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Carô Gold . AMAPÔ JEANS
Carô Gold
AMAPÔ JEANS
Natural de: Londres/Inglaterra
Mora em: São Paulo/SP
Data de Nascimento: 07/11/1976
No Forró desde: 1997
Marca de roupas: Amapô Jeans
“Forró para mim é uma meditação, me permite limpar a mente e usufruir da alegria do meu corpo, ainda trocando com o corpo do outro. E também me conecta com essa parte da cultura do meu país, a cultura nordestina, que é tão importante e potente. Forró é meu porto-seguro!”
Nasci em 07/11/1976, em Londres e vivo em São Paulo. Sou frequentadora do Forró desde 1997 e também tenho uma marca de roupas a Amapô Jeans que tem ligação com a cultura forrozeira.
Minha história no Forró começa com meu irmão me levando para o Roma Danças quando eu tinha 20 anos por aí… Eu ia muito em Rave, fazia estas baladas eletrônicas, então eu fui no forró de bota, Clubber, de Maria Chiquinha, cheguei no Forró meio a contragosto toda vestida de Raver. Quando eu cheguei, vieram umas meninas lindas na direção dele, chamando-o para dançar: Tomé, Tomé! Dança comigo!
Eu não tinha uma relação muito próxima com meu irmão nesta época, hoje a gente tem uma relação muito boa! Eu o vi dançando e fiquei super emocionada com aquilo, de ver meu irmão dançando daquele jeito, ele dançava super bem. Daí pronto, cabou: “Cê vai ter que me ensinar!” Ele me ensinou um pouquinho, e eu comecei a ir ao Forró com ele, no Galpão 16, no Roma, e logo começou o KVA, o Projeto Equilíbrio e eu fiquei completamente viciada.
Lembro que fazia Flamenco no Shopping Eldorado fazia Flamenco à noite todos os dias e eu terminava a aula, tomava um banho atravessava a ponte e já ficava ali no KVA pronta esperando a galera chegar, e tal, e fui aprendendo a dançar, conhecendo as bandas. Vivi muitas bandas Paratodos, Forróçacana, Miltinho Edilberto, até chegar hoje aí neste outro formato: os trios, destes garotos legaizinhos e tal, enfim.
No meio desta história toda, eu fui para Itaúnas muitas vezes, a primeira vez que fui acho que foi em 1998, e lá também conheci esta dança completamente diferente da dança que a gente fazia aqui em São Paulo, a dança dos nativos que ficou muito forte em mim. Eu tenho isso bem marcado dentro do meu estilo, no meio dos improvisos na dança.
Já passei por muitos estilos de forró, hoje em dia acredito muito no improviso, que pode utilizar todo esse acúmulo de referências sem ficar presa a vícios, estilos ou padrões de certo ou errado. Costumo chamar meu estilo de forró Cigano, que é o que eu tenho, imperfeito, improvisado, uma dança trapaceira, espalhada, um tanto afobada mas também infantil, engraçada.
Minhas principais influências no Forró são as pessoas que conheci dentro desse movimento, e das quais sou amiga até hoje, KVA, Itaúnas e Caraíva.
Eu acabei me distanciando do Forró em alguns momentos da vida, achando que o Forró tinha acabado para mim, mas sempre voltando, sempre me reconhecendo nesta cultura, nesta dança.
Uma coisa engraçada também é que meu nome é Carolina, por causa da música do Luiz Gonzaga, o “Cheiro da Carolina”. Meu pai é inglês e ele é músico, quando ele veio para o Brasil nos anos 70 um amigo levou ele para conhecer o Forró e ele ficou muito encantado. Quando eu nasci ele me deu o nome por causa da música.
Hoje eu estou mais forrozeira que nunca, do alto dos meus 45 anos, acabei de passar o Ano Novo em Caraíva, de 2021 para 2022 e estou muito feliz onde eu estou, espero não sair nunca mais.
Amapô Jeans e Carô na Moda
Eu voltei de Londres, no fim da faculdade toda Cluber, depois veio a moda minimal tudo preto, cinza e eu cheguei no Forró e fui mudando, mas ainda assim era meio minimalista, eu entrei na faculdade, a moda era toda preta, pintar cabelo de preto. Aí eu fui para Caraíva com uma amiga minha Bianca Bertolatini que até foi namorada do Tato do Falamansa durante muito tempo.
E levaram a gente para ficar Pousada da Duka, não existia internet, celular. Os meninos da beira do rio falaram: estas aí têm que ficar na Duka. Era uma casa de madeira com muitos mensageiros dos ventos, Caraíva sem luz, uma sensação incrível, inesquecível. Neste mesmo dia, os nativos fizeram o primeiro Forró da temporada, o Edgar fez o Forró do Ouriço.
A Duka que era senhora Dona da pousada, que na época devia ter uns 60 anos, estava lá dançando maravilhosamente com o Juninho Billy Jow, com uma saia rodada indiana e um top, nesta época, acho que ela não usava tudo branco. E eu e minha amiga, de liganete, super darks, com saia midi, preta, achando que a gente tava arrasando. Quando a gente viu a Duka dançando, a gente ficou louca, além de ver uma pessoa desta idade dançando, que hoje em dia nem acho tão impressionante, mas na época eu tinha 20 e poucos anos e achei incrível!
No dia seguinte a gente conversou muito com a Duka e no final do dia ela chegou pra gente e colocou um saco na porta do nosso quarto e disse: este saco aqui é para vocês passarem o verão. Quando a gente abriu o saco, ele estava lotado de saias antigas de lambada dela.
Desde então, eu tirei o molde destas saias e comecei a vender, e isso mudou totalmente minha silhueta, eu vendia na porta do KVA, era saia da Carô, depois veio uma amiga minha que começou a fazer saia junto comigo e veio culminar no desfile da Amapô da Fashion Week.
E nesta caminhada de eu fazer minhas saias me chamaram para fazer os Grandes Encontros, são eventos que antecedem os festivais, hoje acho que nem existem mais. Acabaram me chamando para fazer os figurinos do corpo de baile destes festivais e eu fiz uns dois ou três e tem amiga minha que dançou que tem a roupa ainda até hoje. Eu também ajudava a escolher as pessoas que iam dançar. Eram todos nossos amigos, era tudo nóis lá dançando. Eu não dançava, porque eu estava fazendo os figurinos. O Príncipe, Rodrigo, me puxou para dançar um dia, e a gente dançou na TV várias vezes, no programa da Hebe e assim foram se entrelaçando minhas duas paixões que são a Moda e o Forró.
Quando eu lancei a Amapô e a gente começou a fazer os desfiles no Rock e depois na Fashion Week, eu sempre tive esta vontade de juntar o Forró e a Amapô. Só que a inspiração vem de muitos lugares, fizemos até um desfile que teve inspiração do Maracatu, Coco e também Forró. Era algo multicultural e tivemos a colaboração na trilha do DJ Tutu Moraes tinha Chico Science, Mestre Ambrósio, misturado com outras coisas Mangue beat.
Até que, recentemente, recebemos uma proposta de fazer uma parceria com o Senac do Cariri, dar aulas etc e decidimos fazer um Fashion Week. O desfile está em Juazeiro do Norte e a gente criou juntos este desfile.
Se eu estou montando um desfile sobre Cangaço, Lampião, Maria Bonita, Festa dos Reis, se eu não colocar o Forró agora, acho que nunca mais vai ser, né?! Decidimos que iríamos fazer o desfile em cima do Reizado que é uma manifestação cultural que perto do Natal eles apresentam peças como o Boi Bumbá, o Mateus, o palhaço, é como se fosse o circo nordestino,
Ele acontece em atos: o Brincante, os Boiadeiros e o Grande Ato. E trouxe este casal Daiara e Juruna e outros. Isso foi umas das coisas mais emocionantes que eu fiz na minha vida depois de quase 18 anos de Forró e 15 de estilismo eu levei o Forró eu juntei estas duas coisas para esta plataforma tão inusitada, onde ninguém espera ver o Forró.
O vídeo do grande baile teve muitas visualizações, recebi mensagens de pessoas que nem conheço, quem sou eu, foi a coisa mais incrível que eu fiz na minha vida e o último desfile que a Amapô fez.
Ah, conversamos sobre a Mari também, né? Pois é, a Mariana Aydar foi namorada do meu irmão e eu acabei encontrando com ela em Trancoso depois que eles tinham terminado e foi a primeira vez que eu vesti a Mari na vida. Ela foi fazer um show com a com a Caruá em Trancoso e não tinha muito que roupa usar. Eu coloquei uma blusa minha nela toda furadinha branca e uma saia meio da Duka rodada. Desde aí a gente foi criando uma relação, com a Amapô eu vesti ela em várias ocasiões, fiquei bem amiga dela e até hoje faço alguns figurinos para ela. Fiz todos os Forrozins, o Bloco de Carnaval que ela lidera, já fiz muito figurino pra Mari, vários shows, admiro muito o trabalho dela, o que ela faz pelo Forró… e aí mais um lugar, né, onde minhas duas paixões se juntam, e está tudo junto e misturado, realmente o Forró faz muito parte da minha vida!
AMAPÔ JEANS
Natural de: Londres/Inglaterra
Mora em: São Paulo/SP
Data de Nascimento: 07/11/1976
No Forró desde: 1997
Marca de roupas: Amapô Jeans
“Forró para mim é uma meditação, me permite limpar a mente e usufruir da alegria do meu corpo, ainda trocando com o corpo do outro. E também me conecta com essa parte da cultura do meu país, a cultura nordestina, que é tão importante e potente. Forró é meu porto-seguro!”
Nasci em 07/11/1976, em Londres e vivo em São Paulo. Sou frequentadora do Forró desde 1997 e também tenho uma marca de roupas a Amapô Jeans que tem ligação com a cultura forrozeira.
Minha história no Forró começa com meu irmão me levando para o Roma Danças quando eu tinha 20 anos por aí… Eu ia muito em Rave, fazia estas baladas eletrônicas, então eu fui no forró de bota, Clubber, de Maria Chiquinha, cheguei no Forró meio a contragosto toda vestida de Raver. Quando eu cheguei, vieram umas meninas lindas na direção dele, chamando-o para dançar: Tomé, Tomé! Dança comigo!
Eu não tinha uma relação muito próxima com meu irmão nesta época, hoje a gente tem uma relação muito boa! Eu o vi dançando e fiquei super emocionada com aquilo, de ver meu irmão dançando daquele jeito, ele dançava super bem. Daí pronto, cabou: “Cê vai ter que me ensinar!” Ele me ensinou um pouquinho, e eu comecei a ir ao Forró com ele, no Galpão 16, no Roma, e logo começou o KVA, o Projeto Equilíbrio e eu fiquei completamente viciada.
Lembro que fazia Flamenco no Shopping Eldorado fazia Flamenco à noite todos os dias e eu terminava a aula, tomava um banho atravessava a ponte e já ficava ali no KVA pronta esperando a galera chegar, e tal, e fui aprendendo a dançar, conhecendo as bandas. Vivi muitas bandas Paratodos, Forróçacana, Miltinho Edilberto, até chegar hoje aí neste outro formato: os trios, destes garotos legaizinhos e tal, enfim.
No meio desta história toda, eu fui para Itaúnas muitas vezes, a primeira vez que fui acho que foi em 1998, e lá também conheci esta dança completamente diferente da dança que a gente fazia aqui em São Paulo, a dança dos nativos que ficou muito forte em mim. Eu tenho isso bem marcado dentro do meu estilo, no meio dos improvisos na dança.
Já passei por muitos estilos de forró, hoje em dia acredito muito no improviso, que pode utilizar todo esse acúmulo de referências sem ficar presa a vícios, estilos ou padrões de certo ou errado. Costumo chamar meu estilo de forró Cigano, que é o que eu tenho, imperfeito, improvisado, uma dança trapaceira, espalhada, um tanto afobada mas também infantil, engraçada.
Minhas principais influências no Forró são as pessoas que conheci dentro desse movimento, e das quais sou amiga até hoje, KVA, Itaúnas e Caraíva.
Eu acabei me distanciando do Forró em alguns momentos da vida, achando que o Forró tinha acabado para mim, mas sempre voltando, sempre me reconhecendo nesta cultura, nesta dança.
Uma coisa engraçada também é que meu nome é Carolina, por causa da música do Luiz Gonzaga, o “Cheiro da Carolina”. Meu pai é inglês e ele é músico, quando ele veio para o Brasil nos anos 70 um amigo levou ele para conhecer o Forró e ele ficou muito encantado. Quando eu nasci ele me deu o nome por causa da música.
Hoje eu estou mais forrozeira que nunca, do alto dos meus 45 anos, acabei de passar o Ano Novo em Caraíva, de 2021 para 2022 e estou muito feliz onde eu estou, espero não sair nunca mais.
Amapô Jeans e Carô na Moda
Eu voltei de Londres, no fim da faculdade toda Cluber, depois veio a moda minimal tudo preto, cinza e eu cheguei no Forró e fui mudando, mas ainda assim era meio minimalista, eu entrei na faculdade, a moda era toda preta, pintar cabelo de preto. Aí eu fui para Caraíva com uma amiga minha Bianca Bertolatini que até foi namorada do Tato do Falamansa durante muito tempo.
E levaram a gente para ficar Pousada da Duka, não existia internet, celular. Os meninos da beira do rio falaram: estas aí têm que ficar na Duka. Era uma casa de madeira com muitos mensageiros dos ventos, Caraíva sem luz, uma sensação incrível, inesquecível. Neste mesmo dia, os nativos fizeram o primeiro Forró da temporada, o Edgar fez o Forró do Ouriço.
A Duka que era senhora Dona da pousada, que na época devia ter uns 60 anos, estava lá dançando maravilhosamente com o Juninho Billy Jow, com uma saia rodada indiana e um top, nesta época, acho que ela não usava tudo branco. E eu e minha amiga, de liganete, super darks, com saia midi, preta, achando que a gente tava arrasando. Quando a gente viu a Duka dançando, a gente ficou louca, além de ver uma pessoa desta idade dançando, que hoje em dia nem acho tão impressionante, mas na época eu tinha 20 e poucos anos e achei incrível!
No dia seguinte a gente conversou muito com a Duka e no final do dia ela chegou pra gente e colocou um saco na porta do nosso quarto e disse: este saco aqui é para vocês passarem o verão. Quando a gente abriu o saco, ele estava lotado de saias antigas de lambada dela.
Desde então, eu tirei o molde destas saias e comecei a vender, e isso mudou totalmente minha silhueta, eu vendia na porta do KVA, era saia da Carô, depois veio uma amiga minha que começou a fazer saia junto comigo e veio culminar no desfile da Amapô da Fashion Week.
E nesta caminhada de eu fazer minhas saias me chamaram para fazer os Grandes Encontros, são eventos que antecedem os festivais, hoje acho que nem existem mais. Acabaram me chamando para fazer os figurinos do corpo de baile destes festivais e eu fiz uns dois ou três e tem amiga minha que dançou que tem a roupa ainda até hoje. Eu também ajudava a escolher as pessoas que iam dançar. Eram todos nossos amigos, era tudo nóis lá dançando. Eu não dançava, porque eu estava fazendo os figurinos. O Príncipe, Rodrigo, me puxou para dançar um dia, e a gente dançou na TV várias vezes, no programa da Hebe e assim foram se entrelaçando minhas duas paixões que são a Moda e o Forró.
Quando eu lancei a Amapô e a gente começou a fazer os desfiles no Rock e depois na Fashion Week, eu sempre tive esta vontade de juntar o Forró e a Amapô. Só que a inspiração vem de muitos lugares, fizemos até um desfile que teve inspiração do Maracatu, Coco e também Forró. Era algo multicultural e tivemos a colaboração na trilha do DJ Tutu Moraes tinha Chico Science, Mestre Ambrósio, misturado com outras coisas Mangue beat.
Até que, recentemente, recebemos uma proposta de fazer uma parceria com o Senac do Cariri, dar aulas etc e decidimos fazer um Fashion Week. O desfile está em Juazeiro do Norte e a gente criou juntos este desfile.
Se eu estou montando um desfile sobre Cangaço, Lampião, Maria Bonita, Festa dos Reis, se eu não colocar o Forró agora, acho que nunca mais vai ser, né?! Decidimos que iríamos fazer o desfile em cima do Reizado que é uma manifestação cultural que perto do Natal eles apresentam peças como o Boi Bumbá, o Mateus, o palhaço, é como se fosse o circo nordestino,
Ele acontece em atos: o Brincante, os Boiadeiros e o Grande Ato. E trouxe este casal Daiara e Juruna e outros. Isso foi umas das coisas mais emocionantes que eu fiz na minha vida depois de quase 18 anos de Forró e 15 de estilismo eu levei o Forró eu juntei estas duas coisas para esta plataforma tão inusitada, onde ninguém espera ver o Forró.
O vídeo do grande baile teve muitas visualizações, recebi mensagens de pessoas que nem conheço, quem sou eu, foi a coisa mais incrível que eu fiz na minha vida e o último desfile que a Amapô fez.
Ah, conversamos sobre a Mari também, né? Pois é, a Mariana Aydar foi namorada do meu irmão e eu acabei encontrando com ela em Trancoso depois que eles tinham terminado e foi a primeira vez que eu vesti a Mari na vida. Ela foi fazer um show com a com a Caruá em Trancoso e não tinha muito que roupa usar. Eu coloquei uma blusa minha nela toda furadinha branca e uma saia meio da Duka rodada. Desde aí a gente foi criando uma relação, com a Amapô eu vesti ela em várias ocasiões, fiquei bem amiga dela e até hoje faço alguns figurinos para ela. Fiz todos os Forrozins, o Bloco de Carnaval que ela lidera, já fiz muito figurino pra Mari, vários shows, admiro muito o trabalho dela, o que ela faz pelo Forró… e aí mais um lugar, né, onde minhas duas paixões se juntam, e está tudo junto e misturado, realmente o Forró faz muito parte da minha vida!

Franck Oliveira
Franck / Reslley Franck de Oliveira
Cidade em que nasceu: São Paulo/SP
Cidade onde vive: São Paulo/SP
Ligação familiar sua com o nordeste: Pai paraibano
No Forró desde: Agosto de 2016
Conheceu o Forró: Na barriga de mamãe
Hábitos Forrozeiros: Bermuda, tênis e camisa ou camiseta. Bebo água.
“O Forró é alegria e satisfação. O Forró me fez dançar e deu ânimo para uma nova fase da minha vida. Forró é plenitude.”
Franck diz que teve uma infância e juventude típicas de um periférico da sul de SP: plural, cheia de desafios, regada de bons amigos e muita riqueza cultural. Ele é músico e nasceu com um dom nato para dançar, aprimorando a técnica de dança fazendo aulas e dançando nas pistas. Ele diz que suas principais influências no Forró são Fernanda Squariz e Iris De Franco.
Franck sai para dançar várias vezes por semana e gosta de discutir sobre o universo do Forró (músicas, djs, danças, casas etc). Foi a primeira pessoa a levar o Forró para Botsuana, por acaso, num intercâmbio cultural, onde se apresentou dançando e ministrou uma aula de Forró Dança e estilo de vida e durante a pandemia abriu um grupo de estudos da cultura forrozeira entre os amigos para conversar sobre cultura, história e estilo de vida
Forró em Botsuana
Uma história marcante que eu vivi no Forró foi a história de Botsuana. Eu tava viajando pela África, em um dos países mais carentes do continente, com índices altíssimos de HIV. Por acaso fui convidado para participar de um evento numa escola de dança, era próximo do Natal, um dos últimos eventos da academia. Eles perguntaram se eu queria compartilhar algum aspecto cultural do Brasil. E eu automaticamente pensei no Forró. Eles acharam uma ideia ótima.
Eu ministrei uma aula, expliquei sobre o gênero e dancei. O pessoal gostou muito. Eles dançam muito lá a kizomba, né?! Que é uma dança próxima ao Forró. Poder estar em um local onde o Forró é zero, é emocionante. Diferente da Europa, dos EUA, na África não, talvez eu esteja errado, mas acho que pelo menos em Botsuana, eu acho que eu fui o precursor do Forró. Posso colocar minha bandeira lá, hahaha.
Minha História no Forró
Meu nome é Reslley Franck, mas o pessoal me conhece como Franck mesmo. Eu tenho 31 anos, meu pai é nordestino, paraibano e eu sempre ouvi muito Forró a vida inteira. Eu lembro de Flávio José, que é de uma cidade vizinha da do meu pai. Paraibano na cidade de Tsumé, se eu não me engano esta música é de São Marcolino.
Fui batizado com um ano na Paraíba, gastando 3 dias para chegar lá (de São Paulo) e 3 para voltar. As festas eram na casa da família do meu pai, eu costumo dizer que foi minha música de berço, né?
Eu fui crescendo, era muito musical, gostava de tocar violão. Com 26 anos, eu tive uma decepção amorosa e minha mãe sempre gostou de dançar. Vai ter um Forró no Monte Azul e eu cheguei, o pessoal dançando agarradinho e eu pensei: é isso que eu quero!
No próprio Centro Cultural, na época, acho que era o Davi (Silva) e a Kelly (Cândido).
E virou vício. Eu queria sempre me dedicar e pouco tempo depois, uns dois meses eu conheci um outro projeto da Fernanda (Squariz) e da iris (De franco), acho que não era o Mulheres que Conduzem ainda, acho que era o Forró da Quebrada, elas me guiaram, deram orientação, foram mães.
Eu fui e tendo aulas particulares com elas, eu lembro da iris vindo aqui na minha casa, uma graciosidade. Depois tive aula com a Fer, com ela que tive mais aula, tenho até hoje. E em 2019 eu fui para a África do Sul e dancei Forró num festival que teve, de intercâmbio cultural, infelizmente eu não tenho vídeo.
E minha história no Forró é esta, né?! É uma plenitude, foi como eu aprendi, eu tô aí dançando, estudando e tendo muito prazer com o Forró na minha vida!
Cidade em que nasceu: São Paulo/SP
Cidade onde vive: São Paulo/SP
Ligação familiar sua com o nordeste: Pai paraibano
No Forró desde: Agosto de 2016
Conheceu o Forró: Na barriga de mamãe
Hábitos Forrozeiros: Bermuda, tênis e camisa ou camiseta. Bebo água.
“O Forró é alegria e satisfação. O Forró me fez dançar e deu ânimo para uma nova fase da minha vida. Forró é plenitude.”
Franck diz que teve uma infância e juventude típicas de um periférico da sul de SP: plural, cheia de desafios, regada de bons amigos e muita riqueza cultural. Ele é músico e nasceu com um dom nato para dançar, aprimorando a técnica de dança fazendo aulas e dançando nas pistas. Ele diz que suas principais influências no Forró são Fernanda Squariz e Iris De Franco.
Franck sai para dançar várias vezes por semana e gosta de discutir sobre o universo do Forró (músicas, djs, danças, casas etc). Foi a primeira pessoa a levar o Forró para Botsuana, por acaso, num intercâmbio cultural, onde se apresentou dançando e ministrou uma aula de Forró Dança e estilo de vida e durante a pandemia abriu um grupo de estudos da cultura forrozeira entre os amigos para conversar sobre cultura, história e estilo de vida
Forró em Botsuana
Uma história marcante que eu vivi no Forró foi a história de Botsuana. Eu tava viajando pela África, em um dos países mais carentes do continente, com índices altíssimos de HIV. Por acaso fui convidado para participar de um evento numa escola de dança, era próximo do Natal, um dos últimos eventos da academia. Eles perguntaram se eu queria compartilhar algum aspecto cultural do Brasil. E eu automaticamente pensei no Forró. Eles acharam uma ideia ótima.
Eu ministrei uma aula, expliquei sobre o gênero e dancei. O pessoal gostou muito. Eles dançam muito lá a kizomba, né?! Que é uma dança próxima ao Forró. Poder estar em um local onde o Forró é zero, é emocionante. Diferente da Europa, dos EUA, na África não, talvez eu esteja errado, mas acho que pelo menos em Botsuana, eu acho que eu fui o precursor do Forró. Posso colocar minha bandeira lá, hahaha.
Minha História no Forró
Meu nome é Reslley Franck, mas o pessoal me conhece como Franck mesmo. Eu tenho 31 anos, meu pai é nordestino, paraibano e eu sempre ouvi muito Forró a vida inteira. Eu lembro de Flávio José, que é de uma cidade vizinha da do meu pai. Paraibano na cidade de Tsumé, se eu não me engano esta música é de São Marcolino.
Fui batizado com um ano na Paraíba, gastando 3 dias para chegar lá (de São Paulo) e 3 para voltar. As festas eram na casa da família do meu pai, eu costumo dizer que foi minha música de berço, né?
Eu fui crescendo, era muito musical, gostava de tocar violão. Com 26 anos, eu tive uma decepção amorosa e minha mãe sempre gostou de dançar. Vai ter um Forró no Monte Azul e eu cheguei, o pessoal dançando agarradinho e eu pensei: é isso que eu quero!
No próprio Centro Cultural, na época, acho que era o Davi (Silva) e a Kelly (Cândido).
E virou vício. Eu queria sempre me dedicar e pouco tempo depois, uns dois meses eu conheci um outro projeto da Fernanda (Squariz) e da iris (De franco), acho que não era o Mulheres que Conduzem ainda, acho que era o Forró da Quebrada, elas me guiaram, deram orientação, foram mães.
Eu fui e tendo aulas particulares com elas, eu lembro da iris vindo aqui na minha casa, uma graciosidade. Depois tive aula com a Fer, com ela que tive mais aula, tenho até hoje. E em 2019 eu fui para a África do Sul e dancei Forró num festival que teve, de intercâmbio cultural, infelizmente eu não tenho vídeo.
E minha história no Forró é esta, né?! É uma plenitude, foi como eu aprendi, eu tô aí dançando, estudando e tendo muito prazer com o Forró na minha vida!

Mônica Jurado . TAMBORES FLOW
Mônica Jurado
“O Forró é para mim escola de Viver. Minha vida antes e depois do Forró, sempre falo isso, me ensinou ser dona de meu corpo, de ouvir ritmo com os ossos, me trouxe amigxs queridos e muita, muita felicidade.”
Cidade em que nasceu: São Paulo/SP
Cidade em que vive: São Paulo/SP
Meu pai se mudou para Natal há cerca de 20 anos. Espero em breve ir também.
Nasceu em: 03/08/1962
Hábitos Forrozeiros Vestidinhos e sapatilha. quando saio pra dançar, bebo somente água, quando vou mais pelo show, daí rola uma caipirinha...Circuito Remelexo - Canto da Ema - São Paulo.
Mestres: Evandro Paz e os professores do Remelexo, Iris De Franco, André Droichi
No Forró desde: 2008
Empresa: Tambores Flow
Minha família não era nem de música, muito menos de dançar, eu fui na contramão, me tornei musicista e forrozeira. Em 2008 fiz uma aula com Evandro Paz no Sesc Pinheiros e nunca mais parei. Me lembro do dia que conheci Mestrinho. Eu estava me arriscando sair das aulas do Remelexo e ir para as baladas. Lá o ambiente era controlado, amiges, todes dançando com todes, professores coordenando…mas uma hora a gente tem que arriscar.
Comecei a dançar com 46 anos, o que é quase neandertal para uma sainha, sapatilha, boneca e baladas, e, confesso que a primeira vez que encarei morri de medo. Inevitável pensar que você vai sobrar na pista, parada lá esperando alguém te tirar pra dançar. Sim, naquele momento, eu ainda acreditava que o correto seria ficar lá na vitrine, encostada em algum pilar e, quem sabe, dar sorte de encontrar um cavalheiro com paciência para meus 46 e giros ainda tão toscos…
Então o Jackson do Pandeiro anunciou com Canto da Ema que era hora da banda entrar. Mestrinho, ainda quase um garoto, mas já uma promessa no forró sobe no palco com aquele seu tamanho e talento. O dedilhado de seu acordeão me levou pra longe, e também pra perto, pra dentro de mim. O ritmo entrava pelos ossos a cada vez que a baqueta encontrava o couro.
Fui chegando e chegando até a beira do palco lá do Canto da Ema, uma casa tradicional de forró que fica em Pinheiros, São Paulo, e lá mergulhei: na zabumba, no ‘’triangle’’, na voz, no dedilhado louco que só me fazia tomar o corpo. O forro naquele dia me arrebatou de vez.
Rolaram algumas danças naquela noite, poucas, mas o suficiente para quebrar em mim muitas crenças tolas…Aumentou minha gana de aprender dançar e fazer desse mundo parte de meu mundo. Aos poucos fui marcando presença e conhecendo o povo forrozeiro, fazendo amigos, aprendendo passos, mas sobretudo, fui me deixando levar. Nos recessos de final de ano, a balada era diária, e só não era assim o ano todo porque num dava mesmo.
E o Forró me levou pro Samba, que me levou pro Tango, que me apresentou um tiquim da base das danças de salão…Dançar tornou-se o epicentro de meus desejos e meu vórtice de felicidade. Para além da delícia de me mover ao som da música, o forró me ensinou sobre mim mesma. Compreendi o significado de conduzir e se deixar ser conduzida. Bem simples de entender na mente, mas recontar ao corpo novas possibilidades semeou mudanças profundas em mim.
Dançar Forró: é meditar em movimento!
Evandro Paz conduzia os professores nas aulas do Remelexo, e elas eram bem pra lá de somente aulas de dança. Testemunhei homens e mulheres que como eu chegaram descrentes de si, de seu corpo e desejos. Vivi na pele o que acontecia depois de poucos meses. Ali as aulas eram do viver. Das formas de chegar, tocar, afastar, negar, ceder e equilibrar. Vi meninos tímidos e invisíveis se tornarem confiantes de si. Vi meninas descrentes de sua beleza única desabrocharem e mulheres que passaram a compreender que elas decidem sobre si, seu desejo e seu corpo. Vi e vivi naquelas aulas, mulheres e homens de todas as idades iluminarem seus sorrisos.
Com André Droichi aprendi novos parâmetros do abraço. Aprendi a perceber novas camadas das texturas que envolvem os corpos e a tecer novas formas de encontros a cada abraço, receber a cada corpo como um tesouro, a despeito de sua forma, gênero e idade.
Naqueles tempos, mulheres conduzirem era quase um insulto, uma ofensa ao “‘correto", a convicção sobre polaridade homem-mulher era geral, não só no forró, mas nas danças de salão em geral. Nas baladas, o preconceito era forte…
Poucas eram as mulheres ousadas que pouco davam bola para sectarismo de gênero. As conversas sobre machismo e sexismo eram pauta em algumas rodinhas de conversas nas aulas e baladas e eu, que estava chegando, testemunhei a semente de algo profundamente transformador em andamento: corpos dançam, para além de gênero e tabus.
Restringir possibilidades a partir do gênero já não cabia mais no entendimento de mentes disruptivas, que viviam a dança desde um entendimento mais amplo do que a tradição e a heteronormalidade. Eu como vim do teatro e nunca fui de muita história, nunca dei muita trela a esse tipo de comportamento. Adorava dançar com mulheres, e me encantava dançar com iris De franco que dançava como uma rainha e estava decidida a aprender a conduzir.
Vi algumas mulheres incríveis moverem mundos, chacoalharam tabus e crenças, discutirem o corpo, política, e a mudança. Cutucar tradições pode ser cruel. Vi e ouvi não somente da parte de homens, mas também mulheres que por algum motivo viam nesse movimento um desrespeito à raiz.
Mas o forró é vivo, e como uma árvore revive nas novas árvores. Sempre penso que toda cultura que se sustenta através dos tempos, vive o tempo presente. Se a força de uma cultura não for capaz de se modificar e abraçar os paradigmas de seu espaço/tempo, ela terá como futuro o museu e manifestações “retrofit”, que se esvaziaram inevitavelmente.
Havia feito aulas de dança contemporânea, circo, esportes e me considerava uma pessoa com certo conhecimento de meu corpo e possibilidades, mas dançar forró ampliou imensamente a consciência corporal e relações de percepção do espaço. A adaptação que temos que fazer ao encontrar um novo corpo com quem compartilhamos a música precisa ser instantânea.
Sou professora de meditação com tambores e tive experiências no forró similares a práticas meditativas muito profundas, onde tempo-espaço se fundem e diluem. O giro dentro do giro: o giro em dois, girando o salão, mergulhada no ritmo e perdida na alternância de convites ao movimento que surgirem, onde o êxtase ocorre em movimento, a sensação de estarmos paradas, e o mundo ao redor quem gira. Pura presença, mindfulness.
Em minhas aulas dançar forró se tornou proposta para meditar em movimento. Alguns professores passaram pelos workshops de tamboreirxs ampliando não somente a percepção do outro, mas do espaço. Para qualquer músico, ter ciência que o som cria espaço é importante. Para quem toca um Tambor, é fundamental. Perceber o ritmo no corpo, soltar-se para uma experiência de muitos tambores como um corpo único.
Muitos forrozeiros vieram para tocar tambores e meditar, muitos meditadores começaram a dançar forró e era muito divertido nos finais de workshops de meditação, a festa seguia no Remelexinho ou ali em casa mesmo, com uma cachacinha, tambor e felicidade.
Forro e Tambor são garantia de felicidade. Minha vida antes e depois deles, minha reverência a todas as mestras e mestre forrozeiros que conheci.
O Desafio da Pedagogia
As aulas do Remelexo tinham uma pedagogia que me encantava e sem dúvida influenciou na forma como eu mesma conduzia minhas aulas de meditação e tambores. Naquela época era voluntária na Penitenciária Feminina da Capital, dava aula de meditação com tambores, consciência vocal e corporal.
A cada ano construímos um espetáculo musical entremeado de muitas vertentes de dança. A PFC em São Paulo, fica nos fundos do extinto Carandiru e por se tratar de um presídio destinado a crimes internacionais e de tráfico, minhas alunas vinham de muitos países.
Alguns semestres, éramos em mais de 30 etnias e nações em sala de aula. Naquele ambiente, mais do que tudo, o corpo era a comunicação, a observação da voz e o entrelace de culturas e gostos o desafio.
Quando iniciei o projeto, certo dia, a diretora me disse; “você tem a plateia mais difícil e crítica que poderia ter. Se suas aulas atraírem as reeducandas, você pode se considerar uma grande professora.” E isso com o forró? Bom, além de apresentar o forró e samba para aquelas mulheres, aplicava conceitos que vivenciava nas aulas do Evandro Paz, grande mestre do movimento.
Evandro colocava nas aulas todes juntes e misturados. Num mesmo espaço, vários níveis de aula aconteciam simultaneamente. Iniciantes eram inspirados por iniciados, iniciados se misturavam aos iniciantes e avançados, um professor para cada nível por ele estabelecido a partir de critérios de evolução na dança.
Identifiquei que em minhas aulas esboçava a mesma escolha, embora até então, o fazia de modo quase inconsciente, a partir do possível para acolher um grupo tão diverso e crítico como as meninas da PFC.
Me lembro de conversas com Evandro onde ouvia sua larga experiência e caminho pedagógico. Se saber já sustenta seus desafios, transmitir o saber, bom, isso já é talento para alguns que tem dentro de si um professor, no seu entendimento mais profundo. Apresentar e tornar possível o aprendizado para grupos heterogêneos demanda muito mais de qualquer professor. Afinal, são várias aulas, em níveis diferentes que acontecem ao mesmo tempo, sem que uma interfira na outra, sem que se perca o foco por dispersões, e que resulte em rápido entendimento.
Até esse ponto já se percebe o tamanho da demanda, agora se se soma que a transmissão de conhecimento passa pelo corpo, pela compreensão do ritmo, pelo reconhecimento de aspectos e influências culturais em si, os desafios se amplificam.
Utilizei como experimento muitas vezes algumas das metodologias que Evandro criou nas aulas de voz e principalmente, nas aulas de meditação com tambores. Reconheço que ele muito me inspirou a seguir o caminho desse formato de ensino, que talvez mais se aproxime do mundo real.
Somos múltiplos e estabelecemos trocas possíveis a cada novo instante. Quando limitamos uma sala de aula separando níveis, gênero, ou estabelecendo qualquer outra régua reduzimos o potencial que chamo de “‘imponderável", o aprendizado que ocorre como que por inércia, pelo compartilhar do mesmo espaço de transmissão com possibilidades diversas de si mesma.
Quando em uma turma de aulas ou workshops de meditação com tambores, recebo tamboreirxs de todos os níveis de experiência, percebo que a afinação acontece muito, muito , muito mesmo mais rápido. Como se houvesse um elemento inspirador subliminar permeando a aula. Demanda muito do professor, ou do organizador de professores, mas ao mesmo tempo encurta as distâncias a serem percorridas entre o não saber e o saber. Torna as aulas mais interessantes, aumenta as possibilidades de encontros com o diverso de si, favorece a que se criem espelhos de reconhecimento na diversidade.
Para além de um forrozeiro, Evando é um grande professor e didata. Me inspirou a seguir na pesquisa pedagógica, no enfrentamento do imprevisível, no equilíbrio entre o possível e o caos que pode surgir se uma estrutura didática não estiver solidamente desenhada.
Atuar nesse limites, ousar entrar em sala de aula com um tecido de possibilidades e não perder de vista o tecido invisível que surge a partir da vinda intervenção do inspirador para o inspirado, desde o mestre para o aprendiz me sugere ser o cerne do que identificar em cada grande professor que encontrei em meus caminhos. Salve o forró! Salve Evandro Paz.
“O Forró é para mim escola de Viver. Minha vida antes e depois do Forró, sempre falo isso, me ensinou ser dona de meu corpo, de ouvir ritmo com os ossos, me trouxe amigxs queridos e muita, muita felicidade.”
Cidade em que nasceu: São Paulo/SP
Cidade em que vive: São Paulo/SP
Meu pai se mudou para Natal há cerca de 20 anos. Espero em breve ir também.
Nasceu em: 03/08/1962
Hábitos Forrozeiros Vestidinhos e sapatilha. quando saio pra dançar, bebo somente água, quando vou mais pelo show, daí rola uma caipirinha...Circuito Remelexo - Canto da Ema - São Paulo.
Mestres: Evandro Paz e os professores do Remelexo, Iris De Franco, André Droichi
No Forró desde: 2008
Empresa: Tambores Flow
Minha família não era nem de música, muito menos de dançar, eu fui na contramão, me tornei musicista e forrozeira. Em 2008 fiz uma aula com Evandro Paz no Sesc Pinheiros e nunca mais parei. Me lembro do dia que conheci Mestrinho. Eu estava me arriscando sair das aulas do Remelexo e ir para as baladas. Lá o ambiente era controlado, amiges, todes dançando com todes, professores coordenando…mas uma hora a gente tem que arriscar.
Comecei a dançar com 46 anos, o que é quase neandertal para uma sainha, sapatilha, boneca e baladas, e, confesso que a primeira vez que encarei morri de medo. Inevitável pensar que você vai sobrar na pista, parada lá esperando alguém te tirar pra dançar. Sim, naquele momento, eu ainda acreditava que o correto seria ficar lá na vitrine, encostada em algum pilar e, quem sabe, dar sorte de encontrar um cavalheiro com paciência para meus 46 e giros ainda tão toscos…
Então o Jackson do Pandeiro anunciou com Canto da Ema que era hora da banda entrar. Mestrinho, ainda quase um garoto, mas já uma promessa no forró sobe no palco com aquele seu tamanho e talento. O dedilhado de seu acordeão me levou pra longe, e também pra perto, pra dentro de mim. O ritmo entrava pelos ossos a cada vez que a baqueta encontrava o couro.
Fui chegando e chegando até a beira do palco lá do Canto da Ema, uma casa tradicional de forró que fica em Pinheiros, São Paulo, e lá mergulhei: na zabumba, no ‘’triangle’’, na voz, no dedilhado louco que só me fazia tomar o corpo. O forro naquele dia me arrebatou de vez.
Rolaram algumas danças naquela noite, poucas, mas o suficiente para quebrar em mim muitas crenças tolas…Aumentou minha gana de aprender dançar e fazer desse mundo parte de meu mundo. Aos poucos fui marcando presença e conhecendo o povo forrozeiro, fazendo amigos, aprendendo passos, mas sobretudo, fui me deixando levar. Nos recessos de final de ano, a balada era diária, e só não era assim o ano todo porque num dava mesmo.
E o Forró me levou pro Samba, que me levou pro Tango, que me apresentou um tiquim da base das danças de salão…Dançar tornou-se o epicentro de meus desejos e meu vórtice de felicidade. Para além da delícia de me mover ao som da música, o forró me ensinou sobre mim mesma. Compreendi o significado de conduzir e se deixar ser conduzida. Bem simples de entender na mente, mas recontar ao corpo novas possibilidades semeou mudanças profundas em mim.
Dançar Forró: é meditar em movimento!
Evandro Paz conduzia os professores nas aulas do Remelexo, e elas eram bem pra lá de somente aulas de dança. Testemunhei homens e mulheres que como eu chegaram descrentes de si, de seu corpo e desejos. Vivi na pele o que acontecia depois de poucos meses. Ali as aulas eram do viver. Das formas de chegar, tocar, afastar, negar, ceder e equilibrar. Vi meninos tímidos e invisíveis se tornarem confiantes de si. Vi meninas descrentes de sua beleza única desabrocharem e mulheres que passaram a compreender que elas decidem sobre si, seu desejo e seu corpo. Vi e vivi naquelas aulas, mulheres e homens de todas as idades iluminarem seus sorrisos.
Com André Droichi aprendi novos parâmetros do abraço. Aprendi a perceber novas camadas das texturas que envolvem os corpos e a tecer novas formas de encontros a cada abraço, receber a cada corpo como um tesouro, a despeito de sua forma, gênero e idade.
Naqueles tempos, mulheres conduzirem era quase um insulto, uma ofensa ao “‘correto", a convicção sobre polaridade homem-mulher era geral, não só no forró, mas nas danças de salão em geral. Nas baladas, o preconceito era forte…
Poucas eram as mulheres ousadas que pouco davam bola para sectarismo de gênero. As conversas sobre machismo e sexismo eram pauta em algumas rodinhas de conversas nas aulas e baladas e eu, que estava chegando, testemunhei a semente de algo profundamente transformador em andamento: corpos dançam, para além de gênero e tabus.
Restringir possibilidades a partir do gênero já não cabia mais no entendimento de mentes disruptivas, que viviam a dança desde um entendimento mais amplo do que a tradição e a heteronormalidade. Eu como vim do teatro e nunca fui de muita história, nunca dei muita trela a esse tipo de comportamento. Adorava dançar com mulheres, e me encantava dançar com iris De franco que dançava como uma rainha e estava decidida a aprender a conduzir.
Vi algumas mulheres incríveis moverem mundos, chacoalharam tabus e crenças, discutirem o corpo, política, e a mudança. Cutucar tradições pode ser cruel. Vi e ouvi não somente da parte de homens, mas também mulheres que por algum motivo viam nesse movimento um desrespeito à raiz.
Mas o forró é vivo, e como uma árvore revive nas novas árvores. Sempre penso que toda cultura que se sustenta através dos tempos, vive o tempo presente. Se a força de uma cultura não for capaz de se modificar e abraçar os paradigmas de seu espaço/tempo, ela terá como futuro o museu e manifestações “retrofit”, que se esvaziaram inevitavelmente.
Havia feito aulas de dança contemporânea, circo, esportes e me considerava uma pessoa com certo conhecimento de meu corpo e possibilidades, mas dançar forró ampliou imensamente a consciência corporal e relações de percepção do espaço. A adaptação que temos que fazer ao encontrar um novo corpo com quem compartilhamos a música precisa ser instantânea.
Sou professora de meditação com tambores e tive experiências no forró similares a práticas meditativas muito profundas, onde tempo-espaço se fundem e diluem. O giro dentro do giro: o giro em dois, girando o salão, mergulhada no ritmo e perdida na alternância de convites ao movimento que surgirem, onde o êxtase ocorre em movimento, a sensação de estarmos paradas, e o mundo ao redor quem gira. Pura presença, mindfulness.
Em minhas aulas dançar forró se tornou proposta para meditar em movimento. Alguns professores passaram pelos workshops de tamboreirxs ampliando não somente a percepção do outro, mas do espaço. Para qualquer músico, ter ciência que o som cria espaço é importante. Para quem toca um Tambor, é fundamental. Perceber o ritmo no corpo, soltar-se para uma experiência de muitos tambores como um corpo único.
Muitos forrozeiros vieram para tocar tambores e meditar, muitos meditadores começaram a dançar forró e era muito divertido nos finais de workshops de meditação, a festa seguia no Remelexinho ou ali em casa mesmo, com uma cachacinha, tambor e felicidade.
Forro e Tambor são garantia de felicidade. Minha vida antes e depois deles, minha reverência a todas as mestras e mestre forrozeiros que conheci.
O Desafio da Pedagogia
As aulas do Remelexo tinham uma pedagogia que me encantava e sem dúvida influenciou na forma como eu mesma conduzia minhas aulas de meditação e tambores. Naquela época era voluntária na Penitenciária Feminina da Capital, dava aula de meditação com tambores, consciência vocal e corporal.
A cada ano construímos um espetáculo musical entremeado de muitas vertentes de dança. A PFC em São Paulo, fica nos fundos do extinto Carandiru e por se tratar de um presídio destinado a crimes internacionais e de tráfico, minhas alunas vinham de muitos países.
Alguns semestres, éramos em mais de 30 etnias e nações em sala de aula. Naquele ambiente, mais do que tudo, o corpo era a comunicação, a observação da voz e o entrelace de culturas e gostos o desafio.
Quando iniciei o projeto, certo dia, a diretora me disse; “você tem a plateia mais difícil e crítica que poderia ter. Se suas aulas atraírem as reeducandas, você pode se considerar uma grande professora.” E isso com o forró? Bom, além de apresentar o forró e samba para aquelas mulheres, aplicava conceitos que vivenciava nas aulas do Evandro Paz, grande mestre do movimento.
Evandro colocava nas aulas todes juntes e misturados. Num mesmo espaço, vários níveis de aula aconteciam simultaneamente. Iniciantes eram inspirados por iniciados, iniciados se misturavam aos iniciantes e avançados, um professor para cada nível por ele estabelecido a partir de critérios de evolução na dança.
Identifiquei que em minhas aulas esboçava a mesma escolha, embora até então, o fazia de modo quase inconsciente, a partir do possível para acolher um grupo tão diverso e crítico como as meninas da PFC.
Me lembro de conversas com Evandro onde ouvia sua larga experiência e caminho pedagógico. Se saber já sustenta seus desafios, transmitir o saber, bom, isso já é talento para alguns que tem dentro de si um professor, no seu entendimento mais profundo. Apresentar e tornar possível o aprendizado para grupos heterogêneos demanda muito mais de qualquer professor. Afinal, são várias aulas, em níveis diferentes que acontecem ao mesmo tempo, sem que uma interfira na outra, sem que se perca o foco por dispersões, e que resulte em rápido entendimento.
Até esse ponto já se percebe o tamanho da demanda, agora se se soma que a transmissão de conhecimento passa pelo corpo, pela compreensão do ritmo, pelo reconhecimento de aspectos e influências culturais em si, os desafios se amplificam.
Utilizei como experimento muitas vezes algumas das metodologias que Evandro criou nas aulas de voz e principalmente, nas aulas de meditação com tambores. Reconheço que ele muito me inspirou a seguir o caminho desse formato de ensino, que talvez mais se aproxime do mundo real.
Somos múltiplos e estabelecemos trocas possíveis a cada novo instante. Quando limitamos uma sala de aula separando níveis, gênero, ou estabelecendo qualquer outra régua reduzimos o potencial que chamo de “‘imponderável", o aprendizado que ocorre como que por inércia, pelo compartilhar do mesmo espaço de transmissão com possibilidades diversas de si mesma.
Quando em uma turma de aulas ou workshops de meditação com tambores, recebo tamboreirxs de todos os níveis de experiência, percebo que a afinação acontece muito, muito , muito mesmo mais rápido. Como se houvesse um elemento inspirador subliminar permeando a aula. Demanda muito do professor, ou do organizador de professores, mas ao mesmo tempo encurta as distâncias a serem percorridas entre o não saber e o saber. Torna as aulas mais interessantes, aumenta as possibilidades de encontros com o diverso de si, favorece a que se criem espelhos de reconhecimento na diversidade.
Para além de um forrozeiro, Evando é um grande professor e didata. Me inspirou a seguir na pesquisa pedagógica, no enfrentamento do imprevisível, no equilíbrio entre o possível e o caos que pode surgir se uma estrutura didática não estiver solidamente desenhada.
Atuar nesse limites, ousar entrar em sala de aula com um tecido de possibilidades e não perder de vista o tecido invisível que surge a partir da vinda intervenção do inspirador para o inspirado, desde o mestre para o aprendiz me sugere ser o cerne do que identificar em cada grande professor que encontrei em meus caminhos. Salve o forró! Salve Evandro Paz.

Giulia Vercelli
Giulia Vecelli
Natural de: Turim, Itália
Vive em: Berlim, Alemanha
Profissão: Arquiteta
No Forró desde: 2015
Frequentadora do Forró
Hábitos Forrozeiros: Eu sempre bebo muita água e não como nada durante a festa, só depois quando a larica chega. Roupa de forrozeira tem que ser bem confortável, pois precisa aguentar dançar durante muitas horas sem suar demais e sem morrer de dor nos pés. Eu gosto que seja roupa bem feminina e colorida ao mesmo tempo. No meu caso se tornou um estilo no qual me identifico e que representa bastante a minha personalidade.
“Forró pra mim é um estilo de vida gostoso, é respeitar e abraçar o outro, é compartilhar energia, é entregar um pedacinho de si. O Forró me trouxe muita confiança, tanto no meu corpo quanto nas minhas capacidades e potencialidades. Talvez seja por isso que eu sinto uma profunda gratidão e uma forte ligação com os amigos e professores que conheci durante essa fase de transformação. O Forró despertou em mim o ser mulher, me ensinando como ser mais confiante em mim mesma...”
“ Meu nome é Giulia (também conhecida como Julia, Ju, Gil, Jules, Giuly, Giu, Julieta...eu gosto muito dos meus apelidos) e sou de Turim, na Itália, sou formada em arquitetura e urbanismo e morei no Brasil de 2012 até 2019. Minha infância foi muito gostosa e feliz, brinquei muito na rua. Na juventude comecei a experimentar acho que quase todos os tipos de dança que existem, mas sempre desistia, porque não me sentia à vontade. Antes de me sentir realizada no Forró, eu achava que não tinha nenhuma habilidade como dançarina. E durante muito tempo eu estive bastante insegura sobre o meu corpo e incomodada com ele.
Descobri o Forró por acaso em 2015 e nunca mais consegui viver sem ele. Em 2016 comecei a fazer aulas no Remelexo (Brasil) em São Paulo, e assim iniciei meu percurso de imersão na dança e na cultura brasileira.
Participei do grupo Mulheres que Conduzem e atualmente moro em Berlim, na Alemanha, onde continuo participando ativamente da cena do Forró. Com toda certeza posso afirmar que no Forró me encontrei e me libertei. Me encontrei como dançarina e me libertei como mulher, aprendendo muito sobre a linguagem corporal dentro e fora da pista de dança.
O Forró despertou em mim o ser mulher, me ensinando como ser mais confiante em mim mesma. Me refiro à uma maior confiança na dança, pois descobri que existia uma dança na qual eu era até que boa. E confiança sobre o meu corpo, logo percebi que existia em mim uma sensualidade que finalmente tinha encontrado o caminho certo pra se expressar. Senti também como a minha personalidade e o meu caráter foram se afirmando de maneira mais clara: ao me expor na pista de dança consegui vencer minha timidez e comecei a apreciar mais tudo de mim.
Comecei a sentir uma energia muito boa e muito grande, e isso fez alimentar o meu doce vício pela dança: além de frequentar as casas de Forró de 3 a 4 vezes por semana, comecei a participar de vários festivais e criei lindas amizades que perduram até hoje. Descobri no Forró um ambiente muito amigável, acolhedor e sem julgamento, diferentemente de outros circuitos de dança que até então tinha conhecido. Provavelmente foi este o grande diferencial para uma pessoa mais reservada e discreta como eu, resultando na minha total entrega à essa linda cultura forrozeira.
A minha história dentro do Forró trata então de um caminho de descobertas, que ainda não acabaram. A mais recente delas é a condução, que se tornou o foco dos meus estudos e uma nova grande paixão e diversão. Além de treinar a condução invertida, gosto muito de ser condutora e percebo como a cada dia mais tanto homens quanto mulheres gostam de testar essa inversão dos papéis.
Acho fundamental conhecer os dois papéis, não só por uma questão de conhecimento a 360° da dança, mas também para poder dançar com quem está mais tímido e não tem coragem de se jogar na pista, com os iniciantes e com quem acha que já sabe de tudo, mas na verdade nunca tentou ver o outro lado e entender suas dificuldades. A cultura forrozeira hoje faz parte de mim, do meu estilo de vida, e o Forró é o melhor vício do mundo.
O meu dia a dia antes da Pandemia ficava em volta de: "que dia que vai ter qual Forró, em qual lugar?". Assim como qualquer roupa ou sapato novo que eu pensasse em comprar tinha que ser avaliado segundo o princípio do: "vou poder dançar confortavelmente com isso?". Eu sempre tive hábitos felizes no Forró. Uma rotina focada no prazer da dança e no encontro dos amigos.
Umas das coisas que mais amo no Forró: a galera quase não bebe, está lá pra viver a dança. E pra isso precisa se hidratar bastante. Eu sempre bebo muita água e não como nada durante a festa, só depois quando a larica chega. Roupa de forrozeira tem que ser bem confortável, pois precisa aguentar dançar durante muitas horas sem suar demais e sem morrer de dor nos pés. Eu gosto que seja roupa bem feminina e colorida ao mesmo tempo. No meu caso se tornou um estilo no qual me identifico e que representa bastante a minha personalidade.
Aqui na Alemanha esses hábitos tiveram que se redimensionar pela menor ou diferente oferta de eventos, mas continuo ouvindo minhas playlists de Forró quase todos os dias. Minhas principais influências no Forró foram os amigos que conheci nas aulas, porque graças a eles tive a coragem de me jogar nas baladas e assim tive o prazer de conhecer as minhas bandas favoritas (Ó do Forró em primeiro lugar). Meus mestres são o Dominguinhos, Marinês, Jackson do Pandeiro, Marinalva, Ary Lobo...e do lado da dança são sem dúvida as professoras Fernanda Squariz, iris De franco e o Evandro Paz, e também o meu grande amigo e parceiro de condução invertida Christian Kida.
Eu acredito que o meu estilo miudinho de dançar tenha uma clara influência do Forró Universitário, especialmente do Remelexo, a primeira casa de Forró onde fiz aula. Mas eu gosto muito de assimilar passos de outros estilos ou professores. Assim como continuo estudando e aprendendo novas movimentações e tento encaixar tudo isso na minha dança.”
Maratona de Forró
“A minha história marcante no Forró tem a ver com uma época bem especial que eu estava vivendo, em específico no inverno de 2018. Era final de julho e eu tinha acabado de entregar a versão final da minha dissertação de mestrado: estava então finalmente de férias, esperando a defesa final em setembro. Pra mim o período do mestrado foi bastante sofrido, por motivos pessoais e acadêmicos. Teve um momento que quase larguei tudo e quis voltar pra Itália.
A melhor forma de comemorar a minha perseverança foi então planejar uma Forró-semana: durante 8 noites seguidas fui dançar em 4 lugares diferentes de São Paulo. Foi uma das melhores experiências que já inventei fazer, muito divertida e empolgante – principalmente com o apoio de uma boa torcida de amigos que acompanharam com entusiasmo essa aventura. Com certeza poderia ter sido o treinamento perfeito para algum festival: pena que no final dessa maratona o meu corpo não aguentou o cansaço e fiquei com febre por 1 semana. Mas valeu a pena e faria tudo de novo.
O cronograma foi esse: de uma segunda-feira até à segunda-feira seguinte, começando pelo meu evento favorito, o Forró de Terno no Remelexo (Pinheiros), terça-feira Forró Cedinho (Pinheiros), quarta-feira Jai Club (Vila Mariana), quinta-feira Forró no Terraço (no Terraço 775, um hostel na Vila Mariana), sexta-feira Canto da Ema (Pinheiros), sábado Remelexo, domingo a tradicional Missa no Remelexo e enfim segunda-feira outro Terno pra terminar com chave de ouro (e pés inflamados).
São Paulo é o paraíso do forrozeiro, todos os dias da semana pode-se encontrar algum evento de Forró em algum canto da cidade. Era isso que queria comprovar e sucedi no meu propósito. Assim como percebi que eu não era a única assídua frequentadora destas badaladas noites paulistanas. O forrozeiro geralmente tem seus lugares e dias favoritos pra dançar, então é absolutamente normal encontrar os mesmos rostos nos mesmos eventos. Eu pessoalmente gosto muito disso, pois acaba criando-se uma rotina familiar.
Se eu pudesse refazer uma outra Forró-semana agora, com certeza ampliaria o espectro de ação, incluindo no roteiro também o Baile dos Ratos, o Bar do Baixo e aproveitaria para conhecer novos lugares. Mas exatamente como acabei de descrever, eu também faço parte dessa categoria de forrozeiros apaixonados que tem seus lugares favoritos e acaba indo sempre nos mesmos.”
Natural de: Turim, Itália
Vive em: Berlim, Alemanha
Profissão: Arquiteta
No Forró desde: 2015
Frequentadora do Forró
Hábitos Forrozeiros: Eu sempre bebo muita água e não como nada durante a festa, só depois quando a larica chega. Roupa de forrozeira tem que ser bem confortável, pois precisa aguentar dançar durante muitas horas sem suar demais e sem morrer de dor nos pés. Eu gosto que seja roupa bem feminina e colorida ao mesmo tempo. No meu caso se tornou um estilo no qual me identifico e que representa bastante a minha personalidade.
“Forró pra mim é um estilo de vida gostoso, é respeitar e abraçar o outro, é compartilhar energia, é entregar um pedacinho de si. O Forró me trouxe muita confiança, tanto no meu corpo quanto nas minhas capacidades e potencialidades. Talvez seja por isso que eu sinto uma profunda gratidão e uma forte ligação com os amigos e professores que conheci durante essa fase de transformação. O Forró despertou em mim o ser mulher, me ensinando como ser mais confiante em mim mesma...”
“ Meu nome é Giulia (também conhecida como Julia, Ju, Gil, Jules, Giuly, Giu, Julieta...eu gosto muito dos meus apelidos) e sou de Turim, na Itália, sou formada em arquitetura e urbanismo e morei no Brasil de 2012 até 2019. Minha infância foi muito gostosa e feliz, brinquei muito na rua. Na juventude comecei a experimentar acho que quase todos os tipos de dança que existem, mas sempre desistia, porque não me sentia à vontade. Antes de me sentir realizada no Forró, eu achava que não tinha nenhuma habilidade como dançarina. E durante muito tempo eu estive bastante insegura sobre o meu corpo e incomodada com ele.
Descobri o Forró por acaso em 2015 e nunca mais consegui viver sem ele. Em 2016 comecei a fazer aulas no Remelexo (Brasil) em São Paulo, e assim iniciei meu percurso de imersão na dança e na cultura brasileira.
Participei do grupo Mulheres que Conduzem e atualmente moro em Berlim, na Alemanha, onde continuo participando ativamente da cena do Forró. Com toda certeza posso afirmar que no Forró me encontrei e me libertei. Me encontrei como dançarina e me libertei como mulher, aprendendo muito sobre a linguagem corporal dentro e fora da pista de dança.
O Forró despertou em mim o ser mulher, me ensinando como ser mais confiante em mim mesma. Me refiro à uma maior confiança na dança, pois descobri que existia uma dança na qual eu era até que boa. E confiança sobre o meu corpo, logo percebi que existia em mim uma sensualidade que finalmente tinha encontrado o caminho certo pra se expressar. Senti também como a minha personalidade e o meu caráter foram se afirmando de maneira mais clara: ao me expor na pista de dança consegui vencer minha timidez e comecei a apreciar mais tudo de mim.
Comecei a sentir uma energia muito boa e muito grande, e isso fez alimentar o meu doce vício pela dança: além de frequentar as casas de Forró de 3 a 4 vezes por semana, comecei a participar de vários festivais e criei lindas amizades que perduram até hoje. Descobri no Forró um ambiente muito amigável, acolhedor e sem julgamento, diferentemente de outros circuitos de dança que até então tinha conhecido. Provavelmente foi este o grande diferencial para uma pessoa mais reservada e discreta como eu, resultando na minha total entrega à essa linda cultura forrozeira.
A minha história dentro do Forró trata então de um caminho de descobertas, que ainda não acabaram. A mais recente delas é a condução, que se tornou o foco dos meus estudos e uma nova grande paixão e diversão. Além de treinar a condução invertida, gosto muito de ser condutora e percebo como a cada dia mais tanto homens quanto mulheres gostam de testar essa inversão dos papéis.
Acho fundamental conhecer os dois papéis, não só por uma questão de conhecimento a 360° da dança, mas também para poder dançar com quem está mais tímido e não tem coragem de se jogar na pista, com os iniciantes e com quem acha que já sabe de tudo, mas na verdade nunca tentou ver o outro lado e entender suas dificuldades. A cultura forrozeira hoje faz parte de mim, do meu estilo de vida, e o Forró é o melhor vício do mundo.
O meu dia a dia antes da Pandemia ficava em volta de: "que dia que vai ter qual Forró, em qual lugar?". Assim como qualquer roupa ou sapato novo que eu pensasse em comprar tinha que ser avaliado segundo o princípio do: "vou poder dançar confortavelmente com isso?". Eu sempre tive hábitos felizes no Forró. Uma rotina focada no prazer da dança e no encontro dos amigos.
Umas das coisas que mais amo no Forró: a galera quase não bebe, está lá pra viver a dança. E pra isso precisa se hidratar bastante. Eu sempre bebo muita água e não como nada durante a festa, só depois quando a larica chega. Roupa de forrozeira tem que ser bem confortável, pois precisa aguentar dançar durante muitas horas sem suar demais e sem morrer de dor nos pés. Eu gosto que seja roupa bem feminina e colorida ao mesmo tempo. No meu caso se tornou um estilo no qual me identifico e que representa bastante a minha personalidade.
Aqui na Alemanha esses hábitos tiveram que se redimensionar pela menor ou diferente oferta de eventos, mas continuo ouvindo minhas playlists de Forró quase todos os dias. Minhas principais influências no Forró foram os amigos que conheci nas aulas, porque graças a eles tive a coragem de me jogar nas baladas e assim tive o prazer de conhecer as minhas bandas favoritas (Ó do Forró em primeiro lugar). Meus mestres são o Dominguinhos, Marinês, Jackson do Pandeiro, Marinalva, Ary Lobo...e do lado da dança são sem dúvida as professoras Fernanda Squariz, iris De franco e o Evandro Paz, e também o meu grande amigo e parceiro de condução invertida Christian Kida.
Eu acredito que o meu estilo miudinho de dançar tenha uma clara influência do Forró Universitário, especialmente do Remelexo, a primeira casa de Forró onde fiz aula. Mas eu gosto muito de assimilar passos de outros estilos ou professores. Assim como continuo estudando e aprendendo novas movimentações e tento encaixar tudo isso na minha dança.”
Maratona de Forró
“A minha história marcante no Forró tem a ver com uma época bem especial que eu estava vivendo, em específico no inverno de 2018. Era final de julho e eu tinha acabado de entregar a versão final da minha dissertação de mestrado: estava então finalmente de férias, esperando a defesa final em setembro. Pra mim o período do mestrado foi bastante sofrido, por motivos pessoais e acadêmicos. Teve um momento que quase larguei tudo e quis voltar pra Itália.
A melhor forma de comemorar a minha perseverança foi então planejar uma Forró-semana: durante 8 noites seguidas fui dançar em 4 lugares diferentes de São Paulo. Foi uma das melhores experiências que já inventei fazer, muito divertida e empolgante – principalmente com o apoio de uma boa torcida de amigos que acompanharam com entusiasmo essa aventura. Com certeza poderia ter sido o treinamento perfeito para algum festival: pena que no final dessa maratona o meu corpo não aguentou o cansaço e fiquei com febre por 1 semana. Mas valeu a pena e faria tudo de novo.
O cronograma foi esse: de uma segunda-feira até à segunda-feira seguinte, começando pelo meu evento favorito, o Forró de Terno no Remelexo (Pinheiros), terça-feira Forró Cedinho (Pinheiros), quarta-feira Jai Club (Vila Mariana), quinta-feira Forró no Terraço (no Terraço 775, um hostel na Vila Mariana), sexta-feira Canto da Ema (Pinheiros), sábado Remelexo, domingo a tradicional Missa no Remelexo e enfim segunda-feira outro Terno pra terminar com chave de ouro (e pés inflamados).
São Paulo é o paraíso do forrozeiro, todos os dias da semana pode-se encontrar algum evento de Forró em algum canto da cidade. Era isso que queria comprovar e sucedi no meu propósito. Assim como percebi que eu não era a única assídua frequentadora destas badaladas noites paulistanas. O forrozeiro geralmente tem seus lugares e dias favoritos pra dançar, então é absolutamente normal encontrar os mesmos rostos nos mesmos eventos. Eu pessoalmente gosto muito disso, pois acaba criando-se uma rotina familiar.
Se eu pudesse refazer uma outra Forró-semana agora, com certeza ampliaria o espectro de ação, incluindo no roteiro também o Baile dos Ratos, o Bar do Baixo e aproveitaria para conhecer novos lugares. Mas exatamente como acabei de descrever, eu também faço parte dessa categoria de forrozeiros apaixonados que tem seus lugares favoritos e acaba indo sempre nos mesmos.”
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