não dirigia. E a gente, “Se não for você, vai ser quem, né, meu? Tipo... estrada toda zoada, de terra, toda, enfim, mas chegamos lá, né? Foi muito engraçado a situação, mas o que mais ficou, o que marcou a gente mesmo foi que um pode contar com o outro, como um cuidou do outro e isso é mais do que uma banda, é uma família, enfim, e isso foi um episódio muito marcante porque a gente sentiu isso mesmo, a gente pode muito contar um com o outro, mas do que a gente pensava, sabe? Então esse episódio foi muito louco, esse show. Foi muito... por todos... por tudo, né? Pelo show, pela curtição depois de dar risada pra caramba, e depois, enfim, contar um com outro, é isso, Trio Malaquias é isso aí, é uma família.“

Chico de Andrade . TRIO NORTISTA
Chico de Andrade | Trio Nortista
Cidade onde nasceu: Crato/CE
Cidade onde vive: São Paulo/SP
Profissão: músico, compositor, produtor
Banda: Trio Nortista
No Forró desde: 2006
Hábitos Forrozeiros: Meu estilo de roupa é a que me sinto bem, bebida gosto de uma cerveja gelada e comida só após os eventos aquela porção ou um dog prensado mas não dispenso um baião de dois.
“Hoje o Forró pra mim é um estilo de vida e um meio de estar perto da minha origem um habitat natural pra mim. O Forró me trouxe alegria e um propósito pra seguir e de levar alegria às pessoas.”
“ O Forró que faço é focado no Forró tradicional de Zabumba,sanfona e Triângulo a exemplo de Luiz Gonzaga mas também com influências no Circuito de Forró Universitário dos anos 2000. Sou artista e gosto de montar o repertório e escolher as músicas antes de cada show. Na área da composição, gosto de trabalhar sozinho, componho a partir de temas e melodias que vem à mente.
Como levo o Forró por herança e por amor minhas maiores influências foram meu Pai Zequinha de Andrade (Ex Trio Nortista e Trio Xamego) e meu avô Jonas de Andrade Bilinguim (Trio Nortista) meus Tios músicos: Tiziu do Araripe e Chiquinho alves, meus padrinhos de Forró e fora a família, gosto muito dos grandes mestres: Zinho, Edson Duarte, Dió de Araújo, Trio Juazeiro, Trio Dona Zefa,Virgulino entre outros mestres.
Chico de Andrade - Chico de Andrade Forrozeiro Nato
Francisco Pereira de Lima, conhecido como Chico de Andrade, 33 anos, Cearense da cidade de Crato, nasceu no berço do Forró. A família Andrade tem uma história de longa data com o Forró pé-de-serra, seu avô Jonas de Andrade junto com seu irmão Zequinha de Andrade se consagraram na década de 70 com o TRIO NORTISTA que lhe renderam mais de 10 LPs.
Com 5 anos de idade seu avô Jonas de Andrade, com quem Chico vivia, veio a falecer. Com isso, veio para São Paulo morar com Zequinha de Andrade, que agora fazia parte do Trio Xamego. Criado como filho de Zequinha herdou muito de seus trejeitos devido a sua criação mas só se rendeu ao Forró na adolescência, que por influência de amigos, aprendeu a tocar e a amar o estilo musical.
Com o falecimento de seu pai adotivo Zequinha de Andrade em 10 de Dezembro de 2008 Chico mergulhou de vez no Forró pé-de-serra começando assim sua jornada como compositor e instrumentista. Acompanhou Fubá de Taperoá, Chiquinho Alves, Nozinho do Acordeon, Zezito Pereira entre outros músicos ao longo do tempo.
Em 2015 iniciou um projeto chamado Forró de Guitarra junto com Dos Santos Vinicius (triângulo) e Rafael Pio (Guitarra), que teve como proposta tocar as músicas tradicionais somente em seu instrumental (zabumba, triângulo e guitarra), onde participaram de diversos eventos e festivais.
Com o fim do projeto, se sentindo mais à vontade e já reconhecido como músico, surgiu então o nome hoje conhecido como Chico de Andrade, continuando assim o trajeto iniciado pela sua família, cantando e tocando grandes clássicos e músicas autorais, sempre acompanhado de músicos parceiros.
Em 2019 a convite Chiquinho Alves (sanfoneiro e parceiro a quem considera seu padrinho musical) e Wil Santos ( Zabumbeiro e Produtor) ele
integra o Trio Borogodó com seu Triângulo e voz após a saída do Vocalista já consagrado Aluízio Cruz para seguir em outro projeto. A chegada de Chico de Andrade deu ao Trio Borogodó aquele algo a mais que o nome sugere com dois Singles DJ Pé de Serra e O príncipe do Baião tocadas no maiores Festivais de Forró do Brasil e na Europa.
Foram 3 anos à frente do Trio Borogodó e agora mais experiente e com o apoio do Tio e da Família se sente enfim preparado pra assumir o vocal e o Legado do Trio Nortista.
O Trio Nortista é um dos Trios mais antigos que se tem registro na História do Forró, sua primeira formação foi com Camarão, Jacinto Silva e Ivanildo Leite. Em 1962 Camarão, Déo do Baião e Zé Cobrinha gravaram o 1° Disco do Trio Nortista " Pau de Arara Malvado" pela gravadora Mocambo. Após isso, os integrantes seguiram com suas carreiras no final da década de 60. Jonas de Andrade (Bilinguim) encontrou com Luiz Gonzaga que na época apadrinhava e batizava artistas de talento, que sugeriu então que Jonas de Andrade tocasse o Trio Nortista adiante junto com um dos seus Zabumbeiros Chiquinho de Queiroz
e Kim de Oli no Triângulo. Em 1971 Gravaram o que seria o 2 ° LP Trio Nortista ́ ́Encontrei Tu” pela gravadora Premier em parceria com Zé Lagoa. Destaque pra *O Cheiro da Menininha* (Chiquinho de Queiroz), *Letreiro do Amor* ( Zé Lagoa) e *Novim em folha* Carlos Diniz grandes sucessos do Trio até hoje e 1972 gravaram também. "Cantinho do Amor" com a mesma formação. Em 1973 vemos o Trio Nortista em Nova formação com Jonas de Andrade Sanfona e Voz e Zequinha de Andrade no Triângulo ( Irmão de Jonas) e Xandú na Zabumba em 1975 gravaram o 5° LP "Cuidado com a Língua" Destaque para “Maldade e traição” de João Silva e Raimundo Evangelista e para “A velha debaixo da cama” de Jonas de Andrade o que seria o grande sucesso do Trio Nortista dando ao Trio projeção Nacional regravada por diversos artistas como Renato Aragão e Os Trapalhões, Geraldo Nunes, Sandro Becker,Zenilton,Oswaldinho do acordeon ,Caju e Castanha entre
outros ,dando trio projeção nacional.
Em 1980 o Trio Gravou seu 9 ° LP "Trio Nortista O Achado " Já em nova formação com os irmãs Jonas de Andrade , Zequinha e Tiziu na Zabumba ao final desse mesmo ano Zequinha de Andrade deixou o Trio pra morar em São Paulo e seguir outros projetos entrou em seu lugar o Filho 10 anos e o mais velho de Jonas (Francisco Pereira de Andrade) o Gandula a criança que já aparece na capa do 10° LP "A Coisa pega" Jonas de Andrade, Tiziu e Gandula essa formação durou por 4 anos e rendeu mais 2 LPs. Em 1984 com a saída de Tiziu, Jonas de Andrade chama seu outro filho Paulo Andrade (Buiu) na Zabumba na época apelidado de Mixaria com seus 10 anos de idade já tocava Zabumba com talento e Maestria, Gravaram o 13° LP do Trio " Cipó Cheiroso".Essa formação durou por 5 anos e com a maioridade dos garotos Gandula serviu o Exército e veio para São Paulo e Paulo ficou no Ceará ajudando no salão de seu pai o Dragão Danças muito famoso na região do Cariri.
Jonas de Andrade continuou com o Trio com Edinho no Triângulo e Pucheta no Zabumba e gravou mais dois Lps um em 1989 e o seu último trabalho em 1994 o "Dr Cadê o Trem" que até hoje é tocado nas Rádios do Cariri e nas festas da região destaque para as Músicas (Dr Cadê o Trem) que é um apelo pra volta do trem que ligava o Crato a Juazeiro e (Um abraço a meu povo) que é uma referência e homenagem a cidade de Milagres-CE onde nasceu Jonas de Andrade o Bilinguim e seus Irmãos.
Em 1995 Jonas de Andrade- Bilinguim veio a falecer a família Andrade sentiu muito a perda do grande Pai, artista e provedor da família o que deixou o Trio Nortista parado por longos anos.Por volta de 2006 Chiquinho de Queiroz procurou Zequinha de Andrade que estava com Dió de Araújo no Trio Xamego e pediu pra usar o Nome do Trio Nortista Zequinha de Andrade não pensou duas vezes e permitiu que o amigo e Ex integrante do Trio e um dos ( Zabumbeiros de Luiz Gonzaga) trabalhasse o nome do Trio Nortista em 2010 relançou em CD o Disco Encontrei Tu com os áudios capas originais do Vinil.Agora em 2021 Paulo Andrade Buiu (Filho de Bilinguim) e Chico de Andrade (Filho de Zequinha) tiraram do papel o projeto que vinham querendo fazer a algum tempo que é o resgate das músicas e do legado do Trio Nortista recentemente fizeram uma Live em Homenagem a os Andrades Jonas- Bilinguim e Zequinha trazendo os sucessos do
Trio Nortista com a participação especial de Tiziu do Araripe e Chiquinho Alves.
Resumidamente foram mais de 16 LPs gravados mais de 200 Fonogramas registrados desse Histórico Trio.Agora em nova formação Paulo Andrade (Buiu) na Zabumba, Chico de Andrade Triângulo e voz e Timba na Sanfona prometem devolver aos fãs as gloriosas músicas e novas canções autorais, trazendo de volta o prestígio e grandiosidade que Trio Nortista e o Forró Pé de Serra merecem.
Pandeiro Fubá - Chico de Andrade Forrozeiro Nato
Uma História marcante me aconteceu após a morte do meu pai (Zequinha de Andrade) em 2013 quando conheci o Mestre Fúba de Taperoá, onde me apresente a ele como filho do falecido Zequinha do Trio Xamego e ele logo me chamou pra sua próxima apresentação para acompanhá-lo tocando triângulo. Naquela época, eu estava começando minha carreira artística e ele (Fúba de Taperoá) foi tão influente pra mim com aquele pandeiro,vozeirão e presença de palco que em seguida comprei um pandeiro e aprendi a tocar. Daí em diante virei fã do instrumento que é como uma bateria de mão. E até hoje levo essas influências comigo e toco sempre que posso!”
Cidade onde nasceu: Crato/CE
Cidade onde vive: São Paulo/SP
Profissão: músico, compositor, produtor
Banda: Trio Nortista
No Forró desde: 2006
Hábitos Forrozeiros: Meu estilo de roupa é a que me sinto bem, bebida gosto de uma cerveja gelada e comida só após os eventos aquela porção ou um dog prensado mas não dispenso um baião de dois.
“Hoje o Forró pra mim é um estilo de vida e um meio de estar perto da minha origem um habitat natural pra mim. O Forró me trouxe alegria e um propósito pra seguir e de levar alegria às pessoas.”
“ O Forró que faço é focado no Forró tradicional de Zabumba,sanfona e Triângulo a exemplo de Luiz Gonzaga mas também com influências no Circuito de Forró Universitário dos anos 2000. Sou artista e gosto de montar o repertório e escolher as músicas antes de cada show. Na área da composição, gosto de trabalhar sozinho, componho a partir de temas e melodias que vem à mente.
Como levo o Forró por herança e por amor minhas maiores influências foram meu Pai Zequinha de Andrade (Ex Trio Nortista e Trio Xamego) e meu avô Jonas de Andrade Bilinguim (Trio Nortista) meus Tios músicos: Tiziu do Araripe e Chiquinho alves, meus padrinhos de Forró e fora a família, gosto muito dos grandes mestres: Zinho, Edson Duarte, Dió de Araújo, Trio Juazeiro, Trio Dona Zefa,Virgulino entre outros mestres.
Chico de Andrade - Chico de Andrade Forrozeiro Nato
Francisco Pereira de Lima, conhecido como Chico de Andrade, 33 anos, Cearense da cidade de Crato, nasceu no berço do Forró. A família Andrade tem uma história de longa data com o Forró pé-de-serra, seu avô Jonas de Andrade junto com seu irmão Zequinha de Andrade se consagraram na década de 70 com o TRIO NORTISTA que lhe renderam mais de 10 LPs.
Com 5 anos de idade seu avô Jonas de Andrade, com quem Chico vivia, veio a falecer. Com isso, veio para São Paulo morar com Zequinha de Andrade, que agora fazia parte do Trio Xamego. Criado como filho de Zequinha herdou muito de seus trejeitos devido a sua criação mas só se rendeu ao Forró na adolescência, que por influência de amigos, aprendeu a tocar e a amar o estilo musical.
Com o falecimento de seu pai adotivo Zequinha de Andrade em 10 de Dezembro de 2008 Chico mergulhou de vez no Forró pé-de-serra começando assim sua jornada como compositor e instrumentista. Acompanhou Fubá de Taperoá, Chiquinho Alves, Nozinho do Acordeon, Zezito Pereira entre outros músicos ao longo do tempo.
Em 2015 iniciou um projeto chamado Forró de Guitarra junto com Dos Santos Vinicius (triângulo) e Rafael Pio (Guitarra), que teve como proposta tocar as músicas tradicionais somente em seu instrumental (zabumba, triângulo e guitarra), onde participaram de diversos eventos e festivais.
Com o fim do projeto, se sentindo mais à vontade e já reconhecido como músico, surgiu então o nome hoje conhecido como Chico de Andrade, continuando assim o trajeto iniciado pela sua família, cantando e tocando grandes clássicos e músicas autorais, sempre acompanhado de músicos parceiros.
Em 2019 a convite Chiquinho Alves (sanfoneiro e parceiro a quem considera seu padrinho musical) e Wil Santos ( Zabumbeiro e Produtor) ele
integra o Trio Borogodó com seu Triângulo e voz após a saída do Vocalista já consagrado Aluízio Cruz para seguir em outro projeto. A chegada de Chico de Andrade deu ao Trio Borogodó aquele algo a mais que o nome sugere com dois Singles DJ Pé de Serra e O príncipe do Baião tocadas no maiores Festivais de Forró do Brasil e na Europa.
Foram 3 anos à frente do Trio Borogodó e agora mais experiente e com o apoio do Tio e da Família se sente enfim preparado pra assumir o vocal e o Legado do Trio Nortista.
O Trio Nortista é um dos Trios mais antigos que se tem registro na História do Forró, sua primeira formação foi com Camarão, Jacinto Silva e Ivanildo Leite. Em 1962 Camarão, Déo do Baião e Zé Cobrinha gravaram o 1° Disco do Trio Nortista " Pau de Arara Malvado" pela gravadora Mocambo. Após isso, os integrantes seguiram com suas carreiras no final da década de 60. Jonas de Andrade (Bilinguim) encontrou com Luiz Gonzaga que na época apadrinhava e batizava artistas de talento, que sugeriu então que Jonas de Andrade tocasse o Trio Nortista adiante junto com um dos seus Zabumbeiros Chiquinho de Queiroz
e Kim de Oli no Triângulo. Em 1971 Gravaram o que seria o 2 ° LP Trio Nortista ́ ́Encontrei Tu” pela gravadora Premier em parceria com Zé Lagoa. Destaque pra *O Cheiro da Menininha* (Chiquinho de Queiroz), *Letreiro do Amor* ( Zé Lagoa) e *Novim em folha* Carlos Diniz grandes sucessos do Trio até hoje e 1972 gravaram também. "Cantinho do Amor" com a mesma formação. Em 1973 vemos o Trio Nortista em Nova formação com Jonas de Andrade Sanfona e Voz e Zequinha de Andrade no Triângulo ( Irmão de Jonas) e Xandú na Zabumba em 1975 gravaram o 5° LP "Cuidado com a Língua" Destaque para “Maldade e traição” de João Silva e Raimundo Evangelista e para “A velha debaixo da cama” de Jonas de Andrade o que seria o grande sucesso do Trio Nortista dando ao Trio projeção Nacional regravada por diversos artistas como Renato Aragão e Os Trapalhões, Geraldo Nunes, Sandro Becker,Zenilton,Oswaldinho do acordeon ,Caju e Castanha entre
outros ,dando trio projeção nacional.
Em 1980 o Trio Gravou seu 9 ° LP "Trio Nortista O Achado " Já em nova formação com os irmãs Jonas de Andrade , Zequinha e Tiziu na Zabumba ao final desse mesmo ano Zequinha de Andrade deixou o Trio pra morar em São Paulo e seguir outros projetos entrou em seu lugar o Filho 10 anos e o mais velho de Jonas (Francisco Pereira de Andrade) o Gandula a criança que já aparece na capa do 10° LP "A Coisa pega" Jonas de Andrade, Tiziu e Gandula essa formação durou por 4 anos e rendeu mais 2 LPs. Em 1984 com a saída de Tiziu, Jonas de Andrade chama seu outro filho Paulo Andrade (Buiu) na Zabumba na época apelidado de Mixaria com seus 10 anos de idade já tocava Zabumba com talento e Maestria, Gravaram o 13° LP do Trio " Cipó Cheiroso".Essa formação durou por 5 anos e com a maioridade dos garotos Gandula serviu o Exército e veio para São Paulo e Paulo ficou no Ceará ajudando no salão de seu pai o Dragão Danças muito famoso na região do Cariri.
Jonas de Andrade continuou com o Trio com Edinho no Triângulo e Pucheta no Zabumba e gravou mais dois Lps um em 1989 e o seu último trabalho em 1994 o "Dr Cadê o Trem" que até hoje é tocado nas Rádios do Cariri e nas festas da região destaque para as Músicas (Dr Cadê o Trem) que é um apelo pra volta do trem que ligava o Crato a Juazeiro e (Um abraço a meu povo) que é uma referência e homenagem a cidade de Milagres-CE onde nasceu Jonas de Andrade o Bilinguim e seus Irmãos.
Em 1995 Jonas de Andrade- Bilinguim veio a falecer a família Andrade sentiu muito a perda do grande Pai, artista e provedor da família o que deixou o Trio Nortista parado por longos anos.Por volta de 2006 Chiquinho de Queiroz procurou Zequinha de Andrade que estava com Dió de Araújo no Trio Xamego e pediu pra usar o Nome do Trio Nortista Zequinha de Andrade não pensou duas vezes e permitiu que o amigo e Ex integrante do Trio e um dos ( Zabumbeiros de Luiz Gonzaga) trabalhasse o nome do Trio Nortista em 2010 relançou em CD o Disco Encontrei Tu com os áudios capas originais do Vinil.Agora em 2021 Paulo Andrade Buiu (Filho de Bilinguim) e Chico de Andrade (Filho de Zequinha) tiraram do papel o projeto que vinham querendo fazer a algum tempo que é o resgate das músicas e do legado do Trio Nortista recentemente fizeram uma Live em Homenagem a os Andrades Jonas- Bilinguim e Zequinha trazendo os sucessos do
Trio Nortista com a participação especial de Tiziu do Araripe e Chiquinho Alves.
Resumidamente foram mais de 16 LPs gravados mais de 200 Fonogramas registrados desse Histórico Trio.Agora em nova formação Paulo Andrade (Buiu) na Zabumba, Chico de Andrade Triângulo e voz e Timba na Sanfona prometem devolver aos fãs as gloriosas músicas e novas canções autorais, trazendo de volta o prestígio e grandiosidade que Trio Nortista e o Forró Pé de Serra merecem.
Pandeiro Fubá - Chico de Andrade Forrozeiro Nato
Uma História marcante me aconteceu após a morte do meu pai (Zequinha de Andrade) em 2013 quando conheci o Mestre Fúba de Taperoá, onde me apresente a ele como filho do falecido Zequinha do Trio Xamego e ele logo me chamou pra sua próxima apresentação para acompanhá-lo tocando triângulo. Naquela época, eu estava começando minha carreira artística e ele (Fúba de Taperoá) foi tão influente pra mim com aquele pandeiro,vozeirão e presença de palco que em seguida comprei um pandeiro e aprendi a tocar. Daí em diante virei fã do instrumento que é como uma bateria de mão. E até hoje levo essas influências comigo e toco sempre que posso!”

Fábio Freire . TIO CRISPINIANO
Fábio Freire
Natural de: São Paulo
Mora em: São Paulo
Data de nascimento: 27/08/1970
Profissão: Músico
Banda: Tio Crispiniano
No Forró desde: 1992
Sou músico, frequentador do Forró e líder da banda Tio Crispiniano. Eu frequento o Forró desde 1992 e conheci o Forró tocando nas casas de shows e em minha formação musical.
O Tio Crispiniano sempre teve uma mistura moderna de elementos musicais e de referências pessoais. Éramos um sexteto com bateria, baixo, guitarra, sanfona, flauta, saxofone, triângulo e voz. Daí, já se percebe que o nosso som não era muito tradicional, mas fazíamos questão de tocar algo bem dançante e contagiante. Diferente sim, mas muito divertido. Alguns puristas não gostavam muito e diziam que éramos roqueiros, mas na verdade, sempre fomos bons músicos de música brasileira.
Sem dúvida minha maior influência é Luiz Gonzaga, mas, especialmente, a nossa banda teve Gilberto Gil, Alceu Valença, Dominguinhos e Jackson do Pandeiro como grandes potências em nossos arranjos e jeito de tocar.
O Forró foi a minha porta de entrada para a música profissional e para os grandes palcos. Conheci pessoas, aprendi muito sobre música e sobre palco, vivi emoções incríveis tocando para grandes multidões e criei uma relação muito importante e viva da música brasileira e nordestina dentro de mim. O Forró me trouxe grandes amigos, experiências incríveis e inesquecíveis, minha esposa e minha família, meus companheiros de música de longa data e uma bagagem profissional que é inestimável.
Posso contar uma história engraçada que vivi no Forró. Tocando no Remelexo, onde atuamos por seis anos seguidos, a casa sempre cheia e o público sempre dançando e paquerando, estávamos tocando quando um rapaz se insinuou para a namorada, na época, do nosso baterista Caio Figueiredo. Todos nós percebemos. Foi engraçado, até que o nosso baterista parou de tocar, levantou da bateria e deu uma baquetada na cabeça do paquerador. Ele voltou normalmente, voltou pra música e demos muitas risadas.
O Tio Crispiniano iniciou a caminhada no Forró no ano de 1990, no Remelexo, em São Paulo. Na época a casa estava precisando de bandas que tocassem todas às quintas-feiras. Então fomos convidados pela banda Boi de Lata, que se apresentava às sextas e eram nossos amigos de longa data.
Assim começou nossa história no Forró. Às quintas-feiras no Remelexo chegou a ter 1.000 pessoas dançando, era um agito. Festas da faculdade, público da cidade inteira e gente interessada nesse novo movimento que surgia, o Forró Universitário.
A nossa formação musical era diferente dos músicos tradicionais de Forró, vínhamos do jazz, do rock e da MPB. Por isso nossa formação de palco também tinha flauta transversal, saxofone, bateria, baixo e guitarra, além da sanfona, triângulo e voz.
Assim conquistamos uma legião de fãs que adoravam nossas apresentações e nos seguiam onde fôssemos: eram os sobrinhos do Tio. O Tio Crispiniano foi um personagem inventado por nós para representar e homenagear o homem nordestino, cheio de histórias incríveis, calejado pela vida dura do trabalho, mas sempre seguindo em frente com esperança e amor no coração.
Alguns anos depois fomos convidados pela S de Samba, produtora do Wilson Simoninha e do Jair Oliveira, para gravarmos nosso primeiro e único álbum, com canções autorais e participações incríveis do próprio Jairzinho e do zabumbeiro lendário Dió de Araújo, além de amigos como Márcio Forte na percussão.
Mais para frente, todos nós, já mais velhos e há mais tempo na estrada da música, decidimos parar de tocar de maneira semanal. Assim a banda foi terminando naturalmente, mas ainda temos dentro de nós a chama daquela juventude musical e pessoal, amada e relembrada com bastante saudade.
O Tio Crispiniano era um grupo de música brasileira nordestina formado por cinco integrantes, todos eles músicos atuantes no mercado musical, tocando com outros artistas, produzindo e gravando em estúdios e participando de diversos outros projetos.
Possuía um imenso repertório de Forró Pé-de-serra, ou Raiz, que incluía Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Alceu Valença, Gilberto Gil, Targino Gondim, Fagner, Elba Ramalho, dentre outros. A banda também registrou seu repertório autoral em seu primeiro CD: “Pedaço desse Chão”.
O Tio tocou durante 7 anos, todas às quintas-feiras na casa de Forró Remelexo, criando assim um público fiel das suas apresentações divertidas, animadas e musicalmente atraentes.
As apresentações mudavam de formato, de acordo com cada tipo de proposta. O grupo era composto por Eric Budney (baixo), Johnny Frateschi (guitarra), Pedro Cunha (sanfona), Fabio Freire (voz e percussão) e Caio Figueiredo (bateria).
O Tio Crispiniano até hoje deixa saudosos toda uma geração de forrozeiras e forrozeiros que viveram a juventude no Forró Universitário de São Paulo.
Natural de: São Paulo
Mora em: São Paulo
Data de nascimento: 27/08/1970
Profissão: Músico
Banda: Tio Crispiniano
No Forró desde: 1992
Sou músico, frequentador do Forró e líder da banda Tio Crispiniano. Eu frequento o Forró desde 1992 e conheci o Forró tocando nas casas de shows e em minha formação musical.
O Tio Crispiniano sempre teve uma mistura moderna de elementos musicais e de referências pessoais. Éramos um sexteto com bateria, baixo, guitarra, sanfona, flauta, saxofone, triângulo e voz. Daí, já se percebe que o nosso som não era muito tradicional, mas fazíamos questão de tocar algo bem dançante e contagiante. Diferente sim, mas muito divertido. Alguns puristas não gostavam muito e diziam que éramos roqueiros, mas na verdade, sempre fomos bons músicos de música brasileira.
Sem dúvida minha maior influência é Luiz Gonzaga, mas, especialmente, a nossa banda teve Gilberto Gil, Alceu Valença, Dominguinhos e Jackson do Pandeiro como grandes potências em nossos arranjos e jeito de tocar.
O Forró foi a minha porta de entrada para a música profissional e para os grandes palcos. Conheci pessoas, aprendi muito sobre música e sobre palco, vivi emoções incríveis tocando para grandes multidões e criei uma relação muito importante e viva da música brasileira e nordestina dentro de mim. O Forró me trouxe grandes amigos, experiências incríveis e inesquecíveis, minha esposa e minha família, meus companheiros de música de longa data e uma bagagem profissional que é inestimável.
Posso contar uma história engraçada que vivi no Forró. Tocando no Remelexo, onde atuamos por seis anos seguidos, a casa sempre cheia e o público sempre dançando e paquerando, estávamos tocando quando um rapaz se insinuou para a namorada, na época, do nosso baterista Caio Figueiredo. Todos nós percebemos. Foi engraçado, até que o nosso baterista parou de tocar, levantou da bateria e deu uma baquetada na cabeça do paquerador. Ele voltou normalmente, voltou pra música e demos muitas risadas.
O Tio Crispiniano iniciou a caminhada no Forró no ano de 1990, no Remelexo, em São Paulo. Na época a casa estava precisando de bandas que tocassem todas às quintas-feiras. Então fomos convidados pela banda Boi de Lata, que se apresentava às sextas e eram nossos amigos de longa data.
Assim começou nossa história no Forró. Às quintas-feiras no Remelexo chegou a ter 1.000 pessoas dançando, era um agito. Festas da faculdade, público da cidade inteira e gente interessada nesse novo movimento que surgia, o Forró Universitário.
A nossa formação musical era diferente dos músicos tradicionais de Forró, vínhamos do jazz, do rock e da MPB. Por isso nossa formação de palco também tinha flauta transversal, saxofone, bateria, baixo e guitarra, além da sanfona, triângulo e voz.
Assim conquistamos uma legião de fãs que adoravam nossas apresentações e nos seguiam onde fôssemos: eram os sobrinhos do Tio. O Tio Crispiniano foi um personagem inventado por nós para representar e homenagear o homem nordestino, cheio de histórias incríveis, calejado pela vida dura do trabalho, mas sempre seguindo em frente com esperança e amor no coração.
Alguns anos depois fomos convidados pela S de Samba, produtora do Wilson Simoninha e do Jair Oliveira, para gravarmos nosso primeiro e único álbum, com canções autorais e participações incríveis do próprio Jairzinho e do zabumbeiro lendário Dió de Araújo, além de amigos como Márcio Forte na percussão.
Mais para frente, todos nós, já mais velhos e há mais tempo na estrada da música, decidimos parar de tocar de maneira semanal. Assim a banda foi terminando naturalmente, mas ainda temos dentro de nós a chama daquela juventude musical e pessoal, amada e relembrada com bastante saudade.
O Tio Crispiniano era um grupo de música brasileira nordestina formado por cinco integrantes, todos eles músicos atuantes no mercado musical, tocando com outros artistas, produzindo e gravando em estúdios e participando de diversos outros projetos.
Possuía um imenso repertório de Forró Pé-de-serra, ou Raiz, que incluía Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Alceu Valença, Gilberto Gil, Targino Gondim, Fagner, Elba Ramalho, dentre outros. A banda também registrou seu repertório autoral em seu primeiro CD: “Pedaço desse Chão”.
O Tio tocou durante 7 anos, todas às quintas-feiras na casa de Forró Remelexo, criando assim um público fiel das suas apresentações divertidas, animadas e musicalmente atraentes.
As apresentações mudavam de formato, de acordo com cada tipo de proposta. O grupo era composto por Eric Budney (baixo), Johnny Frateschi (guitarra), Pedro Cunha (sanfona), Fabio Freire (voz e percussão) e Caio Figueiredo (bateria).
O Tio Crispiniano até hoje deixa saudosos toda uma geração de forrozeiras e forrozeiros que viveram a juventude no Forró Universitário de São Paulo.

DJ Celinho
DJ Celinho, CÉLIO AVELINO DA SILVA , atua no Forró como DJ desde 2004, e atualmente é residente do Canto da Ema. Nascido em 12/06/1974 São Paulo/SP, o pai é do Ceará, cidade de Icó (perto Pedrinhas). Um dos mais antigos DJs de Sampa, Celinho foi também frequentador das baladas, deu aulas e foi produtor de festas como: Açaí Praia, Remelexo Brasil, Central do Brasil, Embaixada Nordestina, Troppo/SC, Buena Vista, Sabadá Music Bar, Barracuda,
Como ele conheceu o Forró: “Eu tinha vontade de aprender a dançar Forró, aí comecei a frequentar. Eu ia no Axé no Cabral, e rolava umas cortinas de 2 a 3 forrós, vi a galera dançando, e quis aprender. Fiz aulas numa academia, e quis ver mais de perto o movimento. Aí fui no Estância Alto da Serra, o dj era o Celso Gazu. Fui me aprofundando, conheci o Projeto Equilíbrio, KVA, Remelexo, Danado…”
“ Aluguei uma sala, comecei dar aulas para iniciantes, pra fomentar mais forrozeiros. Conheci o professor Ivan dos Santos ABC, Silver, DJ Robson Garcia. Eu fazia bailes pros alunos, e fui juntando CDs de forró. Aí o Ivan dos Santos me convidou pra discotecar num baile, o Silver tava lá me chamou pra o Açai praia, ele gostou, rolou todo sábado por três anos, virei DJ sem querer”
“O Forró é bem estar, alegria, me trouxe muitas amizades, tá no sangue, gosto de chegar no baile, ver alguém que tá com dificuldade ou tá sentada, e convido pra dançar. A pessoa geralmente se torna minha seguidora, onde eu toco, as pessoas vão atrás.
Quando eu comecei eu levei muito toco, muito não. Quando fui convidado pra tocar no circuito social do Planta e Raiz no Expresso Brasil, pra 5k. Depois fiz o evento forró de cara nova no Estância Alto da Serra.
Quando o Silver me convidou pra tocar no açai Praia,a casa estava no auge. Nas sextas-feiras era o dj milton antes de mim, nos tornamos amigos.
A 1a vez que toquei no Remelexo, público exigente, o dono veio me parabenizar e oficializar que eu seria DJ lá. Depois fui falar com Milton, ele disse que tava com um trampo num posto de gasolina e não podia mais ir, e eu assumi.
Pessoas que marcaram minha vida no Forró foram: a Fabiana Paris, Daniel Silver,
e pessoas que nos ensinam muito com seu jeito profissional, Zé Roberto e Paulinho Rosa,
Renato trio forrozão, Edinei-rmlx, Magno. e tem os profissionais da dança que admiro: Ivan dos Santos - ABC, Ivan Ribeiro, Buiu, Evandro Paz, Leandro de Jesus, Celso Gazu. E os DJS Tick, Rick rca, Ivan Dias, Milton, Alambique, Paulinho. Sobre Renato, empresário do Trio Forrozão. me deu altos toques, conselhos, que você é um artista, não tem que pedir vip, vai lá e paga, abriu várias portas”.
Como ele conheceu o Forró: “Eu tinha vontade de aprender a dançar Forró, aí comecei a frequentar. Eu ia no Axé no Cabral, e rolava umas cortinas de 2 a 3 forrós, vi a galera dançando, e quis aprender. Fiz aulas numa academia, e quis ver mais de perto o movimento. Aí fui no Estância Alto da Serra, o dj era o Celso Gazu. Fui me aprofundando, conheci o Projeto Equilíbrio, KVA, Remelexo, Danado…”
“ Aluguei uma sala, comecei dar aulas para iniciantes, pra fomentar mais forrozeiros. Conheci o professor Ivan dos Santos ABC, Silver, DJ Robson Garcia. Eu fazia bailes pros alunos, e fui juntando CDs de forró. Aí o Ivan dos Santos me convidou pra discotecar num baile, o Silver tava lá me chamou pra o Açai praia, ele gostou, rolou todo sábado por três anos, virei DJ sem querer”
“O Forró é bem estar, alegria, me trouxe muitas amizades, tá no sangue, gosto de chegar no baile, ver alguém que tá com dificuldade ou tá sentada, e convido pra dançar. A pessoa geralmente se torna minha seguidora, onde eu toco, as pessoas vão atrás.
Quando eu comecei eu levei muito toco, muito não. Quando fui convidado pra tocar no circuito social do Planta e Raiz no Expresso Brasil, pra 5k. Depois fiz o evento forró de cara nova no Estância Alto da Serra.
Quando o Silver me convidou pra tocar no açai Praia,a casa estava no auge. Nas sextas-feiras era o dj milton antes de mim, nos tornamos amigos.
A 1a vez que toquei no Remelexo, público exigente, o dono veio me parabenizar e oficializar que eu seria DJ lá. Depois fui falar com Milton, ele disse que tava com um trampo num posto de gasolina e não podia mais ir, e eu assumi.
Pessoas que marcaram minha vida no Forró foram: a Fabiana Paris, Daniel Silver,
e pessoas que nos ensinam muito com seu jeito profissional, Zé Roberto e Paulinho Rosa,
Renato trio forrozão, Edinei-rmlx, Magno. e tem os profissionais da dança que admiro: Ivan dos Santos - ABC, Ivan Ribeiro, Buiu, Evandro Paz, Leandro de Jesus, Celso Gazu. E os DJS Tick, Rick rca, Ivan Dias, Milton, Alambique, Paulinho. Sobre Renato, empresário do Trio Forrozão. me deu altos toques, conselhos, que você é um artista, não tem que pedir vip, vai lá e paga, abriu várias portas”.

DJ Ivan Dias . FORRÓ EM VINIL . FESTIVAL ROOTSTOCK . O QUE É O FORRÓ
DJ Ivan Dias
Cidade Natal: São Paulo
Cidade em que Mora: São Paulo
Data de Nascimento:1974
Desde quando atua/frequenta no Forró: 1996/1997
Profissão: DJ, pesquisador e produtor de Forró
Hábitos Forrozeiros: Vai na festa com roupa do dia a dia, bebe água
entrevista realizada por Evandro Paz
texto escrito por iris De franco
DJ Ivan Dias Cidade Natal: São Paulo Cidade em que Mora: São Paulo Data de Nascimento:1974 Desde quando frequenta/atua no Forró: 1996/1997 Profissão: DJ, pesquisador e produtor de Forró Hábitos Forrozeiros: Vai na festa com roupa do dia a dia, bebe água entrevista realizada por Evandro Paz texto escrito por Iris de franco Ivan Dias é um grande DJ e pesquisador de Forró, recebeu o Troféu Gonzagão em reconhecimento ao Festival Rootstock dentro do cenário nacional. É é uma das figuras que mais contribuiu para o fomento, a difusão e a salvaguarda do Forró no mundo. Idealizador e um dos criadores do maior acervo de discos de Forró do mundo: Forró em Vinil http://www.forroemvinil.com/ e do Festival Rootstock, https://www.facebook.com/festivalrootstock, o pioneiro e o atualmente o maior do segmento do Forró Urbano, o qual recebeu cerca de 3000 pessoas por dia nas suas edições mais recentes. O Rootstock realizou diversas entrevistas e documentários importantes com as/os artistas forrozeiras/os como: Genival Lacerda, Flávio José, Anastácia, Mestrinho, Benício Guimarães, Zenilton, dentre tantas e tantos outros. Ivan fala do surgimento da ideia desta linda festa que atualmente dura, em média, 3 dias e acontece anualmente: “Éramos um grupo de amigos papeando, falávamos de um contraponto ao Forró Universitário (pop), chamávamos de Forró Roots (tradicional)... e claro influenciado pelo Woodstock” . Assim surgiu o Rootstock no início dos anos 2000, hoje um dos principais pontos de encontro dos forrozeiros do mundo, no princípio, um encontro de amigos em um sítio, que se transformou num festival profissional de Forró. Migrando do interior do estado de São Paulo, fincou sede em BH, cidade que hoje exibe uma cena de Forró bastante plural e intensa com relação a estilos e escolas de dança, DJs e festas. Ivan Dias foi pioneiro também em criar e concretizar a maior plataforma discográfica de Forró do mundo, o Forró em Vinil http://www.forroemvinil.com/ que disponibiliza gratuitamente álbuns novos e antigos para download. Este site se iniciou em 2007, numa época em que não existia o streaming, nem as nuvens e a moda era CD original ou mesmo pirata, num tempo que era muito difícil baixar música pela internet. Ivan fala: “Nós DJs tínhamos uma pesquisa, todos colecionavamos discos, tanto CDs quanto Vinis, (como o próprio Ivan que tem mais de 5000 vinis) e resolvemos compartilhar com as pessoas para além do baile, da festa, resolvemos dividir o que a gente tinha, sem cobrar. Eu e o DJ Tick decidimos usar as ferramentas da época da internet, para postar um disco por dia, e criar um banco de dados, disponibilizando o conteúdo online. Criamos o blog em janeiro de 2007.” O Forró em Vinil fez uma grande e importante pesquisa e trabalho de garimpo, tornando-se um dos maiores arquivos de História do Forró Música que hoje recebe colaboradores do Brasil inteiro. “Eu tive que peneirar, comprar discos e ver se tinha algo interessante de Forró, hoje os DJs têm uma pesquisa grande já pronta”, fala Ivan. Grande pesquisador de Forró, Ivan Dias, começou como DJ na Cooperativa Brasil, em 1997, casa de Forró em Campinas. Depois foi tocar no KVA e Projeto Equilíbrio, em São Paulo, em outros estados do Brasil e em diferentes países da Europa. Lançou inúmeras modas e resgatou artistas esquecidos através de sua discotecagem, pesquisa, produção de shows e gravação de álbuns de músicos e musicistas abandonadas/os pelo tempo, pela moda ou pela mídia. Ivan Dias produziu discos cerca de 25 CD , 9 DVDs e 3 vinis: 'Parafina' do Edson Duarte, um EP de 10 polegadas, de 2019, realizando um sonho do Seu Edson de ter um vinil e ser tocado nas pickups dos bailes de Forró. Depois, fez o re-press em formato vinil do primeiro CD do Trio Macaíba, um álbum de 2013 pelo qual se apaixonou, também prensado durante a pandemia. E o mais recente vinil é um disco inédito de Luizinho Calixto, um disco instrumental de Forró onde o elemento principal é a "Sanfona de 8 baixos" com músicas de autoria de Anastácia e Dominguinhos da década de 70, que fizeram parte da infância de Luizinho, irmão caçula dos Calixto. Ivan diz: “Enquanto Zé Calixto estava gravando, o Luizinho era criança, estava ouvindo, depois disso ele se tornou apenas o maior tocador de 8 baixos da história. O sonho do cara era gravar aquelas músicas da infância dele e eu tive o privilégio de interagir na produção do disco. A gente conseguiu fazer um álbum instrumental com participação de Mestrinho, Nicolas Krassik, Claudio Rabeca, Marcos Farias, Luciano Magno, Moisés Alves, entre outros ícones, um monte de gente legal. Ficou um disco lindo, tenho a honra de ter participado. O álbum ganhou o nome de 'Domingos' em homenagem a Dominguinhos.” Ivan Dias também foi premiado no nordeste com o Troféu Gonzagão em 2018 pelo seu trabalho com o Festival Rootstock, e recentemente foi contemplado pela segunda edição da Lei de Fomento ao Forró para a cidade de São Paulo, para a prensagem, compartilhamento e difusão do livro: O que é o Forró? http://www.forroemvinil.com/livros/livro-o-que-e-o-forro-2022-ivan-dias-esandrinho-dupan/ que hoje tem 100 páginas e está disponível online e nas bibliotecas públicas de SP. Este livro é um marco na História do Forró, pois faz a ligação entre os primórdios, a formação do movimento forrozeiro com a atualidade, dando um panorama mundial e abordando o Forró como um todo, enquanto festa, enquanto dança, enquanto música, o Forró enquanto estilo de vida. Ivan diz que dançar, entender as pistas de dança e um pouco de música, ajuda muito na carreira de DJ. Falou em entrevista para Forró Urbano: um álbum que conta histórias: “Eu adoslescente tinha essa ligação corporal que vem da capoeira, o batuque da capoeira tem tudo a ver com a musicalidade do Forró, que era um negócio viciante também (como o Forró). Capoeirista também tem esse lance fitness (fazendo a comparação com o forrozeiro), este lance de ficar completamente dentro daquele ambiente. Eu, moleque, era do esporte, da capoeira, do skate, gostava de andar de bicicleta, cheguei a praticar Triathlon, fiz faculdade de Educação Física, fui técnico de natação e durante a faculdade comecei a me enrolar com Forró. Eu tinha alguma influência de dança da lambada, Kaoma, eu tava no colegial. Mas era uma coisa mais coreografada, não era um negócio de condução como a gente tem hoje no Forró e era uma música que não me seduz, era também uma moda, algo sem raízes para mim.” Para além da corporalidade, Ivan conta então de suas raízes musicais: “Meus pais, eram muito musicais, embora não fossem musicistas, ouvi muita música durante a infância. Música clássica, por influência do meu pai e muita MPB por parte da minha mãe. Na pré-adolescência estudei Clarinete no Conservatório e a primeira música que aprendi a tocar foi ”Asa Branca“. Geneticamente, não tenho descendência nordestina, mas quando ouvi o Forró, parecia que já éramos íntimos há tempos. Depois disso pratiquei e aprendi rudimentos de Violão, Sanfona (acordeon), Canto e vários instrumentos de percussão, tudo de forma prática. Participei do Trio Boca Mole em meados dos anos 2000 e acompanhei alguns sanfoneiros tocando triângulo e cantando.” Trecho da sua entrevista concedida na revista Ritmo e Melodia https://www.ritmomelodia.mus.br
Ivan Dias em entrevista conduzida pelo professor Evandro Paz para Forró Urbano: um álbum que conta histórias: “Eu comecei toda essa onda do Forró sendo DJ e dando aula de dança. Um apanhado de toda minha carreira foi ter escrito o livro (O que é O Forró?). Acho que ele é um marco que resume um pouco do que eu aprendi nesse meio tempo.” “E comecei a frequentar o Forró mesmo, eu tava na faculdade, tinha por volta de uns 20 anos. Guaraná de rolha, né? rs. Deve ter sido por volta de 1996. Em meados da década de 1990 começaram a ter umas festas de Forró Universitário aqui em São Paulo, e digo que São Paulo também como estado, não só como cidade. E aí no final de 1996 eu fui para Itaúnas e fiquei um mês e meio lá.” Evandro: “Como você foi parar em Itaúnas?” “Foi uma história engraçada. Embora eu tivesse frequentado algumas festas de Forró aqui, aquilo era algo que não me chamava tanto atenção. E aí no final do ano a minha irmã me ligou e falou, Olha, nós estamos indo para o sul da Bahia. E vou eu e uma amiga nossa, que tal? No impulso, peguei o dinheiro entreguei para ela e falei: - 'ó, compra uma passagem para mim?' Na época não tinha internet, e também não tinha dinheiro para ir de avião, a gente tinha que ir na rodoviária comprar passagem. Eu fui com a minha irmã e com essa nossa amiga eu fiquei um tempão lá. Depois descobri que não era Bahia, era norte do Espírito Santo, aí a gente vai aprender a Geografia do local. Fui sem saber o que tinha lá. Cheguei e me deparei com o ambiente. E voltei convertido” Evandro: “Na religião? Perfeito! Explicação melhor que essa não tem? Aí aconteceu o batismo, não é?” “Então o sanfoneiro é o sacerdote, o nosso guia, rs. Tudo isso, cara! Nessa última temporada em Itaúnas, eu refleti sobre todo esse tempo de uma maneira interessante de se enxergar. Andando pela Vila, vi um monte de gente legal, encontrei milhares de amigos que eu não encontrava fazia tempo. E tropecei em forrozeiro, em músico, em sanfoneiro, em sanfoneirinho mirim, que tá nascendo agora, sabe, tipo?! E ali, cara, eu percebi que todo mundo, o que nós tínhamos em comum? Era o Forró. Todo mundo que estava ali em julho tava ali por causa do Forró. Não porque era temporada de férias, o cara não foi passar uma semana na praia. Quem tava ali é porque gosta de Forró.” “E ali pela primeira vez, depois de muito tempo, eu me senti normal. Eu passei minha vida toda sendo alienígena nos círculos de amizades de fora do Forró, eu era um alien. - O que você faz? - Eu trabalho com Forró. - Como você trabalha com Forró? Você vai no Forró se divertir? - Não, eu trabalho com Forró. E eu passei isso minha vida inteira, explicando para as pessoas que eu me dedicava ao Forró. - Qual é o seu problema, menino? Vai trabalhar! Toma rumo na sua vida, você não vai ser moleque para sempre! Aquela lição de moral que a vó falava quando o cara não escolhia a carreira de advocacia, medicina ou engenharia. Eu ouvi isso a vida inteira. Agora nesta temporada (em Itaúnas) eu caí na real: lá eu me senti normal, dentro do Rootstock eu me sinto normal, porque todo mundo ali gosta da mesma coisa (Forró) e isto não tem preço.” “Bom, eu não sei dizer o que me botou pra dentro do Forró, mas eu voltei de Itaúnas pela primeira vez cantando música de Forró, na semana que cheguei eu já queria ir para o Forró de novo. Acho que o Forró me pegou com as mesmas armas, qualidades que capta qualquer pessoa que está disposta a interagir, que sente o ritmo e que gosta de música brasileira. Desde que eu entrei para o Forró, a maior parte das músicas que eu ouço diariamente é Forró.” Como surgiu o nome Roots… O Forró já recebeu várias denominações no decorrer dos séculos e muitas de suas vertentes são variações e vem surgindo através dos tempos, visto que é uma cultura viva e que se atualiza conforme a época e o espaço que se realiza. Forró Raiz, Forró Tradicional, Forró Universitário, Piseiro, Forró Pé-de-Serra, Forró Eletrônico, Forró Estilizado, Forró Fieira, Forró Urbano, Forró Roots… Dentre todas as atuais modas no Forró, o Roots é um nome que intriga e veio para ficar, criando um novo ramo de estilos de dança, uma predileção por determinados tipos de músicas e maneiras de fazer a festa. Esta entrevista com Ivan Dias dá pistas de que, sem nem imaginar onde este festival iria dar, foi o Rootstock e Itaúnas que inspiraram este movimento. “É interessante ver que as mesmas nomenclaturas foram sendo usadas no decorrer dos séculos, para significar coisas diferentes. A festa Forró tocava diferentes ritmos e o povo dançava tudo, mas era chamada mais de Samba do que de Forró. Até que na década de 1950 o ritmo Samba, do jeito que a gente conhece hoje, se apropriou do nome para uma festa Samba onde só se tocasse o ritmo Samba. Ai sim a nomenclatura Forró passou a ser predominantemente usada para a festa. Foi só na década de 1960 que Jackson formatou um ritmo e batizou com o nome de Forró.” “O nome Forró já foi usado várias vezes, o nome Samba também. Samba Enredo, Samba de Partido Alto, Samba de Breque, Samba de Coco, entre outros... E porquê surgiram estas sub-denominações como Forró Eletrônico ou Forró Universitário, Forró Raiz, Forró Pé-de-serra, Forró Tradicional, etc.? Porque surgiram variações, aquele que tava antes às vezes sentiu a necessidade de se autocaracterizar como o Forró Tradicional (Pé-de-Serra), por exemplo: - O que tá saindo aí já não sou mais eu. Esses ai são meus filhos e netos.” “A nomenclatura Forró Pé-de-Serra é muito curiosa, ela não era utilizada até o final dos anos 1990, quando surgiu o movimento do Forró Universitário. Até o final da década de 1980, o Forró vinha evoluindo musicalmente até que surgiram as Bandas de Forró, que viriam a ser categorizadas como Forró Eletrônico. As Bandas se apropriaram do nome Forró, que até então era usado genericamente. Quando surgiu o Forró Universitário as gravadoras precisavam de um carimbo que dissesse, esse 'novo' Forró é diferente do Forró Eletrônico e também diferente daquele antigo lá (Pé-de-Serra) ... Que era estigmatizado como 'coisa de velho'. A indústria, a moda, a mídia precisam destes apelos, destas inovações.” “Em 1997, a Sony Music havia comprado os acervos de gravadoras antigas que tinham a maioria dos nossos Forrós. O diretor artístico, Oséas Lopes falou: - Vou fazer uma coletânea com os melhores destes arquivos e batizou com nome de Forró Pé-de-Serra. Para categorizar era aquele 'forrozinho antigo'. E a partir daí que se usa essa nomenclatura. Tem muita gente que acha que se chama Pé-de-serra desde os primórdios...” Evandro: “- O que contam é justamente isso, né? Acham que é pé da Serra do Araripe, do Luiz Gonzaga” Ivan: “- Mas não é. Certamente a música “No Meu Pé-de-Serra” inspirou, o título daquela coletânea. É algo super recente, as nomenclaturas vão se reciclando, que nem vocês da dança que inventaram um monte de nomenclaturas pra cada estilo de dança. Daí eu estou no Forró e uma menina, que tem a idade da minha filha, me pergunta: - Que estilo você dança? (risadas e palavrões) … Eu danço Forró... (ou pelo menos achava que dançava Forró) Tipo o básico: dois pra lá e dois pra cá. Tô brincando… mas o lance das nomenclaturas impreterivelmente vai mudando com o passar dos tempos.” “Quando preciso usar uma nomenclatura para definir, prefiro Forró Tradicional, Raiz pode abrir discussão sobre o que são as raízes do Forró. Pé-de-Serra eu acabei de contar a história. E eu não me classifico em lugar nenhum. Comecei antes do Forró Universitário e pude ver muitas fases do Forró. Não tenho mais a paixão de querer mudar o mundo, mas estou fazendo minha parte. O Piseiro e o Forró Eletrônico vão continuar a acontecer, apesar de não ser a minha praia, a gente tem que saber coexistir com os netos e bisnetos do Forró.” “O nome Rootstock, era um grupo de umas 8 pessoas, a gente brincava fazendo um contraponto ao Forró Universitário, mais pop e a gente chamava o Forró Tradicional de 'Roots', e o nome do festival veio em uma alusão ao Woodstock, as primeiras festas foram em sítios, fora da cidade. O primeiro Rootstock aconteceu logo após o ápice do Forró Universitário, hoje eu aceito críticas em função do nome ser em inglês, mas não sei como fazer para mudar.” Evandro: “Você acha que você tem responsabilidade por hoje as pessoas chamarem o jeito de dançar e até um lifestyle de Roots que talvez tenha vindo do Rootstock?” Ivan: “Cara, é possível, é provável que sim. Eu acho que o Festival Rootstock, assim como Itaúnas também, teve uma importância grande na mistura dos estilos de dança e forneceu uma plataforma de troca entre os dançarinos. Tornou-se um dos pontos de encontro de dançarinos que vinham de influências diferentes. Então acho que ajudou a batizar esse estilo lindo aí que a turma chamou de Roots. Antes não tinha esses floreios que o pessoal faz com os pés, na época a gente usava a nomenclatura por causa da música e depois de uns 10 anos, um dos estilos de dança ganhou este nome.” “Creio que sou muito mais próximo do Forró Urbano do que o que seria o Forró Raiz, porque quando eu falo 'Raiz' eu penso muito antes do trio tradicional. Antes era o Conjunto regional (até meados do século XX), o formato trio, que se tornou tradicional, já é uma evolução disso. A evolução é inexorável, tanto na música quanto na dança. Pensando na massificação da dança, a Salsa é a dança de casal que tem mais frequentadores no mundo, eu vejo o Forró como algo que vai superar a Salsa em número de usuários. A maior parte do mundo não entende espanhol, assim como não entende português. Mas o 'dois pra lá e dois pra cá', não precisa nem amarrar o elástico no joelho, kkkk (referindo-se à técnica de Evandro Paz usada nas aulas de Forró dança), na primeira aula, você ensina o básico pra aquele cara de quadril duro. Agora aquela requebradinha da Salsa, vixe, o cara vai demorar um ano e não vai aprender, o cara vai ter que ir no psicólogo para soltar o quadril e não vai aprender.” “A música pode estar presente na sua vida o dia inteiro, independente de estar no baile, você que é professor tem a dança presente no dia-a-dia. Quem é convertido no Forró respira Forró, às vezes o cara faz exercício de dança em casa. Essa molecada nova aí, estuda e aprende, fica vendo vídeos do professor ensinando as manobras. Isso é muito legal, a molecada tá estudando. Eu admiro demais, sou fã de todos vocês que ensinam Forró. Tem gente que fala que o legal do Forró é ensinar de pai para filho, orgânico. É uma visão purista e romântica, mas, com muita convicção, não concordo! Vocês professores de dança, das aulas, têm jogado o Forró para cima em quantidade de novos dançarinos no mundo inteiro, então e se eu tiver que apostar em alguma coisa, eu aposto todas as fichas em aulas de dança, na captação de alunos, pois é isso que vai preencher os bailes no futuro. Sem a dança e os professores de dança, o Forró seria mais cachaçado, muitos amigos antes eram Forró Fitness e viraram Forró cachaçado. Mas quem dança é diferente.” Ivan foi o primeiro produtor a colocar aulas de Forró dentro de um festival no Brasil, em 2013 no Festival Rootstock, ele completa: “E a multiplicação se dará através do Forró Urbano de professores ensinando Forró. Através disso que a gente tá vivendo na Europa, uma parada organizada, as associações fazendo os bailes, daqui a pouco vai ter os empresários de Forró organizando as paradas. A gente começou organizando uma festa diferente entre amigos e com o tempo o negócio foi crescendo e a gente consegue fazer uma festa gigantesca e auto suficiente, como o Festival Rootstock Brasil.” Histórias de Rootstock… “Até 2007 a gente fez o Festival Rootstock só com as feras que viviam no Sudeste. Em 2008, trouxemos o Edson Duarte. E em 2009, decidimos trazer Joci Batista. Ele era um coroa muito legal que tava parado lá no Recife desde a época do vinil. A gente achou o telefone dele, ligou na casa dele, ele atendeu... convidamos e o ele topou vir. E a filha dele ficou apreensiva: - Mas vocês vão buscar meu pai no aeroporto? - Claro! Era uma atração surpresa, ninguém sabia que ele viria. Eu tinha prometido para a filha dele ficar de olho no Seu Joci, então fui lá com ele dar uma volta na festa. Seu Joci andava devagarinho, a gente foi trocando ideia, eu mostrando a molecada para ele, a molecada dançando na beira da piscina. Ele: - Nossa, que bonito! A gente tava no camarim conversando e chegou Benício Guimarães, eles era grandes amigos, mas não se viam, não se encontravam e acho que eles não se falavam há uns trinta e tantos anos. Para ambos o encontro foi uma surpresa total. Ficou um silêncio por alguns segundos, eles se olharam, pensaram um pouco, se reconheceram (eles estavam pelo menos 30 anos mais velhos do que da última vez que haviam se encontrado), continuaram mudos, sorriram, fizeram uns movimentos coreografados (que devia ser alguma dança particular da época), correram devagarinho e se abraçaram. Pode parecer bobo, mas foi a coisa mais linda do mundo. Uma grande amizade não se acaba com o tempo e nem com a distância.
Cidade Natal: São Paulo
Cidade em que Mora: São Paulo
Data de Nascimento:1974
Desde quando atua/frequenta no Forró: 1996/1997
Profissão: DJ, pesquisador e produtor de Forró
Hábitos Forrozeiros: Vai na festa com roupa do dia a dia, bebe água
entrevista realizada por Evandro Paz
texto escrito por iris De franco
DJ Ivan Dias Cidade Natal: São Paulo Cidade em que Mora: São Paulo Data de Nascimento:1974 Desde quando frequenta/atua no Forró: 1996/1997 Profissão: DJ, pesquisador e produtor de Forró Hábitos Forrozeiros: Vai na festa com roupa do dia a dia, bebe água entrevista realizada por Evandro Paz texto escrito por Iris de franco Ivan Dias é um grande DJ e pesquisador de Forró, recebeu o Troféu Gonzagão em reconhecimento ao Festival Rootstock dentro do cenário nacional. É é uma das figuras que mais contribuiu para o fomento, a difusão e a salvaguarda do Forró no mundo. Idealizador e um dos criadores do maior acervo de discos de Forró do mundo: Forró em Vinil http://www.forroemvinil.com/ e do Festival Rootstock, https://www.facebook.com/festivalrootstock, o pioneiro e o atualmente o maior do segmento do Forró Urbano, o qual recebeu cerca de 3000 pessoas por dia nas suas edições mais recentes. O Rootstock realizou diversas entrevistas e documentários importantes com as/os artistas forrozeiras/os como: Genival Lacerda, Flávio José, Anastácia, Mestrinho, Benício Guimarães, Zenilton, dentre tantas e tantos outros. Ivan fala do surgimento da ideia desta linda festa que atualmente dura, em média, 3 dias e acontece anualmente: “Éramos um grupo de amigos papeando, falávamos de um contraponto ao Forró Universitário (pop), chamávamos de Forró Roots (tradicional)... e claro influenciado pelo Woodstock” . Assim surgiu o Rootstock no início dos anos 2000, hoje um dos principais pontos de encontro dos forrozeiros do mundo, no princípio, um encontro de amigos em um sítio, que se transformou num festival profissional de Forró. Migrando do interior do estado de São Paulo, fincou sede em BH, cidade que hoje exibe uma cena de Forró bastante plural e intensa com relação a estilos e escolas de dança, DJs e festas. Ivan Dias foi pioneiro também em criar e concretizar a maior plataforma discográfica de Forró do mundo, o Forró em Vinil http://www.forroemvinil.com/ que disponibiliza gratuitamente álbuns novos e antigos para download. Este site se iniciou em 2007, numa época em que não existia o streaming, nem as nuvens e a moda era CD original ou mesmo pirata, num tempo que era muito difícil baixar música pela internet. Ivan fala: “Nós DJs tínhamos uma pesquisa, todos colecionavamos discos, tanto CDs quanto Vinis, (como o próprio Ivan que tem mais de 5000 vinis) e resolvemos compartilhar com as pessoas para além do baile, da festa, resolvemos dividir o que a gente tinha, sem cobrar. Eu e o DJ Tick decidimos usar as ferramentas da época da internet, para postar um disco por dia, e criar um banco de dados, disponibilizando o conteúdo online. Criamos o blog em janeiro de 2007.” O Forró em Vinil fez uma grande e importante pesquisa e trabalho de garimpo, tornando-se um dos maiores arquivos de História do Forró Música que hoje recebe colaboradores do Brasil inteiro. “Eu tive que peneirar, comprar discos e ver se tinha algo interessante de Forró, hoje os DJs têm uma pesquisa grande já pronta”, fala Ivan. Grande pesquisador de Forró, Ivan Dias, começou como DJ na Cooperativa Brasil, em 1997, casa de Forró em Campinas. Depois foi tocar no KVA e Projeto Equilíbrio, em São Paulo, em outros estados do Brasil e em diferentes países da Europa. Lançou inúmeras modas e resgatou artistas esquecidos através de sua discotecagem, pesquisa, produção de shows e gravação de álbuns de músicos e musicistas abandonadas/os pelo tempo, pela moda ou pela mídia. Ivan Dias produziu discos cerca de 25 CD , 9 DVDs e 3 vinis: 'Parafina' do Edson Duarte, um EP de 10 polegadas, de 2019, realizando um sonho do Seu Edson de ter um vinil e ser tocado nas pickups dos bailes de Forró. Depois, fez o re-press em formato vinil do primeiro CD do Trio Macaíba, um álbum de 2013 pelo qual se apaixonou, também prensado durante a pandemia. E o mais recente vinil é um disco inédito de Luizinho Calixto, um disco instrumental de Forró onde o elemento principal é a "Sanfona de 8 baixos" com músicas de autoria de Anastácia e Dominguinhos da década de 70, que fizeram parte da infância de Luizinho, irmão caçula dos Calixto. Ivan diz: “Enquanto Zé Calixto estava gravando, o Luizinho era criança, estava ouvindo, depois disso ele se tornou apenas o maior tocador de 8 baixos da história. O sonho do cara era gravar aquelas músicas da infância dele e eu tive o privilégio de interagir na produção do disco. A gente conseguiu fazer um álbum instrumental com participação de Mestrinho, Nicolas Krassik, Claudio Rabeca, Marcos Farias, Luciano Magno, Moisés Alves, entre outros ícones, um monte de gente legal. Ficou um disco lindo, tenho a honra de ter participado. O álbum ganhou o nome de 'Domingos' em homenagem a Dominguinhos.” Ivan Dias também foi premiado no nordeste com o Troféu Gonzagão em 2018 pelo seu trabalho com o Festival Rootstock, e recentemente foi contemplado pela segunda edição da Lei de Fomento ao Forró para a cidade de São Paulo, para a prensagem, compartilhamento e difusão do livro: O que é o Forró? http://www.forroemvinil.com/livros/livro-o-que-e-o-forro-2022-ivan-dias-esandrinho-dupan/ que hoje tem 100 páginas e está disponível online e nas bibliotecas públicas de SP. Este livro é um marco na História do Forró, pois faz a ligação entre os primórdios, a formação do movimento forrozeiro com a atualidade, dando um panorama mundial e abordando o Forró como um todo, enquanto festa, enquanto dança, enquanto música, o Forró enquanto estilo de vida. Ivan diz que dançar, entender as pistas de dança e um pouco de música, ajuda muito na carreira de DJ. Falou em entrevista para Forró Urbano: um álbum que conta histórias: “Eu adoslescente tinha essa ligação corporal que vem da capoeira, o batuque da capoeira tem tudo a ver com a musicalidade do Forró, que era um negócio viciante também (como o Forró). Capoeirista também tem esse lance fitness (fazendo a comparação com o forrozeiro), este lance de ficar completamente dentro daquele ambiente. Eu, moleque, era do esporte, da capoeira, do skate, gostava de andar de bicicleta, cheguei a praticar Triathlon, fiz faculdade de Educação Física, fui técnico de natação e durante a faculdade comecei a me enrolar com Forró. Eu tinha alguma influência de dança da lambada, Kaoma, eu tava no colegial. Mas era uma coisa mais coreografada, não era um negócio de condução como a gente tem hoje no Forró e era uma música que não me seduz, era também uma moda, algo sem raízes para mim.” Para além da corporalidade, Ivan conta então de suas raízes musicais: “Meus pais, eram muito musicais, embora não fossem musicistas, ouvi muita música durante a infância. Música clássica, por influência do meu pai e muita MPB por parte da minha mãe. Na pré-adolescência estudei Clarinete no Conservatório e a primeira música que aprendi a tocar foi ”Asa Branca“. Geneticamente, não tenho descendência nordestina, mas quando ouvi o Forró, parecia que já éramos íntimos há tempos. Depois disso pratiquei e aprendi rudimentos de Violão, Sanfona (acordeon), Canto e vários instrumentos de percussão, tudo de forma prática. Participei do Trio Boca Mole em meados dos anos 2000 e acompanhei alguns sanfoneiros tocando triângulo e cantando.” Trecho da sua entrevista concedida na revista Ritmo e Melodia https://www.ritmomelodia.mus.br
Ivan Dias em entrevista conduzida pelo professor Evandro Paz para Forró Urbano: um álbum que conta histórias: “Eu comecei toda essa onda do Forró sendo DJ e dando aula de dança. Um apanhado de toda minha carreira foi ter escrito o livro (O que é O Forró?). Acho que ele é um marco que resume um pouco do que eu aprendi nesse meio tempo.” “E comecei a frequentar o Forró mesmo, eu tava na faculdade, tinha por volta de uns 20 anos. Guaraná de rolha, né? rs. Deve ter sido por volta de 1996. Em meados da década de 1990 começaram a ter umas festas de Forró Universitário aqui em São Paulo, e digo que São Paulo também como estado, não só como cidade. E aí no final de 1996 eu fui para Itaúnas e fiquei um mês e meio lá.” Evandro: “Como você foi parar em Itaúnas?” “Foi uma história engraçada. Embora eu tivesse frequentado algumas festas de Forró aqui, aquilo era algo que não me chamava tanto atenção. E aí no final do ano a minha irmã me ligou e falou, Olha, nós estamos indo para o sul da Bahia. E vou eu e uma amiga nossa, que tal? No impulso, peguei o dinheiro entreguei para ela e falei: - 'ó, compra uma passagem para mim?' Na época não tinha internet, e também não tinha dinheiro para ir de avião, a gente tinha que ir na rodoviária comprar passagem. Eu fui com a minha irmã e com essa nossa amiga eu fiquei um tempão lá. Depois descobri que não era Bahia, era norte do Espírito Santo, aí a gente vai aprender a Geografia do local. Fui sem saber o que tinha lá. Cheguei e me deparei com o ambiente. E voltei convertido” Evandro: “Na religião? Perfeito! Explicação melhor que essa não tem? Aí aconteceu o batismo, não é?” “Então o sanfoneiro é o sacerdote, o nosso guia, rs. Tudo isso, cara! Nessa última temporada em Itaúnas, eu refleti sobre todo esse tempo de uma maneira interessante de se enxergar. Andando pela Vila, vi um monte de gente legal, encontrei milhares de amigos que eu não encontrava fazia tempo. E tropecei em forrozeiro, em músico, em sanfoneiro, em sanfoneirinho mirim, que tá nascendo agora, sabe, tipo?! E ali, cara, eu percebi que todo mundo, o que nós tínhamos em comum? Era o Forró. Todo mundo que estava ali em julho tava ali por causa do Forró. Não porque era temporada de férias, o cara não foi passar uma semana na praia. Quem tava ali é porque gosta de Forró.” “E ali pela primeira vez, depois de muito tempo, eu me senti normal. Eu passei minha vida toda sendo alienígena nos círculos de amizades de fora do Forró, eu era um alien. - O que você faz? - Eu trabalho com Forró. - Como você trabalha com Forró? Você vai no Forró se divertir? - Não, eu trabalho com Forró. E eu passei isso minha vida inteira, explicando para as pessoas que eu me dedicava ao Forró. - Qual é o seu problema, menino? Vai trabalhar! Toma rumo na sua vida, você não vai ser moleque para sempre! Aquela lição de moral que a vó falava quando o cara não escolhia a carreira de advocacia, medicina ou engenharia. Eu ouvi isso a vida inteira. Agora nesta temporada (em Itaúnas) eu caí na real: lá eu me senti normal, dentro do Rootstock eu me sinto normal, porque todo mundo ali gosta da mesma coisa (Forró) e isto não tem preço.” “Bom, eu não sei dizer o que me botou pra dentro do Forró, mas eu voltei de Itaúnas pela primeira vez cantando música de Forró, na semana que cheguei eu já queria ir para o Forró de novo. Acho que o Forró me pegou com as mesmas armas, qualidades que capta qualquer pessoa que está disposta a interagir, que sente o ritmo e que gosta de música brasileira. Desde que eu entrei para o Forró, a maior parte das músicas que eu ouço diariamente é Forró.” Como surgiu o nome Roots… O Forró já recebeu várias denominações no decorrer dos séculos e muitas de suas vertentes são variações e vem surgindo através dos tempos, visto que é uma cultura viva e que se atualiza conforme a época e o espaço que se realiza. Forró Raiz, Forró Tradicional, Forró Universitário, Piseiro, Forró Pé-de-Serra, Forró Eletrônico, Forró Estilizado, Forró Fieira, Forró Urbano, Forró Roots… Dentre todas as atuais modas no Forró, o Roots é um nome que intriga e veio para ficar, criando um novo ramo de estilos de dança, uma predileção por determinados tipos de músicas e maneiras de fazer a festa. Esta entrevista com Ivan Dias dá pistas de que, sem nem imaginar onde este festival iria dar, foi o Rootstock e Itaúnas que inspiraram este movimento. “É interessante ver que as mesmas nomenclaturas foram sendo usadas no decorrer dos séculos, para significar coisas diferentes. A festa Forró tocava diferentes ritmos e o povo dançava tudo, mas era chamada mais de Samba do que de Forró. Até que na década de 1950 o ritmo Samba, do jeito que a gente conhece hoje, se apropriou do nome para uma festa Samba onde só se tocasse o ritmo Samba. Ai sim a nomenclatura Forró passou a ser predominantemente usada para a festa. Foi só na década de 1960 que Jackson formatou um ritmo e batizou com o nome de Forró.” “O nome Forró já foi usado várias vezes, o nome Samba também. Samba Enredo, Samba de Partido Alto, Samba de Breque, Samba de Coco, entre outros... E porquê surgiram estas sub-denominações como Forró Eletrônico ou Forró Universitário, Forró Raiz, Forró Pé-de-serra, Forró Tradicional, etc.? Porque surgiram variações, aquele que tava antes às vezes sentiu a necessidade de se autocaracterizar como o Forró Tradicional (Pé-de-Serra), por exemplo: - O que tá saindo aí já não sou mais eu. Esses ai são meus filhos e netos.” “A nomenclatura Forró Pé-de-Serra é muito curiosa, ela não era utilizada até o final dos anos 1990, quando surgiu o movimento do Forró Universitário. Até o final da década de 1980, o Forró vinha evoluindo musicalmente até que surgiram as Bandas de Forró, que viriam a ser categorizadas como Forró Eletrônico. As Bandas se apropriaram do nome Forró, que até então era usado genericamente. Quando surgiu o Forró Universitário as gravadoras precisavam de um carimbo que dissesse, esse 'novo' Forró é diferente do Forró Eletrônico e também diferente daquele antigo lá (Pé-de-Serra) ... Que era estigmatizado como 'coisa de velho'. A indústria, a moda, a mídia precisam destes apelos, destas inovações.” “Em 1997, a Sony Music havia comprado os acervos de gravadoras antigas que tinham a maioria dos nossos Forrós. O diretor artístico, Oséas Lopes falou: - Vou fazer uma coletânea com os melhores destes arquivos e batizou com nome de Forró Pé-de-Serra. Para categorizar era aquele 'forrozinho antigo'. E a partir daí que se usa essa nomenclatura. Tem muita gente que acha que se chama Pé-de-serra desde os primórdios...” Evandro: “- O que contam é justamente isso, né? Acham que é pé da Serra do Araripe, do Luiz Gonzaga” Ivan: “- Mas não é. Certamente a música “No Meu Pé-de-Serra” inspirou, o título daquela coletânea. É algo super recente, as nomenclaturas vão se reciclando, que nem vocês da dança que inventaram um monte de nomenclaturas pra cada estilo de dança. Daí eu estou no Forró e uma menina, que tem a idade da minha filha, me pergunta: - Que estilo você dança? (risadas e palavrões) … Eu danço Forró... (ou pelo menos achava que dançava Forró) Tipo o básico: dois pra lá e dois pra cá. Tô brincando… mas o lance das nomenclaturas impreterivelmente vai mudando com o passar dos tempos.” “Quando preciso usar uma nomenclatura para definir, prefiro Forró Tradicional, Raiz pode abrir discussão sobre o que são as raízes do Forró. Pé-de-Serra eu acabei de contar a história. E eu não me classifico em lugar nenhum. Comecei antes do Forró Universitário e pude ver muitas fases do Forró. Não tenho mais a paixão de querer mudar o mundo, mas estou fazendo minha parte. O Piseiro e o Forró Eletrônico vão continuar a acontecer, apesar de não ser a minha praia, a gente tem que saber coexistir com os netos e bisnetos do Forró.” “O nome Rootstock, era um grupo de umas 8 pessoas, a gente brincava fazendo um contraponto ao Forró Universitário, mais pop e a gente chamava o Forró Tradicional de 'Roots', e o nome do festival veio em uma alusão ao Woodstock, as primeiras festas foram em sítios, fora da cidade. O primeiro Rootstock aconteceu logo após o ápice do Forró Universitário, hoje eu aceito críticas em função do nome ser em inglês, mas não sei como fazer para mudar.” Evandro: “Você acha que você tem responsabilidade por hoje as pessoas chamarem o jeito de dançar e até um lifestyle de Roots que talvez tenha vindo do Rootstock?” Ivan: “Cara, é possível, é provável que sim. Eu acho que o Festival Rootstock, assim como Itaúnas também, teve uma importância grande na mistura dos estilos de dança e forneceu uma plataforma de troca entre os dançarinos. Tornou-se um dos pontos de encontro de dançarinos que vinham de influências diferentes. Então acho que ajudou a batizar esse estilo lindo aí que a turma chamou de Roots. Antes não tinha esses floreios que o pessoal faz com os pés, na época a gente usava a nomenclatura por causa da música e depois de uns 10 anos, um dos estilos de dança ganhou este nome.” “Creio que sou muito mais próximo do Forró Urbano do que o que seria o Forró Raiz, porque quando eu falo 'Raiz' eu penso muito antes do trio tradicional. Antes era o Conjunto regional (até meados do século XX), o formato trio, que se tornou tradicional, já é uma evolução disso. A evolução é inexorável, tanto na música quanto na dança. Pensando na massificação da dança, a Salsa é a dança de casal que tem mais frequentadores no mundo, eu vejo o Forró como algo que vai superar a Salsa em número de usuários. A maior parte do mundo não entende espanhol, assim como não entende português. Mas o 'dois pra lá e dois pra cá', não precisa nem amarrar o elástico no joelho, kkkk (referindo-se à técnica de Evandro Paz usada nas aulas de Forró dança), na primeira aula, você ensina o básico pra aquele cara de quadril duro. Agora aquela requebradinha da Salsa, vixe, o cara vai demorar um ano e não vai aprender, o cara vai ter que ir no psicólogo para soltar o quadril e não vai aprender.” “A música pode estar presente na sua vida o dia inteiro, independente de estar no baile, você que é professor tem a dança presente no dia-a-dia. Quem é convertido no Forró respira Forró, às vezes o cara faz exercício de dança em casa. Essa molecada nova aí, estuda e aprende, fica vendo vídeos do professor ensinando as manobras. Isso é muito legal, a molecada tá estudando. Eu admiro demais, sou fã de todos vocês que ensinam Forró. Tem gente que fala que o legal do Forró é ensinar de pai para filho, orgânico. É uma visão purista e romântica, mas, com muita convicção, não concordo! Vocês professores de dança, das aulas, têm jogado o Forró para cima em quantidade de novos dançarinos no mundo inteiro, então e se eu tiver que apostar em alguma coisa, eu aposto todas as fichas em aulas de dança, na captação de alunos, pois é isso que vai preencher os bailes no futuro. Sem a dança e os professores de dança, o Forró seria mais cachaçado, muitos amigos antes eram Forró Fitness e viraram Forró cachaçado. Mas quem dança é diferente.” Ivan foi o primeiro produtor a colocar aulas de Forró dentro de um festival no Brasil, em 2013 no Festival Rootstock, ele completa: “E a multiplicação se dará através do Forró Urbano de professores ensinando Forró. Através disso que a gente tá vivendo na Europa, uma parada organizada, as associações fazendo os bailes, daqui a pouco vai ter os empresários de Forró organizando as paradas. A gente começou organizando uma festa diferente entre amigos e com o tempo o negócio foi crescendo e a gente consegue fazer uma festa gigantesca e auto suficiente, como o Festival Rootstock Brasil.” Histórias de Rootstock… “Até 2007 a gente fez o Festival Rootstock só com as feras que viviam no Sudeste. Em 2008, trouxemos o Edson Duarte. E em 2009, decidimos trazer Joci Batista. Ele era um coroa muito legal que tava parado lá no Recife desde a época do vinil. A gente achou o telefone dele, ligou na casa dele, ele atendeu... convidamos e o ele topou vir. E a filha dele ficou apreensiva: - Mas vocês vão buscar meu pai no aeroporto? - Claro! Era uma atração surpresa, ninguém sabia que ele viria. Eu tinha prometido para a filha dele ficar de olho no Seu Joci, então fui lá com ele dar uma volta na festa. Seu Joci andava devagarinho, a gente foi trocando ideia, eu mostrando a molecada para ele, a molecada dançando na beira da piscina. Ele: - Nossa, que bonito! A gente tava no camarim conversando e chegou Benício Guimarães, eles era grandes amigos, mas não se viam, não se encontravam e acho que eles não se falavam há uns trinta e tantos anos. Para ambos o encontro foi uma surpresa total. Ficou um silêncio por alguns segundos, eles se olharam, pensaram um pouco, se reconheceram (eles estavam pelo menos 30 anos mais velhos do que da última vez que haviam se encontrado), continuaram mudos, sorriram, fizeram uns movimentos coreografados (que devia ser alguma dança particular da época), correram devagarinho e se abraçaram. Pode parecer bobo, mas foi a coisa mais linda do mundo. Uma grande amizade não se acaba com o tempo e nem com a distância.
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